segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Eluana Englaro


Eluana Genaro faleceu oficialmente ontem às 19h00 (hora de Lisboa), na clínica onde se encontrava desde a semana passada, depois de ter sido tema em praticamente todos os meios de comunicação social nas últimas semanas. Esta italiana, de 38 anos, encontrava-se em estado vegetativo há 17 anos após ter sido vítima de um acidente de viação. Desde então, a sua vida era apenas mantida pelos equipamentos clínicos de suporte de vida que finalmente foram desligados.

Este caso dividiu a opinião pública desde que, há 10 anos atrás, os pais de Eluana reclamaram o direito de desligar o sistema de suporte de vida da sua filha e, de uma forma que me causa profunda irritação, levou a manifestações de histeria tanto de pessoas como de partidos, que se acharam no direito de interferir neste caso, violando a privacidade de uma família com uma dor de 17 anos e desprezando por completo os seus sentimentos, retirando à morte de Eluana toda a dignidade que esta poderia ter tido. 

Será que alguma daquelas pessoas que brandiram cartazes e vociferaram impropérios à porta da clínica, procurando inclusive barrar a entrada da ambulância, conseguirá compreender a dor de uma família que viveu 17 anos no sofrimento da perda de um ente querido sem direito ao luto?

Ridículas foram também as posições do Vaticano e de Sílvio Berlusconi, primeiro ministro de Itália. Por um lado, o "centro da cristandade" alegou que a vida era sagrada pela existência em si e não pela qualidade de vida da pessoa, pondo de lado (porque convinha, talvez) o facto de que, não fossem os meios artificiais de suporte de vida, e já há muito o corpo de Eluana teria cessado de existir, pois eram simplesmente as suas funções vitais básicas que permaneciam sustentadas.

Por outro lado, Berlusconi levou este assunto ao Senado, tentando passar um Decreto-Lei de urgência que impedisse os pais de Eluana de levarem os seus intentos adiante. Perante a recusa do Presidente em ratificar o Decreto-Lei, Berlusconi fez subir os seus argumentos de tom, ao ponto de ter tido que era crime matar Eluana pois esta estava viva e ainda em condições de ter filhos...

Terminada esta triste história, confirmou-se, com 17 anos de atraso, a morte de Eluana e, finalmente, a sua família pode continuar a viver. Algo que irá inevitavelmente conseguir, apesar da hipócrita moralidade de quem tentou decidir a sua vida sem nunca ter sentido e experimentado o que esta família sentiu e experimentou.

fotografia: IGN

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