quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A garça-boieira já mora num centro de recuperação de animais selvagens

Apesar de melhor da ferida, a pequena garça-boieira que recolhi na última Terça-feira continuava sem comer (pelo menos que tivesse sido notado) e desidratada, razão pela qual decidi hoje ir entregá-la aos cuidados do CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco.

Gerido pela Quercus de Castelo Branco em parceria com a Escola Superior Agrária de Castelo Branco, junto à qual funciona, o CERAS tem por missão recolher e recuperar animais selvagens, devolvendo-os depois à natureza, tudo isto com trabalho de voluntários dedicados.

Ali chegados, fomos recebidos pela Madalena, uma voluntária com muitos anos de colaboração com o Centro, que de imediato e com exemplar cuidado, limpou e tratou a ferida da garça-boieira, administrando-lhe depois soro para a rehidratar, juntamente com um antibiótico e analgésico. A garça foi previamente pesada (não foi fácil já que se trata de um bicho com personalidade) para que as doses de medicamentos a administrar fossem doseadas de acordo com o peso da ave.

A garça-boieira na sua nova residência temporária. Embora pareça ter-se transformado numa espécie de ave exótica azulada, tal deve-se à aplicação de Terramicina, um desinfectante para tratamento de animais, que lhe foi aplicado pela minha esmerada e inigualável figura materna que, à conta do seu esforço, levou umas valentes bicadas de protesto, o que explica também a distribuição da coloração.


Finalmente, foi colocada na sala de quarentena dentro de um compartimento que será o seu até recuperar do enorme hematoma resultante da ferida, saindo apenas para fazer o seu programa de tratamento e para eventualmente ir passear até à cidade para fazer um Raio-X.


A sala de quarentena onde vai ficar a garça nos próximos tempos, quentinha e com direito ao que foi descrito como "alimentação gourmet para insectívoros".


Confesso que fiquei impressionado com o trabalho que o CERAS ali desenvolve e que me foi dado a conhecer. O melhor elogio que posso fazer ao Centro, e à Madalena, é que regressei certo de que a ave se encontra nas melhores mãos possíveis e que tudo farão para que ela regresse depressa à sua colónia. Gentilmente irão manter-me informado da evolução do seu estado e avisar-me quando chegar a altura de a libertar.

Já agora, o prognóstico inicial aponta para que a ferida tenha sido causada por um chumbo... situação que ocorre frequentemente em espécies não cinegéticas, como esta, quando têm a pouca sorte de sobrevoar áreas com alta concentração de estupidez.


Colaborem com o CERAS!
Embora tenha parcerias com algumas instituições, o CERAS vive fundamentalmente do esforço de voluntários dedicados à recuperação e preservação de animais selvagens pelo que todo o apoio será bem-vindo.

A forma mais interessante de fazer um donativo será através do programa de apadrinhamento de animais. Com um contributo monetário, os padrinhos recebem informações acerca da evolução do estado do seu afilhado, uma foto, um certificado e são notificados quando chegar o momento da sua libertação. Adivinhem quem vai ser a minha afilhada?

Mais informações nos links:

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