sábado, julho 31, 2010

Férias 2010, Parte 5 - As Salinas Reais de Arc-et-Senans

As Salinas Reais de Arc-et-Senans, classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade, são o que resta de uma actividade industrial que aqui teve o seu expoente máximo nos séculos XVIII e XIX: a exploração do sal.

A concepção deste edifício em 1773 deve-se ao génio de Claude-Nicholas Ledoux, um arquitecto então com 37 anos, extremamente revolucionário para a época que chegou a ser o favorito do rei. Baseou-se no seu projecto utópico de "Cidade Ideal", uma cidade industrial onde, no centro, ficaria a casa do director, ladeando esta ficariam os edifícios de produção e, dispostos em círculo, os edifícios residenciais dos trabalhadores, com um espaço para os seus quintais. Idealmente, na periferia, situar-se-iam os edifícios para os diversos serviços de que uma cidade precisa mas, neste caso e por falta de verbas, apenas conseguiu implementar o que actualmente é visível.



O Sal era extraído de uma fonte salina, situada a 23km dali na localidade de Salins-les-Bains, actualmente uma vila famosa pelas suas termas. A água era aí aquecida para aumentar o grau de concentração de sal e injectada num sistema de canalização feito de troncos de árvore ocos que faziam chegar a salmoura a Arc-et-Senans.

A salmoura era depois aquecida em grandes recipientes metálicos para evaporar o resto da água e o sal era depois retirado e ensacado ou, como era comum, moldado em "pães de sal". Esta indústria era extremamente proveitosa para o estado devido à famosa "gabelle", um imposto sobre o sal extremamente impopular e injusto que levou inclusive a várias revoltas sociais.

As Salinas acabariam por fechar portas em 1895 devido à concorrência de fontes mais rentáveis de exploração de sal, tendo sido abandonadas. Acabaram em ruínas, pelo tempo mas também devido a um incêndio e a um relâmpago que destruíram a casa do director.


Na década de 1930 começou a ser restaurada mas acabaria por ser usada como campo de internamento para refugiados da Guerra Civil espanhola e, mais tarde, foi ocupada pelas tropas francesas e depois pelas alemãs, durante a II Guerra Mundial.

Classificadas como património Mundial em 1982, as Salinas acabariam por se tornar um Centro Cultural, sendo hoje visitáveis. Possuem várias exposições permanentes (a casa Ledoux e o museu do Sal,...) e temporárias (actualmente sobre o pintor Courbet e o projecto Solar Impulse)

É ainda palco de diversos eventos musicais e teatrais.

O espaço das hortas é actualmente usado para instalação temporária de jardins, fruto da criatividade de diversos arquitectos paisagistas.

Jardim, "As proezas de Gargantua"


Jardim "de Outra Parte"


Jardim de Alice


Jardim Zen


Foto aérea das Salinas: Nuit-Bleue

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