segunda-feira, setembro 29, 2008

O Triângulo das Bermudas - Parte III

Série completa de artigos: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Conclusão

Chegando à conclusão que, afinal, o número de acidentes registados no Triângulo das Bermudas não é tão significativo quanto se esperaria, fica a questão: há ou não há desaparecimentos misteriosos naquela área? A resposta é sim embora também haja desaparecimentos misteriosos em outras partes do Globo para além do Triângulo das Bermudas. Contudo, actualmente, os avançados sistemas de comunicações, de GPS e de radar já não permitam que as embarcações pura e simplesmente se desvaneçam ou, pelo menos, que tal ocorra com a frequência habitual registada até ao início do século passado.


O enigma do Voo 19

Como já referi, foi o desaparecimento de uma esquadrilha de 5 aviões, da Força Aérea dos EUA em 1945, que despoletou a lenda do Triângulo das Bermudas. De acordo com os relatos clássicos a esquadrilha levantou vôo num dia calmo e ensolarado e, a certa altura, terá começado a relatar estranhas anomalias no horizonte, mudança de cor da paisagem e problemas nos instrumentos de navegação. Pouco depois, o Voo 19 desaparecia para sempre.

A verdade, no entanto, é bem diferente e revela alguns pormenores que, na época, foram desconsiderados. Começando pelo próprio estado do tempo, se é verdade que no início do voo as condições meteorológicas eram excelentes, no final do voo levantou-se uma forte tempestade que, infelizmente para os pilotos, coincidiu com o pôr-do-sol, tornando as condições de vôo extremamente difíceis.

Por outro lado, o próprio líder da esquadrilha, Charles Taylor, não estava muito familiarizado com a região, estando colocado na Florida havia apenas 6 meses. Pior, ele já tinha um historial que indicava que, por 3 ocasiões, se perdera em missões na II Guerra Mundial, tendo tido, em duas delas, de pousar o seu avião em pleno mar. Finalmente, de acordo com a Força Aérea dos EUA, as comunicações de rádio indicam um indivíduo hesitante e muito pouco confiante. Juntando todos estes factos ficamos com uma esquadrilha em difíceis condições e liderada por um indivíduo com fraco sentido de orientação numa região que conhecia mal.

A versão oficial é que Taylor pensou que estava sobre as ilhas Keys quando, na verdade se encontrava sobre as Bahamas, ironicamente o exacto local onde se esperava que estivesse, e achou que se voasse para Nordeste chegaria à Florida. Infelizmente, a partir das Bahamas e tomando esse rumo, levou a esquadrilha em direcção ao Oceano Atlântico onde, fatalmente, o seu combustível se esgotou e os aviões caíram ao mar.


E os outros casos?

Nos outros relatos, uma pesquisa menos superficial dissipa instantaneamente tudo o que de sobrenatural se pudesse apontar. Registo de comunicações e diários de bordo adulterados com um cunho profundamente criativo, troca de nomes de embarcações, embarcações que nunca existiram. Os factos são de tal ordem que se chega a duvidar de que tenham efectivamente desaparecido navios ou aviões em circunstâncias pouco claras.

Quanto à referência mais antiga a algo anormal, o episódio passado com Cristóvão Colombo no qual ele avistou estranhas luzes oscilantes e anomalias na bússola, estes não terão passado de fogueiras de nativos vistas ao longe e de uma constatação de algo que hoje é um dado adquirido: a variação do Norte Magnético em relação ao Norte Geográfico. Comparando a direcção apontada pela bússola com a posição das estrelas, Colombo percebeu que havia ali uma significativa diferença relativamente ao que sucedia na Europa e limitou-se a anotar um facto que achou estranho.


Factores para o desaparecimento de embarcações e dos seus vestígios

São várias as causas que podem contribuir para o afundar de embarcações ou para o desaparecimento de vestígios de naufrágios naquela área: as tempestades violentas que ocorrem na região que, não raras vezes originam furacões, a Corrente do Golfo que é uma corrente de invulgar velocidade, as ondas gigantes de origem ainda conjectural que se formam sem pré-aviso e que são capazes de fazer adornar petroleiros, hidratos de metano (acumulações de metano no fundo marinho que se podem soltar em grande quantidade, anulando o princípio de Arquimedes que permite aos navios flutuar), etc...



Também o factor humano não pode ser descartado, desde o mais simples e vulgar erro humano até aos actos de pirataria ou actos de guerra.


imagem retirada daqui

Conclui no próximo artigo


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