segunda-feira, Julho 21, 2014

E se isto vos aparecesse à frente?

Durante o último fim-de-semana, enquanto caminhava placidamente e admirava montras num centro comercial aqui bem perto, estaquei subitamente diante de um folheto promocional de uma empresa de informática e sistemas de segurança.



Em grande destaque, o folheto aconselhava-me de forma imperativa a proteguer os meus bens dos amigos do alheiro. Por um lado fiquei satisfeito porque sinceramente acho uma pena o verbo proteguer não ser mais usado pelas pessoas no dia-a-dia porque até é um verbo catita. Eu protego, tu protegues, ele protegue... É bonito! No entanto, também fiquei muito triste porque se estava a discriminar de forma completamente despudorada os amigos do alheiro. Acho muito mal e explico porquê.

O alheiro é um indivíduo que vende alhos para ganhar a vida e que merece à partida elevada consideração porque, bem vistas as coisas, para além de conviver com um cheiro que não é agradável e que o torna pouco atractivo até ao mais faminto dos vampiros, também deve ser constantemente vítima de piadas fáceis nas quais se emprega de forma algo criativa a palavra "alho". Admitamos, não deve ser fácil fazer amigos e se, ainda por cima, começamos a instalar por aí sistemas de alarme destinados a mantê-los ao largo, qual será a motivação para estabelecer relações de amizade com o senhor alheiro quando se sabe à partida que se vai ser discriminado por esta espécie de sapo verde tecnológico

Um pouco mais abaixo no folheto, encontrei ainda outra referência que me escandalizou: o "kit de desacopulador". Que diabos! O país enfrenta neste momento uma grave crise de natalidade, de tal magnitude que o Primeiro-Ministro já não sabe se há de mandar lixar com "f" os portugueses de forma gratuita ou se também os vai ter de subsidiar nessa actividade e o Presidente da República, que se calhar até já dobrou o cabo da andropausa,  até já pergunta em público o que é preciso fazer para que nasçam crianças, e há gente a ganhar dinheiro com dispositivos desacopuladores? Está bem que o dispositivo em causa tem apenas 7500 Gauss de força e, como tal, nunca conseguirá ser mais interessante que um pé-de-cabra ou um balde de água fria na tarefa de interromper cópulas mas está-se a passar aqui a mensagem errada, senhores.

Foi com tudo isto em mente que optei por desacopular dali para forma para me proteguer de ficar excessivamente indignado. Ele há com cada uma...!

terça-feira, Julho 15, 2014

Quando o civismo também entra em défice...

...nada melhor que colocar a eloquência ao serviço da pedagogia, como é possível ver neste aviso manuscrito afixado numa parede algures na cidade do Fundão. Para além da ausência de erros ortográficos e não olhando à construção frásica, há um aspecto que merece ser destacado e que faz com que este aviso toque na mouche em relação aos seus destinatários: a culpa não é dos cães mas sim dos seus donos e da falta de civismo destes. 


quarta-feira, Junho 25, 2014

A apreciável saúde oral de Luiz Suárez


Mais que golos bonitos, jogos entusiasmantes e jogadas de génio, o dia de ontem no Campeonato do Mundo de futebol ficou marcado pela dentada que o intratável uruguaio Luis Suárez ferrou no ombro do não menos intratável italiano Giorgio Chiellini (ver aqui). Já famoso pelas suas vigorosas demonstrações de saúde oral, que lhe valeram um total de 17 jogos de castigo, Suárez arrisca-se agora a mais um pesado castigo por parte da FIFA e, na pior das hipóteses, a assistir ao resto do Mundial no sofá. Triste sina para um jogador tão habilidoso mas com a infelicidade de ter um cérebro cuja parte reptiliana é predominante.

sexta-feira, Junho 13, 2014

Divulgação: Jornadas para a salvaguarda do património cultural imaterial da Beira Interior

Contribuir para a salvaguarda e uma mais ampla percepção da riqueza e diversidade do Património Cultural Imaterial da Beira Interior, este é o mote para as jornadas que amanhã têm lugar no auditório da Moagem no Fundão, com um programa de altíssima qualidade. 

Esta iniciativa é mais uma etapa de um projecto amplo, que pretende abranger todo o território nacional, promovendo e valorizando à escala local as mais diversas e singulares expressões culturais imateriais que, no seu todo, contribuem para a criação da identidade do país.

É uma iniciativa a não perder por todos os que se interessam pelo património e que amam a sua região, sendo o valor da inscrição -5 euros-  quase simbólico.

As inscrições podem ser feitas amanhã na Moagem ou através dos seguintes contactos, também disponíveis para prestar informações adicionais:

Ana Carvalho - 966 046 769 / anaemiliacarvalho@cm-fundao.pt
Margarida Silva - 910202420 / associacaopci@outlook.pt



quinta-feira, Junho 05, 2014

A Festa da Cereja 2014 começa já amanhã!


50.000 visitantes, mais de 200 excursões vindas de todo o país, 1.500 participantes nos passeios pelos pomares, meio milhão de euros injectados na economia local e largas toneladas de cerejas comercializadas em diferentes formas e feitios. Estas são as expectativas para a edição de 2014 da Festa da Cereja que tem amanhã início, a partir das 19h na aldeia de Alcongosta, o centro vital de produção da Cereja do Fundão.

Alcongosta, a capital nacional da cereja situada num pomar em forma de vale.

Como sempre acontece, as ruas e casas da aldeia vão encher-se de luzes, cores e movimento para provar o tão delicioso fruto e tudo o que dele é possível produzir, como os já famosos pastéis de cereja. 

Os deliciosos pastéis de cereja. Foto: Município do Fundão


Toneladas de um fruto, este ano excepcionalmente bom, à espera dos visitantes.

Programa (clicar para ampliar):



Como sempre acontece, para evitar desagradáveis congestionamentos, o trânsito automóvel irá ser proibido sendo substituído por um serviço de autocarros com partida/chegada de 15 em 15 minutos, a um preço simbólico de 1 euro.


Ver também:
Fotografias de edições anteriores da festa da cereja no Blog do Katano
Fotografias de edições anteriores da festa da cereja no Pedaços de Alcongosta.

Equipa da Covilhã apurada para a final mundial da Imagine Cup da Microsoft

Filipe Quinaz, Simão Melo de Sousa, Pedro Querido e Luciana Alegre

Após ter vencido a final nacional em Abril último, uma equipa da Covilhã acaba de se apurar para a final mundial  da Imagine Cup, o concurso da Microsoft destinado a premiar projectos tecnológicos inovadores desenvolvidos por estudantes. A equipa The Dians vê assim reconhecido o seu esforço no desenvolvimento do projecto Nuada, uma luva que permite que pessoas com limitações motoras possam segurar e manipular objectos. A final irá decorrer no próximo mês em Seattle, nos Estados Unidos onde poderão mesmo vir conhecer o próprio Bill Gates!

Para chegar a Seattle, os The Dians foram avaliados pelo júri da Microsoft que escolheu apenas 35 de 170 equipas a concurso no Mundo inteiro que venceram a Imagine Cup nos seus países, estando os projectos divididos em 3 categorias: Jogos, Inovação e Cidadania. Esta última é a categoria em que o projecto Nuada está inscrito.

Clicar aqui para ver página sobre a equipa
Clicar aqui para ver as equipas apuradas para a final Mundial

Foto: PC Guia

terça-feira, Junho 03, 2014

Me, my selfie and I


Onde quer que a Junta Directiva do Blog do Katano vá, as solicitações dos fãs não param. O mais chato é quando aparecem pessoas como o idoso da direita, que não parou de nos pedir uns trocos para ajudar a pagar as despesas do mês. 

NOTA: Ao contrário do que por aí corre, esta é que é a selfie original. Não acreditem em imitações.

Pela Gardunha, a época não se faz apenas de cerejas


Com os dias já bastante mais compridos dada a proximidade do solstício de Junho, já é possível dar uns belos passeios ao fim da tarde à volta do Fundão, em busca de um dos tesouros que a Gardunha oferece nesta época para além da cereja. Falo obviamente dos cogumelos que, ao contrário do que alguns poderão pensar, não se circunscrevem ao Outono. Embora as espécies sejam em geral diferentes, há no entanto uma coisa que não muda: os cuidados obrigatórios a ter na recolha.

Boletus reticulatus ou boleto de Verão para os amigos.

O interesse pela procura de cogumelos avivou-se há algum tempo atrás quando, no decurso de uma caminhada, encontrei um belo Boletus reticulatus (mais comummente, "boleto de Verão")  na berma de um caminho. Decidi então voltar ao "local do crime" para procurar mais alguns exemplares mas acabei por encontrar muito mais que isso.

Se daquela espécie de boletos apenas encontrei dois exemplares, já no que diz respeito a russulas e cantarelos encontrei o suficiente para encher a cesta.

Cantharellus pallens, para mim uma estreia em termos de recolha de cantarelos. Inicialmente julguei tratar-se de Cantharellus cibarius mas o enciclopédico José Miguel Pereira desfez o equívoco.

Cantharellus pallens, simplesmente deliciosos!


Russula cyanoxantha. Existem cerca de 750 espécies diferentes do género Russula no Mundo inteiro mas esta é inconfundível e provavelmente a mais saborosa.

Na Russula cyanoxantha a cor pode variar, podendo ter vários tons de violeta, ser esverdeada ou castanha.

A característica distintiva principal da Russula cyanoxantha reside no facto de ser a única em que as lâminas não parte com a pressão, sendo pelo contrário flexíveis e deixando nos dedos uma substância semelhante a gordura. 


Exemplar jovem de Boletus reticulatus, o boleto de Verão. O exemplar que encontrei durante a caminhada tinha um chapéu com quase 20cm de diâmetro.

Seja qual for a altura do ano em que se procure cogumelos, é sempre necessário ter em conta as regras de identificação e recolha de forma a minimizar o impacto no meio ambiente e também para evitar ter alguns dissabores em termos de integridade física. Se a maioria dos cogumelos que encontrei são comestíveis, outros havia que o eram à condição, enquanto outros não o eram de todo.

Russula emetica, cogumelo que quando ingerido cru provoca grandes transtornos gástricos, nomeadamente vómitos, náuseas, cólicas e diarreia. Em contrapartida tem um aroma fantástico. Se tivesse de o descrever diria que se situa entre o odor de fruta bem madura e o de alcaçuz.


Existe no entanto quem use a Russula emetica na culinária e o que é facto é que isso é viável desde que seja cozinhada a mais de 60 graus. Isso não só irá eliminar as toxinas como ainda eliminará o sabor amargo do cogumelo. Pelo menos é o que dizem.


A voltas tantas fui surpreendido com este espécime amarelo que me deixou intrigado. Tratar-se-á possivelmente de um Amanita muscaria variante formosa, que se distingue do nosso bem conhecido cogumelo vermelho de pintas brancas precisamente pela cor do chapéu. É portanto um cogumelo tóxico mas não mortal.


Ao contrário do anterior e à semelhança da Russula emetica, a Amanita rubescens é também comestível mas na condição de ser cozinhada a mais de 60º para eliminar as toxinas que contém. 

segunda-feira, Junho 02, 2014

Pela Rota da Portela (PR6 - Fundão)


Tendo decidido explorar os novos trilhos que recentemente foram marcados na Serra da Gardunha, começámos ontem pela Rota da Portela, o percurso de Pequena Rota (PR) nº6 do Fundão que liga as localidades de Alcaide a Vale de Prazeres de forma circular. Foi um percurso que proporcionou algumas surpresas agradáveis e um ou outro desafio inesperado.

10,3km, subida acumulada 500m, declive máximo 30% (subida) e 40% (descida) - dados Google Earth. 

Começámos o percurso na praça principal da aldeia do Alcaide partindo rumo às alturas dos contrafortes da Gardunha. A subida não foi particularmente desafiante, tendo sido apenas mais exigente nos últimos metros. Chegados ao ponto mais alto do percurso logo após pouco mais de 2km, fomos brindados com a habitual beleza de uma paisagem que denuncia a Gardunha como serra de fronteira entre o Norte montanhoso e o Sul de planície. Vieram à memória as palavras de Orlando Ribeiro, o nome maior da Geografia portuguesa

"(...)o contraste é impressionante entre as serranias que, pelo Norte, barram o horizonte próximo e o planalto a que se não vê o fim: sobre ele, as manchas de verdura vão-se tornando cada vez mais desbotadas, indecisas e distantes. Na verdade, é o Alentejo que se anuncia."

Uma vista da vertente Sul da Gardunha onde se avistam a aldeia de Vale de Prazeres e, mais ao fundo, a vila de Alpedrinha

Vale de Prazeres, povoação que terá adoptado este nome a partir do século XVII por questões de marketing , procurando com isso atrair habitantes

A partir do alto, depressa chegámos a Vale de Prazeres, embora com cuidados redobrados para não chegarmos demasiado e pouco saudavelmente depressa perante a acentuada inclinação da descida. Cruzando-nos com poucos habitantes, fizemos uma pausa já no outro extremo da aldeia, num local bem simpático onde se encontra um chafariz do qual brota uma água bem fresquinha. 

Chafariz e lavadouro de Vale de Prazeres.

"Fresca e boa"!

Após um momento para descansar um pouco e reforçar o conteúdo do estômago, fizemo-nos de novo ao caminho, longe de sabermos que estava para começar a parte mais difícil do caminho, já que a subida até à Portela se viria a revelar algo difícil e, a dada altura, só por respeito à longa tradição do seu emprego pela nossa espécie não abdicámos do bipedismo. Mas que chegou a ser sugerido, isso chegou.

Do mal o menos, voltámos a desfrutar de uma bonita paisagem e ainda tivemos o privilégio de observar alguns exemplares da fauna local.

Uma vista que se estende desde a estação ferroviária de Vale de Prazeres, imediatamente antes da povoação da Cortiçada, até ao monte-ilha de Monsanto (ver aqui) e, para além dele, até às cristas quartzíticas de Penha Garcia.

Atentamente observados do alto por uma ave de rapina (águia calçada?)..

...e mais de perto por um esquilo que parecia estar a achar piada ao nosso esforço.

O esforço acabou por compensar e conseguimos finalmente chegar à Portela e à Curva Grande da N18 que muitos conhecem como "curva do ciclista" embora desconheça o porquê desse nome. A partir daí, o regresso à aldeia do Alcaide fez-se sempre a descer.

Como se isso não bastasse como recompensa pelo esforço da subida, fomos brindados com um percurso feito por entre pomares de cerejeiras bem carregadas.

O Alcaide, a Serra de Peroviseu, a Covilhã e a Serra da Estrela.



Cerejas!!

Um indivíduo anónimo parecido com o Bruno resolve provar umas cerejas que estava ali mesmo a pedi-las de forma a poder complementar este artigo com informação rigorosa sobre a qualidade das mesmas. Graças ao seu esforço, estamos em condições de avançar que as cerejas eram de altíssima qualidade.


O Alcaide terá sido sede de concelho embora seja impossível precisar datas. Ainda hoje, é possível ver a antiga casa da câmara, com o brasão de armas reais ladeado por duas esferas armilares manuelinas, portanto do século XVI. A torre sineira visível na imagem, construída em 1694, fendeu-se devido ao grande sismo de 1755 (dito "de Lisboa"), sendo essa fenda ainda visível.

Resumindo, o PR6 é um percurso simpático com uma ou outra inclinação mais acentuada que o torna pouco indicado a idosos ou crianças, sendo bem mais fácil de fazer no sentido horário. Existe uma pequena variante que percorre a crista da elevação e que reduz a distância total em cerca de metade mas que lhe tira algum interesse já que, na nossa opinião, apesar da inclinação da subida, a parte mais interessante é mesmo o troço Vale de Prazeres - Alcaide com a passagem pela Portela (a primeira metade passa por uma zona deflorestada). 

sexta-feira, Maio 30, 2014

A última luz da semana

Aconchegante cobertor de nuvens sobre os contrafortes da Serra da Estrela, no último pôr-do-Sol da semana laboral. Bom fim-de-semana!

quarta-feira, Maio 28, 2014

Turismo em Setúbal não passa de conversa para inglês ver

Qualquer turista não lusófono que procure informações no site da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa ficará no mínimo desconcertado com aquilo que lhe é apresentado. Como se não bastasse o facto de apresentar apenas informação nas páginas em português -a maioria das páginas em outras línguas estão vazias-, se um visitante anglófono tentar obter alguma informação na sua língua sobre o que há para ver e fazer na península de Setúbal, ficará com a impressão que o fenómeno do turismo nessa região se resume a "blá blá".

Isto provoca alguma estranheza se tivermos em conta que a ERT-RL se apresenta (na página em português, obviamente) como uma entidade com "a missão de valorização e desenvolvimento das potencialidades turísticas da Área Regional de Turismo de Lisboa". Olhando para o site, fica-se com a impressão que isto não passa de conversa... para inglês ver.


Europeias 2014 - Da histórica derrota da AP à trágica vitória do PS

Se dúvidas houvesse, os cidadãos europeus deram uma prova cabal daquilo que sentem em relação à actual União Europeia, bem longe de ser a tal "Europa solidária" apregoada por muitos, incluindo o nosso primeiro-ministro.


Fartos uns de uma Europa que só lhes impõe austeridade, desiludidos outros com uma Europa que não é aquilo que lhes foi prometido, pelo Velho Continente fora os cidadãos fizeram aquilo que se faz quando se tem a cabeça quente: tiveram atitudes extremas mas também mostraram aquilo que é o poder do voto. Abalaram os alicerces da alternância partidária e enviaram uma mensagem bem forte: esta não é a Europa que se pretende e os habitués do palco político não se podem sentir seguros nos seus cadeirões pois há alternativas a considerar, mesmo que isso signifique trilhar um caminho muito perigoso. 



Contudo o sintoma mais evidente do desencanto e da descrença acabou por ser a elevadíssima abstenção, excepto nos países onde o voto é obrigatório. Sendo esta a forma de protesto (quando o é porque o comodismo disfarçado de protesto é também uma realidade), será a que menos incomoda os políticos-residentes do sistema. Fica bem lamentar a abstenção, é claro, mas desde que os militantes continuem a votar, tudo bem. 

Portugal alinhando orgulhosamente no top 10 da abstenção


No jogo da abstenção vs radicalização, em França deu-se o grande evento da noite. Não só a abstenção baixou em relação a 2009 como, ainda por cima, os eleitores optaram por dar a vitória à Frente Nacional, um partido extremista que soube capitalizar o profundo descontentamento dos franceses para com uma política governativa que é o oposto daquilo que lhes foi prometido por Hollande (parece familia?). Conhecidos pelas suas ideias cuja formulação não exige em geral a utilização de grande quantidade de neurónios, nesta campanha conseguiram superar todas as expectativas ao declararem em surdina que o problema da imigração pode ser resolvido pelo vírus Ébola.

 
*Traduzido do "Ebolês"


Este advento dos partidos com uma ideologia extremista abjecta fez soar os alarmes por toda a Europa e fez tremer os alicerces das instituições europeias na nova capital Bruxelas-Berlim. Servirá para os eurocratas e donos dos grandes interesses económicos reverem a sua escala de prioridades ou será este o primeiro sinal do fim da União?


Por cá, fez-se o elogio do ridículo

Por cá, como não podia deixar de ser, a noite foi de vitórias retumbantes e de derrotas inconsequentes, pelo menos na boca dos actores da noite. 

Uma amizade que promete dar que falar, sobretudo à luz da "histórica vitória do PS"

O PS congratulou-se pela sua grande vitória e sobretudo pela derrota histórica da direita, apesar de ter sido uma vitória de que nenhum militante socialista se pode orgulhar. É certo que a dita Aliança Portugal perdeu mais de meio milhão de votos em relação a 2009, considerando em conjunto os resultados dos dois partidos nessas eleições. Contudo, o PS não fez melhor que ganhar cerca de 90.000 votos, salientando o evidente: os portugueses não consideram o PS como alternativa e nem o PS se comportou como tal desde que foi substituído no poder pelo binómio PSD-CDS. É irónico pensar que a histórica derrota da direita pode muito bem levar à substituição de José "Pirro" Seguro.

Na sede da Aliança, os rostos fechados não mentiam quanto ao impacto deste fraquíssimo resultado e o único aspecto positivo salientado nos vários discursos foi o de não ter sido ainda pior. Nos discursos monocórdicos, em que o fim de cada frase foi marcado por palmas muito frouxas, fechou-se o ciclo das Europeias com uma novidade em relação à campanha: ninguém culpou desta vez José Sócrates pela crise de votos da Aliança. O cenário anímico só não é mais negro porque, segundo consta, sobraram algumas garrafas de Murganheira para afogar as mágoas.

"Com nojo ou sem nojo, levámos uma grande cabazada!"

Enquanto a CDU prossegue a sua gradual subida eleitoral, desta vez com um candidato que fez furor entre o eleitorado feminino, e já anuncia a apresentação de uma moção de censura ao Governo que terá o destino de todas as outras (nem que o PSD e o CDS tenham de recorrer novamente à disciplina de voto),  já o Bloco de Esquerda continua em queda livre, confirmando que boa parte da sua credibilidade saiu com Louçã, Drago e Rosas. Não basta ser do contra só porque sim.

O grande protagonista da noite acabou mesmo por ser Marinho Pinto cujo estilo brigão-irascível-populista valeu ao MPT uma estrondosa subida de mais de 200.000 votos e uma inédita eleição de um deputado para o Parlamento Europeu (dois de acordo com as últimas notícias.). A adesão do eleitorado a esta candidatura foi de tal ordem que correm boatos de que até a Manuela Moura Guedes votou no MPT.  Será que vamos em breve ver Marinho Pinto noutras lides eleitorais? 

Imagens: Terra dos Espantos, Courrier International, Ed Ward, RFI

segunda-feira, Maio 19, 2014

E já lá vão 9 anos!


Por pouco, quase nem me apercebia. Então não é que este blogue comemora hoje nem mais nem menos que o seu 9º aniversário? Desde 2005, muitas linhas aqui foram "batidas", algumas vezes com uma certa dose de inspiração e noutras sem pés nem cabeça, mas este facto não deixa de ser assinalável.

Desde a sua criação, este blogue cresceu, evoluiu. Tendo começado como blogue colectivo, individualizou-se e transformou-se num blogue pessoal. Através dele desabafei, partilhei e aprendi. Conheci pessoas fantásticas, algumas das quais são hoje grandes amigos, mas também ganhei alguns fanáticos perseguidores algo chatinhos mas que, ao fim e ao cabo, acabaram por tornar esta aventura mais interessante e, claro está, ajudaram a cultivar a minha capacidade de tolerância.

A todos vocês, fãs incondicionais e outros que não são tão apreciadores quanto isso, visitantes assíduos e outros que vieram aqui parar por acidente, colaboradores ocasionais, ex-colaboradores, comentadores e "partilhadores", à Ana que, com muita paciência, aceita aqueles momentos em que dedico mais atenção ao monitor do computador do que a ela, o meu muito obrigado por tornarem esta aventura tão gratificante.

Que comece então a contagem para o 10º aniversário!

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