sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Finalmente Penedono III - Violência (pouco) doméstica

Tal como prometido, depois de espreguiçar nas sepulturas ou impedir entrada de vandalos em Castelos, segue um instantâneo da "calorosa" e "afável" hora de almoço tuga.

Dado não ter ficado satisfeito com as sandes de banana e presunto ou com o paté barrado com um ligeiro toque de pão, e depois de lhe subir à cabeça a força de um karate dragon azul, eis que um ilustre membro/a da comitiva que se deslocou a Penedono resolve mostrar a fúria de um tuga pouco satisfeito com o almoço que a mulher lhe preparou e zás, cá vai disto:


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Finalmente Penedono II - O Castelo de Penedono

Continuando a nossa viagem pela alta Beira Alta (passe a redundância), deixámos então Trancoso para trás e prosseguimos para Norte, em direcção a Penedono onde chegámos por volta da hora do almoço (uma hora extremamente relativa, é certo, mas ainda assim relevante na estruturação da nossa visita).

Após alguma hesitação em relação à escolha do local mais apropriado para nos instalarmos com a nossa genial arca frigorífica portátil, e após firme objecção por parte de um elemento da comitiva em relação a instalarmo-nos num simpático espaço à porta de um restaurante local (creio que esse certo e determinado elemento usou do argumento de que tal acto constituiria uma prática de verdadeiro tuguismo), acabámos finalmente por encontrar um pequeno jardim que reunia as infra-estruturas necessárias. Bom, faltavam talvez os sanitários...

O local escolhido foi o Jardim da Cegonha, um espaço muito bem tratado e cativante, junto a uma antiga fonte de mergulho. Este jardim evoca não a ave propriamente dita mas sim aquilo que conhecemos também como Picota, um mecanismo de alavanca e contra-peso destinado a retirar água de um poço e que outrora ali existiu.


O Cavaleiro Magriço

O Castelo de Penedono é conhecido por ter sido local de nascimento de Álvaro Gonçalves Coutinho, conhecido pela alcunha de "Magriço", um dos "12 pares de Inglaterra" referido por Camões no Lusíadas. Esta figura quixotesca era filho não-primogénito do alcaide do castelo de Penedono e, como acontecia na época, vivia em demanda de glória e fortuna pelos feitos de armas.

A sua mítica história teve origem quando 12 damas inglesas foram injuriadas por outros tantos fidalgos e, para preservar a honra das damas e, ao mesmo tempo não querendo entrar em conflitos que poderiam degenerar em grave conflito, o Duque de Lancaster (ou Lencastre) pediu a D.João I que lhe enviasse 12 fidalgos para a peleja.

O Magriço, ao contrário dos outros 11 que foram de barco, viajou para Inglaterra por terra para saciar a sua curiosidade, o que fez com que se atrasasse. Diz a lenda, que estava já o torneio prestes a começar e uma dama em particular muito chorosa por não estar quem lhe iria defender a honra, quando chegou o Magriço em grande alarido.

Obviamente vencido o torneio, os cavaleiros celebraram a vitória e regressaram a Portugal... excepto o Magriço que ainda se manteve alguns anos por lá ao serviço do Conde de Flandres, regressando mais tarde com uma carta de reconhecimento que se encontra ainda hoje depositada na Torre do Tombo.

Foi em memória da relevância lendária dos feitos do Magriço que, em 1966 por ocasião do Campeonato do Mundo de Futebol, a selecção nacional recebeu a alcunha de "Magriços" já que esta prova se disputava em Inglaterra.

O Castelo de Penedono

Trata-se de uma fortificação do Séc XIV, com uma arquitectura única, que se destaca na relativamente pequena sede de concelho. Antes de acedermos ao castelo, passamos por um conjunto de casas recuperadas, uma das quais adaptada a posto de Turismo, e um belo exemplar de pelourinho manuelino de gaiola do Séc XVI.

Sobre a fortificação diz-nos a Câmara Municipal de Penenodo que:

"O castelo, classificado como monumento nacional (Decreto de 16 de Junho de 1910), ergue-se a 930 m. de altitude, em plena serra de Serigo, dominando ao redor um vastíssimo panorama, apenas limitado, ao longe, pelos mais elevados relevos das Beiras e Além - Douro e terras castelhanas do antigo reino Leão.

Galhardamente fincado no seu pedestal granítico, lembra, pelo fino recorte das suas linhas, uma graciosa aguarela romântica ou cenário de conto de fadas. É, sem dúvida, o mais formoso monumento do seu género, existente em terras beiroas.

De planta hexagonal irregular, com o perímetro de, aproximadamente, setenta metros escassos, foi edificado, talvez, no século XIV, por D. Vasco Fernandes Coutinho, senhor do Couto de Leomil e vassalo de el-rei, a quem D. Fernando o doara, juntamente com a vila de Numão e outros lugares, em recompensa de revelantes serviços prestado à Coroa. O escudo das armas dos Coutinhos: as cinquo estrelas sanguinhas / em campo dourado pintadas – colocado acima do portal da entrada, assim o dá a entender.

Dois esguios cubelos flanqueiam o portal, aberto ao sul, enquanto outros três se escalonam a intervalos irregulares, ao longo do anel das altas cortinas ameadas."

No seu interior é possível passear pelos diferentes níveis do castelo (numa altura de até 3 andares aproximadamente) alcançando-se uma vista magnífica. Contudo, levanta algumas questões de segurança até porque o corrimão que supostamente serve de resguardo inspira tudo menos confiança.

Dois imponentes torreões ladeiam a porta de entrada do castelo sobre a qual se encontra o brasão da família dos Coutinho.

Perante o cenário, um dos membros da comitiva viu-se forçado, em grande sacrifício e perda pessoal, a abdicar de subir às ameias do castelo para garantir que, em caso de desastre, alguém estivesse em condições de prover cuidados de primeiros socorros aos restantes membros da comitiva ou de, pelo menos, os carregar para a bagageira do automóvel.


À entrada do castelo, foi necessário atestar que não estávamos ali para levar a palavra do Senhor nem para vender enciclopédias. Curiosamente, a sinistra figura que nos barrou o caminho era muito semelhante à outra sinistra figura que, em Trancoso, fez uso de uma sepultura rupestre à laia de espreguiçadeira.



Um membro da comitiva, pouco preocupado com a sua própria segurança pessoal, tenta fazer humor com outro membro insinuando que este estaria a evitar circular pelas ameias devido a inexplicável fobia das alturas. O membro visado pelo inoportuno comentário jocoso resolve ignorar e fingir que acabou de avistar a Soraia Chaves a perseguir, com ar de quem quer praticar traquinices, o pároco local em plena avenida principal da povoação.

A seguir: Missa num Anta, Tuguismo de Qualidade

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Porque é que os Óscares se chamam Óscares?

Criados em 1928 para aumentar o prestígio da indústria de cinema de Hollywood, os oficialmente designados Prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas são contudo conhecidos à escala planetária por "Óscares", designação aliás usada oficialmente pela Academia desde 1939. 

A origem do nome destas estatuetas, representando um cavaleiro segurando a sua espada sobre um pedestal formado por uma bobine de filme, é no mínimo curiosa.

Ao que parece no início da década de 1930, Margaret Herrick, então bibliotecária da Academia, ao ver pela primeira vez uma destas estatuetas, terá exclamado que esta lhe fazia lembrar o seu tio Óscar. Pelos vistos o reparo terá causado sensação suficiente para ganhar força ao ponto de, alguns anos mais tarde, vir a ser adoptada como designação oficial.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Serra da Estrela, 16 de Fevereiro de 2009


Céu, neve e granito.  A Serra como deveria ser, sem turistas, sem sacos de plástico, trenós partidos, restos de refeições,...

Idem aspas...

Antigas torres de radar da base de controlo da NATO que aqui esteve instalada nos anos 50. Actualmente, a mais próxima (em melhor estado) serve de posto sazonal da GNR. Para que fique bem claro, não é por causa destas torres que o ponto mais alto da Serra da Estrela se chama "Torre". Deve-se sim à presença da torre de 7m que, originalmente, foi mandada erguer por D. João III para que a Serra efectivamente medisse 2.000 m.

PS - As duas torres da foto estão à venda.

Corte na neve com mais de 2m atrás do qual se vê um telhado do supra-sumo dos centros comerciais de montanha (sobretudo na categoria dos centros comerciais improvisados e sem condições), atrás do qual se percebe outra perspectiva de uma das antigas torres de radar.

O impressionante Cântaro Magro, aos pés do qual corre embrionário o rio Zêzere.

Parte cimeira do vale glaciar por onde corre o rio Zêzere, aliás visível na foto. Este vale, que segundo dizem  é o maior vale glaciar da Europa com 13km de extensão, impressiona pela sua forma e extensão.

Vista da Nave de Santo António, zona onde, nos meus tempos de catraio, se instalava uma multidão de campistas de fim de semana com as suas tendas e atrelados (e umas quantas barracas como casas de férias).

"Fonte de Águas Frigidíssimas", da fonte Paulo Luís de Martins a água emerge de um lençol freático a uma temperatura constante de 6 graus ao longo do ano.

PS - Ao perceber um letreiro dizendo "Centro Interpretativo da Serra da Estrela" num dos edifícios da zona da torre, fiquei agradavelmente surpreendido e curioso. Contudo, a surpresa depressa se desfez perante um edifício fechado, apesar de ter visível um horário no qual se lia "Aberto todos os dias"... Será provavelmente mais importante vender casacos de cabedal, pins, pantufas e bonecos de peluche tipicamente serranos aos turistas. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Noite de Óscares


O filme Slumdog Millionaire ("Quem quer ser milionário") foi o grande vencedor da noite ao arrebatar 8 óscares, entre eles o de melhor filme, batendo assim por larga margem O Estranho Caso de Benjamin Button que arrebatou 3 estatuetas.

Por força do trabalho, que me ocupou noite fora, tive ocasião de ir acompanhando, pela primeira vez integralmente e a espaços, a cerimónia de entrega dos Óscares embora mantenha a minha opinião acerca da mesma. 

Para começar, acho ridícula a forma como se tenta forçar o humor da cerimónia, debitando piadas a partir do tele-ponto, nem sempre com uma expressão à altura do estatuto de actores dos apresentadores, embora o estado de nervosismo e a consciência de que o Mundo está de olhos postos neles, faça com que os membros da plateia sorriam e adiram, portando todos eles um sorriso que se situa algures entre a classificação de sorriso Colgate, o sorriso congelado e o sorriso parvinho (se calhar um misto dos 3).

Por outro lado, esta cerimónia é também um hino à hipocrisia que atinge o seu clímax quando se anuncia o nome do vencedor de uma categoria. Duvido muito que os aplausos e o ar de entusiasmo dos derrotados se destine a outra coisa que não seja o salvar da face fazendo boa figura e mostrando um aparente fair play quando, no seu âmago, estão provavelmente a tecer considerações sobre a profissão da mãe de quem está a receber a estatueta e a pensar em como desejável se tornou aquela garrafinha de bourbon que está no armário da sala.

Quem vence também não se safa a esta apreciação, sobretudo quando começa a frase com "Não estava nada à espera...". Pois claro que não! Ao fim e ao cabo, eles apenas foram ali porque havia champagne e mini-hamburgueres grátis...

À margem de todo este show off e toda esta hipocrisia, ficam os prémios da noite:

Melhor filme: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor actor: Sean Penn (Milk)
Melhor actriz: Kate Winslet (O Leitor)
Melhor actor secundário: Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas)
Melhor actriz secundária: Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Melhor realizador: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor filme estrangeiro: Okuribito / Departures (Japão)
Melhor filme de animação: Wall-E
Melhor argumento original: Milk
Melhor argumento adaptado: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor canção original: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor som: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor orquestração: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor fotografia: Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhor direcção artística: O Estranho Caso de Benjamin Button
Melhor guarda-roupa: A Duquesa
Melhor montagem:  Slumdog Millionaire (Quem quer ser Bilionário)
Melhores efeitos visuais: O Estranho Caso de Benjamin Button
Melhores efeitos sonoros: O Cavaleiro das Trevas
Melhor caracterização: O Estranho Caso de Benjamin Button
Melhor documentário: Homem no Arame
Melhor curta-metragem documental: Smile Pinki
Melhor curta-metragem: Spielzeugland
Melhor curta-metragem de animação: La maison en petits cubes

Enfiar a pen...

No Sábado passado, mais uma vez como acontece, em regra geral, quinzenalmente, parte do núcleo duro deste blog assistia a mais um encontro da gloriosa Associação Desportiva do Fundão, a equipa sensação do campeonato maior de futsal.

Como o jogo não despertava muito entusiamos, ia-se aproveitando para colocar a conversa em dia e, a palavras tantas, a conversa abordou a iminente troca de placa de banda larga móvel.

Perante a iminência de ver o seu modem trocado por outro e pensando que ia ver a sua pen/modem trocada por uma placa PCMCIA , uma certa e determinada pessoa, que não vou aqui identificar senão vão dizer que para além de não respeitar o património deitando-se em sepulturas rupestres, também faz uso de linguagem torpe quando aborda temas tecnológicos, não escondeu a sua indignação e, no meio da massa adepta da ADF, proferiu em alto e bom som:

"Então mas como é que eu enfio essa placona???"

domingo, fevereiro 22, 2009

Medidas anti-crise

A sua empresa está à beira da falência? É trabalhador independente e o seu negócio não lhe corre de feição? Não sabe como atrair clientes?

O Blog do Katano dá-lhe ideias para combater a crise.



Eis o exemplo de um profissional que, estando o seu ofício a cair em desuso, utiliza um slogan altamente persuasor e que à primeira vista pode até parecer... redundante. Mas não é. Parece que há também aqueles limpa-chaminés que limpam sujando - não necessariamente a chaminé que limparam, espero eu - e em relação a estes, este profissional está claramente em vantagem.
Fácil, não é?

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

E quanto aos espectadores dos eventos... desportivos?

Ao fazer um comentário de resposta ao camarada Varela no artigo em que questionei quais serão os motivos que levam as provas automóveis a serem consideradas desporto, abordei a questão da saúde dos espectadores dessas mesmas provas. 

Também me custa a compreender o entusiasmo despertado pelo facto de se estar numa posição privilegiada onde o Oxigénio é menos abundante que o Monóxido de Carbono, onde a poeira tem tendência a meter-se por tudo o que é roupa, olhos e vias respiratórias (será que os adeptos ferrenhos podem morrer de silicose?) e onde o nível de ruído é semelhante ao de uma indústria metalúrgica, que emprega apenas anarquistas, em pleno horário laboral. Isto claro, quando não levam com uma viatura em cima e que me leva a perguntar, quem sofre mais lesões: os condutores ou os espectadores.

Acerca disto, não posso deixar de relembrar um sketch dos Gato Fedorento em que a temática é é mesmo essa: a dos adeptos de provas automobilísticas. Está lá tudo: os carros, a areia, o barulho... Vale a pena (re)ver.


quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Finalmente Penedono!

Depois de uma primeira tentativa mal sucedida de organizar um passeio até terras de Penedono (meteu água, literalmente), desta vez a comitiva do Blog do Katano não facilitou e manteve a intenção de passeio e o nome do destino em absoluto sigilo até à hora do mesmo, não fossem as condições metereológicas degradarem-se novamente.


Assim, em plena madrugada do dia 14 de Fevereiro (madrugada para metade da comitiva, pelo menos), e após uma retemperadora e oportuna dose de cafeína (pelo menos para alguns), a expedição arrancou rumo a Norte, desbravando a A23 e depois a A25 até Celorico da Beira, tomando depois o rumo que levou à primeira etapa: Trancoso.


Em terra de Bandarra

Gonçalves Annes Bandarra, sapateiro e, para muitos, profeta, facto que lhe valeu ser perseguido pela Inquisição.

Em Trancoso, vila ainda cercada quase na totalidade pelas sua muralha medieval, a paragem não se prolongou muito. A visita começou pela estátua do nativo mais famoso (exceptuando o famoso padre que teve 299 filhos), Gonçalo Annes Bandarra (1500-1556), sapateiro de profissão e profundo conhecedor do Antigo Testamento, que deixou algumas obras escritas que, pelas interpretações que delas têm sido feitas, tratar-se-iam de profecias e nelas estaria inclusive predito o desaparecimento de D.Sebastião em 1578 e o seu posterior regresso para salvar a Pátria. Esta interpretação constitui um pilar fundamental do mito do sebastianismo.

Na estátua, para além da representação dos elementos próprios do ofício de sapateiro, que curiosamente se encontram sobre o pedestal, ao contrário do homenageado que está apeado, encontra-se também o pormenor curioso da presença de uma folha sob esse mesmo pedestal. Este pormenor diz respeito a uma lenda segundo a qual, de acordo com o meu falecido avô paterno, um indivíduo querendo pôr à prova a tão gabada capacidade de observação de Bandarra, foi colocar discretamente uma folha sob uma pedra que se encontrava no horizonte que o profeta frequentemente admirava.

Este contudo, ao olhar a pedra ficou admirado e terá mesmo dito "Ou a terra já subiu, ou o céu já desceu...". Irritado, o indivíduo terá ido então retirar a folha após o que Bandarra corrigiu em nova observação "Ou a terra já desceu, ou o céu já subiu".

Há no entanto outra versão que dita que Bandarra se terá simplesmente sentado sobre a pedra, na qual se sentava frequentemente,  sob a qual de alguma forma se encontrava uma mortalha e manifestou a sua estranheza pela súbita "mudança" de altura da pedra com as mesmas palavras.

Continuando a visita, saímos das muralhas para ir até à necrópole rupestre que se encontra junto ao tribunal, a partir da qual nos dirigimos ao Castelo que, interminavelmente continua em obras.

Momento em que numa atitude de profundo desrespeito pelo património, um elemento não identificado da comitiva decide repôr as horas de sono em atraso sob o pretexto de o querer fazer por apenas um minuto. Não foi fácil explicar-lhe que não se tratava de um conjunto elaborado de espreguiçadeiras de uso público.

Se as obras pretendem melhorar as condições de visita dos turistas, há alguns pormenores que me desagradam particularmente pela descaracterização que vão impôr ao espaço interior do castelo, como é o caso da escadaria sui generis que irá permitir o acesso à torre de Menagem. Será sem dúvida falta de bom gosto e estética da minha parte, achar que uma escadaria de betão ladeada de 2 muros de altura uniforme até ao nível da porta de acesso da torre não se enquadra no contexto da fortificação medieval e é com certeza por isso que existem iluminados arquitectos que tomam estas decisões.

Isto para não ser picuinhas a ponto de criticar a também betonada nova rampa de acesso à porta do castelo...

O castelo de Trancoso com as suas muralhas reformadas por D.Dinis e onde se distingue à direita a torre de menagem dita "moçárabe", com a sua peculiar forma sub-piramidal.

Seja como for, tal como a simpática família francesa que optou depois por se sentar no cruzeiro em frente à entrada do castelo para merendar (atitude até bastante tuga segundo certos e determinados elementos da comitiva do Katano), também nós ficámos desolados por não poder visitar o interior do castelo com a sua peculiar torre de menagem "moçárabe". Esta torre corresponderá à primitiva torre de defesa/castelo roqueiro (Séc IX / X) à volta da qual se desenvolveu em épocas posteriores a cerca de defesa que, com as alterações góticas de D. Dinis (que não viveu no Séc XVI ao contrário do que diz a SIC), chegou aos nossos dias.

A seguir: Penedono, Missa numa Anta, Mortos no pátio de um castelo e mais tuguismo de qualidade

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Para Elisa

Enquanto os membros mais experientes deste blog caminhavam a passos largos para a pré-adolescência, terminando a sua infância assistindo a séries televisivas como Duarte & Companhia, Zé Gato e Roque Santeiro, havia aqueles que, ainda com idade insuficiente para compreender enredos, tinham como momento alto do dia a hora da refeição, com menor ou maior birra consoante o prato agradasse ou não. É nesse sentido que deixo aqui um anúncio televisivo que, por essa altura, era para mim bem mais apelativo que um bando de pseudo-criminosos perseguido por uns senhores montados num Citröen 2 cavalos encarnado.



Aproveito a temática para dedicar este segundo anúncio da marca, um pouco mais recente, à pequena Elisa que já come a papa! Xamane, faz o favor de mostrar isto à menina e, já agora, de lhe cantar também!


terça-feira, fevereiro 17, 2009

Desporto?


No Fundão, o último fim-de-semana ficou marcado pela realização do Rally "Cereja do Fundão", evento que, de acordo com a organização, terá alcançado plenamente os objectivos atingidos.

Pessoalmente esta iniciativa passou-me ao lado, até porque o Sábado foi passado noutras paragens (que partilharei com os leitores no próximo artigo). Contudo, tenho de confessar que, a classificação deste tipo de competição como Desporto, me faz profunda confusão.

Basicamente, uma prova automóvel consiste no gasto indiscriminado de combustível com consequente libertação de gases nocivos numa já maltratada atmosfera, por acelerações desenfreadas em percursos que passam por zonas urbanas ou zonas rurais/florestais e com um efeito de perturbação que atinge desde os nervos dos habitantes até ao normal equilíbrio da fauna e flora.

Tudo isto para quê? Para se chegar ao fim e dizer que, graças a uma amálgama de componentes adquirida numa loja de peças automóveis e cuidadosamente montados por uma certa ordem, o vencedor, uma pessoa devidamente habilitada a manobrar um volante, uma alavanca e 3 pedais enquanto está sentada, conseguiu chegar ao final antes dos outros.

Sei que muitos vão achar isto ultrajante mas, especialmente a esses eu pergunto: porque é que as provas automóveis são consideradas desporto?

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

(Des)informação turística

Esta tarde, em viagem pelo vale glaciar do Zêzere, detivemo-nos por alguns minutos em Valhelhas, aproveitando para dar uma vista de olhos à Igreja Matriz de Santa Maria Maior, um templo aparentemente consagrado em 1168 e que nos chamou a atenção pela sua peculiar inscrição sobre o arco da porta lateral.

A inscrição, algo indecifrável para nós in situ , testemunha no entanto a consagração / inauguração da igreja em "Março de 1200" o que equivale a dizer que a mesma foi consagrada em 1168, dado que em 1582, a adopção do calendário Gregoriano em substituição do calendário Juliano em uso até então, levou a que fossem subtraídos 38 anos.

Seja como for, o mais peculiar desta curta visita acaba mesmo por ser a qualidade das informações, que nos foram prestadas por um indígena idoso estrategicamente colocado na janela do 1º andar da sua casa, acerca de um brasão que havia captado a nossa atenção.

Ao ver-nos fitar a casa onde o brasão se encontrava, o auto-assumido guia turístico disse bem alto "2000 anos antes de Cristo!". Como ficámos a olhar alternadamente para ele e para a casa, repetiu, para que não restassem dúvidas, "A piedra! 2.000 anos antes de Cristo!".

Obviamente, com um sentimento de admiração a preencher o nosso espírito, fitámos assombrados o verdadeiro monumento histórico em forma de brasão de armas que ornamentava o canto daquela casa ao nível do primeiro andar.

Claro que não acreditámos em momento algum na inscrição que, no brasão, proclamava que havia sido  "MANDADA FAZER ESTA OBRA (em) 1693".


sábado, fevereiro 14, 2009

Revivalismo...

O Gardunha, ali no blog vizinho Pedaços de Alcongosta, trouxe de volta uma saudosa recordação dos tempos da minha infância ao evocar uma série histórica da TV portuguesa: Duarte & Cia.

Esta série dispensa certamente apresentações para todos aqueles que conviveram com o sucesso que a mesma constituiu. Contudo, e como há alguns leitores e colaboradores deste blog de uma faixa etária sub-30, vou resumir basicamente o enredo.

A série gira, ao longo de 37 episódios, à volta de uma agência de detectives liderada pela Duarte (Rui Mendes) e para a qual trabalham o Tó (António Assunção) e a Joaninha (Paula Mora) que era afinal, quem resolvia todos os casos à pancada. Nesta série havia uma clara predominância das mulheres sobre os homens e, não raras vezes, os vilões fugiam gritando "Fujam que vem aí a mulher do Duarte!". Nomes como Lúcifer, Padrinho, Rocha, o Japonês, Átila, entraram definitivamente na memória daqueles que conviveram com o auge desta grande obra realizada e produzida por Rogério Ceitil para a RTP.




Já agora, e já que falamos de Rogério Ceitil, quem se recorda de uma outra série, embora de vida mais curta (11 episódios) que o sucesso Duarte e Companhia, e que abrilhantou as tardes de Verão em que a emissão televisiva preenchia também as tardes que, durante o ano lectivo, estavam reservadas à tele-escola? 

Esta série intitulava-se Zé Gato, o nome da personagem principal, e contava as aventuras de um verdadeiro Dirty Harry português que, ao volante do seu Renault 5 e equipado com uma poderosa arma (provavelmente de fabrico soviético), andava inexplicavelmente "pelos cantos mais sujos desta terra". Do elenco também faziam parte António Assunção, Luis Lello e Canto e Castro.



O primeiro vídeo, como puderam ver, foi disponiblizado na web pelo interessante blog Verdes Anos
Vale a pena visitar este espaço para recordar estas e outras pérolas.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Piadinha do dia...

Uma piada tipicamente da minha "classe":

A crise financeira está a tomar tais proporções
que as mulheres até já casam por amor!
Ui!...

Charles Darwin

Assinalaram-se ontem os 200 anos do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin, o homem que revolucionou toda a visão que temos do Mundo ao enunciar pela primeira vez o princípio de selecção natural e a possibilidade de um antepassado comum na origem das espécies.

Incompreendido e perseguido, sobretudo pela fatia religiosa da população, Darwin viria a falecer em 1882, tendo sido sepultado com honras de estado na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton.

A sua obra mais famosa, a Origem das Espécies (ou no seu título original On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), resultou da sua famosa viagem de 5 anos a bordo do navio Beagle pelo Mundo, ficando para a História a sua passagem pelas Galápagos. Só depois da sua morte, a sua Teoria da Evolução viria a ganhar força, sobretudo após terem sido dadas respostas a algumas questões a que Darwin não conseguiu explicar.

É contudo preocupante constatar que, dada a quantidade de provas e o melhor entendimento do registo fóssil e do mundo natural que temos hoje, o Darwinismo continue a ser matéria proibida nas escolas de alguns estados dos EUA, onde o Criacionismo (origem do Mundo de acordo com o Génesis bíblico) é ainda tido como verdade absoluta e incontestável. A famosa senadora Sarah Palin, por exemplo, é ela própria uma adepta ferrenha da abolição do darwinismo. Provavelmente a culpa será da mosca da fruta.

imagem Wikipedia

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Cuidado com a Língua!

É este o nome de um interessante o programa transmitido pela RTP1 e da autoria do criador do utilíssimo site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Na última segunda-feira, Rita Blanco e Diogo Infante deram o mote ao esclarecimento de algumas dúvidas sobre a origem de termos relacionados com o amor e, assim ficámos a saber o seguinte:

Paixão (vem de Passione) - Significa originalmente dor, sofrimento, acto de suportar, e está conotado com todos os tormentos que JC sofreu desde a sua prisão até ter sido crucificado. Este termo seria depois usado na Europa, em tempos mais tardios, para designar o sofrimento e a dor provocados por casos de amor forte. Acabaria depois por ser associado directamente ao amor. 

Saber de Cor (Origem latina em Cor - Coração) - Cor era o termo latino para designar coração, sendo ainda usado em obras poéticas do séc. XIV. A expressão serve para designar um conhecimento tão interiorizado que parece estar guardado no coração.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Crise?? Passa mas é a a vodka!

Em tempos de crise, vale tudo para promover as vendas e, neste aspecto particular, os russos não se safam nada mal em termos de criatividade e agressividade na abordagem ao mercado, como nos mostra o blog Da Rússia

Fazendo fé na tradução de José Milhazes, autor do blog e jornalista destacado na Rússia, isto porque o meu próprio domínio da língua russa anda algo enferrujado, o cartaz diz o seguinte:

PROPOSTA ANTI-CRISE!
SE COMPRAR, NÓS DAMOS DE BEBER!

Se adquirir produtos no valor superior a mil rublos, terá direito a cem gramas* de vodka.

Se adquirir produtos no valor superior a três mil rublos, terá direito a cem gramas* de vodka mais um pepino.


* Segundo o autor, na Rússia a vodka é comercializada em unidades de peso e não em unidades de volume.



O curioso é que, se o cliente for realmente merecedor, recebe gratuitamente o necessário para confeccionar uma bela salada de pepino que, para além de ser riquíssimo em fibras, é muito benéfico para os rins, vesícula e... fígado. Isto acaba por trazer alguma justiça a um órgão que aparenta ser duramente castigado pela fidelização dos clientes neste estabelecimento.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Eluana Englaro


Eluana Genaro faleceu oficialmente ontem às 19h00 (hora de Lisboa), na clínica onde se encontrava desde a semana passada, depois de ter sido tema em praticamente todos os meios de comunicação social nas últimas semanas. Esta italiana, de 38 anos, encontrava-se em estado vegetativo há 17 anos após ter sido vítima de um acidente de viação. Desde então, a sua vida era apenas mantida pelos equipamentos clínicos de suporte de vida que finalmente foram desligados.

Este caso dividiu a opinião pública desde que, há 10 anos atrás, os pais de Eluana reclamaram o direito de desligar o sistema de suporte de vida da sua filha e, de uma forma que me causa profunda irritação, levou a manifestações de histeria tanto de pessoas como de partidos, que se acharam no direito de interferir neste caso, violando a privacidade de uma família com uma dor de 17 anos e desprezando por completo os seus sentimentos, retirando à morte de Eluana toda a dignidade que esta poderia ter tido. 

Será que alguma daquelas pessoas que brandiram cartazes e vociferaram impropérios à porta da clínica, procurando inclusive barrar a entrada da ambulância, conseguirá compreender a dor de uma família que viveu 17 anos no sofrimento da perda de um ente querido sem direito ao luto?

Ridículas foram também as posições do Vaticano e de Sílvio Berlusconi, primeiro ministro de Itália. Por um lado, o "centro da cristandade" alegou que a vida era sagrada pela existência em si e não pela qualidade de vida da pessoa, pondo de lado (porque convinha, talvez) o facto de que, não fossem os meios artificiais de suporte de vida, e já há muito o corpo de Eluana teria cessado de existir, pois eram simplesmente as suas funções vitais básicas que permaneciam sustentadas.

Por outro lado, Berlusconi levou este assunto ao Senado, tentando passar um Decreto-Lei de urgência que impedisse os pais de Eluana de levarem os seus intentos adiante. Perante a recusa do Presidente em ratificar o Decreto-Lei, Berlusconi fez subir os seus argumentos de tom, ao ponto de ter tido que era crime matar Eluana pois esta estava viva e ainda em condições de ter filhos...

Terminada esta triste história, confirmou-se, com 17 anos de atraso, a morte de Eluana e, finalmente, a sua família pode continuar a viver. Algo que irá inevitavelmente conseguir, apesar da hipócrita moralidade de quem tentou decidir a sua vida sem nunca ter sentido e experimentado o que esta família sentiu e experimentou.

fotografia: IGN

Monumento à ousadia afinal era demasiado ousado...

Se a insólita notícia da sua construção me surpreendeu, o mesmo já não direi da descoberta que fiz ao procurar algo sobre este monumento, que havia sido noticiado há uns dias atrás. Como já se esperava, este sapato gigante de 2,5 metros de comprimento e 1,5 de largura, erguido a 3,5 metros de altura, réplica do modelo que foi duplamente projectado pelo jornalista Muntadhir Al-Zaidi na direcção do deposto presidente Bush, aquando da sua última visita ao Iraque, foi demolido... no dia seguinte à sua inauguração. A ordem de demolição veio directamente do governo central iraquiano, e prende-se com o facto de haver acusações contra o jornalista, que se encontra detido aguardando julgamento.

Este sapato foi obra do escultor Laith al-Amiri, que teve a ajuda das crianças do orfanato de Tikrit (curiosamente - ou não - a região de origem de Saddam Hussein), segundo ele "vítimas da guerra de Bush". Ele diz ainda: "The shoe monument is a gift to the next generation to remember the heroic action by the journalist."

Parece que desta forma, o jornalista já não será recordado, mas concerteza não faltará quem mitifique a proeza sob outras formas de expressão, como uma história heróica que corre de boca-em-boca, ou uma reprodução do acto. Disso é prova o arremesso que ocorreu há uma semana, na Universidade de Cambridge, contra o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao. Assim como o egípcio que ofereceu a Al-Zaidi a filha de 20 anos para casar, ou os 10 milhões de dólares que um milionário saudita está disposto a pagar pelo par de sapatos arremessado.

Pensando já na eventualidade de o novo presidente dos EUA vir a defraudar as expectativas dos iraquianos, deixo aqui a sugestão de um modelito que poderá ser usado por qualquer civil durante uma visita de Obama ao Iraque. Isto se ainda não tiver passado de moda...



Fotos: resistir.info e ojornalista.wordpress.com
Info: http://www.uruknet.de/

sábado, fevereiro 07, 2009

Toponímia peculiar


O Luís, um camarada que está sempre na estrada (a viajar, entenda-se e não como em "à beira da..."), publicou uma panóplia de nomes de localidade mais peculiares que encontrou.

De Cachão a Pica, cuja placa toponímica foi subtilmente aumentada de uma prótese em forma de cedilha por um autor anónimo, o visitante surpreende-se mesmo é ao chegar aos Corvos Anais.

Não querendo dissertar sobre as possibilidades da origem do nome da povoação, deixo contudo no ar a questão sobre a designação dos seus habitantes: serão corvenses anais ou corvinos anais?

Mais um simultâneo Blog do Katano e A Funda São

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Engenharia contra a crise

A crise económica, como podemos verificar diariamente através dos media, está a fazer-se sentir com crescente intensidade nas empresas nacionais, fazendo com que "insolvência" e "falência" se tenham tornado termos privilegiados da cultura mediática dos cidadãos. Contudo, há empresas que, recorrendo ao engenho, conseguem encontrar formas brilhantes de escapar a este cenário negro generalizado.

Parece ser esse o caso da empresa encarregue de gerir o parqueamento automóvel pago na cidade do Fundão que, aparentemente, ao constatar que a privatização do espaço de estacionamento, que pratica em certas zonas, tem sido insuficiente para garantir uma boa saúde financeira, decidiu avançar para uma forma mais radical de maximização do espaço disponível.

A foto mostra o cenário com que os automobilistas se deparam, ao procurar estacionar numa certa artéria da cidade, e que desafia as leis da Física. Tendo em conta que esta situação já se arrasta há bastante tempo, só podemos concluir que a empresa estará satisfeita com o novo cenário de estacionamento do parque automóvel. Os automobilistas que usufruem do serviço é que não estarão assim tão radiantes, devido à terrível e prolongada indecisão na escolha de um dos inúmeros novos lugares disponíveis para a sua viatura.

De bananas ou ananazes?... I

Depois da longa espera, está finalmente pronta a prometida posta. Ora como é dificílimo para mim PARAR de escrever sobre a pérola do Atlântico, e porque há muito a dizer, vou dividir o artigo em 3 postas. Aqui fica a primeira com um cheirinho do que aí vem. É uma contextualização geral, uma espécie de KatanoPédia, em jeito de introdução à real posta. Espero que gostem e tenham pachorrinha para lerem tudo. Para mais informações, contactar a euzinha. :)


I – KatanoPédia

(Mapa de Piri Reis - 1513)


Apesar da sua descoberta ter sido atribuída a Tristão Vaz Teixeira e João Gonçalves Zarco em 1419 (ainda que, por uma questão de correcção temporal, a primeira ilha a ser descoberta tenha sido o Porto Santo em 1418), as ilhas que constituem o arquipélago são já referenciadas desde o tempo dos Romanos (conhecidas como as Ilhas Púrpura) e em alguns escritos do século XIV, chamadas de Leiname, Diserta e Puerto Santo. Para evitar uma situação semelhante à acontecida com as Canárias, a sua colonização foi iniciada em 1424/5 por elementos da pequena nobreza, famílias pobres de meios rurais e alguns presos do reino (o que muitos afirmam explicar muita coisa relativamente à personalidade do actual presidente da Região Autónoma), adoptando-se um sistema de Capitanias.

(Divisão em Capitanias, Autor desconhecido, 1888(?))

O seu nome (quer da ilha, quer do arquipélago) atribui-se à variedade luxuriante de vegetação que os navegadores encontraram com espécies até à data completamente desconhecidas dos Europeus (aliás, espécies como os dragoeiros, por exemplo, permanecem, ainda hoje, desconhecidas para muitos).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

Situado em pleno oceano Atlântico, a cerca de 980 kms de Lisboa e a 700 da costa Africana, o arquipélago é constituído por 7 ilhas (e não duas como muito boa gente pensa): Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens, estas duas últimas são pequenos conjuntos de ilhas desabitados e com estatuto de reserva Natural. Apesar de ser um arquipélago mais pequeno que o dos Açores, por exemplo, as diferenças entre as ilhas que o constituem são marcantes. A ilha da Madeira possui um relevo acidentado e inconsistente, a parte norte da ilha dominada por encostas e arribas, onde se encontram os picos mais altos do arquipélago (Pico Ruivo – 1.862m, Pico do Areeiro – 1.815m, etc); e a parte sul onde dominam as paisagens mais planas e menos acidentadas. A vegetação é abundante, rica e variada e, independentemente da altura do ano, a ilha é um ponto verdejante no oceano, pleno de flores e cursos de água. ( e é por isto que a Madeira é um jardim e não por causa do senhor Presidente da Região).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

O Porto Santo, por sua vez, é uma ilha muito menos acidentada, mais plana, com vegetação menos exuberante e mais rasteira, o solo é mais pobre e durante as épocas mais quentes do ano a ilha reveste-se duma tonalidade seca e dourada e algo mais árida. No entanto, é em Porto Santo que encontramos 9kms de extensão de praia de areia fina, com propriedades terapêuticas, devido à sua natureza calcária, característica orgânica que não se verifica em mais nenhuma praia do território Português.


(Ilha de Porto Santo - © SeteLuas [vá n sejam maus, não é uma foto à lá Xamane mas as melhores estão para vir...])


As Selvagens e as Desertas, são extremamente agrestes mas constituem um autêntico paraíso para diversas espécies animais, nomeada e principalmente aves e vida marinha.


(Ilhas Desertas, Vista Aérea - Autor Desconhecido)


(Ilhas Selvagens, © Ivan Ramiréz)




Aberto o apetite, vale a pena continuar? ;)


(NOTA: Todos os direitos de autor são respeitados e mencionados nos termos da lei. :p)

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Curiosidades patrimoniais


Certamente alguns dos leitores já terão visto por esse Portugal fora estruturas semelhantes às da fotografia. Pessoalmente, encontrámos uma recentemente em Monção, junto a uma das entradas da muralha e, já na altura, fiquei intrigado. 

Segundo o Andarilho, a quem com a devida vénia pedi "emprestada" a foto da estrutura existente em Estremoz, tratam-se de postos de controlo utilizados, nos idos anos de 1950, pela Polícia de Viação e Trânsito. Saibam mais clicando aqui.

À frente dos franceses ninguém foge!


Um dos episódios mais conhecidos da História de Portugal é o da corajosa fuga que, em finais de 1807, a Família Real portuguesa empreendeu com destino ao Brasil para, deste modo, evitar cair nas mãos do exército invasor francês, comandado por Junot.

Este plano já tinha na altura quase 200 anos e era equivalente ao actual plano de crise estado-unidense que dita que, em caso de ataque, o Presidente dos EUA use o Air Force One para se refugiar em destino seguro (embora eu não ache muito seguro o Air Force One ser o único aparelho autorizado a voar nesse momento pois tenho a sensação que não será complicado detectá-lo por radar).

Seja como for, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, que os franceses descreviam como "extremamente feio", era também por natureza um homem extremamente hesitante e, só na véspera da entrada dos franceses em Lisboa, se decidiu finalmente pela fuga.

A Família Real saiu então do Palácio de Queluz transportada numa carruagem que, compreensivelmente, procurava chegar ao Cais de Belém o mais rápido possível, isto sob o olhar de espanto do povo que assistia a tudo. Diz-se que a ainda rainha D.Maria I, sob o efeito da demência que já há muito a afectava, se dirigiu então com veemência ao cocheiro: "
Devagar, homem! Vão pensar que estamos a fugir!".

Imagem Wikipedia

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Eu também quero um RSI!!!

Não é todos os dias que a TVI merece a minha atenção mas hoje, acabou por fazê-lo graças a uma interessante reportagem que denunciou (mais) um dos aspectos que fazem dos portugueses, um dos povos com mais Chico-espertice da Europa: a má distribuição do Rendimento Social de Inserção, ex-Rendimento Mínimo Garantido.

A dita reportagem mostrava dois casos perfeitamente díspares: o primeiro de uma mulher que pura e simplesmente fazia a sua vida com base no RSI, prontamente denunciada com total despudor por um seu familiar “Ela não quer é trabalhar!” (a própria equipa de reportagem foi pouco delicada pois foi acordar a senhora quando nem sequer eram ainda duas da tarde).

O segundo, foi de um casal que, tendo ficado sem nada, viu no RSI a solução imediata para os seus problemas, aproveitando-o para relançar a sua vida. Tendo atingido novamente a estabilidade, eles próprios se dirigiram à Segurança Social para terminar a atribuição do RSI alegando que outros haveria a quem o RSI poderia ajudar agora que eles já não precisavam.

Se a ideia que está por trás do RSI é excelente pelo apoio que vem dar a muitas famílias e indivíduos carenciados, peca contudo, como tantas outros apoios estatais, pela deficiente fiscalização da sua aplicação e real necessidade de quem deles beneficia.

Por outro lado pergunto-me se não seria também vantajoso para o país tirar partido desta despesa de uma forma mais prática. Que tal incluir nas obrigações de benefício do RSI a obrigatoriedade periódica de trabalho comunitário ou de benefício público? Será que muitos dos beneficiários se manteriam tanto tempo no desemprego como o fazem agora?

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