terça-feira, maio 12, 2009

Ao redor de Belmonte I
Quinta da Fórnea - Um bom exemplo


Após a nossa visita aos museus e Judiaria de Belmonte que já aqui foi abordada (ver parte1, parte2 e parte 3), dois locais para mim especiais mereceram a nossa visita: Centum Cellas e Quinta da Fórnea. Nesta visita, o que ficou na retina foi o contraste entre o estado de um e outro sítio e, se no caso da Quinta da Fórnea, como já aqui foi oportunamente abordado (ver sequência de artigos aqui), as ruínas se encontram já na fase final de musealização - o que se saúda -, já o que vimos em Centum Cellas é diametralmente oposto e merece, só por si, um artigo a publicar nos próximos dias.

Na Quinta da Fórnea, como já referi, os trabalhos estão já avançados. Parte dos muros e a calçada foram já consolidados e embora na altura ainda não tivessem sido colocados, os painéis explicativos já se encontram instalados no local o que permite a qualquer visitante interpretar e compreender o conjunto de estruturas trazidas à superfície.

A entrada principal da villa que levava a um pátio central, com a sua calçada e colunas laterais

Este conjunto diz respeito a uma villa romana (uma casa pertencente a uma família relativamente abastada e dedicada à exploração dos recursos locais como a agricultura ou a mineração), algo semelhante aos "nossos" Montes alentejanos, e que terá tido ocupação entre os séculos I e IV da nossa era. As pessoas que aqui habitavam (a família e os seus escravos e criados) conseguia ser auto-suficiente, produzindo os seus próprios alimentos, utensílios e materiais de construção.

Aspecto de um dos compartimentos onde é possível ver o sistema de esgotos (as condutas casualmente em forma de "pata de galinha" em primeiro plano)

A exploração a que aqui se dedicavam era essencialmente agrícola e o edifício era relativamente importante, possuíndo lagares, armazéns, espaço residencial e termas, às quais estava associado um hipocauto, um sistema de aquecimento sob o piso para aquecer a àgua do tanque de banho quente, o caldarium (para recordar aqui).


Um dos tanques de banho


Aspecto do Hipocausto destinado ao aquecimento da água para o banho quente. Consiste numa fornalha que aquece o ar que depois circula sob o piso que é suportado por um conjunto de arcadas em tijolo sucessivas.

Trata-se de um excelente trabalho de recuperação, mais uma iniciativa de louvar por parte da Câmara Municipal de Belmonte, e que fez de um local que já se julgou irremediavelmente perdido, um interessante espaço explicativo sobre a vida doméstica romana fora dos centros urbanos. 

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