




Um pouco mais cedo que o habitual, as pessoas foram hoje surpreendidas pela neve ao sair de casa. Será que vamos ter a repetição do cenário de Janeiro último? Para quem quiser recordar, aqui ficam os links para as fotos:

Licores, licores e mais licores... mas não podemos esquecer a fantástica jeropiga!
E agora?
E agora?
E agora?
Mas não é só à noite que a aldeia ganha vida. Durante o dia a azáfama é constante e, enquanto as senhoras estão muito atarefadas a cozer pão e a preparar os doces típicos, no largo principal acende-se a fogueira para o magusto comunitário.
...e no fim, "Quentes e boas!"
E pronto! Chegou ao fim a 2ª edição do Míscaros, o Festival do Cogumelo, que, como referi no artigo anterior, ultrapassou largamente em termos qualitativos a sua edição de estreia. Mais tasquinhas e uma oferta diversificada encheram de visitantes entusiastas as ruas do Alcaide durante o último fim-de-semana.
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Misturados na multidão, tivemos oportunidade de constatar a real medida desse mesmo entusiasmo, talvez medido na escala do frenesim, quando a dada altura, um grupo que seguia à nossa frente em busca da próxima tasca, se precipitou para uma porta aberta num dos lados da rua, com um dos indivíduos a dizer algo como “Vamos já a esta!”. Já com um pé para lá da porta, viram no entanto as suas intenções esbarrar na explicação da rapariga que abrira essa porta e que pretendia simplesmente entrar em casa.
Contudo, foi gratificante ver que no meio deste entusiasmo todo, não se perderam valores como a solidariedade e o espírito fraterno de entreajuda.
Verificámos isso quando, a dada altura, um indivíduo dono de um porte físico algo impressionante, sofreu uma queda não menos impressionante em plena praça principal do Alcaide, ficando estendido no chão numa posição que se poderia caracterizar como um misto de posição de lótus em ângulo invulgarmente aberto com uma chave de pernas digna da WWE mas em modo auto-infligido.
Obviamente poderemos aqui conjecturar sobre o que terá levado à queda mas a explicação que se me afigura como a mais provável foi que, no preciso momento em que o homem caminhava pela praça, o movimento de rotação da Terra se deteve por uma fracção de segundo, sendo que a força centrífuga fez o resto.
Seja como for, logo um grupo de pessoas, eu incluído, se precipitou para o ajudar a reerguer-se mas este não parecia inclinado a ajudar, preferindo olhar em volta de forma frenética como se procurasse algo… e afinal procurava mesmo. O seu apelo de “Esperem! Esperem! Os meus óculos voaram para aí!” fez com que toda a gente, eu incluído, começasse a descrever trajectórias erráticas em volta do homem, perscrutando atentamente o chão à procura dos óculos desaparecidos que, teimosamente, teimavam em manter-se desaparecidos.
A preocupação terminou finalmente quando um homem, que ficara a segurar as costas do desafortunado dono dos óculos, que ainda combalido permanecia sentado no chão, olhou para este e exclamou em tom indignado “Então mas você tem os óculos postos!” e, largando-lhe as costas bruscamente –“Você está a brincar comigo??”.
Foi quanto bastou para que o dono dos óculos se levantasse subitamente e, agradecendo a atenção dispensada, prosseguisse a sua caminhada, perdendo-se na festa e deixando para trás um pequeno grupo de pessoas, eu incluído, com um ar perfeitamente incrédulo.
Em primeiro lugar, há que dizer que esta 2ª edição do festival Míscaros ultrapassou largamente a edição anterior, em parte graças à meteorologia favorável deste ano.
Com mais gente nas ruas, mais animação, mais portas abertas com tasquinhas e lojinhas de artesanato, parecem estar lançadas as bases para um festival que promete colocar a aldeia do Alcaide no mapa dos festivais temáticos da região.
Existem no entanto algumas coisas a melhorar no desenvolvimento da atractividade, como por exemplo preço a que as micro-doses de bebidas são vendidas. 1 euro por uma dose que, se não for bebida depressa, corre o risco de evaporar, não é nada simpático.
Entretanto, partilho aqui com vocês alguns instantâneos do ambiente do festival na noite passada.
Muita gente nas ruas, aqui ao redor de uma das várias bandas que animaram o evento.
Um dos espaços surpreendentes do evento. O pátio de um solar onde se instalaram algumas tasquinhas e um palco…
…à frente do qual, um cidadão anónimo surpreendeu tudo e todos com os seus dotes de dançarino que lhe valeram o epíteto circunstancial de “Rei da Pista”.
No Cantinho dos Cogumelos, onde se bebia a preço simpático, o ambiente esteve animado com a actuação dos irreverentes e saltitões “Pas de Problème”.
Na cave do solar de João Franco, Presidente do Conselho durante o reinado de D.Carlos I, foram instaladas várias lojinhas de artesanato, entre elas a da nossa Martinha, que ali expôs toda a sua mestria.
…que obviamente despertou grande interesse.
Ao longo das ruas da aldeia foi possível encontrar vários pormenores deliciosos, como esta genuína e mítica motorizada Casal.
Para deliciar o paladar dos visitantes, a Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão instalou-se por estes dias no Casa Cunha Leal, convertida em restaurante. A ementa vale bem a pena, servida com mestria pelos nossos futuros profissionais da hotelaria.
Depois de um belo jantar, a visita às tasquinhas impõe-se. Todas elas decoradas, com maior ou menor afinco, com a temática do festival.
Medronho, cidreira, coco, agrião, rosmaninho, amora, figo, cereja,… a lista de licores era infindável.
A Tasca do Levezinho. Nascida na Festa da Cereja de Alcongosta, não deixa de participar nos outros festivais da região.
Uma tasquinha algo escondida mas sensacional na sua decoração. Foi eleita de forma unânime pela Junta Directiva do Blog do Katano como a mais acolhedora do Festival. Aquele licor de figo da Índia estava daqui (agora estou a segurar o lóbulo da orelha direita com o polegar e o indicador da mão direita, fazendo pequenos movimentos oscilatórios).




