quarta-feira, outubro 07, 2020

O castelo de Castelo Novo


Torre sineira e pano de muralha, prolongado pela cortina metálica contemporânea

Hoje, dia 7 de Outubro, celebra-se o Dia Nacional dos Castelos. A imagem que temos destas construções é algo romantizada, remetendo para os imponentes castelos medievais que o cinema e a literatura promovem. Também os restauros que foram feitos nos dois últimos séculos contribuíram para essa imagem ao reedificarem os castelos não com base em matéria factual mas antes em função da subjectividade e da sensibilidade dos autores dos projectos. 

Contudo, a tipologia dos castelos é muito variada e evoluiu grandemente ao longo do tempo, desde as fortificações "low cost" dos primórdios da Idade Média, em taipa ou madeira, até aos castelos mais tardios, com sistemas de fortificações complexos que incluíam barbacãs, alambores, torres albarrãs, matacães entre outros.

O castelo de Castelo Novo

Foto: Pedro Brito: 

Para assinalar este dia, evocamos aqui o castelo de Castelo Novo, a única fortificação medieval existente na Serra da Gardunha.

A tradição diz que o povoamento da hoje aldeia histórica de Castelo Novo sucedeu ao do Castelo Velho, situado mais acima na Gardunha, devido a uma praga de formigas. Esta é aliás uma explicação recorrente na voz do povo para explicar a relação entre povoados e ruínas que lhe sejam próximas e, quando não são formigas, a culpa recai inevitavelmente sobre os gafanhotos.

Castelo Novo recebeu foral em 1202, tendo sido doada aos Templários que trataram de construir ali um castelo que, embora modesto quando comparado com os mais próximos, integrava o dispositivo de vigilância e defesa fronteiriça desta parte do reino contra as incursões dos vizinhos leoneses e castelhanos. 

É no século XIV que a história do castelo vai viver os seus episódios conturbados ao ser atacado e destruído pelos castelhanos durante as Guerras Fernandinas. Com a paz promovida por D. João I, o castelo foi reconstruído e transformado em residência do comendador da Ordem de Cristo, herdeira da Ordem do Templo. Foi-lhe também acrescentada a torre que depois se tornaria sineira e que hoje se destaca na aldeia (com a bem posterior adição do relógio, claro).

O foral de Castelo Novo seria confirmado por D.Manuel I em 1501 mas depois, lentamente, a vila começou a entrar em declínio e o castelo entrou em progressiva degradação. Acabou abandonado e a servir de pedreira para as construções da aldeia.

Em boa hora foi alvo de escavações arqueológicas, entre 2002 e 2004, que recuperaram a história esquecida deste castelo. O processo de consolidação e de criação de estruturas para a visitação que se lhe seguiram vieram devolver-lhe alguma dignidade e fazer hoje do castelo de Castelo Novo um marco na paisagem da vertente Sul da Gardunha que merece ser visitado. A localização da aldeia história, coroada pela torre sineira e restos da torre de menagem do castelo, abraçada pela Serra da Gardunha no local onde se ergue a majestosa Penha, tornam a visita obrigatória. 

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