quinta-feira, setembro 26, 2013

As misteriosas luzes da praia de Santa Cruz

No passado fim-de-semana, várias pessoas que se encontravam na zona da praia de Santa Cruz, em Torres Vedras, relataram ter avistado um número indeterminado de luzes cintilantes, voando de forma silenciosa e, segundo o testemunho transcrito no artigo que o Correio da Manhã dedicou ao tema, "à altitude de uma avião mas voando mais depressa".

Uma das pessoas que comentaram a notícia vai ainda mais longe, relatando ter já feito vários vídeos dos sucessivos avistamentos que tem testemunhado desde Agosto.



O blogue "UFO Portugal" transcreve ainda outros relatos de avistamento destas mesma luzes, oscilando o número de luzes avistadas entre 50 e centenas, complementando com a ocorrência de fenómenos semelhantes em diferentes pontos do país, nomeadamente Évora e Viseu.

O mistério à volta do avistamento sobre a praia de Santa Cruz acabou no entanto por ser liquidado pela declaração de uma amiga minha, colocada no seu mural pessoal no Facebook com a partilha da notícia do CM: "Estou a pensar se explico ou não a esta gente o que se está a passar. (...) Eu apenas contratei uma largada de balões com leds para um casamento".



Uma largada de balões com led

De facto, sem escala ou qualquer ponto de referência no céu nocturno, uma largada de 120 balões com led pode facilmente transformar-se num enxame de luzes voando "à altitude de uma avião mas mais depressa". Basta que a imaginação complete os espaços em branco da percepção visual.


Porque a democracia não se pode esgotar nas mesas de voto

Leitura prévia recomendada: Pequeno manifesto sobre a minha participação nas eleições autárquicas


"O meu nome é David Caetano e sou candidato independente pela lista da CDU que, nas próximas eleições autárquicas de 29 de Setembro, irá concorrer à Assembleia de Freguesia da nova união de freguesias de Fundão, Valverde, Donas, Aldeia Nova do Cabo e Aldeia de Joanes.

Aceitei este desafio com plena consciência não só da responsabilidade que ele acarreta, mas também das dificuldades e sacrifícios que implica. Não podia, contudo, perder a oportunidade de trabalhar para ajudar a construir o futuro desta comunidade que tanto significa para mim. Aceitei-o também porque acredito no valor dos membros desta lista e na sua vontade de trabalhar em prol dos cidadãos.

Vivemos um momento que é, para todos nós, da maior importância. A partir do próximo dia 29, as freguesias de Fundão, Valverde, Donas, Aldeia Nova do Cabo e Aldeia de Joanes irão ser extintas, agregando-se num novo mapa de poder local, fruto do capricho de uma reorganização, feita num gabinete demasiado distante da nossa realidade. Os desafios que se levantam com esta reorganização, assim como os problemas que existiam e existem ainda, aliados à crise económica e financeira que o país atravessa, só poderão ser superados com dedicação de todos os cidadãos.

É indispensável que os nossos representantes nas autarquias saibam ouvir a população, de modo a atenderem da melhor forma às suas necessidades e dificuldades. Mais importante que qualquer ideologia partidária, são indispensáveis a disponibilidade e voluntariedade dos autarcas que no próximo dia 29 forem eleitos, mas não só.

É também fundamental que os cidadãos sejam exigentes para com os autarcas, reivindicativos até se a ocasião o exigir. Essa exigência é um ingrediente fundamental de uma democracia viva e participativa, que não se pode de maneira nenhuma esgotar nas mesas de voto. Só assim poderemos almejar construir uma comunidade mais forte, mais próspera e com mais e melhores condições de vida.

É esse o meu desejo e o desejo de todos os membros desta lista mas só o poderemos fazer com o seu voto. Por isso, no próximo dia 29 de Setembro, VOTE CDU!"

terça-feira, setembro 24, 2013

Postais da Caledónia - O canhão português de Edimburgo

A par da elevação onde se situa o castelo de Edimburgo, outro monte domina a paisagem desta cidade. Trata-se de Calton Hill, local de grande simbolismo para a Escócia. É neste monte que se situam os edifícios do Governo, o Observatório da Cidade (um antigo observatório astronómico)  assim como uma série de memoriais e outros monumentos. 

Vista do centro histórico de Edimburgo, com o castelo lá ao fundo, a partir de Calton Hill, com o memorial do filósofo Dugald Stewart em primeiro plano.

O monumento que disputa com o memorial do Almirante Nelson o papel de monumento mais destacado, é o chamado Monumento Nacional. A sua construção teve início em 1826 e destinava-se a homenagear todos os escoceses mortos na guerra contra a França Napoleónica. Pretendia-se que este edifício fosse uma reprodução mais ou menos fiel do Parténon de Atenas mas, infelizmente para os escoceses (e para os empreiteiros), a construção foi interrompida apenas 3 anos mais tarde, por falta de financiamento. Assim ficou até aos nossos dias, tendo na altura sido popularmente rebaptizado de "A desgraça da Escócia" ou "O orgulho e pobreza da Escócia".

O Monumento Nacional da Escócia ou o "Novo Parténon" que nunca o chegou a ser.

O elemento que mais nos chamou a atenção acabou contudo por ser o mais pequeno: o "canhão português"! Trata-se de um canhão que terá sido produzido durante o período de domínio filipino. No preparar da revolução de 1640, o canhão terá sido expedido para Goa, integrado nas tropas comandadas por Diego da Silva, conde de Portalegre, e aí terá participado na defesa da colónia portuguesa contra as forças holandesas. 

O resto da história constitui para já um mistério. Sabe-se que foi capturado pelo rei da Birmânia em 1784-85, numa região que ainda hoje faz parte desse país (possivelmente levado para aí por mercenários portugueses), passando para mãos britânicas no século seguinte, quando o reino foi conquistado pelas tropas do general Prendergast.

Acabou como parte integrante de uma exposição internacional realizada em Edinburgo em 1886, pouco depois da sua captura pelos britânicos, na condição de ser depois oferecido à cidade, como viria efectivamente a acontecer.


O Canhão Português de Calton Hill. Na primeira inscrição lê-se "Dom Diego de Silva Conde de Portalegre" e por baixo desta uma data que corresponde ao século XVII (16...). 

segunda-feira, setembro 23, 2013

Última hora - As imagens exclusivas que podem ilibar Jorge Jesus

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Postais da Caledónia - Quando os mortos "fugiam" das sepulturas

No decurso da nossa visita ao cemitério de Greyfriars, em Edimburgo (ver aqui), deparámo-nos com uma campa rasa, cuidadosamente protegida com uma grade de ferro maciço. Este tipo de protecções era uma prática corrente, não só Reino Unido mas como em vários países europeus, nos séculos XVIII e XIX e destinava-se a evitar que os cadáveres recém-enterrados fossem roubados por salteadores, para posterior venda às faculdades de medicina.



A grande procura era motivada pela escassez de corpos disponíveis para dissecação nas aulas de anatomia já que, até 1832, só os cadáveres de assassinos executados podiam ser usados para tal fim. À falta de corpos para dissecar, os anatomistas recorriam a "ressureccionistas", indivíduos que, a troco de dinheiro, invadiam os cemitérios para desenterrar e roubar os cadáveres.



As protecções de ferro como as da fotografia, assim como outras igualmente elaboradas, eram utilizadas por familiares dos defuntos com mais posses. Os mais pobres recorriam frequentemente à vigilância directa, que duraria o tempo tido como suficiente até o cadáver estar impróprio para ser usado nas aulas de anatomia.

Sendo uma actividade lucrativa, não tardou que surgissem "ressurreccionistas" mais empreendedores que produziam os seus próprios cadáveres para venda. Os mais famosos foram os senhores Burke e Hare que, em apenas 10 meses do ano de 1828, liquidaram 16 infelizes para depois venderem os seus cadáveres.

Finalmente, em 1832 e para pôr fim a esta prática, o Parlamento Britânico promulgou o Anatomy Act, uma lei que veio permitir a doação voluntária de corpos para efeitos de investigação.

domingo, setembro 22, 2013

A imagem do fim-de-semana


Como todos os anos acontece por esta altura, o fim-de-semana foi dedicado às vindimas na propriedade do "Chateau Caetanô". Contas feitas, mais de uma dezena de toneladas colhidas e uma grande dor de braços e costas como recordação. Vale o pensamento de que tudo o São Martinho fará esquecer ;)

sexta-feira, setembro 20, 2013

Postais da Caledónia - Greyfriars Bobby, uma fantástica história fabricada

Estátua e fonte dedicadas a Greyfriars Bobby, inauguradas em 1873


Em Edimburgo, numa avenida perpendicular à Royal Mile, existe uma pequena fonte encimada pela estátua de um cão e, atrás desta fonte, encontra um pub com uma estátua idêntica sobre a porta principal. Este pub tem o nome de Greyfriars Bobby, o mesmo nome que se pode ler na primeira lápide do enorme cemitério situado nas suas traseiras. 

Este Greyfriars Bobby é precisamente o cão representado pelas estátuas e é também o protagonista de uma das mais enternecedoras histórias de Edimburgo, atraindo diariamente a este local inúmeros turistas. Infelizmente, esta história terá sido construída precisamente para cativar os turistas, não correspondendo à verdade dos factos.


A história de Greyfriars Bobby

Conta-se em Edinburgo que, em pleno século XIX, um notável polícia chamado John Gray adoptou um Skye Terrier com 6 meses de idade para servir de cão de guarda e companhia e depressa se tornaram inseparáveis. Um dos seus locais favoritos era o café da senhora William Ramsey, situada na praça de Greyfriars.

Infelizmente, em finais de 1857, John Gray contraiu tuberculose, acabando por falecer em Fevereiro do ano seguinte. Foi sepultado no cemitério de Greyfriars, assim chamado por ter sido um local ocupado pelos monges franciscanos ("frades cinzentos") entre 1447 e 1558. 

O cemitério de Greyfriars, um local tão lúgubre quanto fascinante. São frequentes os relatos de fenómenos paranormais, sendo o mais conhecido o do Poltergeist de Mackenzie. Pelas estatísticas "oficiais", entre 1990 e 2006, 350 pessoas foram atacadas e 170 desmaiaram no local. Uma das mais populares atracções deste local é precisamente a visita nocturna ao Mausoléu Mackenzie e está tudo dito.


Na manhã seguinte, o curador do cemitério, um tal de James Brown, deu de caras com o pequeno Bobby deitado sobre a campa do dono. Como não era permitida a entrada de cães no cemitério, escorraçou-o apenas para o voltar a encontrar no mesmo local na manhã seguinte. Ao terceiro dia, apiedou-se do cão e deu-lhe alguma comida. 

O Bobby acabou por se tornar o único habitante vivo permanente do cemitério, nunca se afastando da campa do dono excepto para ir comer ao café da Sra Ramsey, onde os clientes tinham criado o hábito de lhe dar de comer. Assim, sempre que se ouvia o canhão da 1h da tarde, o Bobby corria para o café, onde comia, e voltava ao cemitério. Esta rotina só terminaria em 1872, com a sua própria morte.


A história verdadeira é substancialmente diferente

Segundo um historiador da Universidade de Cardiff, chamado Jan Bondeson, esta história foi fabricada para atrair turistas com as suas gorjetas. Alarmado pelas diferenças entre os quadros que se pintaram do pequeno cão, enquanto este ainda era vivo, e pela longevidade de 18 anos que a história sugere, concluiu que houve mais que um cão envolvido nesta história.

O primeiro cão terá sido um rafeiro que foi abandonado na zona do cemitério, tendo sido adoptado pelo curador do mesmo, o tal James Brown. O curador, que todos os dias ia comer ao café da Sra Ramsey acompanhado pelo seu cão, começou a contar a história que hoje se conhece (certamente embelezada ao longo dos anos) aos forasteiros que por lá apareciam. Em seguida, acompanhava-os ao cemitério, a troco de uma gorjeta, mostrando-lhes a campa onde o cão teimava em deitar-se.

A história acabou por ser alvo da atenção da imprensa e, como é lógico, o número de turistas interessados em conhecer o pequeno Bobby disparou, para felicidade dos bolsos de Brown. Infelizmente, o cão acabou por morrer e, para não perder a sua fonte de rendimento, o curador do cemitério adoptou outro cão, este sim o Skye Terrier representado nas estátuas. A estátua da fonte foi mesmo elaborada em 1870, usando como modelo o cão, na altura ainda em vida. 

A história acabou por se tornar uma referência incontornável de Edimburgo e ainda hoje, muitos são aqueles que se desviam da Royal Mile para ir ao cemitério de Greyfriars para conhecer os locais onde supostamente decorreu esta fantástica história. Junto ao memorial dedicado ao Skye Terrier, deixam flores e... pauzinhos, algo com que qualquer cão gostaria de brincar, pois está claro. 


Memorial dedicado a Greyfriars Bobby, na entrada do cemitério Greyfriars, onde se pode ler:
"Greyfriars Bobby / Morreu a 14 de Janeiro de 1872 / com 16 anos de idade. / Que a sua lealdade e devoção possam ser uma lição para todos nós." e ainda "Eregido pela Dog Aid Society / of Scotland e descerrado por Sua Alteza Real / o Duque de Gloucester CCVO / a 13 de Maio de 1981"

Foto do pub e da estátua: Terrierman's Daily Dose

segunda-feira, setembro 16, 2013

Postais da Caledónia - Estórias do Castelo de Edimburgo

Da recente visita a Escócia, a recordação da cidade de Edimburgo (Édinbrô como se diz por cá) é uma das recordações que guardo com maior admiração. Ao contrário de Glasgow, Edimburgo é toda ela monumental e cheia de história (e estórias como depois veremos). É obrigatório subir a Royal Mile até ao Castelo, situado num esporão rochoso que consiste no último vestígio de um antigo vulcão. A Royal Mile é, como o nome indica, uma rua com uma milha escocesa de comprimento, isto é, cerca de 1,81 km, ladeada de edifícios histórico com fachadas imponentes. 

A Royal Mile ou, em português, a Um Vírgula Oitenta e Um Quilómetros que, a partir do Parlamento Escocês, sobe até ao Castelo de Edimburgo.


No cimo da Royal Mile, passando por enormes bancadas amovíveis de onde sazonalmente se assiste a paradas militares, chega-se finalmente ao castelo, cuja entrada é guardada pelas estátuas de William Wallace e Robert Bruce, mais conhecidos entre nós como Mel Gibson e Angus Macfadyen, respectivamente. Passando depois por uma segunda porta, chega-se a um primeiro pátio, com uma grande vista sobre a cidade. Foi aí que esperámos pelo guia que nos iria orientar pelos diferentes edifícios do castelo, partilhando, com muito humor, algumas histórias simplesmente deliciosas.


A porta principal do castelo de Edimburgo, sobranceira à qual se encontra a Bateria da Meia Lua e os restos da Torre de David que é basicamente a torre mais importante do Reino Unido. Bom, se calhar estou a exagerar um bocadinho mas lá que houve bom gosto na sua denominação, isso houve!


Vista sobre a cidade e Mar do Norte.


O Canhão da Uma da Tarde

Desde 1861, um tiro de canhão é disparado diariamente e rigorosamente às 13:00 a partir do Castelo de Edimburgo, excepto ao Domingo, Sexta-feira Santa e dia de Natal. A ideia era fazer com que fosse possível a todos os comandantes dos navios ancorados ao longo do estuário, acertarem o seu relógio. Como o som se propaga de forma algo lenta, os navios mais próximos ouviriam o disparo praticamente às 13:00. No entanto, os que se encontravam mais longe só o ouviriam passados vários segundos, pelo que houve necessidade de afixar em cada ancoradouro a hora precisa a que o disparo poderia ali ser ouvido.





Mas se o objectivo do disparo, que hoje continua a ser feito de forma meramente simbólica, era o de permitir acertar os relógios e, inevitavelmente, orientar também a população da cidade nas suas actividades diárias, por que razão se escolheu a uma da tarde e não o meio-dia?

A explicação do guia é simples e mordaz: "Até parece que não conhecem os escoceses! Fica muito mais barato disparar apenas uma vez do que disparar doze vezes!"



Oliver Cromwell ou o homem que morreu duas vezes

O curto período republicano do Reino Unido foi especialmente amargo para a Escócia, que se opôs quase naturalmente à revolução liderada por Oliver Cromwell. Este, depois de assegurar o controlo de Inglaterra, invadiu a Escócia e tomou o castelo de Edimburgo, deixando ali uma guarnição permanente.

Após a sua morte, quando já tinha sido nomeado Lorde Protector e já tinha designado o seu filho como herdeiro, a República não durou muito mais. Alvo da sede de vingança por parte dos monárquicos reempossados, o cadáver de Cromwell foi retirado do túmulo, julgado e condenado à morte por decapitação. Tendo a sua cabeça ficado exposta num espeto durante 25 anos.

Sobre este fim macabro, um actor vestido e armado bem a rigor foi taxativo: -"Após a morte de Oliver Cromwell, sucedeu-lhe o seu filho Ricardo que, infelizmente para ele, não era nem metade do homem que fora o seu pai e nem sequer metade do homem que fora a sua mãe. Em apenas 9 meses, conseguiu perder tudo o que o seu pai levara 9 anos a conquistar (...) O cadáver de Cromwell foi finalmente desenterrado, julgado e condenado à morte por decapitação.

Quem admirar Oliver Cromwell dirá que ele era um homem de tal dimensão que até morreu duas vezes. Se falarem com um escocês ele dirá que Cromwell não morreu as vezes suficientes."



O humor é a tónica dominante entre os guias e actores espalhados pelo castelo. Este em particular permitia que os turistas fossem ter com ele, nas pausas do seu relato da história do castelo, para tirarem fotografias. A cada um perguntava de onde era, tecendo sempre um comentário a propósito. Um deles, quando declarou ser norueguês, levou com um resmungado "Bloody vikings!".

domingo, setembro 15, 2013

Fotografia: O último bastião da luz

Apeadeiro do Retaxo, Castelo Branco. 

Para lá daquela última luz, apenas sombra. A sombra na qual se escondem incontáveis destinos desconhecidos.

quinta-feira, setembro 12, 2013

Pequeno manifesto sobre a minha participação nas eleições autárquicas


Este ano, pela primeira vez, farei parte de uma das inúmeras listas concorrentes às eleições autárquicas de dia 29 de Setembro, concretamente na lista da CDU que concorre à Assembleia de Freguesia da nova união de freguesias sediada no Fundão.

Esta participação surgiu na sequência um convite que me foi feito por pessoas pelas quais tenho grande consideração. Ainda assim, não foi uma decisão tomada de ânimo leve mas sim após uma profunda reflexão e, como geralmente gosto de fazer, após pedir a opinião daqueles que me são mais próximos, apesar de a maioria me ter aconselhado a não me meter nestas lides.

Embora em termos de ideologia me posicione mais à esquerda, não sou decididamente apologista do comunismo mas concordo com a ideia de que o PCP é um partido que cumpre uma função social bastante importante. Não me enquadrando na sua ideologia, também não acredito que as ideologias tenham de ser estanques e é possível encontrar ideias interessantes, seja à esquerda ou à direita. Que diabo! Até o Bloco de Esquerda consegue apresentar ideias que acho interessantes, no meio tanto ser "do contra". Já agora, antes que daí advenha alguma consequência, gostaria de deixar bem claro que esta última frase não foi de modo algum um piropo. 

A nível local, contudo, sempre defendi que, mais que as ideologias, o que vale são as pessoas, a sua capacidade e vontade de trabalhar. Isso sim terá sempre de ser valorizado acima de tudo.

Por outro lado, a perspectiva de poder contribuir de forma activa para a comunidade, seja através de trabalho ou, na pior das hipóteses, através da participação no debate de ideias, apresentou-se como um argumento de peso ao qual era impossível ficar indiferente.

Foi por isso, considerando todos estes factores, que decidi aceitar o convite, esperando poder dar o meu contributo activo a este fantástico cantinho da Cova da Beira a partir do próximo dia 29. Tenho a certeza que será uma experiência interessante e gratificante. Contudo, como em eleições os resultados nunca são certos, o meu sincero desejo enquanto cidadão é que, independentemente de quem seja eleito, a população possa contar com uma Junta de Freguesia empenhada e activa. 

Post Scriptum (por extenso, para evitar confusões) - Curiosamente, acabei mais tarde por receber um outro convite para integrar uma lista, vindo de outra freguesia e -lá está!- com outra conotação partidária. Por ter já dado o meu sim à CDU, acabei inevitavelmente por recusar este convite mas era também uma proposta muito interessante uma vez que se trata de um grupo que tem desenvolvido um trabalho digno de registo e ao qual desejo as maiores felicidades.

Posta em blogosfera alheia

Hoje estamos no blogue "A funda São" com um artigo dedicado à decoração interior da torre de menagem do castelo de Carlisle (Lembram-se? Não? Então cliquem aqui!) e as evidentes discrepâncias entre esta e o que está representado nos painéis interpretativos. Vale a pena espreitar!


sexta-feira, setembro 06, 2013

A fronteira

Algures entre Almeida e Vilar Formoso, um ténue risco feito de granito é tudo o que separa Portugal de Espanha. Aos poucos a Fronteira vai-se esbatendo na paisagem, permanecendo indelével apenas nas mentalidades que daqui não se avistam. É um outro país, feito de duas línguas e duas bandeiras.

Muro de fronteira entre Portugal (do lado de lá) e Espanha, junto ao marco 508C

segunda-feira, setembro 02, 2013

Recriação histórica do Cerco de Almeida 2013

Como acontece todos os anos, o som dos mosquetes e canhões voltou a fazer-se ouvir nas muralhas de Almeida, com a recriação dos encarniçados combates de que esta vila foi palco há cerca de 200 anos atrás, durante a 3ª invasão francesa. Participaram nesta recriação mais de 200 figurantes (estimativa com o grau de precisão próprio do "olhómetro"), oriundos não só de Portugal como também de França, Reino Unido e Espanha. Sem ter tido oportunidade de assistir às recriações de Sexta e Sábado, decidimos não perder a de Domingo de manhã e, bem cedo, fomos até Almeida.

Com início previsto para as 10h da manhã, a recriação acabou por se atrasar e ainda bem. Assim, pudemos assistir a tudo desde o início. Durante mais de uma hora, os combates desenrolaram-se sobre as muralhas, terminando com a vitória das tropas francesas sobre as anglo-lusas e com a posterior evocação da memória das vítimas dos combates de 1810, que terão provocado 700 a 1.000 mortos.


A cavalaria prepara-se para o combate


No acampamento francês, também a infantaria se vai preparando


O desfilar das tropas, rumo ao campo de batalha



 O balcão do antigo quartel encheu-se de espectadores.


As tropas britânicas assumem as suas posições no terreno.


Tem finalmente início o ataque das tropas francesas


A cadência de tiro é dificultada pela complexidade da preparação dos mosquetes


A pouco e pouco, as tropas napoleónicas progridem no terreno com o apoio da artilharia


A resistência dos portugueses é tenaz


Os franceses tentam assaltar as posições aliadas


Dois batedores tentando perceber o posicionamento francês no terreno. Detectados, serão pouco depois obrigados a fugir.


Mais uma violenta carga da infantaria francesa sobre as posições anglo-lusas


A artilharia francesa continua a bombardear as posições aliadas


Uma carga de cavalaria britânica tenta neutralizar a artilharia francesa


A situação fica de tal maneira escaldante que até surgem pequenos focos de incêndio no terreno 


Uma vez que os mosquetes se revelam pouco eficazes nessa tarefa, outro tipo de soldado é chamado a intervir para extinguir o fogo.





Os últimos momentos da resistência anglo-lusa

A carga final das tropas francesas sobre o último reduto anglo-luso

Embora extremamente interessante, esta reconstituição pecou por vezes por falta de coordenação entre os intervenientes e por alguns momentos de "acalmia", embora compreensíveis dada a heterogeneidade dos participantes e o calor que se fazia sentir. Ainda assim, gostei mais da recriação a que assisti há 3 anos atrás (clicar aqui para o artigo e aqui para o vídeo), que também terá beneficiado da progressiva mudança de cenário.

Independentemente do seu nível de perfeição, este tipo de recriações são de extrema importância para a preservação da memória daquela época tumultuosa da História de Portugal e há inevitavelmente que dar os parabéns a quem anualmente leva a cabo esta iniciativa. O enquadramento paisagístico, esse sim, é inevitavelmente perfeito e merece só por si uma viagem a Almeida.

Para finalizar, convém ter em conta que esta reconstituição foi meramente simbólica. Aquilo que aconteceu naquela tarde de Verão de 1810 foi bem diferente do que foi retratado sobre as muralhas da Estrela da Pedra.


O que realmente aconteceu no cerco de Almeida

Perante a nova invasão francesa, o comandante das tropas anglo-lusas, o Duque de Wellington, definiu uma estratégia de recuo progressivo, desde a fronteira com Espanha até às Linhas de Torres, aplicando uma política de terra queimada de forma a criar atrito no exército francês, tanto em termos materiais como humanos. A espectacular fortaleza de Almeida tinha um papel bastante importante nessa estratégia. 

Tendo sido devidamente abastecida e guarnecida, esperava-se que Almeida resistisse durante alguns meses, obrigando os franceses a retardar a sua marcha ou, na pior das hipóteses, a empenhar ali parte das suas tropas. Infelizmente, nos primeiros dias do certo, um tiro de canhão extremamente feliz acertou em cheio no pátio do castelo medieval, que estava a ser usado como paiol de munições. O resultado foi uma explosão catastrófica que arrasou não só o castelo mas também a maior parte da vila. A fortaleza, tornada indefensável, foi obrigada a render-se, passados que estavam apenas alguns dias de resistência.

O relato de um oficial francês sobre esse momento diz bem da violência da explosão:

"A terra tremeu e vimos um imenso tornado de fogo e fumo erguer-se no centro da Praça. Foi como a erupção de um vulcão - uma visão que não consigo esquecer após 26 anos. Enormes blocos de pedra precipitaram-se nas nossas trincheiras, matando e ferindo vários dos nossos homens. Canhões de calibre pesado ergueram-se dos muros e precipitaram-se longe destes. Quando o fumo se dissipou, grande parte de Almeida havia desaparecido e o resto era apenas um amontoado de destroços".


As ruínas do que foi outrora o castelo medieval de Almeida, nivelado pela terrível explosão de 1810.

O que resta do fosso dá ainda uma ideia do quão monumental seria o castelo


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