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quinta-feira, junho 18, 2020

Passadiços. As razões para sermos contra esta nova moda


De Norte a Sul, a moda dos passadiços está a tomar conta do país. Os slogans que os promovem invariavelmente propõem a ilusão de partir à descoberta dos segredos mais bem guardados da natureza ou o visitar da natureza em estado puro. No entanto, o que esta proliferação de passadiços está a fazer é precisamente o oposto, colocando em risco a natureza, expondo locais até agora selvagens ou pouco frequentados ao turismo de massas, com tudo o que isso implica. Mas comecemos pelo início.

A colocação de passadiços em Portugal começou na década de 1980 nas zonas costeiras, tendo como objectivo diminuir o impacto da passagem das pessoas nos ecossistemas das dunas durante a época balnear. A instalação deste tipo de equipamentos foi-se alargando, conjugando a preocupação ambiental com a vontade em criar condições de acessibilidade. A dada altura, no entanto, os passadiços começaram a ser vistos como equipamentos de recreio, tendo esta função acabado por se tornar predominante, transformando até o fenómeno dos passadiços num de oferta turística popularucha.

Em 2015, foram inaugurados os passadiços do Paiva que, aliás, são hoje uma referência para este tipo de percursos em Portugal, em todos os aspectos. No entanto, são também um claro exemplo do efeito negativo que exercem na natureza que, paradoxalmente, alegam promover. A curiosidade e o interesse gerados pela divulgação dos passadiços dos Paiva levaram a um afluxo em massa de visitantes, mais turistas da natureza que verdadeiramente caminheiros e amantes da natureza, tendo-se chegado a registar cerca de 10.000 visitantes num só dia. O impacto desta afluência no local foi terrível.

Ao longo de todo o percurso acumulou-se lixo, a vegetação foi cortada, o ruído aumentou tremendamente, juntando-se a isso o aumento da circulação automóvel, o aparecimento de vendas ambulantes e bares ilegais. Foi de tal monta que foi necessário limitar o número de entradas diárias a um máximo de 3.500 e, como não foi suficiente, o número foi reduzido para 2.500. As regras a apelar ao respeito pelo local são claras, mas, numa visita relativamente recente que fizemos ao local, ficou claro que não havia controlo além das zonas de acesso, havendo inclusive visitantes que chegaram ao cúmulo de transportar consigo altifalantes debitando os últimos sucessos dos arraiais de Verão. Apesar dos protestos de uma associação ambientalista local, parece ser claro que a aposta autárquica é na massificação turística. O anúncio com pompa e circunstância da construção da “maior ponte pedonal suspensa do Mundo” para ligar os passadiços a outro refúgio da natureza ali próximo demonstra-o.

A febre da criação de passadiços é de tal monta que até se constroem passadiços sobre trilhos pedestres já existentes, aumentando drasticamente o custo de criação do percurso e desvirtuando a experiência de proximidade com a natureza. Em suma, e salvo algumas boas excepções, propor percursos em passadiços como percursos de valorização e promoção da natureza é como criar uma linha de refeições prontas ultra-congeladas com o rótulo de “comida caseira da avó”. Chega a mais pessoas, o custo de produção e a factura ambiental são maiores, mas, definitivamente, está longe de ser aquilo que diz ser. 

Artigo publicado no boletim informativo "Papa-Léguas" nº8 2020
dos Caminheiros da Gardunha

quarta-feira, agosto 03, 2016

Resgate de uma ave vítima de armadilha

Ao fazer uma caminhada, encontrei uma pequena ave caída no chão, batendo desesperadamente as asas sem conseguir voar. Quando a apanhei, o motivo ficou claro: a ave fora vítima de uma armadilha e tinha as asas coladas!



Chamariz ou milheirinha, bastante debilitada


Tratava-se de uma pequena milheirinha ou chamariz, por sinal um macho, uma ave granívora muito comum no nosso território. De alguma forma, tinha conseguido escapar de uma armadilha de cola mas as penas das asas tinham ficado coladas, impossibilitando-a de voar. No momento em que a encontrei, tentava encontrar refúgio numa zona de erva mais alta, com um cão a rondá-la com curiosidade (ou seria fome?).

O uso de cola para captura de aves é uma prática ilegal mas muito comum, cujo objectivo é a captura dos pequenos pássaros tanto para coleccionismo como para venda ou consumo. A técnica consiste em cobrir um pequeno pau ou um ramo com uma substância adesiva e esperar que as aves pousem, já que estas irão ficar coladas e impossibilitadas de fugir.

Depois de recolhida sem grande dificuldade trouxe-a para casa e o primeiro desafio passou por remover a cola. Para a limpeza das penas usámos óleo vegetal -sim, o vulgar óleo alimentar!- e cotonetes, aproveitando o facto de aquela cola ser solúvel nesse material. 

Como a ave estava enfraquecida, teve de passar por um período de convalescença para ser hidratada e alimentada, nas melhores condições possíveis. Dois dias depois já dava sinais de grande energia e as asas e cauda pareciam de novo em boas condições, pelo que decidimos libertá-la.

Levámos-la para um local ermo com muitas árvores, junto a um ribeiro, e abrimos a porta da gaiola. Pareceu hesitar, confusa por aquela mudança drástica de cenário mas, fazendo pontaria à abertura, saiu como uma flecha rumo às árvores.

Que tenha mais sorte no futuro.



A agitação no momento da abertura da porta...




... antes de sair disparada. Conseguem vê-la na fotografia?


PS - Em breve voltarei ao local onde encontrei a ave para procurar as armadilhas e reunir eventuais dados para uma denúncia ao SEPNA. Esta prática das armadilhas de cola é ainda bastante corrente e constitui uma ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas que é necessário erradicar.


Agradecimentos ao Gonçalo Elias do portal Aves de Portugal, pela ajuda na identificação da ave.


quinta-feira, agosto 28, 2014

Ecos da operação de limpeza na Serra da Estrela

Recordam-se da iniciativa de limpeza do lixo existente no cume da Serra da Estrela, realizada em Abril último, e sobre a qual aqui publiquei um artigo? O Urbi et Orbi, o jornal on-line da UBI (Universidade da Beira Interior), publicou na semana passada um artigo sobre esse evento no qual dá a conhecer mais alguns pormenores e testemunhos dos participantes, para além de trazer mais alguma luz sobre o que é afinal essa coisa do "Geocaching". Cliquem sobre a imagem. Vale a pena ler.


segunda-feira, abril 28, 2014

Assim se contribuiu para a limpeza da Serra da Estrela

Porque o Geocaching não é apenas um passatempo (ver aqui), um grupo de meia centena de praticantes desta actividade juntou-se no último Domingo no ponto mais alto de Portugal Continental, para uma operação de limpeza da zona envolvente da Torre e nem o forte vento e a baixa temperatura foram suficientes para desanimar os participantes.

Tratou-se de um evento C.I.T.O. (Cache In Trash Out), um evento no qual os participantes, muitas vezes sem se conhecerem, marcam encontro num local determinado e, chegados aí, dão o seu contributo para melhorar o local, recolhendo o lixo que por aí se encontrar espalhado. Este tipo de evento insere-se no espírito de consciencialização ambientalista promovido pelo Geocaching. Este evento foi organizado por alguns geocachers da região e teve algum apoio por parte da Câmara Municipal de Seia, que cedeu os sacos destinados à recolha do lixo.

A Torre é um dos pontos mais maltratados da Serra e onde o impacto ambiental do elevado afluxo de turistas mais se faz sentir. A facada mais profunda foi mesmo a própria instalação do "centro comercial" no local, algo que não conheço de mais nenhuma paragem. O resultado é a acumulação de lixo (especialmente plástico e vidro) um pouco por todo o lado, numa demonstração de falta de civismo e também de falta de respeito por este sítio tão emblemático do nosso país.

Depois deste fim-de-semana, graças ao espírito de missão de uns quantos, pelo menos um cantinho da Serra ficou mais limpo e foi para mim um enorme prazer poder participar nesta iniciativa. Venham mais!










quinta-feira, março 20, 2014

Reflorestação da Gardunha arranca já depois de amanhã!


A associação Descobrindo vai levar a cabo no próximo Sábado, dia 22 de Março, uma acção de reflorestação na Serra da Gardunha que merece um aplauso. 

Após o fiasco das últimas iniciativas, inclusive a na altura tão propalada Epson Biodiversity Iniciative (clicar para ver), espero que esta acção seja o mote para a criação de uma plataforma consistente que contribua para recuperar a floresta da Serra da Gardunha que o desleixo e os sucessivos incêndios destruíram nos últimos anos.

Citando o site da Descobrindo:

"Vamos reflorestar a Gardunha” é o nome da acção a realizar no próximo dia 22 de Março de 2014, na Serra da Gardunha. O ponto de encontro é o local onde foi realizado Solstício - Festival da Natureza , junto às piscinas de São Fiel pelas 9H00, onde existirá transporte até aos locais de plantação.

É com muita satisfação que anunciamos a concretização da iniciativa que nos propusemos realizar no âmbito do Solstício - Festival da Natureza com o objectivo de dar início à reflorestação da Serra da Gardunha. A primeira edição do festival Solstício teve como grande objectivo a plantação de uma árvore por cada entrada no festival.

Nesse sentido, e aproveitando o momento dedicado ao Dia Internacional da Árvore e das Florestas vamos dar início à plantação total de 3500 árvores em diferentes locais desta Serra. Estando já alguma vegetação autóctone a regenerar-se, a iniciativa prevê o plantio de esp espécies que já se podem encontrar nos locais: Bétulas, Castanheiros, Faias, Carvalho Robur e Carvalho Negral, e alguns Freixos.

O regresso, para quem o desejar, será realizado numa caminhada.

A inscrição é obrigatória de forma a garantir o reforço alimentar, o almoço e toda a logística. Os inscritos devem munir-se de uma ferramenta necessária para a plantação (sacho ou enchada)."

terça-feira, dezembro 06, 2011

Amanita Muscaria - O cogumelo psicotrópico

amanita muscaria - Telhado, Fundão

O amanita muscaria, também conhecido como mata-moscas ou agárico das moscas é provavelmente o cogumelo mais conhecido e mais representado nas mais variadas expressões artísticas humanas, embora seja erradamente considerado como o supra-sumo dos cogumelos venenosos. Esse título deve ser atribuído a outro cogumelo do género das amanitas, a temível amanita phalloides, que é responsável pela esmagadora maioria dos casos de morte por envenamento derivado do consumo de cogumelos, e cujo único tratamento possível, quando feito a tempo, consiste no transplante de fígado.

Voltando ao nosso mata-moscas, este tem um forte efeito psicotrópico, sendo possível encontrar vários sítios na Internet onde este cogumelo é vendido a uma faixa muito -como dizer?- "específica" de apreciadores de cogumelos... É claro que pode mesmo assim ser mortal se for consumido em excesso pelo que o melhor mesmo é não arriscar.

Seja como for este cogumelo é sem dúvida um excelente elemento decorativo na paisagem e, para além disso, desempenha também uma função ecológica importantíssima, ao facilitar o crescimento das árvores (sobretudo pinheiros) em cujas raízes se desenvolve.

sexta-feira, junho 03, 2011

Divulgação: Intervenção de preservação ecológica no Castro de S.Brás - Fundão

Recebemos da parte do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro - Fundão, o seguinte pedido de divulgação:



Realiza-se no próximo sábado uma intervenção de preservação ecológica no Povoado castrejo de S. Brás, actividade inserida no programa de voluntariado do Instituto Português da Juventude “Acções para a sustentabilidade florestal”, com o projecto “Arqueologia da Paisagem Silvo-Florestal”, uma parceria entre o Museu Arqueológico Municipal do Fundão e a Associação de Amizade e Convívio nas Donas e que visa a sensibilização, preservação e educação florestal e ambiental dos jovens em contextos arqueológico.

Os interessados em participar deverão entrar em contacto com o Museu Arqueológico.

Programa:

9h00 – Concentração na Praça do Município;

9h30 – Chegada ao Castro de S. Brás e breve palestra sobre o povoado e a cultura castreja;

10h00 – Inicio dos trabalhos;

12h00 – Caminhada de regresso ao Fundão.

Contactos do Museu:

TLF: 275 774 581 - FAX: 275 774 583 - TLM: 961 941 287
E-mail: geral@museuarqueologicofundao.com

quinta-feira, maio 26, 2011

"Ainda sobre os Plátanos e Alergias ..."

Recentemente no Jornal do Fundão, um leitor queixava-se das alergias supostamente provocadas pelos plátanos, defendendo a sua eliminação das zonas urbanas. Quem não se ficou foi o Márcio que, em carta enviada ao mesmo jornal, se encarregou de colocar os pontos nos is, desmontando alguns mitos urbanos relacionados com árvores, ao mesmo tempo que critica as forma como as árvores são tratadas em meio urbano, como é o caso das agressões sazonais de que são vítimas e às quais se dá o nome eufemístico de poda.


Ainda sobre os Plátanos e Alergias...
Márcio Meruje
Covilhã


Foi com desagrado que na última edição deste jornal li nesta secção uma carta aberta referindo os malefícios do plátano no meio urbano. E interrogando-me sobre o futuro de muitos plátanos - de que alguns exemplares com mais de 50 anos são uma imagem da nossa cidade, p.ex., aqueles junto à estação com um porte arbóreo de registo, sem podas camarárias - decidi tecer algumas considerações ainda que não seja qualquer erudito sobre o assunto.

1. Os plátanos não são responsáveis pelas chamadas "nhanhas". Trata-se de um mito urbano. Os verdadeiros causadores destas "nhanhas", ou melhor, deste tipo de pólen, são os choupos (género Populus). Devo acrescentar neste ponto que basta um pequeno passeio, quiçá num destes próximos fins-de-semana ensolarados, para averiguarmos por nós próprios que os plátanos não têm no seu redor esta substância, muito semelhante a algodão. Os choupos, de que ainda existem alguns exemplares antigos na cidade, estão rodeados desta substância que algumas pessoas dizem "provocar bastantes alergias". O que não é verdade...

2. Se consultarmos a página de internet da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica rapidamente constatamos que não existe qualquer notícia que relacione os choupos às alergias. O que acontece na verdade é que durante os meses de Março e Maio, e ainda princípios de Junho em alguns anos, grande parte das árvores e gramíneas têm altos índices de actividade polínica, e citando a informação da fonte European Pollen Information: "Algumas pessoas acreditam, de forma errónea, que ele (o “algodão dos choupos”) causa os sintomas da febre dos fenos. Na realidade, as sementes dos choupos e o primeiro (e invisível) pólen das gramíneas a ser libertado no ano, costumam coincidir no tempo…". Ora, na verdade, os grandes responsáveis por grande parte das alergias são as gramíneas, e não os choupos, ou os plátanos.

3. Abater todas as árvores desta espécie não é solução. A seguir aos choupos, viriam os plátanos, e depois as tílias, oliveiras, seguidos dos liquidambares, das bétulas, dos carvalhos... E não tardava muito a nossa cidade não seria mais que um deserto. Já nos chega os incêndios que no Verão teimam em desolar a nossa querida Serra da Estrela! Num século em que a principal preocupação é para com o ambiente, considero grave alguém pretender promover o abate de árvores! Existem exemplares dignos de registo, como já referi, e não seria melhor continuarem ali como um registo vivo para as gerações vindouras? Que não se sacrifiquem árvores ...


4. Acerca das podas camarárias e escolha de espécies: Este é um ponto sensível, que pode levantar mal entendidos, mas de certo que todos gostaríamos de ver na nossa cidade mais carvalhos, teixos, bétulas e até algumas coníferas que propriamente carvalhos americanos e ginkgos mas, ainda mais grave que isso, é a desorganização de toda a poda destas árvores. Continuar a realizar podas sem sentido é condenar os exemplares que rapidamente se degradam e não conseguem atingir a sua idade adulta dentro do espaço urbano.

5. Por fim, todos aqueles que sofrem de alergias, como eu, sabem que existem vacinas para este problema! Uma recomendação, sempre que possível, é evitar andar ao ar livre entre as 5 e as 10 da manhã e guardar as actividades ao ar livre para o fim da tarde ou depois da chuva, quando os níveis de pólen são menores.

As árvores não estão em guerra com o Homem. E não servem apenas para nos aquecer no Inverno. Neste séc. XXI é importante que estejamos conscientes da sua importância nos países industrializados pois elas são os nossos melhores aliados contra a poluição. E agora, pergunto eu: Pior que todas as alergias e todo o pólen, já pensaram viver num mundo sem árvores?


terça-feira, novembro 16, 2010

Mais algumas fotografias de cogumelos

No percurso de fim-de-semana que resultou na recolha de alguns exemplares bem bonitos (e saborosos) de Lactarius Deliciosus, tive ainda oportunidade de "dar ao dedo" para registar algumas fotos que partilho aqui com vocês, estas dedicadas às colónias de cogumelos. Ao olhar de perto, como disse a Pinkk Candy, parece que estamos num mundo encantado.







domingo, novembro 14, 2010

Imagens de uma manhã de Domingo

Nada melhor do que uma bela caminhada pela floresta para recuperar do esforço dispendido na noite anterior em prol da economia local da aldeia do Açor.


segunda-feira, novembro 08, 2010

Cogumelos da Beira Baixa II - Cores e formas que deliciam o olhar e/ou o paladar

Numa caminhada que passou por olivais quase centenários abandonados, carvalhos e sobreiros majestosos e inevitáveis pinheiros, foi possível descobrir inúmeros cogumelos que, apesar de uma meteorologia que lhes tem sido desfavorável, teimaram em despontar e animar a paisagem com as suas cores e formas. Partilho aqui com vocês algumas das fotografias. Conhecem as espécies?

Uma pequena colónia de cogumelos cor de fogo que sem dúvida dão um colorido diferente à paisagem.


Uma surpresa: duas amanitas cesareas, o cogumelo dos Césares. Cogumelo comestível que ganhou o seu nome pela forma como era apreciado na época romana.


Delicadeza e beleza a duas cores:


Uma colónia de Lactarius Deliciosus. É preciso dizer que se trata de cogumelos comestíveis?


Um pinheiro em decomposição mostrou ser um local de eleição para este cogumelo com cerca de 30 cm de diâmetro.

O cogumelo comestível mais encontrado durante a tarde: aqui dois jovens Macrolepiota Procera, os tradicionais "Frades" pela tendência de serem encontrados sempre em grupos de 2. Sem exagero, devemos ter encontrado cerca de 40 exemplares, em diferentes estados de maturação. Graças a eles, houve um verdadeiro festim à noite, com cogumelos salteados e também assados na brasa.


O maior Macrolepiota Procera encontrado durante a tarde, este isoladamente.

Aproveito para repetir que todos os cogumelos têm uma função muito importante em termos ecológicos, aumentando a capacidade de absorção de água e nutrientes por parte das plantas e, ao mesmo tempo, retendo as toxinas que possam existir no solo. É por isso que todos os cogumelos que não forem recolhidos devem ser deixados intactos.

Para ler também:

terça-feira, junho 29, 2010

A BP mostra como lidar com um derrame de café

A BP tem vindo a dar nas vistas pela eficácia com que tem combatido o derrame de crude no Golfo do México, mostrando ser uma empresa multinacional tão íntegra quanto sólida e com planos de contingência extremamente bem elaborados e minuciosos.

Toda essa minúcia e a astúcia da BP estão aliás omnipresentes em todos os aspectos do trabalho diário da empresa, como mostra o vídeo que se segue. Nele, uma reunião de administradores da BP é subitamente interrompida por um derrame de café. Com o tempo a escassear e o café a alastrar pela mesa, os administradores vão usar as mesmas técnicas que fizeram furor no Golfo do México para conter a ameaça. Vale a pena ver! Infelizmente, o vídeo não é legendado.


quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Tragédia na Madeira: um desastre anunciado há 2 anos



No programa televisivo Biosfera, da RTP2, anunciava-se já em Abril de 2008 o perigo que as enchentes representavam na ilha da Madeira, especialmente na zona do Funchal, denunciando a forma como as autarquias estavam a desrespeitar as zonas de protecção das ribeiras e a estreitar e obstruir o seu leito com construções.

Depois do desastre, e tendo em conta o que há muito se sabia, será legítimo dizer que a culpa foi da chuva?

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A garça-boieira já mora num centro de recuperação de animais selvagens

Apesar de melhor da ferida, a pequena garça-boieira que recolhi na última Terça-feira continuava sem comer (pelo menos que tivesse sido notado) e desidratada, razão pela qual decidi hoje ir entregá-la aos cuidados do CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco.

Gerido pela Quercus de Castelo Branco em parceria com a Escola Superior Agrária de Castelo Branco, junto à qual funciona, o CERAS tem por missão recolher e recuperar animais selvagens, devolvendo-os depois à natureza, tudo isto com trabalho de voluntários dedicados.

Ali chegados, fomos recebidos pela Madalena, uma voluntária com muitos anos de colaboração com o Centro, que de imediato e com exemplar cuidado, limpou e tratou a ferida da garça-boieira, administrando-lhe depois soro para a rehidratar, juntamente com um antibiótico e analgésico. A garça foi previamente pesada (não foi fácil já que se trata de um bicho com personalidade) para que as doses de medicamentos a administrar fossem doseadas de acordo com o peso da ave.

A garça-boieira na sua nova residência temporária. Embora pareça ter-se transformado numa espécie de ave exótica azulada, tal deve-se à aplicação de Terramicina, um desinfectante para tratamento de animais, que lhe foi aplicado pela minha esmerada e inigualável figura materna que, à conta do seu esforço, levou umas valentes bicadas de protesto, o que explica também a distribuição da coloração.


Finalmente, foi colocada na sala de quarentena dentro de um compartimento que será o seu até recuperar do enorme hematoma resultante da ferida, saindo apenas para fazer o seu programa de tratamento e para eventualmente ir passear até à cidade para fazer um Raio-X.


A sala de quarentena onde vai ficar a garça nos próximos tempos, quentinha e com direito ao que foi descrito como "alimentação gourmet para insectívoros".


Confesso que fiquei impressionado com o trabalho que o CERAS ali desenvolve e que me foi dado a conhecer. O melhor elogio que posso fazer ao Centro, e à Madalena, é que regressei certo de que a ave se encontra nas melhores mãos possíveis e que tudo farão para que ela regresse depressa à sua colónia. Gentilmente irão manter-me informado da evolução do seu estado e avisar-me quando chegar a altura de a libertar.

Já agora, o prognóstico inicial aponta para que a ferida tenha sido causada por um chumbo... situação que ocorre frequentemente em espécies não cinegéticas, como esta, quando têm a pouca sorte de sobrevoar áreas com alta concentração de estupidez.


Colaborem com o CERAS!
Embora tenha parcerias com algumas instituições, o CERAS vive fundamentalmente do esforço de voluntários dedicados à recuperação e preservação de animais selvagens pelo que todo o apoio será bem-vindo.

A forma mais interessante de fazer um donativo será através do programa de apadrinhamento de animais. Com um contributo monetário, os padrinhos recebem informações acerca da evolução do estado do seu afilhado, uma foto, um certificado e são notificados quando chegar o momento da sua libertação. Adivinhem quem vai ser a minha afilhada?

Mais informações nos links:

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Uma garça-boieira maltratada

Ao início da tarde, encontrei esta garça-boieira pousada num sítio pouco usual e à mercê dos cães que por ali andavam. Ao aproximar-me, apercebi-me de que não conseguia voar e que tinha uma asa magoada pelo que decidi recolhê-la, tarefa que não foi fácil e envolveu ter de descer por uma caixa de escoamento de águas pluviais onde a ave se refugiou em pânico.

Após ter sido secada e limpa, foi-lhe tratada a ferida que apresentava no flanco, junto à asa, e está para já em repouso. Dependendo de como evoluir e do tempo de recuperação, estou a ponderar ir entregá-la a um centro de recuperação de aves. Com um bocado de sorte, em breve poderá voltar à sua colónia que penso situar-se junto à A23, em salutar convivência de vizinhança com a colónia de cegonhas que ali também se estabeleceu.

sábado, janeiro 23, 2010

Agora partilho a casa com um sobreiro

Por entre oliveiras centenárias em terras de Caria, a tarde foi hoje dedicada à recolha de exemplares que irão resultar daqui a uns anos em espectaculares bonsais, tudo isto na companhia do Márcio, um verdadeiro sensei nesta espectacular arte, e da minha mui altiva, honorável, venerável e admirável entidade patronal (não, não estou a dar início a uma campanha de graxismo puro e desenfreado no sentido de obter um aumento... pelo sim, pelo não, alguém lhe pode dizer que eu escrevi isto publicamente?).

No final do dia, tive direito a um espectacular presente retirado da sua colecção pessoal na forma de um sobreiro (quercus suber) que promete dar uma excelente "árvore no vaso"ou, na pior das hipóteses, de constituir uma fonte de rendimento dada a possibilidade de vender matéria prima ao grupo Amorim.




quarta-feira, dezembro 30, 2009

Não se sentem em cima de um phallus impudicus!

Mas só porque se arriscam a ficar com um cheiro a cadáver impregnado na roupa, o mesmo cheiro que me levou a detectar a presença destes cogumelos muito antes de sequer os ter visto. Aliás, o cheiro é um instrumento de reprodução fundamental destes cogumelos uma vez que se destina a atrair moscas - e estamos a falar de moscas com uma envergadura de respeito e que nada têm a ver com aquelas mosquinhas comuns - que depois irão disseminar os esporos que a elas aderem.

Os exemplares fotografados já estão nas etapas finais do seu ciclo de vida, uma vez que o chapéu já está desprovido da "gosma" que contém os esporos, restando apenas a malha que a suportava. Esta será mesmo a fase de maior beleza destes cogumelos.

Já agora, bem cheirosos ou mal cheirosos, todos os cogumelos desempenham um papel biológico e ecológico muito importante. Daí que, se por acaso encontrarem phallus impudicus no vosso caminho, se não se sentarem em cima deles, evitem destruí-los seja de que forma for. Tapar o nariz será uma atitude muito mais ecológica.




terça-feira, dezembro 22, 2009

Resumo da Cimeira de Copenhaga

Enquanto lá fora um grupo de jovens, de roupas largas e cabelos desgrenhados, usava o activismo ecológico como desculpa para praticar actos de vandalismo gratuito, lá dentro o cenário era outro. Aí, um grupo bem largo de defensores acérrimos da ideia de implementação de medidas de redução da emissão de dióxido de carbono, desde que estas não sejam tão severas para si como poderão ser para os outros, não conseguia chegar a qualquer acordo.

Para evitar que todo este aparato fosse um gigantesco desperdício de tempo e dinheiro, algo que poderia ser embaraçoso aos olhos do Mundo, 5 indivíduos com laivos de elitismo e sobranceria reuniram-se num quarto das traseiras e firmaram um acordo de interesses mútuos na tentativa de vender à opinião pública a ideia de que se tinha, exactamente chegado a um acordo.

Surpresa das surpresas, os restantes 188 países acharam que talvez tivesse sido conveniente terem sido ouvidos e recusaram-se a aceitar o acordo.

No próximo ano, o arraial muda-se para o México.

foto: RTP

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Sarcodon Imbricatus, o gigante dos nossos pinhais


Durante a jornada laboral de ontem encontrámos uma colónia de impressionantes Sarcodon Imbricatus, cogumelos comestíveis que impressionam pelas suas dimensões. Aliás, do local vieram 3 exemplares, 2 deles com entre 2 e 3kg.

São cogumelos inconfundíveis, com um chapéu que pode ir até aos 30cm de diâmetro, escamado na parte superior enquanto o himénio, a parte inferior do chapéu que produz os esporos para reprodução do fungo, não possui lamelas mas sim agulhas que formam uma espécie de pêlo.

Muito carnudo, embora nem sempre apreciado, este cogumelo, para além de ser um alimento energético, ajuda a baixar o colesterol.


Aspecto de um grupo de Sarcodons


Pormenor da amálgama de chapéus


As escamas dispostas regularmente na parte superior do chapéu


O himénio apresenta agulhas em vez de lamelas


Um exemplar com cerca de 1kg
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