quarta-feira, Julho 30, 2014

Memórias de Verdun - 100º aniversário do início da I Guerra Mundial

Numa altura em que se assinala o 100 aniversário do início da I Guerra Mundial, recordo a minha visita a Verdun, então palco de uma encarniçada batalha que durou 10 meses e vitimou quase 700.000 soldados mas que hoje enverga o epíteto de "Capital Mundial da Paz". Este é um túmulo colectivo gigantesco no qual estão sepultados não só soldados mas também povoações e os sonhos de várias gerações. 

A Batalha de Verdun

Uma aldeia de Verdun. Antes e depois.
A Batalha de Verdun é o paradigma da irracionalidade de quem decidiu e dirigiu a I Guerra Mundial. Quando a mobilização geral foi decretada em cada país à medida que as declarações de guerra se iam sucedendo, todos os soldados, comandantes e governantes estavam convencidos de terem a razão e a superioridade do seu lado e de que estariam de regresso a casa antes do Natal. Só que a guerra mudou, prolongou-se, tornou-se uma trituradora de corpos e em 1916 não se via o seu fim.

Usando a racionalidade dos números, o general alemão Falkenhein propôs um plano simples pela sua lógica: se os alemães tinham mais soldados que os franceses, então numa batalha de atrito, havendo igual número de baixas em ambos os lados, os vencedores seriam inevitavelmente os alemães. Escolheu-se o palco para pôr em prática este plano: seria Verdun, espinho cravado na frente de batalha e local sagrado do ideário nacional da França, como Guimarães o é para Portugal. 

A 21 de Fevereiro iniciou-se o ataque alemão com fogo concentrado de 1200 peças de artilharia sobre 10km das linhas francesas. Em 2 dias apenas, caíram sobre o estas mais de 2 milhões de projécteis! Decidido a não ceder, o general Pétain ordenou a resistência a todo o preço, celebrizando a frase "Não passarão!", isto apesar de fortalezas-chave da região terem sido tomadas, algumas delas sem resistência, tal era a desorganização.

Fazendo de Verdun um prelúdio de Estalinegrado, reforços foram sendo continuamente enviados para a linha da frente através da única via de comunicação que não tinha sido cortada pelos alemães, a estrada que receberia a partir daí o nome de "Via Sagrada". Um veículo com tropas a 14 segundos, segundo dizem.

10 meses depois, após inúmeros avanços e recuos, tinham sido restabelecidas de grosso modo as posições do início da batalha. Por nada, tinham morrido cerca de 350.000 franceses e 320.000 alemães e várias povoações tinham sido apagadas do mapa para sempre.

A necrópole e o ossário de Douaumont

Partindo de Douaumont, local dominado pela torre do Ossário, descobre-se a Necrópole Nacional, formada pelo grupo principal de sepulturas individuais e por outros grupos mais pequenos e memoriais que se encontram dispersos um pouco por todo o lado. A torre tem a forma de um projéctil de artilharia e à noite funciona como farol simbólico, sendo visível a muitos quilómetros de distância. Do seu topo domina-se o cenário do antigo campo de batalha

Ao todo e sem distinção de nacionalidades ou religiões encontram-se no ossário restos de cerca de 130.000 soldados recolhidos no campo de batalha até muito depois do fim da Guerra. Sepulturas individuais são mais de 16.000. É difícil explicar o peso que se sente especialmente neste local mas também em cada memorial ou sepultura que se descobre no silêncio da floresta que rodeia o local.

Vista do edifício principal do Ossário para lá do cemitério.


O edifício do Ossário, simbolizando a forma como os soldados franceses deram o peito às balas, formando a barreira que deteve os alemães.


Outra vista do cemitério


Outra ainda


Metade do cemitério vista do alto da torre do Ossário. Há 98 anos atrás todo este cenário era uma paisagem lunar, pintada em cinza e castanho e os bosques tinham desaparecido.

Uma volta pelas redondezas

Partindo do Ossário, sem nenhum objectivo concreto, caminhei pelos bosques dos arredores durante algumas horas. A primeira coisa que notei foi a irregularidade do terreno devido às marcas, já algo esmorecidas, do bombardeamento indiscriminado a que esta zona foi sujeita.
Marcas de crateras sobre uma fortificação subterrânea da qual se avista um respiradouro já bastante exposto.

No meio da vegetação, tropeça-se frequentemente em ferro e betão. É preciso ter em conta que esta era uma região fortificada e que o espaço entre os fortes principais estava preenchido com fortins, abrigos e trincheiras.

A fortificação de Thiaumont é bom um exemplo disso. Situada no ponto máximo do avanço alemão, esta fortificação mudou de mãos mais de 20 vezes antes de ser definitivamente reconquistada em Outubro de 1916. Já pouco sobrava da sua estrutura nessa altura.


Campânula de observação em aço da fortificação de Thiaumont, arrancada da sua base pelo impacto directo de um projéctil de artilharia. 


Outro aspecto da fortificação de Thiaumont, com dois monumentos em memória de soldados que aí perderam a vida.


Um abrigo de infantaria semi-enterrado mostra o resultado do impacto directo de um projéctil de artilharia. A espessa couraça de betão armado foi insuficiente para proteger os soldados que ali estavam abrigados.

Mais à frente um conjunto de 4 respiradouros chamou a minha atenção. Tratava-se do "Abrigo das 4 chaminés", destinado a acolher temporariamente feridos antes de serem enviados para a rectaguarda e a proporcionar abrigo e descanso aos soldados. Não chegou a ser conquistado pelos alemães, pelo menos não inteiramente já que a dada altura, os alemães conseguiram estabelecer uma posição sobre o abrigo que albergava no seu interior muitos soldados franceses.

Os relatos dão conta desse momento delicado. Tendo tomado posição sobre o abrigo, os alemães começaram a lançar granadas e gás pelos respiradouros e tentaram entrar pelas duas entradas do abrigo. Encurralados, os franceses acederam fogueiras sob as chaminés e junto das escadarias para tentar fazer sair o gás pela acção do ar quente e ripostaram com as suas espingardas e metralhadoras às investidas alemãs.

Nem todos tinham infelizmente máscaras de gás e aqueles que as tinham tiveram de ver os seus camaradas agonizar no chão frio das galerias. Os alemães acabaram por ser desalojados pela artilharia francesa que se encontrava no monte oposto e que, ao aperceber-se da situação, disparou sobre o abrigo.


Uma das quatro "chaminés"


Uma das duas entradas do abrigo flanqueadas por sua vez por duas casamatas


Embora o aspecto e os avisos de segurança fossem desencorajadores, a curiosidade foi mais forte e acabei por me aventurar no interior do abrigo


No interior a escuridão é total. Sem lanterna, avancei graças ao flash da máquina fotográfica.


As galerias onde se acumulavam os soldados franceses

O Forte de Douaumont

O forte de Douaumont antes e depois da batalha
Construído para, em conjunto com os fortes próximos de Vaux e Souville servir de ferrolho da região fortificada de Verdun, o caso do forte de Douaumont é bem a prova da desorganização do exército francês perante a ofensiva alemã de 1916, tendo sido tomado sem esforço 4 dias depois do início da ofensiva.

Perante o maciço ataque alemão, o forte que tinha capacidade para 800 homens encontrava-se apenas guarnecido com 60 que, sem conhecimento da situação operacional e sem qualquer comunicação com o restante dispositivo de defesa, se limitavam a disparar os poucos canhões sobre alvos pré-estabelecidos antes dos combates.

Um pequeno grupo de alemães que tinha conseguido escalar a escarpa e chegar ao fosso do forte, percebeu que não havia grande oposição e voltou atrás para chamar reforços. A pequena guarnição foi apanhada de surpresa e rendeu-se sem oposição. 

Em Outubro, o forte voltaria a mudar de mãos sem oferecer resistência quando, após um violento incêndio no seu interior provocados por projécteis de artilharia que tinham conseguido perfurar a sua espessa couraça, os poucos alemães que haviam ficado para trás foram surpreendidos por soldados marroquinos do exército francês e renderam-se por sua vez.


O corpo central do forte em 2007 


A torre eclipsante de canhão de 155mm.


Corredor de acesso ao interior do forte, com chicane de metralhadoras (os dois muros com abertura no centro)


Secção selada após uma explosão provocada por um lança-chamas. Atrás da parede ficaram sepultados quase 700 alemães mortos por essa explosão.

As aldeias "mortas pela França"

Outros monumentos existentes nas redondezas recordam que as vítimas da guerra não são apenas militares. No sector de Verdun a batalha apagou do mapa nada mais nada menos que 9 localidades, 6 das quais nunca voltariam a ser construídas em parte pela dimensão da destruição mas também pela poluição provocada pelas munições utilizadas e pelo risco de existência de projécteis por detonar (ver 1ª imagem deste artigo).

Visitei dois locais onde outrora tinham existido aldeias. A primeira foi Fleury-devant-Douaumont, aldeia que antes da batalha tinha mais de 422 habitantes e que no decurso desta mudou de mãos 16 vezes, tendo por isso ficado em completa ruína. Hoje o local consiste essencialmente numa floresta cujo solo, onde abundam vestígios de materiais de construção, é extremamente irregular devido às crateras resultantes dos constantes bombardeamentos. O único edifício que ali se encontra é a capela de Nossa Senhora da Europa e a povoação continua a ser sede de comuna e tem também um maire (presidente de Câmara), nomeado a título simbólico, embora não tenha qualquer habitante. 


Marco junto à estrada recorda a aldeia desaparecida de Fleury-devant-Douaumont. Este marco foi construído com recurso a restos das casas da aldeia.

No local onde outrora se situavam os principais edifícios da aldeia, encontram-se pequenos marcos a recordar esse facto, neste caso o edifício que servia de câmara municipal e escola. 

 Indicação da orientação da antiga Rua de São Nicolau. No solo irregular são visíveis os restos de materiais de construção daquilo que foi outrora a aldeia.



A outra aldeia que visitei foi a de Douaumont, situada em frente ao forte com o mesmo nome, cuja recordação se fez pela colocação de marcos com os nomes dos habitantes e respectivas profissões ao longo da estrada. Também os edifícios mais importantes e as fontes são evocadas nesta alameda de memórias.

Uma capela, único edifício actualmente existente no local, ergue-se para assinalar o local onde outrora existiu a igreja da aldeia e é aqui que anualmente, no 2º Domingo de Outubro, se realiza uma missa em memória dos caídos à qual assistem os descendentes dos antigos habitantes de Douaumont.


Entrada em Douaumont, outra "aldeia morta pela França"



A rua onde se recordam alguns dos seus 288 habitantes

Em memória do Sr. Théophile Lamorlette, tecelão de profissão.


A Trincheira das Baionetas, da lenda à realidade

A certa altura fui parar a um memorial invulgar, a Trincheira das Baionetas. Trata-se de uma estrutura em betão armado construída por iniciativa estado-unidense como memorial em honra dos soldados mortos na I Guerra Mundial neste local como refere a inscrição sobre a entrada.

"Em memória dos soldados franceses que dormem de pé com a espingarda na mão nesta trincheira, (pel)os seus irmãos da América"

Um panfleto que tinha recolhido num museu ali perto conta a história desta trincheira. Os soldados franceses estavam aqui prontos, com a espingarda na mão, para carregarem sobre os alemães quando um tiro certeiro de artilharia alemã os enterrou vivos, deixando apenas as baionetas expostas como marcas de uma sepultura imprevista.

Na verdade a história é muito menos heróica e situa-se num nível diferente de tragédia. Tratava-se afinal de uma vala comum na qual foram enterrados alguns soldados, tendo as espingardas sido usadas para marcar o local de enterramento de cada um deles. A evocação heróica e patriótica da valentia dos soldados franceses encarregou-se depois de dar um tom romântico à história.


As sepulturas da Trincheira das Baionetas. Estas últimas entretanto já desapareceram e apenas se vê a ponta da espingarda perto de cada cruz. Ao todos havia nesta vala 21 soldados. 14 foram trasladados para a necrópole de Douaumont.

O memorial não é só local de morte mas também de vida, tendo em conta a pequena colónia de morcegos que aqui encontrou as condições ideais para se abrigar.

Outros monumentos

Como referi, na região de Verdun abundam os locais de memória dos que tombaram durante a I Guerra Mundial. É claro que Verdun é um local emblemático pelo seu significado na construção da identidade francesa e por isso terá um valor simbólico acrescido mas também é importante referir que não faltam cemitérios e monumentos noutras paragens do Nordeste. Isto para não falar dos monumentos em honra dos mortos da I Guerra que existem em praticamente todas as localidades de França, com maior ou menor modéstia, aos quais foi depois acrescentada a referência aos mortos da II Guerra.

Dos memoriais que encontrei à volta do Ossário, eis os que me pareceram mais interessantes:


Monumento em memória dos 28.000 soldados muçulmanos mortos em combate, principalmente forças coloniais magrebinas e senegalesas. Construído em apenas 3 meses de 2006, foi no entanto necessário proceder previamente à desminagem do terreno. Nesse trabalho foram encontradas 219 munições (balas, obuses e granadas) assim como os restos mortais de um soldado cuja identidade (e religião) se desconhece.



Inaugurado em 1938, o memorial domina a secção do cemitério onde estão sepultados alguns dos muitos soldados judeus caídos no campo de batalha. Judeus e muçulmanos morreram e foram aqui sepultados de igual forma e não constam que se dêem mal.



Monumento a André Thome, deputado que abdicou da possibilidade de não ser incorporado conferida pelo seu estatuto de político para se voluntariar para a frente de combate. Morreu em Verdun a 10 de Março de 1916 com 36 anos de idade.



Monumento a André Maginot, deputado de Bar-le-Duc e ministro, que se alistou voluntariamente como soldado raso tendo sido ferido num joelho em combate. Como Ministro da Guerra, foi grande defensor da construção de uma fronteira fortificada com a Alemanha que viria a ser chamada de Linha Maginot. De pouco serviria durante a II Guerra Mundial (ver aqui artigo sobre a visita ao impressionante forte Hackenberg).


Um covilhanense morto em Verdun

Nos arquivos do Ministério da Defesa de França, é possível encontrar uma relação dos soldados mortos em Verdun. Entre eles encontram-se muitos portugueses mas um deles chamou-me a atenção. Trata-se de um tal de Jean Georges Haudecoeur, cabo do 165º Regimento de Infantaria, falecido no hospital militar de Verdun na sequência de ferimentos sofridos em combate 4 em Setembro de 1914, portanto logo nos primeiros combates da I Guerra. Curiosamente, embora tenha um nome francês, o registo de óbito aponta-o como tendo nascido em Portugal, mais precisamente em "Covilhan". 



Imagem aérea: Fórum AR15.com, Strange Military

sexta-feira, Julho 25, 2014

Os carrosséis são para todos!


Ontem, na feira de S. Tiago na Covilhã, a afluência às diversões era bastante -como dizer?- heterogénea.

segunda-feira, Julho 21, 2014

E se isto vos aparecesse à frente?

Durante o último fim-de-semana, enquanto caminhava placidamente e admirava montras num centro comercial aqui bem perto, estaquei subitamente diante de um folheto promocional de uma empresa de informática e sistemas de segurança.



Em grande destaque, o folheto aconselhava-me de forma imperativa a proteguer os meus bens dos amigos do alheiro. Por um lado fiquei satisfeito porque sinceramente acho uma pena o verbo proteguer não ser mais usado pelas pessoas no dia-a-dia porque até é um verbo catita. Eu protego, tu protegues, ele protegue... É bonito! No entanto, também fiquei muito triste porque se estava a discriminar de forma completamente despudorada os amigos do alheiro. Acho muito mal e explico porquê.

O alheiro é um indivíduo que vende alhos para ganhar a vida e que merece à partida elevada consideração porque, bem vistas as coisas, para além de conviver com um cheiro que não é agradável e que o torna pouco atractivo até ao mais faminto dos vampiros, também deve ser constantemente vítima de piadas fáceis nas quais se emprega de forma algo criativa a palavra "alho". Admitamos, não deve ser fácil fazer amigos e se, ainda por cima, começamos a instalar por aí sistemas de alarme destinados a mantê-los ao largo, qual será a motivação para estabelecer relações de amizade com o senhor alheiro quando se sabe à partida que se vai ser discriminado por esta espécie de sapo verde tecnológico

Um pouco mais abaixo no folheto, encontrei ainda outra referência que me escandalizou: o "kit de desacopulador". Que diabos! O país enfrenta neste momento uma grave crise de natalidade, de tal magnitude que o Primeiro-Ministro já não sabe se há de mandar lixar com "f" os portugueses de forma gratuita ou se também os vai ter de subsidiar nessa actividade e o Presidente da República, que se calhar até já dobrou o cabo da andropausa,  até já pergunta em público o que é preciso fazer para que nasçam crianças, e há gente a ganhar dinheiro com dispositivos desacopuladores? Está bem que o dispositivo em causa tem apenas 7500 Gauss de força e, como tal, nunca conseguirá ser mais interessante que um pé-de-cabra ou um balde de água fria na tarefa de interromper cópulas mas está-se a passar aqui a mensagem errada, senhores.

Foi com tudo isto em mente que optei por desacopular dali para forma para me proteguer de ficar excessivamente indignado. Ele há com cada uma...!

terça-feira, Julho 15, 2014

Quando o civismo também entra em défice...

...nada melhor que colocar a eloquência ao serviço da pedagogia, como é possível ver neste aviso manuscrito afixado numa parede algures na cidade do Fundão. Para além da ausência de erros ortográficos e não olhando à construção frásica, há um aspecto que merece ser destacado e que faz com que este aviso toque na mouche em relação aos seus destinatários: a culpa não é dos cães mas sim dos seus donos e da falta de civismo destes. 


quarta-feira, Junho 25, 2014

A apreciável saúde oral de Luiz Suárez


Mais que golos bonitos, jogos entusiasmantes e jogadas de génio, o dia de ontem no Campeonato do Mundo de futebol ficou marcado pela dentada que o intratável uruguaio Luis Suárez ferrou no ombro do não menos intratável italiano Giorgio Chiellini (ver aqui). Já famoso pelas suas vigorosas demonstrações de saúde oral, que lhe valeram um total de 17 jogos de castigo, Suárez arrisca-se agora a mais um pesado castigo por parte da FIFA e, na pior das hipóteses, a assistir ao resto do Mundial no sofá. Triste sina para um jogador tão habilidoso mas com a infelicidade de ter um cérebro cuja parte reptiliana é predominante.

sexta-feira, Junho 13, 2014

Divulgação: Jornadas para a salvaguarda do património cultural imaterial da Beira Interior

Contribuir para a salvaguarda e uma mais ampla percepção da riqueza e diversidade do Património Cultural Imaterial da Beira Interior, este é o mote para as jornadas que amanhã têm lugar no auditório da Moagem no Fundão, com um programa de altíssima qualidade. 

Esta iniciativa é mais uma etapa de um projecto amplo, que pretende abranger todo o território nacional, promovendo e valorizando à escala local as mais diversas e singulares expressões culturais imateriais que, no seu todo, contribuem para a criação da identidade do país.

É uma iniciativa a não perder por todos os que se interessam pelo património e que amam a sua região, sendo o valor da inscrição -5 euros-  quase simbólico.

As inscrições podem ser feitas amanhã na Moagem ou através dos seguintes contactos, também disponíveis para prestar informações adicionais:

Ana Carvalho - 966 046 769 / anaemiliacarvalho@cm-fundao.pt
Margarida Silva - 910202420 / associacaopci@outlook.pt



quinta-feira, Junho 05, 2014

A Festa da Cereja 2014 começa já amanhã!


50.000 visitantes, mais de 200 excursões vindas de todo o país, 1.500 participantes nos passeios pelos pomares, meio milhão de euros injectados na economia local e largas toneladas de cerejas comercializadas em diferentes formas e feitios. Estas são as expectativas para a edição de 2014 da Festa da Cereja que tem amanhã início, a partir das 19h na aldeia de Alcongosta, o centro vital de produção da Cereja do Fundão.

Alcongosta, a capital nacional da cereja situada num pomar em forma de vale.

Como sempre acontece, as ruas e casas da aldeia vão encher-se de luzes, cores e movimento para provar o tão delicioso fruto e tudo o que dele é possível produzir, como os já famosos pastéis de cereja. 

Os deliciosos pastéis de cereja. Foto: Município do Fundão


Toneladas de um fruto, este ano excepcionalmente bom, à espera dos visitantes.

Programa (clicar para ampliar):



Como sempre acontece, para evitar desagradáveis congestionamentos, o trânsito automóvel irá ser proibido sendo substituído por um serviço de autocarros com partida/chegada de 15 em 15 minutos, a um preço simbólico de 1 euro.


Ver também:
Fotografias de edições anteriores da festa da cereja no Blog do Katano
Fotografias de edições anteriores da festa da cereja no Pedaços de Alcongosta.

Equipa da Covilhã apurada para a final mundial da Imagine Cup da Microsoft

Filipe Quinaz, Simão Melo de Sousa, Pedro Querido e Luciana Alegre

Após ter vencido a final nacional em Abril último, uma equipa da Covilhã acaba de se apurar para a final mundial  da Imagine Cup, o concurso da Microsoft destinado a premiar projectos tecnológicos inovadores desenvolvidos por estudantes. A equipa The Dians vê assim reconhecido o seu esforço no desenvolvimento do projecto Nuada, uma luva que permite que pessoas com limitações motoras possam segurar e manipular objectos. A final irá decorrer no próximo mês em Seattle, nos Estados Unidos onde poderão mesmo vir conhecer o próprio Bill Gates!

Para chegar a Seattle, os The Dians foram avaliados pelo júri da Microsoft que escolheu apenas 35 de 170 equipas a concurso no Mundo inteiro que venceram a Imagine Cup nos seus países, estando os projectos divididos em 3 categorias: Jogos, Inovação e Cidadania. Esta última é a categoria em que o projecto Nuada está inscrito.

Clicar aqui para ver página sobre a equipa
Clicar aqui para ver as equipas apuradas para a final Mundial

Foto: PC Guia

terça-feira, Junho 03, 2014

Me, my selfie and I


Onde quer que a Junta Directiva do Blog do Katano vá, as solicitações dos fãs não param. O mais chato é quando aparecem pessoas como o idoso da direita, que não parou de nos pedir uns trocos para ajudar a pagar as despesas do mês. 

NOTA: Ao contrário do que por aí corre, esta é que é a selfie original. Não acreditem em imitações.

Pela Gardunha, a época não se faz apenas de cerejas


Com os dias já bastante mais compridos dada a proximidade do solstício de Junho, já é possível dar uns belos passeios ao fim da tarde à volta do Fundão, em busca de um dos tesouros que a Gardunha oferece nesta época para além da cereja. Falo obviamente dos cogumelos que, ao contrário do que alguns poderão pensar, não se circunscrevem ao Outono. Embora as espécies sejam em geral diferentes, há no entanto uma coisa que não muda: os cuidados obrigatórios a ter na recolha.

Boletus reticulatus ou boleto de Verão para os amigos.

O interesse pela procura de cogumelos avivou-se há algum tempo atrás quando, no decurso de uma caminhada, encontrei um belo Boletus reticulatus (mais comummente, "boleto de Verão")  na berma de um caminho. Decidi então voltar ao "local do crime" para procurar mais alguns exemplares mas acabei por encontrar muito mais que isso.

Se daquela espécie de boletos apenas encontrei dois exemplares, já no que diz respeito a russulas e cantarelos encontrei o suficiente para encher a cesta.

Cantharellus pallens, para mim uma estreia em termos de recolha de cantarelos. Inicialmente julguei tratar-se de Cantharellus cibarius mas o enciclopédico José Miguel Pereira desfez o equívoco.

Cantharellus pallens, simplesmente deliciosos!


Russula cyanoxantha. Existem cerca de 750 espécies diferentes do género Russula no Mundo inteiro mas esta é inconfundível e provavelmente a mais saborosa.

Na Russula cyanoxantha a cor pode variar, podendo ter vários tons de violeta, ser esverdeada ou castanha.

A característica distintiva principal da Russula cyanoxantha reside no facto de ser a única em que as lâminas não parte com a pressão, sendo pelo contrário flexíveis e deixando nos dedos uma substância semelhante a gordura. 


Exemplar jovem de Boletus reticulatus, o boleto de Verão. O exemplar que encontrei durante a caminhada tinha um chapéu com quase 20cm de diâmetro.

Seja qual for a altura do ano em que se procure cogumelos, é sempre necessário ter em conta as regras de identificação e recolha de forma a minimizar o impacto no meio ambiente e também para evitar ter alguns dissabores em termos de integridade física. Se a maioria dos cogumelos que encontrei são comestíveis, outros havia que o eram à condição, enquanto outros não o eram de todo.

Russula emetica, cogumelo que quando ingerido cru provoca grandes transtornos gástricos, nomeadamente vómitos, náuseas, cólicas e diarreia. Em contrapartida tem um aroma fantástico. Se tivesse de o descrever diria que se situa entre o odor de fruta bem madura e o de alcaçuz.


Existe no entanto quem use a Russula emetica na culinária e o que é facto é que isso é viável desde que seja cozinhada a mais de 60 graus. Isso não só irá eliminar as toxinas como ainda eliminará o sabor amargo do cogumelo. Pelo menos é o que dizem.


A voltas tantas fui surpreendido com este espécime amarelo que me deixou intrigado. Tratar-se-á possivelmente de um Amanita muscaria variante formosa, que se distingue do nosso bem conhecido cogumelo vermelho de pintas brancas precisamente pela cor do chapéu. É portanto um cogumelo tóxico mas não mortal.


Ao contrário do anterior e à semelhança da Russula emetica, a Amanita rubescens é também comestível mas na condição de ser cozinhada a mais de 60º para eliminar as toxinas que contém. 

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