quarta-feira, agosto 25, 2010

Acidente na A25 - As estradas alternativas que afinal não o eram

Anteontem, no regresso da minha estadia de fim-de-semana por terras de Alto Minho, fui surpreendido, ainda na A29, pela notícia do acidente que ocorrera cerca de uma hora antes na A25, em local para o qual me dirigia. Confiando nas notícias difundidas pela rádio de que o trânsito estava a ser desviado pela N16, entrei na A25. Mal sabia que me esperava uma odisseia que me levaria a casa 6 horas depois mas com a plena certeza de que as alternativas à A25 prometem emoções a rodos.

Não vou tecer conjecturas exaustivas sobre o que causou ou deixou de causar o acidente até porque a análise, é relativamente simples de fazer. A incapacidade de adequar o estilo de condução às condições meteorológicas, por um lado, e a sobreposição do fascínio do sensacionalismo às mais elementares regras de precaução, por outro lado, terminaram no saldo final de 6 mortos e 89 feridos.

Entretanto, esta situação levou, como eu já referi, ao desvio do trânsito por vias alternativas à A25. Confiando no facto de nada ser dito nos sucessivos noticiários quanto à fluência do trânsito para aí desviado e ainda por esta via se perspectivar como alternativa à A25 a partir do momento da entrada em vigor das portagens e pensando eu que reunisse condições razoáveis de circulação, optei por prosseguir na auto-estrada até ao nó do Carvoeiro onde dois polícias se encontravam colocados e a desviar o trânsito para a N16.


Infelizmente, acabei por constatar que a N16 mais não é que uma estrada mais estreita do que a visão de alguns dos nossos governantes, uma via apertada na qual dois camiões não se conseguem cruzar sem o máximo de cuidado, obrigando a sucessivas paragens do trânsito. A conta-gotas o trânsito foi progredindo e, duas horas depois, já tinha conseguido progredir uns notáveis 10km…

A N16... Trânsito bloqueado

Acabei por desistir até porque na ponte sobre o Vouga, junto a Pessegueiro do Vouga, a situação era caótica. Optei por “escapar” em direcção ao nó de Talhadas procurando uma alternativa a Sul. Já nesse nó, abordei um polícia a quem perguntei se não haveria uma alternativa da alternativa ao que este respondeu esclarecedoramente “Oh amigo, até a alternativa da alternativa da alternativa está saturada”. Perante a situação caótica também na N333, paralela a Sul da A25, a sua recomendação foi que eu retrocedesse pela auto-estrada saindo em direcção a Águeda para apanhar o IP3.

Após consulta a um mapa rodoviário que entretanto adquirira para suprir a deficiência informativa em que me encontrava (sem mapa, sem GPS e sem telemóvel já agora, mas com um jornal que entretanto tivera tempo para ler duas vezes naqueles 10km da N16), decidi encurtar o percurso passando pela N230 em vez de descer até ao IP3, dado o grande desvio que isso implicava.



Depois de uma passagem por Águeda onde alguns camionistas espanhóis desesperavam em busca da N1 para Coimbra, a N230 revelou ser uma estrada do tipo “curva à direita, vomita à esquerda” que, ainda por cima, estava ela também imersa num opaco manto de nevoeiro sendo que, para piorar, em muitas zonas a estrada pura e simplesmente não tinha marcações. Prossegui arrojadamente com o ponteiro do velocímetro colado aos 20km/h e, cerca de 2h30 depois de ter deixado o nó de Talhadas, regressava finalmente à A25, retomando o caminho normal para casa.

A N230 no seu melhor. Nesta altura ainda se via alguma coisa.

Toda esta experiência, se dúvidas houvesse, serviu para demonstrar que não há neste momento alternativas consistentes à A25, sendo também de estranhar o facto de uma estrada dita “nacional” não reunir condições de circulação como acontece na N16. É óbvio que se tratou de uma situação excepcional mas, inevitavelmente e sendo a A25 uma via internacional, a entrada em vigor das portagens irá levar ao aumento do tráfego nesta via com inerente circulação de pesados (salvo interdição).

Também é necessário rever os planos de contingência das autoridades em caso de tragédias como as de ontem. Não basta desviar o trânsito apenas por desviar. É necessário desviá-lo de forma a manter um mínimo aceitável de fluidez e, já agora se não for pedir muito, prestando também informações concretas e claras sobre os melhores percursos a tomar pelos automobilistas e não, como referiu um agente no nó do Carvoeiro "Não faço ideia! Só sei que tem de ir pela N16".

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