segunda-feira, setembro 16, 2013

Postais da Caledónia - Estórias do Castelo de Edimburgo

Da recente visita a Escócia, a recordação da cidade de Edimburgo (Édinbrô como se diz por cá) é uma das recordações que guardo com maior admiração. Ao contrário de Glasgow, Edimburgo é toda ela monumental e cheia de história (e estórias como depois veremos). É obrigatório subir a Royal Mile até ao Castelo, situado num esporão rochoso que consiste no último vestígio de um antigo vulcão. A Royal Mile é, como o nome indica, uma rua com uma milha escocesa de comprimento, isto é, cerca de 1,81 km, ladeada de edifícios histórico com fachadas imponentes. 

A Royal Mile ou, em português, a Um Vírgula Oitenta e Um Quilómetros que, a partir do Parlamento Escocês, sobe até ao Castelo de Edimburgo.


No cimo da Royal Mile, passando por enormes bancadas amovíveis de onde sazonalmente se assiste a paradas militares, chega-se finalmente ao castelo, cuja entrada é guardada pelas estátuas de William Wallace e Robert Bruce, mais conhecidos entre nós como Mel Gibson e Angus Macfadyen, respectivamente. Passando depois por uma segunda porta, chega-se a um primeiro pátio, com uma grande vista sobre a cidade. Foi aí que esperámos pelo guia que nos iria orientar pelos diferentes edifícios do castelo, partilhando, com muito humor, algumas histórias simplesmente deliciosas.


A porta principal do castelo de Edimburgo, sobranceira à qual se encontra a Bateria da Meia Lua e os restos da Torre de David que é basicamente a torre mais importante do Reino Unido. Bom, se calhar estou a exagerar um bocadinho mas lá que houve bom gosto na sua denominação, isso houve!


Vista sobre a cidade e Mar do Norte.


O Canhão da Uma da Tarde

Desde 1861, um tiro de canhão é disparado diariamente e rigorosamente às 13:00 a partir do Castelo de Edimburgo, excepto ao Domingo, Sexta-feira Santa e dia de Natal. A ideia era fazer com que fosse possível a todos os comandantes dos navios ancorados ao longo do estuário, acertarem o seu relógio. Como o som se propaga de forma algo lenta, os navios mais próximos ouviriam o disparo praticamente às 13:00. No entanto, os que se encontravam mais longe só o ouviriam passados vários segundos, pelo que houve necessidade de afixar em cada ancoradouro a hora precisa a que o disparo poderia ali ser ouvido.





Mas se o objectivo do disparo, que hoje continua a ser feito de forma meramente simbólica, era o de permitir acertar os relógios e, inevitavelmente, orientar também a população da cidade nas suas actividades diárias, por que razão se escolheu a uma da tarde e não o meio-dia?

A explicação do guia é simples e mordaz: "Até parece que não conhecem os escoceses! Fica muito mais barato disparar apenas uma vez do que disparar doze vezes!"



Oliver Cromwell ou o homem que morreu duas vezes

O curto período republicano do Reino Unido foi especialmente amargo para a Escócia, que se opôs quase naturalmente à revolução liderada por Oliver Cromwell. Este, depois de assegurar o controlo de Inglaterra, invadiu a Escócia e tomou o castelo de Edimburgo, deixando ali uma guarnição permanente.

Após a sua morte, quando já tinha sido nomeado Lorde Protector e já tinha designado o seu filho como herdeiro, a República não durou muito mais. Alvo da sede de vingança por parte dos monárquicos reempossados, o cadáver de Cromwell foi retirado do túmulo, julgado e condenado à morte por decapitação. Tendo a sua cabeça ficado exposta num espeto durante 25 anos.

Sobre este fim macabro, um actor vestido e armado bem a rigor foi taxativo: -"Após a morte de Oliver Cromwell, sucedeu-lhe o seu filho Ricardo que, infelizmente para ele, não era nem metade do homem que fora o seu pai e nem sequer metade do homem que fora a sua mãe. Em apenas 9 meses, conseguiu perder tudo o que o seu pai levara 9 anos a conquistar (...) O cadáver de Cromwell foi finalmente desenterrado, julgado e condenado à morte por decapitação.

Quem admirar Oliver Cromwell dirá que ele era um homem de tal dimensão que até morreu duas vezes. Se falarem com um escocês ele dirá que Cromwell não morreu as vezes suficientes."



O humor é a tónica dominante entre os guias e actores espalhados pelo castelo. Este em particular permitia que os turistas fossem ter com ele, nas pausas do seu relato da história do castelo, para tirarem fotografias. A cada um perguntava de onde era, tecendo sempre um comentário a propósito. Um deles, quando declarou ser norueguês, levou com um resmungado "Bloody vikings!".

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