segunda-feira, outubro 27, 2008

Passeggiando per Verona

Praticamente recuperada da gripe italiana que dominou o meu fim-de-semana e me impediu de ir a Braga ver o Caetano dar cabo de uns quantos karatecas ;) , aproveito a reclusão forçada em casa para partilhar com os caríssimos leitores deste blog algumas fotos recolhidas durante a minha mais recente expedição ao país da massa e da pizza por excelência.

Pela segunda vez, o coro ao qual pertenço foi convidado a participar no Festivale Giovanile di Musica Sacra – Note di Spiritualità em representação de Portugal, que decorreu na cidade de Verona entre 19 e 24 de Outubro. E, pela segunda vez também, tive tempo suficiente para visitar duas belas cidades do norte de Itália – Verona e Veneza.

Verona

Foto 1 - Arena, na Piazza Bra.

Atravessada pelo serpentear do rio Adige, Verona é uma cidade de confortável dimensão para ser percorrida a pé ou, ao estilo italiano, de bicicleta. Um dos maiores desafios é mesmo tentar não se ser atropelado por um qualquer ciclista em excesso de velocidade, sequer interpor-se no seu caminho sob pena de sermos presenteados com os mais diversos palavrões italianos acompanhados de sugestiva sinalética gestual. O mesmo é válido para arrojadas interrupções ao trânsito automóvel.

Foto 2 - Piazza Bra.

O ponto de encontro principal da cidade é a Piazza Bra, com as suas casas coloridas e os toldos verdes sob os quais se estendem cerca de uma dezena de esplanadas de cafés e típicos restaurantes italianos onde a Pasta e a Pizza são os pratos principais. Aqui ficam também o edifício da “Comune” (Câmara Municipal) e a Arena, palco das mais célebres óperas durante os meses quentes de Verão.

Foto 3 - Arena.

Fundada pelos Celtas, a cidade foi mais tarde uma colónia romana de nome Augusta, restando por toda a parte importantes marcas dessa ocupação. Para além da Arena e de um Anfiteatro, frequentemente se encontram nas ruas Portas e ruínas, a céu aberto ou protegidas por transparências, a um nível mais baixo. Surpresa é encontrar também ruínas preservadas e expostas dentro das igrejas, como agradavelmente descobri na magnífica catedral gótica do século X.

Foto 4 - Porta Leoni (sec. I d.C.)

Foto 5 - Ruínas romanas.

Parte do legado romano e motivo de orgulho dos Vernoneses é a Ponte Pietra. Reconstruída por diversas vezes ao longo da sua existência, sofreu maior dano durante a II Guerra Mundial, quando quatro arcos foram destruídos pelas tropas alemãs em retirada. Foi, porém, erguida de novo com as pedras originais em 1957.

Foto 6 - Ponte Pietra.


Não posso ainda deixar de referir outro ponto de passagem obrigatório da cidade: o Castelvecchio, que se traduz à letra por “Castelo Velho”. Este é um exemplar gótico, compacto e de decoração bastante simples, com merlões em forma de M a toda a volta do castelo e muralhas, e rodeado por um fosso que na época estaria inundado pelas águas do rio Adige. Pessoalmente, a típica construção em tijolo vermelho, empregue tanto neste castelo como em grande parte das igrejas de Verona, causou-me alguma estranheza pela aparente fragilidade deste material, quando comparada com a robustez dos nossos castelos erguidos com blocos de granito ou calcário. Garante quem sabe que estas são bastante resistentes pela forma como são estruturadas, mas nem por isso o Castelo deixou de ficar danificado por altura das Guerras Napoleónicas, pela mão das tropas francesas em retaliação à Pasque Veronesi, uma rebelião protagonizada pela população local.

Foto 7 - Castelvecchio.

A pérola deste Castelo está, porém, no seu interior, onde fica o Museu do Castelvecchio. Aqui podemos encontrar desde vestígios romanos e medievais a belíssimas pinturas e frescos dos mais notáveis artistas italianos. De visita obrigatória e com algum tempo.
As igrejas, não só em Verona como por toda a Itália, são também autênticos museus de história da arte e, ainda que sejam numerosas, valem bem a pena ser visitadas.

Foto 8 - Igreja S. Giovanni in Valle (sec. VIII).

P.S.: Não posso deixar de fazer um apontamento. Deparei-me com uma rua com este nome e pensei “Olha, queres ver que afinal também há Katanos (ou Cattaneos) em Itália??”...

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