Assinalou-se ontem o 200º aniversário do massacre de Alpedrinha perpetrado pelo exército francês no qual pereceram cerca de 30 habitantes após um combate desigual. Para assinalar esta data que tristemente inscreveu de forma indelével nos anais da história da Guerra Peninsular, o nome da vila que por muitos é chamada de "Sintra da Beira", a Junta de Freguesia local organizou um conjunto de iniciativas ao longo do dia.
Assim, foi descerrado um memorial com o nome das vítimas após o que se seguiu uma missa no adro da Igreja, junto às sepulturas de alguns daqueles que têm o seu nome inscrito no monumento e que descansam no adro da Igreja.
A culminar a iniciativa assistiu-se a uma interessantíssima conferência, proferida pela escritora Antonieta Garcia, e que contextualizou o episódio de Alpedrinha no período das Invasões Francesas. Apesar de, pessoalmente, manifestar alguma discordância num ou noutro ponto com as palavras da oradora, o que é certo é que no geral foi sem dúvida uma conferência interessantíssima e que justificou bem a ida a Alpedrinha. Estou aliás ansioso pelo lançamento do livro.
Sobre o Massacre
De forma resumida, o Massacre de Alpedrinha situa-se num período em que o país se começa a sublevar contra o domínio francês decorrente da dita 1ª invasão, a que alguns autores atribuem a ordinalidade de 2ª invasão num total de 4. Corria o ano de 1908.
Para subjugar a revolta, Junot, que então governava (cada vez menos) o país a partir de Sintra, ordena ao temível general Loison que vá buscar reforços a Almeida para depois marchar sobre o Norte de Portugal. Contudo, o Maneta apenas consegue chegar à região de Mesão Frio onde é travado pela guerrilha e forçado a retirar para Almeida. Aí, recebe ordens para voltar a Lisboa, onde se estão a concentrar todas as tropas francesas. É nesta altura que se dá o episódio de Alpedrinha.

Saqueada e incendiada a vila, as tropas francesas retomam o seu percurso para Lisboa onde chegariam com 1/6 de baixas infligidas pela guerrilha. O exército francês acabaria por se retirar de Portugal a 31 de Agosto, derrotados pelos ingleses, que haviam desembarcado a 1 desse mês, na sequência de acordo "estranho" que lhes permitiu embarcarem para França com tudo o que haviam saqueado.
Retrato de Loison retirado daqui
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