terça-feira, agosto 31, 2010

Os ciganos, o Holocausto e um Vaticano confuso

nazis

O Vaticano veio recentemente tornar pública a sua posição em relação à expulsão dos ciganos, em situação ilegal, do território francês comparando este caso ao Holocausto. Ora, tenho para mim que esta comparação está para a História como o Trinaranjus está para o Sumol: falta-lhe sobretudo gás.

Se a Santa Sé já é pródiga em tomar posição sobre tudo e mais alguma coisa (aposto que o jogo favorito do clero residente é o Twister) é também extremamente infeliz na terminologia que usa. Até fico com a impressão que o Vaticano gosta tanto de queimar políticos que perde a noção do razoável. Bom, se calhar não deveria usar o termo “queimar” na mesma frase de “Vaticano”… mas, repito, a terminologia empregue é extremamente infeliz.

Quem não se lembra de quando, há alguns meses atrás, o Vaticano comparou a chuva de acusações relacionadas com pedofilia de que estava a ser alvo com o anti-semitismo de que os Judeus tinham sido vítimas. Aqui, contudo, o Vaticano foi mais longe e acrescentou que esta era uma conspiração (anti-semita, portanto) orquestrada por homossexuais que assim queriam fragilizar a Igreja com boatos maldosos. Ora, quando já todos começavam a acreditar nisto (*inserir espasmos tússicos aqui*), o Vaticano veio a público assumir afinal a sua responsabilidade e pedir desculpa pelos casos de pedofilia, numa atitude que podemos definir como uma purga estalinista auto-induzida (foi o melhor que se conseguiu arranjar a esta hora).

Voltando à questão dos ciganos (ao “Holocausto”), tenho de dizer que, não sendo eu propriamente um gestor eficaz de finanças pessoais, creio ser muito melhor negócio receber gratuitamente bilhetes de avião e um cheque de 300 euros para uma viagem à Roménia (tendo à espera o mesmo emprego que tinham em França) do que ter de doar toda a roupa, o cabelo, óculos e tudo o que possa ser usado como matéria prima em troca de uma tatuagem. Isto para não falar desta ideia idílica que tenho da Roménia e que me faz pensar que se trata de um local muito mais agradável para se estar do que, por exemplo, um forno crematório.

 

Foto: Sue’s Room

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