terça-feira, julho 13, 2010

E que tal umas férias na Coreia do Norte?


Numa altura do ano que para muitos é de férias, deixo aqui uma interessante sugestão para destino de férias que promete emoção num ambiente invulgar e misterioso mas com a garantia de total mordomia no acolhimento: a Coreia do Norte ou, melhor dizendo, a República Popular Democrática da Coreia.

Da República Popular Democrática da Coreia pouco sabemos para além do facto de se tratar de um país de gente multifacetada e polivalente, capaz por exemplo de participar como animadora num Campeonato do Mundo de futebol para, logo a seguir, ir de pronto prestar serviço de colaboração no sector de extracção mineira de carvão.


A ideia da República Popular Democrática da Coreia ser um país fechado sobre si mesmo e com profunda aversão a estrangeiros poderia deixar antever um país vedado também ao turismo mas, o que é facto, é que a República Popular Democrática da Coreia tem um sólido e extremamente atractivo circuito turístico e tudo aquilo que o turista pode querer... desde que seja um fã acérrimo de visitas guiadas.

É possível, duas ou três vezes por ano, empreender aquilo que as autoridades daquele país asiático denominam de "visita turística cultural" na qual os participantes "deverão interagir e comportar-se adequadamente". Esqueçam o conceito do turista itinerante solitário de mochila às costas. Estas visitas apenas são possíveis em grupos máximos de 20 e toda e qualquer outra modalidade não é permitida. Jornalistas, produtores de cinema ou pessoas relacionadas com os media não são permitidas, apesar de, por outro lado, todas as nacionalidades poderem participar. Bom, todas talvez não, uma vez que os portadores de passaporte japonês ou sul-coreano estão limitados devido a "protocolos especiais de relações bilaterais" e os portadores de passaporte estado-unidense estão "abrangidos por condições especiais".



A visita, com duração de 10 dias, tem um custo de inscrição de 2050 euros, mais 440 euros pela viagem de ida e volta entre Pequim e Pyongyang. A viagem até Pequim é da total responsabilidade do participante na iniciativa, assim como eventuais seguros que o mesmo queira fazer e as necessárias formalidades de requisição de duplo visto de entrada e saída na China.



Já na República Popular Democrática da Coreia, os visitantes ficam hospedados num hotel de 3 estrelas e são obrigatoriamente e constantemente acompanhadas por guias locais. O roteiro pré-concebido inclui visitas a monumentos, museus, a um posto de observação junto à zona desmilitarizada do paralelo 38, edifícios governamentais, jardins de infância, escolas, hospitais, explorações agrícolas colectivas, casas privadas, fábricas, entre outros. Há ainda a oportunidade de tomar parte em encontros oficiais e de assistir a espectáculos de ginástica com 100.000 figurantes.


Se o roaming poderia eventualmente ser uma fonte de preocupação, o governo local encarrega-se de tranquilizar os visitantes resolvendo a questão da forma mais simples: os telemóveis não são permitidos, assim como as câmaras de vídeo, aparelhos de GPS e qualquer dispositivo de comunicação sem fios. Uma excelente medida que permite que os visitantes deixem realmente as preocupações para trás e aproveitem ao máximo a visita... mas desde que se portem bem. Caso contrário serão alvos de processos "de acordo com a legislação em vigor nos respectivos países".

Fotografias e informações: Associação de Amizade Coreana (KFA)

PS - No site da KFA é também possível conhecer algumas medidas para cativar investimento estrangeiro para a República Popular Democrática da Coreia. Um dos argumentos usados é "o mais baixo custo de mão-de-obra na Ásia". Fica pois a dúvida: foram os norte-coreanos que plagiaram a argumentação do Manuel Pinho ou foi o Manuel Pinho que plagiou a argumentação dos norte-coreanos?

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