quarta-feira, abril 17, 2013

Já olharam bem para as notas que têm na carteira?


Quando há alguns dias atrás pagava a minha despesa num café, o empregado que me atendeu chamou a minha atenção para o facto de a nota de 5 euros com que eu pretendia pagar ter num dos cantos duas pequenas manchas de tinta cor-de-rosa. -"Olhe que eu acho que esta nota está tintada.", disse-me ele. Embora tenha acabado por aceitar a nota, dado que as manchas era tão pequenas que levantavam muitas dúvidas sobre se realmente estariam tintadas, esta chamada de atenção revelou-se extremamente pertinente. Mas o que são afinal notas tintadas?

Muitas caixas de multibanco estão actualmente equipadas com sistemas de segurança que, em caso de abertura forçada, inutilizam as notas com recurso a tinta, geralmente magenta. As notas tingidas ficam desta forma marcadas e, de acordo com as regras não podem ser aceites como forma de pagamento, dado que serão o produto de um assalto a uma caixa multibanco.



O que se deve fazer perante notas tintadas?

Em primeiro lugar as notas tintadas não podem ser aceites como meio de pagamento. No entanto, caso tenhamos recebido uma nota e não tenhamos reparado que a mesma estava tintada, o passo seguinte será entregá-la a uma instituição bancária, Banco de Portugal ou polícia judiciária, já que estas podem ser pistas que levem à detenção dos assaltantes (A título de exemplo temos o caso de um indivíduo estado-unidense que, depois de ter assaltado uma caixa multibanco, decidiu ir investir o produto do roubo num espectáculo performativo de striptease [ver aqui]). Os bancos poderão depois trocar as notas tintadas por notas válidas, devendo a pessoa que as entregou preencher um formulário com a sua identificação.

E vocês? Já verificaram se têm alguma nota tintada na carteira?


sexta-feira, abril 05, 2013

Estranho fenómeno da natureza. Será coincidência?


Universidade Lusófona, 4 de Abril de 2013, poucas horas após o anúncio da demissão de Miguel Relvas. Sim, o raio não acertou no edifício da universidade mas sim no prédio ao lado mas nós damos-lhe equivalência.

Foto original: Wikipédia

segunda-feira, abril 01, 2013

O Trilho dos Canos de Água (PR9)

Aproveitando a estadia em Viana do Castelo e um Sábado com condições climatéricas extremamente favoráveis, decidimos trocar o binómio pós-almoço do café e jornal por uma caminhada pelo PR9, o Trilho dos Canos de Água.


Trata-se de um trilho pedestre circular, com uma extensão de 10km, que tem início e fim junto à Basílica do Sagrado Coração de Jesus, no monte de Santa Luzia sobranceiro à cidade de Viana do Castelo, percorrendo os montes próximos e tendo o seu extremo mais a Norte na passagem pela aldeia de São Mamede.

Como 10km era nitidamente coisa "para meninos", decidimos incrementar um pouco a dificuldade do percurso, começando a caminhada na cidade e subindo até ao monte de Santa Luzia pelo escadório. Foi uma proeza tremenda mas, aqui entre nós, eu acho tanto degrau junto deve ser contra a lei e talvez até contra a Convenção de Genebra e o memorando da Troika.


O escadório é acompanhado por uma caleira de água e segue paralelo à linha do funicular de Santa Luzia. Segundo fontes não confirmadas, durante a subida e impressionado com tanto degrau, um dos participantes terá afirmado: "Fico neste degrau. Deixem aqui um ramo de flores todos os anos nesta data."



No topo do escadório, que a partir de certa altura adopta bem a propósito o nome de Calvário, encontra-se uma cabine desactivada do funicular. Ali mesmo ao lado encontra-se a estação de topo e, com a inevitável imagem de grandiosidade, a Basílica. 



Partindo do painel de início do trilho, chega-se a uma bifurcação na qual optámos por tomar a via da esquerda. O trilho segue por um caminho de terra batida, entre vegetação frondosa. O único senão foram 3 motoqueiros que por ali faziam motocrosse e que não consegui fulminar com o olhar. Ficou pois no ar durante algum tempo o cheiro a combustível queimado.





Ao longo do percurso, o trilho cruza-se com várias calçadas que partem pela encosta para rumo incerto. Segundo fonte ligada à Câmara Municipal de Viana do Castelo, muitas destas calçadas serão da altura da Regeneração, no século XIX, quando Fontes Pereira de Melo, então ministro das obras públicas, implementou um programa de fomento de construção e melhoria de infraestruturas viárias. Mas serão todas?  Convém não esquecer que existiu no monte de Santa Luzia um grande povoado que foi romanizado. 


Ao fim de algum tempo, descobre-se o início da razão de ser deste trilho: as múltiplas canalizações da zona da Areosa que abastecem de água a cidade de Viana. Chegamos aos arcos de Fincão, dois arcos de aqueducto paralelos por entre os quais segue o trilho. Verdade seja dita, o que por ali não faltava era água, devido às chuvas dos últimos dias.







A partir dos arcos, eis algo completamente diferente: o percurso passa a ser feito sobre as antigas canalizações de granito até perto da aldeia de São Mamede.




O percurso passa por vários locais que têm um problema que é o seguinte: a humidade. Ora, falar de humidade é falar de cogumelos. Pois bem, cá estão eles:




De quando em vez, pelo meio da vegetação (e quando o nevoeiro desta vez o permitiu) é possível avistar o mar para lá da veiga da Areosa.



Mas nem só de caminhada se faz o percurso. Os praticantes de geocaching também têm com que ficar de barriga cheia.


Mais à frente, constata-se que é necessária a intervenção de um canalizador, visto que o excesso de água que circula dentro dos canos escapa por uma das tampas mal seladas. Senhores dos Serviços Municipalizados, aqui fica o apelo.



A dada altura, um pouco para lá do Alto do Melro, o cano de água chega ao fim, perdendo-se numa galeria mais larga que entra terra a dentro. Com ele termina também a vegetação frondosa que nos acompanhava deste o início do trilho. O local é interessante: muita água, uma paisagem que seria excelente não fosse o nevoeiro tapar-nos as vistas e uma azenha antiga que merece uma vista de olhos.







Já perto da aldeia de São Mamede, encontrámos um pacífico grupo de garranos pastando em liberdade. Dos quatro exemplares, só um pareceu mais incomodado com a presença da objectiva. Esta parte do percurso é feita novamente por alcatrão.



A aldeia de São Mamede encanta pela paz que aqui se vive. A quietude do local apenas foi quebrada por um simpático cão que decidiu acompanhar-nos na caminhada e pelos gritos da criança que, de uma janela longínqua, chamava desesperadamente por ele.








Após algum tempo, abandonamos finalmente o alcatrão e regressamos ao caminho de terra batida que atravessa a crista da serra. No caminho encontramos a peculiar Casinha dos Aviões, à qual o nevoeiro dava um ar fantasmagórico. Trata-se de uma construção inacabada que foi erguida durante a II Guerra Mundial para controlar o tráfego aéreo. Infelizmente para o empreiteiro, o conflito mundial acabou entretanto e a construção nunca foi terminada, encontrando-se hoje algo degradada. Ainda assim, vale a pena subir até ao alto da torre para contemplar a paisagem da foz do Lima, ou pelo menos assim o presumo dado que o nevoeiro nada deixou ver.






Pouco depois, nova calçada. Esta de construção muito mais cuidada do que as outras, deixando supor uma datação mais recente. Foi o prelúdio do regresso à estrada asfaltada que, passando pelo Campo de Tiro Militar, nos levaria de volta ao ponto de partida, passando pela torre de água e pela Citânia de Santa Luzia.


Feito o percurso, podemos dizer que este é um trilho interessante. Está bem sinalizado, é de baixa dificuldade e muito calmo. É  possível conhecer graças a ele alguns "cantinhos" mais escondidos dos montes à volta de Viana do Castelo. Só é pena ter alguns troços por asfalto. Há muito pouco trânsito nesses troços, é certo, mas podendo-se evitar será melhor. Por outro lado, os pés agradecem.

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