terça-feira, novembro 04, 2008

Desabafo laboral

Tendo em conta a minha carreira profissional até aqui, posso dizer que sou uma pessoa tremendamente sortuda pois nunca até aqui precisei de procurar trabalho. O meu primeiro emprego "a sério" consegui-o numa pastelaria. É um facto!

Estava sentado a tomar café com um ex-colega, que tinha acabado de formar uma empresa, e perguntei-lhe se precisava de colaboradores ao que ele retorquiu que sim, terminando com "Queres começar já amanhã?". No dia seguinte, às 8h30 em ponto, lá estava eu preparado para uma odisseia que começou com uma tentativa frustrada de trabalho na área comercial, tarefa para a qual me revelei manifestamente inadaptado devido a um grave defeito: excesso de honestidade.

De facto eu era incapaz de criar necessidades num cliente quando via que ele já estava bem servido com o que tinha, bastando apenas algumas alterações mínimas. A minha colaboração na empresa terminaria daí a 2 anos, devido à única venda que consegui (sem querer): os meus serviços. De então para cá, o trabalho tem-me basicamente batido à porta e já cheguei inclusive a recusar propostas sem sequer saber valores (ok, já recusei uma para ir para Lx a 1.500 euros líquidos).

Contudo, nada é imutável e actualmente sinto-me algo frustrado de trabalhar para uma instituição superior cujas medidas se regem sistematicamente pela poupança em detrimento da meritocracia, onde as pessoas não passam de números e registos num ecrã de computador para decisores distantes e desfasados das realidades locais.

Sendo assim hoje fiz algo para mim inédito: peguei num anúncio de emprego num jornal e dediquei-lhe uma carta de candidatura à qual anexei um CV criteriosamente trabalhado e (mais extraordinário ainda!) creio que vou repetir o acto várias vezes nos próximos tempos.

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