terça-feira, julho 31, 2018

Dar armas a crianças com 3 anos? Só na America

Sacha Baron Cohen já nos habituou aos seus programas televisivos e filmes que se traduzem num caldo de vergonha alheia e polémica pela forma como expõe cruamente os podres da sociedade estado-unidense, geralmente intepretando personagens com as quais engana diversas personalidades incautas que julgam estar diante de uma personagem real. O seu mais recente trabalho é a série "Who is America?" onde Baron Cohen põe a nu alguns dos lugares físicos e mentais mais obscuros de uma nação, começando por abordar a eterna polémica do livre acesso a armas e os recorrentes tiroteios nas escolas.


Sacha Baron Cohen como Erran Morad, especialista em contra-terrorismo


Fazendo-se passar por um agente anti-terrorista israelita, Baron Cohen entrevista Philip Van Cleave, presidente da Liga de Defesa dos Cidadãos da Virgínia, fazendo-o acreditar que em Israel existe um programa ao abrigo do qual as crianças são ensinadas a usar armas a partir dos 3 anos para defenderem a sua escola de muçulmanos. A reacção de entusiamo da parte de Van Cleave é ficar de queixo caído, chegando inclusive a afirmar que as crianças mais jovens "ainda não desenvolveram consciência. Ainda estão a aprender a diferença entre certo e errado" e que, por isso, "podem ser soldados muito eficazes".

O clímax desta primeira entrevista é quando Cohen consegue convencer Van Cleave a gravar um programa infantil para ensinar âs crianças como usar armas:


"Lembrem-se de apontar a boca do Cachorrinho Pistola..."



"... para o meio do homem mau"


Larry Pratt director executivo da associação dos Portadores de Armas da América, um grupo lobbyista com um discurso extremamente "musculado", é o segundo entrevistado no programa. Usando Pratt como "cunha", Cohen consegue convencer alguns senadores e ex-senadores, assim como o próprio Pratt, a participarem num anúncio de promoção do programa "Kinder Guardians", para armar crianças na escola.


As crianças de tenra idande são puras e não corrompidas por fake news ou homossexualidade


O que é interessante na retórica de Pratt, é a a forma como liga subtilmente o seu anti-islamismo aos tiroteios nas escolas, quando refere que as crianças podem conseguir reagir instintivamente ao ouvirem "Allahuh Akbar", isto apesar de esses tiroteios não serem perpetrados por extremistas islâmicos mas sim por cidadãos "com problemas mentais", ou seja, a classificação em que se encaixam todos os terroristas que não são extremistas islâmicos.

Mais uma vez, Sacha Baron Cohen consegue transmitir-nos uma visão inquietante dos Estados Unidos da América, onde os preconceitos religiosos e raciais estão profundamente enraízados na sociedade e o anti-extremismo se torna ele próprio uma forma de extremismo.

O 1º episódio da série pode ser visto aqui:


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