segunda-feira, agosto 20, 2007

Por terras dos Francos IV

PONTAIX



A aldeia de Pontaix, com o seu casario junto ao rio Drome, o seu castelo medieval em ruinas (destruído por explosão durante os conflitos religiosos do Séc XIV) e o seu templo protestante outrora igreja, fica situada numa regiao de altas escarpas calcarias junto ao planalto do Vercors que encerra uma tragica historia de um massacre dos Resistentes pelas forças mecanizadas alemãs durante a II Guerra Mundial.



Em Pontaix fiquei alojado numa simpatica vivenda junto ao rio e o meu anfitriao teve a amabilidade de me fazer visitar as caves onde fabrica a sua "Clairette de Die", oferecendo-me depois um conjunto de 18 garrafas. Malta, preparem-se para as jantaradas!

O processo de fabricacao deste vinho espumante obedece a varias etapas. Em primeiro lugar, o vinho e engarrafado ainda sem ter completado a sua fermentacao, sendo as garrafas fechadas com uma carica e ficando em repouso durante 4 meses. O CO2 libertado durante a fermentacao fica assim aprisionado sendo o gas que forma as "bolhinhas" que se libertam quando abrimos a garrafa para consumo. Por outro lado, nem todo o acucar e transformado em alcool o que da ao vinho o seu teor adocicado.

4 meses depois, as garrafas sao abertas em ambiente controlado sob pressao para manterem o gas, e sao esvaziadas para se poder filtrar o vinho (que entretanto ganhou deposito) que passa por um filtro de fibras e argila. As garrafas sao entretanto lavadas e o vinho acaba por ser novamente engarrafado sendo fechado desta vez com as rolhas que nos sao familiares (tipo cogumelo) mas que, antes de serem colocadas nas garrafas, tem no seu todo exactamente o mesmo diametro. Isto ajuda a dar uma ideia da forca com que sao colocadas o que se torna necessario devido a pressao do gas contido no vinho.

DIE



A cidade de Die, a Colonia Dea Augusta Voncotorium romana, fica a poucos quilometros de Pontaix e e a capital do vinho espumante que tem o seu nome.

Aproveitei para dar um passeio pelo centro historico e tambem ao longo das muralhas que, durante pouco mais de 1km, nos fazem viajar desde a epoca romana ate ao Sec XV.

Relativamente ao sector romano das muralhas, foi interessante verificar que o enchimento dos muros contem frisos, fustes e capiteis de colunas o que permite algumas suposicoes relativamente ao contexto em que foram construidas.

Convem primeiro explicar que as muralhas eram construidas erguendo-se dois muros paralelos, de silhares de tamanho apreciavel, sendo esses muros separados por cerca de 2 metros (neste caso particular) e o espaco entre eles era depois preenchido com pedra irregular e argamassa.

Ora bem, se na epoca do auge da Pax Romana, as cidades nao tinham muralhas ou, no caso de terem, estas detinham um papel principalmente honorifico e nao tanto de defesa, as muralhas de Dea Augusta deixam adivinhar uma construcao apressada com tudo o que estava disponivel o que sugere a eminencia de uma ameaca. Barbaros? Guerra civil? Os ultimos anos do Imperio foram sem duvida conturbados.

Da epoca, podemos ainda encontrar a chamada porta de Saint Marcel, uma das entradas na cidade romana ladeada por duas torres circulares e na qual foi reaplicado um arco monumental municipal cheio de decoracoes.

CREST


Alguns dias depois iniciei a viagem para a minha proxima etapa, tendo aproveitado para, no trajecto e a relativa curta distancia de Pontaix, visitar a torre da vila de Crest.

Trata-se de uma soberba construcao que impressiona pela sua invulgar altura e trata-se do resultado da evolucao de uma fortificacao que, antes de ser castelo, comecou por ser uma torre isolada.

O monumento foi depois adaptado a prisao tendo funcionado assim ate ao Sec XIX, altura em que viria a ser abandonado. Os grafitis sobrepostos nas diversas celas sao o testemunho de muitos que aqui passaram e inclusive aqui morreram, sendo que alguns desses grafitis sao verdadeiras obras de arte.

Vale a pena subira ate ao alto da torre para admirar a vista que alcança até dezenas de quilometros em redor.

Depois de algumas horas aqui, continuei a viagem para norte ate a regiao do Franco Condado, Franch-Comte, onde me encontro desde entao.

A seguir: O Franco Condado, Verdun, Suica, Paris.

2 comentários:

blueye disse...

Estou a gostar de ler os relatos das tuas férias, porque pelo menos sempre viajo (na minha cabecinha!!). Sempre dá para esquecer o trabalho por um bocadito!!!
Continuação de boas férias!
Beijos

Nelly Caetano disse...

E finalmente...Portugal! A parte da tua viagem q eu mais gosto;)*

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