terça-feira, setembro 30, 2008

Perdido na tradução


Há algo que me intriga na placa retratada neste instantâneo e que me deixou a olhar para ele durante algum tempo: a palavra "ore" quer dizer "hora"? Se alguém perceber de italiano, faça favor de me explicar.

segunda-feira, setembro 29, 2008

O nosso amigo do peito, Hugo Chavez

Quem esteve atento às notícias dos últimos dias sabe que Hugo Chavez veio a Portugal buscar um excesso de stock do pináculo da tecnologia lusa: o computador Magalhães (curiosa esta escolha do nome de um português que não teve condições de trabalho em Portugal e teve de ir trabalhar para Espanha) para além de ter encomendado a construção de algumas dezenas de milhar de casas.

Para além de exuberantes demonstrações de amizade para com a nossa elite política, especialmente para o nosso Primeiro Ministro, tido nalguns sectores
como o mais sério dos políticos, (o que nos faz pensar se não terão tirado o curso juntos), Chavez não se furtou mais uma vez a um protagonismo incontrolável, tecendo mais algumas considerações sobre os estado-unidenses e a sua política externa.

Abro aqui um parêntesis para confessar que, quanto mais vejo e oiço Hugo Chaves, mais penso que ele e Alberto João Jardim terão sido separados à nascença. A diferença é que um tem petróleo e o outro tem ananases (*).

Retomando a linha do artigo, a meio das suas considerações sobre os EUA, Chavez anunciou que esperava muitas mudanças na América e confessou o seu profundo desejo de ver finalmente os estado-unidenses a viver sob uma verdadeira democracia. Uma afirmação pertinente de Chavez pois, como se sabe, a Venezuela é um país que vive sob os auspícios de uma excelente democracia, tão musculada quanto o actor que é hoje governador da Califórnia, e onde todos são felizes, principalmente se forem amigos de Hugo Chavez ou tiverem um poço de petróleo no quintal... Creio que, o mais aconselhável será, caso tenham um poço de petróleo no quintal, serem também amigos de Hugo Chavez, não vá a democracia ter ali um soluço.

Seja como for, Chavez afirmou a sua intenção de retomar o diálogo com os EUA e com os estado-unidenses, palavras que não deixam de ser algo contraditórias se tivermos em conta o discurso inflamado que, o auto-assumido Simão Bolívar dos tempos modernos, proferiu há cerca de duas semanas (especialmente a partir de 1,55m):




Deixo a questão: há algum cidadão dos EUA que abdique do seu amor próprio para retomar o diálogo com Chavez depois disto? (Esta questão exclui os cidadãos dos EUA que participaram no filme Borat, claro)

Um muito obrigado à Cláudia pela "dica" ;)

(*) NOTA - Uma investigação independente conduzido por leitores / colaboradores do Blog do Katano concluiu que o cultivo de ananases se faz, em grande escala, no arquipélago dos Açores e não no da Madeira, ilhas onde existem sim muitas bananas. Esta é só mais uma diferença, entre muitas, que distinguem as duas regiões insulares. A título de exemplo posso citar o facto de os Açores ainda serem território nacional português.

No entanto, estamos em condições de avançar que, na ilha da Madeira, existe pelo menos uma árvore de ananases, especificamente na cidade de Funchal. Não sendo propriamente uma regra, esta ocorrência valida de imediato o pressuposto exposto neste artigo.

O Triângulo das Bermudas - Parte III

Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

Chegando à conclusão que, afinal, o número de acidentes registados no Triângulo das Bermudas não é tão significativo quanto se esperaria, fica a questão: há ou não há desaparecimentos misteriosos naquela área? A resposta é sim embora também haja desaparecimentos misteriosos em outras partes do Globo para além do Triângulo das Bermudas. Contudo, actualmente, os avançados sistemas de comunicações, de GPS e de radar já não permitam que as embarcações pura e simplesmente se desvaneçam ou, pelo menos, que tal ocorra com a frequência habitual registada até ao início do século passado.


O enigma do Voo 19

Como já referi, foi o desaparecimento de uma esquadrilha de 5 aviões, da Força Aérea dos EUA em 1945, que despoletou a lenda do Triângulo das Bermudas. De acordo com os relatos clássicos a esquadrilha levantou vôo num dia calmo e ensolarado e, a certa altura, terá começado a relatar estranhas anomalias no horizonte, mudança de cor da paisagem e problemas nos instrumentos de navegação. Pouco depois, o Voo 19 desaparecia para sempre.

A verdade, no entanto, é bem diferente e revela alguns pormenores que, na época, foram desconsiderados. Começando pelo próprio estado do tempo, se é verdade que no início do voo as condições meteorológicas eram excelentes, no final do voo levantou-se uma forte tempestade que, infelizmente para os pilotos, coincidiu com o pôr-do-sol, tornando as condições de vôo extremamente difíceis.

Por outro lado, o próprio líder da esquadrilha, Charles Taylor, não estava muito familiarizado com a região, estando colocado na Florida havia apenas 6 meses. Pior, ele já tinha um historial que indicava que, por 3 ocasiões, se perdera em missões na II Guerra Mundial, tendo tido, em duas delas, de pousar o seu avião em pleno mar. Finalmente, de acordo com a Força Aérea dos EUA, as comunicações de rádio indicam um indivíduo hesitante e muito pouco confiante. Juntando todos estes factos ficamos com uma esquadrilha em difíceis condições e liderada por um indivíduo com fraco sentido de orientação numa região que conhecia mal.

A versão oficial é que Taylor pensou que estava sobre as ilhas Keys quando, na verdade se encontrava sobre as Bahamas, ironicamente o exacto local onde se esperava que estivesse, e achou que se voasse para Nordeste chegaria à Florida. Infelizmente, a partir das Bahamas e tomando esse rumo, levou a esquadrilha em direcção ao Oceano Atlântico onde, fatalmente, o seu combustível se esgotou e os aviões caíram ao mar.


E os outros casos?

Nos outros relatos, uma pesquisa menos superficial dissipa instantaneamente tudo o que de sobrenatural se pudesse apontar. Registo de comunicações e diários de bordo adulterados com um cunho profundamente criativo, troca de nomes de embarcações, embarcações que nunca existiram. Os factos são de tal ordem que se chega a duvidar de que tenham efectivamente desaparecido navios ou aviões em circunstâncias pouco claras.

Quanto à referência mais antiga a algo anormal, o episódio passado com Cristóvão Colombo no qual ele avistou estranhas luzes oscilantes e anomalias na bússola, estes não terão passado de fogueiras de nativos vistas ao longe e de uma constatação de algo que hoje é um dado adquirido: a variação do Norte Magnético em relação ao Norte Geográfico. Comparando a direcção apontada pela bússola com a posição das estrelas, Colombo percebeu que havia ali uma significativa diferença relativamente ao que sucedia na Europa e limitou-se a anotar um facto que achou estranho.


Factores para o desaparecimento de embarcações e dos seus vestígios

São várias as causas que podem contribuir para o afundar de embarcações ou para o desaparecimento de vestígios de naufrágios naquela área: as tempestades violentas que ocorrem na região que, não raras vezes originam furacões, a Corrente do Golfo que é uma corrente de invulgar velocidade, as ondas gigantes de origem ainda conjectural que se formam sem pré-aviso e que são capazes de fazer adornar petroleiros, hidratos de metano (acumulações de metano no fundo marinho que se podem soltar em grande quantidade, anulando o princípio de Arquimedes que permite aos navios flutuar), etc...



Também o factor humano não pode ser descartado, desde o mais simples e vulgar erro humano até aos actos de pirataria ou actos de guerra.


imagem retirada daqui

Conclui no próximo artigo


Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

sexta-feira, setembro 26, 2008

Adenda

De forma a complementar o trabalho do camarada Katano, nada melhor do que uma foto que ilustra bem a viatura em questão no post anterior (antes do acidente claro)...

Sobre o Aixam que se despistou por excesso de velocidade

Chegou-me através de uma fonte segura que o acidente, com 2 camiões, na A23 não terá sido o único acidente grave a ocorrer na zona do Fundão nos últimos tempos. Ao que parece, aconteceu um outro acidente por despiste envolvendo um Aixam mas, o que torna este incidente interessante, é sem dúvida o conjunto de deliciosos pormenores que fazem parte dele.

Assim, segundo soube, uma patrulha da GNR foi surpreendida na sua rotina ao deparar-se com um Aixam acidentado, com a parte dianteira enfaixada sob o rail de protecção lateral da estrada. No interior do veículo encontrava-se ainda um casal de idosos aparentemente ilesos mas, obviamente agitados.

Abordado pelos militares, o condutor do veículo viu a sua palavra cortada pela esposa que, sem papas na língua pôs logo tudo em pratos limpos:

- "Isto foi excesso de velocidade Sr Guarda!! Eu bem que o avisei mas ele não quis saber!"

Cientes de que o excesso de velocidade de um Aixam não será de certeza superior ao de um skate tripulado por um adolescente de boxers mal acondicionados e viajando numa descida a 10%, os militares pouco ligaram à confissão/acusação e pediram ao condutor que tentasse recuar para libertar o veículo.

Fruto do nervosismo ou da pouca destreza do condutor ou, ainda, da pouca potência do veículo, este não conseguia libertar-se do rail de protecção, obrigando a uma cena não muito vulgar na nossa praça: os militares de pronto arregaçaram as mangas e, colocando-se um de cada lado do Aixam, pegaram nele e puxaram-no de volta à estrada.

Ainda aturdido, o condutor, acometido de um súbito excesso de consciência cívica (se é que existe), perguntou:

- "Então Sr Guarda e agora tenho de pagar alguma multa?"

Ao que um dos militares retorquiu:

- "Não é preciso pagar nada! Você está bem e a sua esposa também, não é? O carro anda, não é verdade? Então podem ir à vossa vida."

A resposta do condutor não se fez esperar:

- "Oh Sr Guarda, o sr é um anjo! Quando quiser, passe ali por minha casa que eu ofereço-lhe uma caixa de cerejas!" - disse, continuando em seguida o seu percurso que, um negligente excesso de velocidade havia interrompido de forma brutal...

O Triângulo das Bermudas - Parte II



Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

Antes de questionarmos o que provoca os súbitos desaparecimentos de tantos navios e aviões, devemos colocar primeiro a questão: há mesmo uma taxa anormal de desaparecimentos no Triângulo das Bermudas? A resposta é reveladora.

A zona onde se define o Triângulo das Bermudas é uma das regiões de maior intensidade de tráfego marítimo do Mundo (sem contar com as jangadas que transportam emigrantes a partir de Cuba) e, anualmente, o Triângulo é atravessado por cerca de 150.000 embarcações. Da mesma forma, é uma zona de intenso tráfego aéreo uma vez que se encontra na rota entre os EUA e a América do Sul e Caraíbas.

Relativamente ao tráfego marítimo, de acordo com a publicação "Contra toda a lógica" (Círculo de Leitores, 2001), das cerca de 150.000 embarcações que anualmente cruzam a zona, 10.000 emitem pedido de socorro, registando-se 100 perdas anuais, não necessariamente de desaparecimentos sem deixar rastos. Em termos percentuais trata-se de 0,06% do tráfego marítimo em questão.

100 perdas serão certamente um número elevado mas, se pensarmos bem, trata-se de um mero exercício de probabilidades: o número de incidentes será nesta zona certamente mais elevado do que em outras zonas menos frequentadas tal como há mais acidentes, por exemplo, na 2ª Circular que na EN 18.

Um outro dado significativo é sem dúvida o facto os seguros não serem em nada mais caros para as embarcações que navegam no Triângulo!


Imagem retirada daqui


Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão


A seguir: Explicações para os desaparecimentos e Conclusão

quinta-feira, setembro 25, 2008

O Triângulo das Bermudas - Parte I


Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

Definido geralmente como uma área triangular cujos vértices assentam sobre a costa da Flórida, Puerto Rico e Bermudas, respectivamente, o Triângulo das Bermudas é um dos mitos modernos mais populares e é tido como um dos mais insondáveis mistérios do nosso planeta ou, pelo menos, assim nos querem fazer crer, havendo quem o ligue ao mito da Atlântida. Diz-se que, neste triângulo, ocorreram fenómenos inexplicáveis, entre os quais o desaparecimento de vários navios e aviões após terem relatado "anomalias no horizonte e no céu e avaria nos instrumentos de navegação".


O início do mistério

Foi em 1950 que num artigo da autoria de E.V.W. Jones, o Mundo tinha pela primeira vez conhecimento de que estranhos fenómenos ocorriam naquela zona do Oceano. Dois anos depois, George Sand, num artigo para a revista Fate, usa pela primeira vez a expressão "Triângulo das Bermudas" para relatar o estranho desaparecimento de vários navios e de uma esquadrilha de 5 aviões bombardeiros Avenger, o Vôo 19, semelhantes ao da foto do lado. Estes aviões teriam desaparecido após uma última comunicação do líder da esquadrilha via rádio: "Estamos a entrar em águas brancas. Nada parece normal. Não sabemos onde estamos. A água está verde. Não! Branca." Destes nunca voltou a ser encontrado o menor vestígio.


Teorias sobrenaturais


A partir daí, a profusão de histórias intensificou-se e não tardaram a surgir relatos de navios que desapareciam e nunca mais eram encontrados ou eram encontrados abandonados e à deriva, de aviões que desapareciam misteriosamente para voltarem a aparecer minutos depois como se, para eles, o tempo não tivesse passado. Não tardou muito para que os investigadores do Triângulo descobrissem que o mais antigo relato de anomalias, registadas no Triângulo, pertencia nem mais nem menos que a Cristóvão Colombo. Nos seus relatos, o navegador refere "luzes estranhas e oscilantes no horizonte" e uma anomalia na sua bússola.


Ao mesmo tempo começaram a surgir várias teorias para explicar os fenómenos do Triângulo das Bermudas. Assim, este seria uma zona de grande actividade de OVNIS ou uma passagem para outra dimensão, teorias acentuadas após a estreia do filme "Encontros Imediatos do 3º Grau" no qual, a certa altura, desembarcam da nave extraterrestre os tripulantes do vôo 19.


Outros ainda, referem que, no local, existiria um enorme campo magnético, gerado por um gigantesco cristal existente por entre as ruínas da Atlântida, hipótese reforçada com a descoberta na região de uma formação rochosa submersa a que se chamou A Estrada de Bimini e que, até hoje, divide opiniões quanto à sua origem.


foto Wikipédia
mapa retirado daqui
Continua...

Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

terça-feira, setembro 23, 2008

Stress do katano!

Entre o trabalho, agora numa fase de maior exigência, e os treinos é complicado conseguir algum tempo para actualizar o Blog.

Acaba por ser para mim algo frustrante até porque o artigo sobre o Triângulo das Bermudas está na minha mente há muito e têm-me também surgido algumas ideias infames, como de costume, e por outro lado tive conhecimento de alguns episódios insólitos.

Peço desde já à Sete Luas para não desanimar, o artigo sobre o Triângulo das Bermudas será aqui colocado em breve, tal como, logo a seguir, um artigo relativo ao Aixam que se despistou por excesso de velocidade aqui no Fundão.

O Blog do Katano segue dentro de momentos...katano!

segunda-feira, setembro 22, 2008

Minister Kultury jest zabawny *


Ainda antes de publicar o artigo anunciado anteriormente, gostaria de deixar aqui uma nota relativa à visita da Presidência da República, no início deste mês, à Polónia.

Da comitiva fizeram parte vários empresários e ainda o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, assim como o Ministro da Cultura, Pinto Ribeiro que, ao que parece, decidiu dar nas vistas de forma inusitada.

De acordo com a imprensa, quando, durante um dos compromissos da visita de Estado, Pinto Ribeiro foi surpreendentemente reconhecido por um grupo de brasileiros, este de imediato decidiu encetar conversa com o grupo em português… “brasileiro”.

Endereço aqui o meu mais caloroso aplauso ao Sr. Ministro que, evidentemente, já não se contenta com o famigerado Acordo Ortográfico e, desde já, começou a lançar as bases para um futuro Acordo da Oralidade, sem dúvida numa tentativa de estreitar ainda mais os laços luso-brasileiros…

É normal que, numa visita de Estado se procure agradar aos anfitriões fazendo uso da sua língua mas, de acordo com a Wikipédia, na
Polónia, um país onde habita estranhamente uma maioria de polacos por comparação com os brasileiros, a língua oficial é mesmo - imagine-se! -, o polaco!

Pergunto-me: será que a Cultura em Portugal está no estado em que está porque o Sr. Ministro é um apaixonado por novelas brasileiras e lhes dedica boa parte do seu dia ou este caso não tem nada a ver com o assunto e trata-se apenas de uma situação em que alguém resolveu fazer papel de ridículo?

* Para traduzir o título, têm à vossa disposição o Poltran.COM

Imagem retirada do Portugal dos Pequeninos


domingo, setembro 21, 2008

sábado, setembro 20, 2008

A Seguir...

O que é afinal o Triângulo das Bermudas?

No próximo post abordarei um dos mais populares mistérios contemporâneos, explicando porque é que, afinal, não se trata de mistério algum.

Vox Populi

"Mas porque é que se matou? Matava era a mulher!"

Frase forte de uma conversa entre dois homens, captada num quiosque de jornais, sobre o caso de um indivíduo que se suicidou, presumo eu, por causa de uma separação.

Depois admiram-se que pasquins como o 24 horas ou o Correio da Manhã tenham sempre tema de notícia. Com mentalidades destas... Por vezes é realmente deprimente viver neste país.

O primeiro (e único) artigo da história do Blog do Katano dedicado a Tony Carreira e, por sinal, o artigo com o título mais extenso também

De todo o Mundo continuam a chegar-nos notícias calamitosas: a crise na Geórgia, a continuada tragédia humanitária no Darfur, a destruição provocada pelos furacões nas Caraíbas e na Florida, a crise económica nos EUA, os preços dos combustíveis na Galp, a disciplina de voto no PS por causa do projecto-lei do casamento homossexual... Parece que estamos perante um cenário que, nem o menos optimista dos profetas da desgraça poderia preconizar.

Contudo, aquilo que realmente abalou a sociedade portuguesa até aos seus alicerces nos últimos tempos, foram as notícias de que Tony Carreira, o cantor de cantigas de amor e de sonhos, terá plagiado algumas dos temas que o guindaram ao estrelato e ao estatuto de sex-symbol das donas de casa de Portugal. Entre as canções apontadas está "Depois de ti mais nada" que, pelo que finalmente percebi, é uma canção dedicada ao tema do rompimento de uma relação e não às visitas ao domicílio do cobrador do fraque.

Ao que parece, Tony Carreira terá plagiado - e de que maneira - uma canção de Rudy Perez que, por incrível coincidência, se intitula "Después de ti, qué?" (a confirmar-se, isto é profundamente deprimente para mim enquanto português pois, não bastava a maciça importação de enredos de novela de formatos da América Latina que, agora, até o Tony teve de ir plagiar um mexicano).


Seja como for, tenho a certeza que tudo não passa de um mal entendido e, para o provar, vou aqui proporcionar um momento histórico: a inclusão, pela primeira vez na história do Katano, de uma canção da autoria de... escrita por... criada por... hmmm... cantada por Tony Carreira, o verdadeiro artista português, assim como do suposto tema original de Rudy Perez, interpretado por Raul di Blasio e Cristian Castro:






Como podem constatar, só alguém de muito má fé poderia achar que há semelhança entre as duas canções: um canta em castelhano e o outro em português, um veste de preto o outro não, um é acompanhado por dois músicos e o outro por uma mulher curvilínea,... enfim!
Perante as evidências, sinto-me tentado a partilhar da mesma opinião de muitas donas de casa que acham que "o que sucedeu foi que o bandido do mexicano soube que o Tony ia gravar aquela maravilhosa obra de arte e antecipou-se-lhe em 2 anos só por má fé".

Esta notícia vem na pior altura para Portugal, país que atravessa um período de recessão e de baixos índices de optimismo e que, perante uma eventual confirmação destas notícias, irá registar uma escalada no número de lares desfeitos.

Se quiserem saber mais pormenores sobre o tema, podem passar pelo A Vida é um Palco , O Verdadeiro Tony ou pelo Afinal em que ficamos? de onde reproduzo o seguinte excerto:

"Quanto a este caso em concreto, o administrador só deseja que a questão não chegue às últimas instâncias, pois "o Tony Carreira é um membro que prezamos e deixa muito dinheiro nesta casa. Espero que prevaleça o bom senso." ao que parece, afirmação de José Jorge Letria da SPA.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Figuras típicas: O Padre Abreu da Guarda


Na sequência da discussão em comentários relativamente ao post dedicado ao Sr Veríssimo de Ponte de Lima, o camarada Visconde fez uma alusão a uma outra figura típica, esta da noite guardense: o mítico Padre Abreu.

Quem frequentou a noite da Guarda, especialmente esse local emblemático que era a Tasca Cantinho do Céu, certamente se recordará dos muitos sermões que o Padre Abreu proferia, com uma oralidade e vocabulário que se iam degradando à medida que as horas passavam e a taxa de alcoolémia aumentava. Aliás, até era isso que o distinguia de um veículo movido a etanol: o Padre Abreu deixava de funcionar quando tinha o tanque cheio.

No instantâneo apresentado acima é possível ver o Padre Abreu, no seu palenque em pleno Cantinho do Céu, consultando as suas notas, instantes antes de proferir mais um vibrante e tocante sermão.

Agradecimentos ao camarada Varela pelo contributo fotográfico

Nunca subornar um polícia sem fome!

A crise económica dos EUA tem sido, nos últimos tempos, notícia de abertura em praticamente todos os serviços informativos. O mais preocupante é que a crise parece estar a afectar tudo e todos e nem a persistente e omnipresente classe dos condutores alcoolizados parece escapar-lhe.

Pelo menos é o que se depreende
da notícia veiculada pela Associated Press, em 1 de Setembro último, segundo a qual um jovem de 25 anos que conduzia sob efeito do álcool, no estado do Iowa nos EUA, terá sido interceptado pela polícia e detido.

De acordo polícia, ao ser transportado para a esquadra, o jovem terá tentado subornar o agente que o guardava, oferecendo-lhe sandes da Subway. Ou porque se tratava de um polícia íntegro ou de um polícia sem fome, ou quiçá de um polícia íntegro sem fome, o agente recusou a oferta, cumprindo o seu dever de transportar o prevaricador até à esquadra.

O crime não compensa... muito menos se só tivermos sandes da Subway.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Memórias do Vale - 2ª Etapa!


Depois do sucesso da primeira etapa da exposição, já há espaço e data marcados para a realização da 2ª etapa, tendo estes sido acertados após a reunião desta noite na Junta de Freguesia de Souto da Casa.

Assim, a exposição ficará patente num salão multiusos situado no centro da aldeia, nos dias 2, 8 e 9 de Novembro. Tratando-se de uma área superior à da sala da anterior edição, terei a oportunidade de incluir elementos que, por falta de espaço (e de tempo) não foram nela incluídos, garantindo a componente de surpresa para todos aqueles que já a haviam visitado em Agosto último.

Quem quiser matar saudades de uma noite de trabalho árduo já sabe que poderá apresentar-se ao serviço na noite de 31 de Outubro. Xamane, se puderes participar, desta vez traz ao menos a batata frita para acompanhar o frango!


Novo projecto!

Entretanto, já está em fase embrionária o projecto de criação de um percurso pedestre em Vale d'Urso. Este percurso terá como ponto de partida a fonte, o centro de referência da aldeia, e desenrolar-se-á pelas construções e equipamentos cujo inventário foi constituído na investigação para a exposição.

Dependendo da aceitação dos habitantes da aldeia, que vou ainda sondar, será colocada sinalética apropriada ao longo do percurso, contendo alguma da informação existente nos painéis da exposição. Assim, de um painel de acolhimento, contendo informação geral da aldeia (mapa, história, ...) os visitantes poderão percorrer o percurso assinalado, encontrando ainda um painel junto de cada construção de interesse, painel esse que contará um pouco da história e do propósito dessa mesma construção.
Estou ansioso por começar a trabalhar neste projecto até porque sei que, pela sondagem prévia que hoje fiz, terei bastante apoio para a sua realização.

Pouco a pouco, a aldeia vai sendo resgatada do seu esquecimento.

A quem quiser comentar no Blog - Apoio Técnico

Verifiquei hoje que o amigo Barros, ao comentar, o fez através do sistema de comentários do Blogger e não do actual do Haloscan.

Curiosamente esta situação já se havia verificado com a São Rosas que, entretanto, resolveu a situação.

Assim chamo a atenção para o facto de o correcto rodapé das mensagens ser o seguinte:

Estrelas: Os leitores podem avaliar a qualidade dos artigos aqui publicados seleccionando o número de estrelas respectivo, preferencialmente em número de 5.

Hora: Link directo para a página individual do artigo ( o link que deve ser usado para referência ao artigo noutros sites ou noutros artigos)

Comentários: Link para o sistema de comentários Haloscan que pode ser visualizado em 3 formas: "comenta katano!", "1 comentário do katano!" e "X comentários do katano!". Se não aparecer sob esta forma ou, melhor ainda, se o link não levar a uma página de comentários que se assemelha a uma sala de interrogatórios (com mais gosto que o programa da Teresa Guilherme) então trata-se de uma anomalia.

Para resolver: apaguem todos os ficheiros temporários e todo o conteúdo offline nas Opções do vosso browser. Provavelmente ficou uma imagem em cache deste site que deve ser removida.

Intervenção política de rua - Exclusivo do Katano

Esqueçam o Capitão Moura e outros ícones sociais de semelhante gabarito. O nosso camarada e leitor Sephiroth captou imagens exclusivas de uma poderosa intervenção política de rua, em Ponte de Lima, na qual o orador faz um discurso sobre o estado da Nação, acusando quem tem de acusar, e não se coibindo de pôr o dedo na ferida alheia.

A prova de que, em Ponte de Lima, a política não se faz só de Queijo Limiano e de que há quem ache que "o mais sério é o José Socas" (sic)
e não tenha qualquer pudor em assumi-lo!



quarta-feira, setembro 17, 2008

O fenómeno do Micro-Tuning!

O Tuning é um fenómeno que me intriga por várias razões. Primeiro porque me faz confusão ver gente pegar nos seus poderosos Fiat Punto e modificá-los para ficarem parecidos com algo muito semelhante a uma caótica mistura entre uma montra de Las Vegas e a montra de uma Toys R' Us em período natalício. Em segundo lugar porque é difícil compreender que pessoas que compram carros baratos, e não vivam propriamente em situação de desafogo financeiro, invistam depois quase tanto, ou mais, do que aquilo que investiram na compra do veículo, para o forrar a fibra de vidro e o dotar de luzinhas e poderosas colunas de som de onde são debitados, numa quantidade superior ao recomendável de decibéis, os mega sucessos das pistas de carrinhos de choque e do Tony Carreira.


Não se pode também escamotear o facto de, um proprietário tuning que se preze, chamemos-lhe talvez um Tuna-Master, ter de investir uma quantia considerável em bonés de gosto duvidoso e sapatilhas que dariam muito jeito a algumas famílias de imigrantes ilegais que quisessem cruzar o Estreito de Gibraltar numa jangada.


Creio que há um nítido défice de estética no meio tuning da nossa praça ou, pelo menos, o patamar de bom gosto e de estética encontra-se ainda ao nível do bom gosto e da estética de uma toupeira amblíope. Mas pronto, creio que, por uma questão de afirmação, tudo vale para dar nas vistas.


Agora, o que me leva a escrever esta posta não são estes "atentados" à sensibilidade estética pública, nem ao seu sossego, mas sim a visão que tive há alguns dias atrás: nem mais nem menos que... um Aixam Modificado!! Isso mesmo! Um Papa-Reformas Modificado!


Não pude ficar indiferente ao aileron traseiro, à dianteira agressiva, às intensas luzes azuis instaladas no interior do habitáculo... Confesso ter tido alguma dificuldade em lidar com o misto de sensações que se situavam algures entre a necessidade de soltar uma gargalhada e o peso de um profundo assombro.


Foi, ao fim e ao cabo, a prova de que o tuning é socialmente transversal e que até aqueles indivíduos que não têm dinheiro para adquirir uma carta de condução e um veículo automóvel ligeiro (menos ligeiro que um Aixam) têm direito a mostrar ao Mundo que possuem um sentido estético altamente duvidoso.



Se até as carroças podem ser tuning...

terça-feira, setembro 16, 2008

Gil Vicente morou no Fundão? Conclusão

Como estarão recordados, levantei aqui esta questão a partir da descoberta, nos arquivos do Jornal do Fundão, de um artigo, datado de 1976 e assinado por José Hermano Saraiva, no qual o autor defendia a possibilidade de Gil Vicente ter estado desterrado no Convento de Nossa Senhora do Seixo entre 1533 e 1536.




Esta tese é defendida por Hermano Saraiva em termos de possibilidade credível pelos dados de que então dispunha e que eram:

- A linguagem tipicamente beirã empregue nas obras de Gil Vicente

- As referências ao Fundão nas obras de Gil Vicente a partir de 1536

- A interpretação que Hermano Saraiva faz da mensagem das obras do autor nesse período, parecendo-lhe descrições "camufladas" daquilo por que Gil Vicente passou no seu degredo

- O facto de Gil Vicente, a ter sido efectivamente julgado por heresia, o seu julgamento ter sido conduzido por Frei Diogo da Silva, supostamente o primeiro inquisidor-mor de Portugal, homem de invulgar brandura e, como tal, residindo aí a explicação para a substituição da pena de morte na fogueira por uma pena de desterro/reclusão num convento. Uma pena deste género explicaria o desaparecimento do dramaturgo da cena pública entre 1533 e 1536.

- O facto de Frei Diogo da Silva ser natural de Aldeia Nova do Cabo ou Aldeia de Joanes, junto ao Fundão, e de ser também o fundador do Convento de Nossa Senhora do Seixo.



Novos dados


O actual director do Museu Municipal Arqueológico do Fundão, João Mendes Rosa, no seu livro intitulado O Convento de Nossa Senhora do Seixo do Fundão na História, na Lenda e na Literatura, refere alguns factos importantes para este debate, chegando a conclusões interessantes.

Assim, Mendes Rosa confirma a realização da peça que teria despoletado toda a polémica de acusação de Luteranismo em relação a Gil Vicente, assim como a denúncia da mesma em carta dirigida ao Papa. O que não existem são quaisquer documentos sobre o famigerado processo de acusação a Gil Vicente, nem sequer referências a um julgamento e, como tal, em relação à setença que daí poderia ter advindo.

Por outro lado, Mendes Rosa avança com uma proposta interessante: em 1531 a Coroa Portuguesa negociava com Roma a instalação do Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição, em Portugal. Perante o desconforto e embaraço que a presença de Gil Vicente na Corte poderia causar aos olhos da igreja, poderá ter-lhe sido pedido que se retirasse até à conclusão do processo. Seria esta uma tese mais cabível, segundo Mendes Rosa, que supor que o superprotegido Gil Vicente, admirado por D.Manuel e por D.João III, fosse, de um momento para o outro, castigado por desterro e reclusão. Da mesma forma, poderia ter sido pedida ao dramaturgo alguma contenção nos seus "ataques" à Igreja, derivando daí a subita amenização desse aspecto na sua obra mais tardia Floresta de Enganos.

Outro dado importante é avançado partindo da quadra do Auto da Festa na qual uma personagem, João Antão, afirma:

Eu são de cima da Beyra
Lá de junto do Fundão
Venho com hua appellação
Bofás com farta canseira


e mais á frente:

Meo pay naceo no Fundão

Ainda mais à frente, quando este João Antão é interpelado por Rascão, que o incita a casar, este responde:

Olhay filho eu vos direy
Já me a mím mandou rogar
Muitas vezes Gil Vicente
Que faz os autos a El-Rey.


Estes indício poderiam fazer pensar que Gil Vicente, explicitamente mencionado no texto na 3ª pessoa, estaria através de João Antão a solicitar uma qualquer apelação ao rei que, no contexto de um julgamento, se trataria de um pedido de intervenção real no seu processo.



Houve outro Gil Vicente no Fundão?

Contudo, Mendes Rosa descobre também um documento interessantíssimo. Trata-se de uma carta de indulto, datada de 1443, emitida por D.Pedro e dirigida a um tal de... Gil Vicente, arguido num processo de adultério, na sequência de um apelo deste. Este Gil Vicente era morador no termo da Covilhã, ou seja, não se sabendo a sua morada exacta no então território da Covilhã, poderia muito bem ser residente do Fundão visto que esta vila fazia então parte desse mesmo território. Não seria decerto o Gil Vicente dramaturgo visto que o documento data de 1443 e, como já foi referido no post anterior, o "nosso" Gil Vicente só terá nascido em 1465.

Assim sendo, Gil Vicente, o dramaturgo, poderia ter sabido da existência deste seu homónimo e, por achar piada à coincidência de nomes (quem não acharia?), teria aproveitado este episódio para o Auto da Festa, não sendo por isso necessariamente ele quem era natural do Fundão. Outra explicação poderá ser que o Gil Vicente de 1465 seja um membro desta família Vicente, e tenha relação com o adúltero Gil Vicente referido no documento, contando assim a história do seu familiar.



Frei Diogo da Silva não foi inquisidor!

E quanto a Frei Diogo da Silva, suposto 1º inquisidor-mor na altura em causa? Trata-se sem dúvida de uma figura fascinante, nascida em 1485 em Aldeia Nova do Cabo/Aldeia de Joanes. Foi confessor de D.João III, Bispo de Ceuta, Arcebispo de Braga e fundador do Convento de N. Sra do Seixo no Fundão.

Figura de destaque da sociedade e da Igreja portuguesas do séc XVI, foi de facto nomeado Inquisidor-Mor pelo Papa Clemente VII em 1531 e, aqui, reside o busílis da questão: Frei Diogo da Silva recusa a nomeação! O Papa reforça em 1532 a sua nomeação, intimando Frei Diogo da Silva a aceitar o cargo. Contudo, este, mais uma vez recusa-o.

Os motivos desta recusa não são muito claros mas é de crer que a sua excessiva brandura e bonomia fizessem com que não visse as tarefas implícitas ao cargo de Inquisidor-Mor com bons olhos.

Sendo assim, Frei Diogo da Silva nunca poderia ter julgado Gil Vicente, caso esse julgamento tivesse acontecido.



Em que ficamos afinal?

Não há provas que atestem a existência do julgamento de Gil Vicente, nem sequer que este tenha efectivamente estado no Convento de N. Sra do Seixo. Contudo, nada do que Mendes Rosa refere invalida, como ele próprio afirma, a que Gil Vicente efectivamente aqui tenha estado.

Admitindo que ele seja mesmo natural do Fundão, afinal havia por estes lados uma família Vicente que Gil Vicente, pelo menos, conhecia (podendo mesmo pertencer a ela), não será descabido supôr que este, tendo de adoptar uma vivência mais discreta afastando-se da Corte, tivesse optado por ir para um sítio que lhe inspirasse confiança: a sua terra natal. Numa perspectiva de castigo, auto-imposto ou não, poderia nesse caso ter optado pelo Convento em causa.

Até que se revelem novos dados, Gil Vicente irá permanecer na História de Portugal como uma figura tão cintilante quanto misteriosa, independentemente de ser Barcelense, Vimaranense, Lisboeta ou Fundanense.

segunda-feira, setembro 15, 2008

A seguir...

Gil Vicente morou no Fundão? Conclusão...

Canção infantil ou denúncia de prostituição e maus tratos?

Certamente todos conhecem a canção infantil "As Pombinhas da Catrina", esse mega sucesso da nossa meninice. Se não conhecerem a canção toda, certamente saberão algumas quadras.

Pois bem, ontem tive um súbito insight e apercebi-me que, as quadras desta canção, podem muito bem ter um conteúdo muito menos inocente do que se supunha. Convido-vos por isso a analisar as quadras, uma a uma, adoptando uma nova perspectiva:

As pombinhas da Catrina
Andaram de mão em mão,
As pombinhas da Catrina
Andaram de mão em mão.


Quem é que são afinal estas pombinhas da tal de Catrina? Toda a gente sabe que a pomba é uma ave que não é muito dada a convívios com as pessoas, muito menos a andar de mão em mão. Agora se pensarmos em "pombinhas" que trabalham para uma tal de Catrina, ou deverei dizer, Madame Catrina, aí a coisa muda de figura. Não só serão dadas ao convívio como serão elas próprias a procurar andar de mão em mão... sob a gestão atenta da Madame Catrina.

Foram ter à Quinta Nova
Ao Pombal de São João,
Foram ter à Quinta Nova
Ao Pombal de São João.

Aqui constata-se que, nitidamente, as "pombinhas" fazem serviço ao domicílio. Uma boa opção de negócio da Madame Catrina.

Ao Pombal de São João
À Quinta da Roseirinha,
Ao Pombal de São João
À Quinta da Roseirinha.

Reforçando a ideia anterior, deduz-se que as pombinhas abarcam, com os seus serviços, uma extensa área geográfica.

Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a cantarinha,
Minha mãe mandou-me à fonte
E eu parti a cantarinha.

Aqui temos um dado novo: um testemunho na primeira pessoa. Alguém diz que a mãe (será a Madame Catrina?) a mandou à fonte e que a própria partiu a sua "cantarinha". Aqui colocamos duas questões: a que fonte nos estamos a referir? Será que era uma cantarinha ou... uma bilha? Alguém a mando da M. Catrina foi ao serviço e deu cabo da bilha?

- Ó minha mãe não me bata
Que eu ainda sou pequenina!
- Ó minha mãe não me bata,
Que eu ainda sou pequenina!

No regresso, a pobre infeliz implora a alguém que diz ser sua "mãe" que não lhe bata pelo lastimoso estado em que regressa, sem aquilo que tinha ido buscar. Estaremos aqui perante uma forte e clara denúncia dos maus tratos a que estas ditas "pombinhas", obrigadas a ir à "fonte", são sujeitas no seu quotidiano?

- Não te bato porque achaste
As pombinhas da Catrina,
- Não te bato porque achaste
As pombinhas da Catrina.

Um final realmente infeliz e inesperado. A protagonista das últimas 3 quadras, na iminência de ser agredida, salva-se daquilo que parecia irremediável denunciando algumas pombinhas que se haviam posto em fuga. Não só é incompetente como, ainda por cima, é bufa! Merecia era ter levado logo.
Aposto que muitos não voltarão a trautear esta canção... (Xamane, poupa a Elisa!)


sábado, setembro 13, 2008

Jogo das Semelhanças

Depois do fantástico post sobre a Elisa, que automaticamente tirou todo o significado aos posts que eu tinha previsto publicar sobre o 11 de Setembro, gerou-se um acesso debate extra-blog em torno da questão: Afinal a Elisa parece-se com a mãe ou com o pai?

Ora bem, no Blog do Katano, tivemos acesso a fotos exclusivas, obtidas com grande risco e à custa de mil perigos, que publicamos aqui no intuito de dar voz aos nossos fiéis leitores.

Abaixo apresentamos a foto da Elisa e uma outra foto de uma criança que vamos para já abster-nos de identificar para não influenciar a opinião de ninguém. Escusam de perguntar pois nunca confirmaremos se se trata ou não de uma foto do Xamane com apenas alguns meses de vida, evidentemente feliz, foto essa que configuraria um dos primeiros instantâneos da vida do nosso grande camarada. Aqui respeitamos o anonimato!

Assim sendo, lançamos aqui o jogo das semelhanças:



Assinale as 32 semelhanças entre as duas crianças.

Foto 1 - Elisa

Foto 2 - Criança que não é o Xamane

Os mais certeiros recebem grátis a tal torradeira a pilhas para duas pessoas no Algarve que, infelizmente, ainda não foi atribuída em anteriores concursos.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Elisa

Para mim, a partir de hoje, o 11 de Setembro tem um outro significado, o da vida...

Elisa, seu nome.


Sobre bicharada

Hoje, ao regressar de Piódão (na companhia de certa e determinada pessoa que me vou abster de identificar devido à promessa que fiz em manter o seu anonimato), tivemos a oportunidade de avistar uma raposa e uma coruja. Depois dos inevitáveis comentários sobre o assunto, eis que sou brindado com a seguinte frase (da autoria de certa e determinada pessoa que me vou abster de identificar devido à promessa que fiz em manter o seu anonimato):

"Olha, eu há tempos avistei uma osga em Telheiras!"

Perante esta declaração, senti-me ridículo até por ter encontrado 3 javalis no mês passado. Pelo que sei, as osgas de Telheiras são um bicho que impressiona e até pode ser perigoso visto que, se se agarram à roupa, é um sarilho para as convencer a irem agarrar-se para outras paragens.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Ai Portugal, Portugal...!!!

Algumas medidas que fazem com que o nosso Portugal, seja um país "diferente".
Sabia que:
- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
- Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses drogado, não pagavas nada!
- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!
-Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.
- Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!
- Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.
- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.
Obrigada Portugal. Estamos orgulhosos.

Foste para a cama com uma prostituta? Que bom, querido!

"Este ano, já pagou para ter sexo?"


Foi esta a pergunta que me reteve por instantes na TVI quando há umas horas atrás fazia zapping.

Perante a questão, colocada por Teresa Guilherme, um homem com ar indisfarçavelmente nervoso hesita, pensa e responde afirmativamente.

Aparentemente estando em jogo a veracidade da resposta, seguem-se segundos infindáveis ao som de uma música inquietante até que, finalmente, se chega à conclusão que é verdade, o homem afinal recorreu aos serviços de uma prostituta no ano civil de 2008.

Ao lado, a companheira desse homem e mãe da filha dele, respira de alívio e aplaude efusivamente.

Este foi mais um momento TVI.

ERRATA: O Visconde, aparentemente um "connaisseur" da grelha de programação dos canais generalistas portugueses, chamou-me a atenção para o facto de o programa em causa pertencer, não à grelha da TVI, mas sim, à grelha da SIC. Assim sendo, naquela etapa do meu zapping, eu estive não em presença de mais um momento TVI mas sim de um interessante momento de TVIzação da SIC(k). As minhas desculpas e o meu agradecimento ao Visconde.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Resposta de craque...


Uma das características mais irritantes de muitos jornalistas, ou da linha editorial dos media para o quais trabalham, é querer espremer uma notícia para lá do ponto em que esta é relevante. Muitas vezes, depois de divulgado o essencial dos assuntos, os jornalistas persistem, partindo para a procura de elementos perfeitamente banais e irrelevantes.

Temos pois, neste contexto, as clássicas entrevistas às pessoas que se mantêm por perto motivadas apenas pelo fascínio do sensacionalismo, entrevistas graças às quais ficamos a saber pormenores fascinantes como sejam o local de onde são essas pessoas, como foram ali parar, há quanto tempo ali estão, o que comeram ao almoço, de que côr é a roupa interior que habitualmente usam, etc.

Acredito que seja uma emoção para alguém que, até então, era um perfeito desconhecido, poder revelar em primeira mão ao mundo inteiro a tonalidade do vestuário que se encontra em contacto directo com as suas parte pudendas mas também não é menos verdade que, a generalidade das pessoas, não ficará muito fascinada em ter conhecimento desses pormenores.

Raras são as vezes em que o jornalista é confrontado com o ridículo das suas questões e, vá lá, com a noção de que está a fazer uma figura completamente patética (não há outra forma mais suave de descrever esta situação).

Assim, na TVI(ntragável), o canal para o qual até o enredo das novelas é notícia, abordou-se hoje, no noticiário das 13h, o jogo da próxima quarta-feira entre Portugal e a Dinamarca. Para dar uma ideia concreta das ambições e expectativas do adversário da nossa selecção, o jornalista entrevistou Tomasson figura de destaque da equipa dinamarquesa e conhecido como o craque que teve tudo certo para assinar pelo Benfica mas que à última hora percebeu que não estava ainda tão acabado quanto isso.

Então, se a entrevista até começou bem, com Tomasson a descrever a forma como os dinamarqueses encaram o jogo e a atitude com que vão entrar em campo, depressa descambou para o lugar comum e a banalidade quando o assunto se esgotou. Por isso, não demorou muito até sabermos que Tomasson gosta de Portugal e até já tinha passado férias em Lisboa, cidade que aprecia muito. 

Ainda assim, com uma confiança inabalável na sua própria capacidade de levar o ridículo ao extremo, o jornalista quis saber se Tomasson gostava da comida portuguesa. Pelos vistos já tão cansado da entrevista como todos aqueles que a ela assistiam, Tomasson respondeu com outra pergunta:

"Mas isto não é sobre futebol? A seguir vamos falar da sua mulher?"

Tomasson, um craque dentro e fora de campo. Toma lá e vai buscar!

imagem retirada e adaptada daqui

sábado, setembro 06, 2008

Gil Vicente morou no Fundão?

O local e data de nascimento de Gil Vicente constituem um mistério que tem dado azo a muita discussão com alguma polémica à mistura. Certo é que várias localidades se assumem como terra natal do dramaturgo: Barcelos, Guimarães, Lisboa, Évora... Há também quem defenda que Gil Vicente era beirão, tese motivada pela presença de inúmeras referências toponímicas nas suas obras, assim como pelo modo de falar das personagens.

Há ainda a questão de Gil Vicente ter sido o mesmo Gil Vicente, ourives, que construiu a famosa Custódia de Belém, tese que daria alguma força a Guimarães, tradicional terra de joalheiros. A dúvida essa subsiste.

Já em relação à data de nascimento a mais aceite é de 1465, isto embora também sejam colocados como hipóteses os anos de 1452, 60, 67, 70 e 75.

Houve ainda quem, pelas referências ao Fundão no Auto da Festa, um auto muito particular constituído por uma amálgama desconexa de pequenas histórias, quisesse apontar o Fundão como terra natal do pai do teatro português. Essa tese contudo não tem muita capacidade de sustentação uma vez que se baseia apenas nessas referências.

Esta introdução, serve apenas para contextualizar as informações que obtive no texto, da autoria de José Hermano Saraiva, que descobri durante as minhas investigações no arquivo do Jornal do Fundão para o meu recente projecto de exposição. Neste texto, datado de 1976, o conhecido historiador introduz uma hipótese que, na época, abalou alguns dogmas sobre aquele que é conhecido como o Pai do Teatro Português.







O desterro de Gil Vicente


Corria o ano de 1531 quando nasceu o Infante D.Manuel. Pretendendo celebrar este acontecimento, o embaixador português na corte do Imperador Carlos V, que se encontrava em Antuérpia , resolveu organizar uma festa.

Para dar mais brilho aos festejos, decidiu-se encenar uma peça de Gil Vicente usando como actores os marinheiros portugueses então estacionados em Antuérpia. Para o guarda-roupa fez-se uma recolha voluntária entre os membros da tripulação faltando contudo uma peça essencial: um barrete de Cardeal. Contudo, o empréstimo dessa peça acabaria por ser facultado pelo Cardeal Campeggi, representante de Roma na corte de Carlos V.

A escolha da peça de teatro é que acabou por não ser a mais feliz uma vez que denunciava o tráfico de bulas e indulgências da Igreja Católica. Tanto mais grave era que, na altura, a Alemanha "fervia" pelo crescimento do Protestantismo de Lutero, doutrina na qual se exaltava o descrédito em que a Igreja Católica havia caído por essa venda de bulas, indulgências e relíquias pela Europa fora. (Muito do dinheiro recolhido dessa forma foi aplicado na construção da Catedral de S.Pedro no Vaticano).

Se a peça de teatro foi um sucesso, por outro lado a heresia mal recebida por alguns católicos mais fanáticos depressa chegou aos ouvidos do Papa. Não havendo qualquer registo de tenha sido levantado um processo por heresia contra Gil Vicente, o certo é que, entre 1533 e 1536, ele simplesmente "desaparece" da corte portuguesa.

Apoiando-se na Floresta de Enganos, obra que Gil Vicente escreveu em 1536, e no Auto da Cananeia, José Hermano Saraiva interpreta na primeira mensagens subtis em que o dramaturgo denuncia ao povo o que lhe aconteceu e, na segunda, interpreta um apelo desesperado ao rei D.João III, seu protector, que o liberte de uma reclusão à qual havia sido condenado. Supõe-se assim que Gil Vicente terá estado encarcerado durante 2 anos, longe de tudo e todos. A questão que se coloca agora é onde esteve ele encarcerado.

Partindo do princípio que Gil Vicente foi julgado pela Inquisição e condenado à reclusão em Convento, a pena mais comum para quem conseguia escapar à fogueira nos delitos de heresia, então ele foi julgado pela Inquisição e por Frei Diogo da Silva, primeiro inquisidor-mor de Portugal (*) e... natural de Aldeia Nova do Cabo, juntinho ao Fundão. Frei Diogo da Silva, conhecido pela sua benignidade pouco conivente com o cargo que supostamente ocupava, tinha também a particularidade de ser fundador do Convento de Nossa Senhora do Seixo no Fundão.






Ora, é a partir daqui que surgem todas as referências ao Fundão na obra de Gil Vicente.

Assim sendo, conclui José Hermano Saraiva, Gil Vicente terá sido desterrado durante 2 anos para um convento longe de Lisboa e, a partir do seu "regresso", começaram as referências ao Fundão, inexistentes até aí, sendo por isso verosímil que esse convento não tenha sido outro senão o Convento de Nossa Senhora do Seixo, no Fundão.

(*)Existem no entanto algumas imprecisões/incorrecções nestes pressupostos de José Hermano Saraiva que irei apresentar num próximo artigo.



Bibliografia

SARAIVA, José Hermano - "Gil Vicente esteve no Fundão?", Jornal do Fundão, 1976
TEYSSIER, Paul - "Gil Vicente - o autor e a obra", Livraria Bertrand, 1982
ROSA, João Mendes - "Convento de Nossa Senhora do Seixo do Fundão", Câmara Municipal do Fundão, 1997

sexta-feira, setembro 05, 2008

Gil Vicente morou no Fundão?

"Eu sou de cima da Beira / Lá de junto do Fundão"
(...)
"O meu pai nasceu no Fundão"

são palavras de uma personagem do Auto da Festa, da autoria de Gil Vicente.

Por que motivo o pai do teatro português iria referir precisamente o Fundão nos seus autos e não outra localidade qualquer?

Estará José Hermano Saraiva certo ao afirmar nos anos 1960 num artigo da sua autoria, que eu descobri nos arquivos do Jornal do Fundão, que Gil Vicente viveu no Fundão?

Explicarei tudo no post de amanhã.

Imagem retirada daqui

quinta-feira, setembro 04, 2008

Todos os caminhos levam ao Blog do Katano

É impressionante o número de pessoas que passam por este blog por causa do artigo aqui publicado sobre a Tomada da Bastilha, no quadro da Revolução Francesa, e isto numa cadência quase diária.

Contudo, há outros visitantes que aqui vêm parar como resultado de pesquisas algo insólitas no Google. Aqui ficam alguns exemplos dessas pesquisas com link para o artigo, publicado neste blog, que foi apresentado como resultado dessa mesma pesquisa:

"Comentário sobre bandeira"

"Pastelaria francesa"

"Para retirada do diploma universitário"

"Indumentária de um funcionário"
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