segunda-feira, junho 25, 2007

O pénis milenar e a seca do bacalhau

Desde o grupinho de mulheres que se agarrou com muito ânimo a um pénis com 1,60m de altura e bem velhinho, passando pelo São João da Rua da Cale até à suposta Festa do Bacalhau na fronteira, este foi sem dúvida um fim de semana invulgar!


O 7º Encontro FundaSão: São Rosas EnTerra Natal

O irreverente blog A FundaSão, diga-se em abono da verdade, um blog do baralho (não confundir com uma palavra muito menos coloquial), organizou o seu 7º encontro por terras da Beira, mais concretamente em redor de Caria, essa verdadeira metrópole de entre Zêzere e Côa (caro Paulo, está bem assim?).

Coube-me o grato papel de prestar algumas explicações in situ sobre a villa romana de Centum Cellas, do séc I d.C., e sobre o menir da vila do Ferro, este uma imponente representação escultórica de uma pilinha, já com 6.000 anos, tudo com uma passagem pela Quinta dos Termos onde com uma hospitalidade invulgar fomos convidados a provar alguns dos vinhos que, com grande qualidade, são produzidos aí. Não se pode ainda esquecer a bela da jeropiga made in Caria servida no Pielas Bar (espero não me ter enganado no nome), em pleno centro urbano cariense.

Já no Ferro, frente ao monumento fálico, e após manifestações efusivas que deram a entender o quanto o grupo apreciou tal representação artística, fiz uma breve descrição da história e significado do monumento mas só depois de algumas explicações sobre o imponente pilar, referindo o facto de estar em bom estado de conservação apesar da idade, notei que um indígena com cerca de 80 anos se tinha colocado frente ao monumento. Vi-me forçado a desfazer o equívoco fazendo notar que me referia ao monumento que se encontrava por trás do senhor.

Foi depois uma despedida comovente a que se seguiu... bom se calhar não foi tão comovente assim, foi mais melancólica... bom, até foi rápida... ok a malta não quis saber e meteu-se tudo no autocarro para irem ver a São Rosas em collants vermelhos!


O São João na Rua da Cale

Finda a minha participação no 7º Encontro A Funda São, fui depois para a mítica Rua da Cale, em pleno Fundão, para ainda dar (mais) uma mãozinha no arraial de São João organizada pela Cooperativa das Artes. Digo mais uma porque já durante a manhã tinha sido recrutado de forma violenta e convincente para trabalhar...

Como saldo dessa actividade matinal fui premiado com uma fuga de "Eau de Sardines" que derramou de uma caixa que continha um número apreciável destes peixinhos e que se encontrava no porta malas alcatifado do meu poderoso Caetanomobile.

No entanto, foi surpreendentemente agradável ver a rua cheia e tão animada! Superou as minhas expectativas embora me tenha feito falhar o meu objectivo de ir para casa às 23h por cerca de ... 4h!

Mas não há nada que eu não faça pela minha priminha favorita que, no final, levou demasiado à letra o ditame popular que diz que "a mulher quer-se pequenina como a sardinha". Rutinha, o ditame refere-se ao tamanho apenas, escusavas de replicar o cheiro!



A Festa (da Seca) do Bacalhau

Com o espírito recheado de antecipação e expectativa que nos dirigimos na madrugada de domingo, por volta das 11h da manhã, a Almeida, a estrela de pedra guardiã da fronteira.

O programa prometia: festas do bacalhau (que eu adoro), animações, vendas de produtos regionais, tasquinhas, restaurantes... tinha tudo para ser genial!

Isto se, ao chegarmos lá não tivéssemos constatado que, afinal, as coisas não eram bem como o anunciado. Podem chamar-me pessimista mas, quando ao chegar à zona das tasquinhas, vi todo o espaço ocupado pelo restaurante de comida brasileira Dom Papão, senti imediatamente que algo não ia correr bem.

Mais preocupado fiquei quando as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estavam todas vazias ou fechadas. Pensei cá para mim "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?". Ainda pensei em interrogar algum transeunte sobre o que se passava mas, para onde quer que olhasse só via pessoal com cara de quem estava a pensar "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?".

Depois ao ver o programa, constatámos que as actividade só começavam após as 15h. Obviamente que me senti estúpido por estar a queres visitar o que quer que fosse antes do almoço em vez de, depois de encher a barriga me arrastar pela vila sob um sol abrasador, mas que posso fazer? Achei que assim teria mais lógica mas pronto...

Ok, tudo bem, deu para descobrir um sítio com uma exposição fotográfica sobre a epopeia bacalhoeira do Argus, um navio da nossa épica frota pesqueira, mas pouco mais. O mais emocionante foi mesmo entrar no cemitério antigo da vila.

Quando à hora de almoço decidimos esquecer aquilo tudo e entrarmos num dos 3 restaurantes que tinham aderido à iniciativa, para além da tenda do Dom Papão onde me pareceu ver entrar algumas pessoas vestidas com uma toalha branca em volta da cintura e um ramo de loureiro na mão, maior foi o choque ao constatarmos que os referidos restaurantes estavam repletos!

Numa altura em que o cheiro que emanava da cozinha começava já a aproveitar uma brecha na minha fraqueza, tomámos a decisão radical de deixar em definitivo a sede de concelho e ir para Vilar Formoso tentar a sorte num dos 10 restaurantes que aí tinham também aderido ao roteiro.

Foi decidido por voto de qualidade que o restaurante escolhido seria o que tivesse o nome mais "sugestivo", tendo a escolha recaído sobre o emblemático Kat Kero, situado na rua do comércio! Em abono da verdade diga-se que valeu a pena pois a fachada do restaurante não deixa antever quer o espaço, quer a qualidade da comida (apesar das piadas que a acompanham!).

Tivemos então a oportunidade de nos deliciarmos com uma entrada de favas com toucinho e chouriço em molho envolvente e depois com um belo bacalhau à brás, um bacalhau com legumes salteados, um bacalhau com migas e um bacalhau à Kat Kero (que embora muito bom, dispensava a maionaise). Tudo isto regado com um jarro de um muito agradável vinho branco que... não tínhamos pedido! A justificação para a imposição do vinho branco foi que "diz o povo que quando a água é pura, fresca, limpa e cristalina, nada melhor que um copo de vinho".

Para finalizar, foi-nos oferecido pelo chefe um surpreendente lava-cus! Calma! Não significa isto que uma qualquer parte pudenda da nossa anatomia foi tratada em termos de higienização pelo proprietário do Kat Kero! O lava-cus é um licor caseiro de aguardente, mel, ervas aromáticas e groselha produzido pelo próprio chefe e destina-se a "lavar o cu às chavenas" sendo servido directamente nas chávenas de onde se bebeu o café.

Eis um estabelecimento que seguramente irá ter mais visitas minhas!

Para finalizar, e ali com a Espanha a 2 pés de distância, cumpriu-se mais uma vez a tradição com o abastecimento de gasóleo do lado de lá da fronteira (a 0,97 centimos o litro é uma mina!). No regresso tive o prazer, repito o prazer, de ser parado e de ter entregue os documentos do veículo a uma senhorita agente de la Guardia Civil que, diga-se em abono da verdade, reunia todas as condições para ser a nora que a minha mãe queria!



Foto ilustrativa do entusiasmo do público perante a monumentalidade do património Ferrense retirada com a devida vénia do blog d'A Funda São

4 comentários:

asp disse...

Qual é o registo do Menir no Endovelico? Procurei encontrar o registo mas com as referências que introduzi não obtive resultados.

Têm alguma ideia como é que o Menir foi parar àquele local? Pelo que sei tratou-se de uma implantação nos anos
60, de iniciativa de Veriato Simões, irmão do Dr. Duarte Simões, verdadeiro criador e fundador da UBI. Na altura, o seu pai era Presidente da Junta de Freguesia do Ferro, tenente Simões, e foi decidido pela Junta transferir um tanque em pedra para o largo criado para o mercado, bem como instalar o Menir. Não tenho a certeza do local de instalação original, mas suponho ter sido a Quinta das Rasas. Claro que esta transferência, que visava a exposição e a eventual conservação, faz perder a localização exacta da sua implantação e a realização de eventuais investigações arqueológicas no local. Claro que o Menir, para além de um símbolo de fertilidade era também, com frequência um marco para a realização de festividades e também de sinalização astronómica. Obrigado pelo esclarecimento e fico a aguardar a informação sobre a Base de Dados Endovelico.

Caetano disse...

Boas!

Acho que me revelou mais sobre o menir com o seu comentário do que aquilo que aprendi na base de dados Endovélico...

Seja como for, na referida base de dados, em http://www2.ipa.min-cultura.pt/pls/dipa/sform, para uma pesquisa mais rápida, deverá escolher "Menir" em "Tipo de sítio" e depois seleccionar o concelho da Covilhã.

Aparece como único resultado o menir da vila do Ferro.

Aproveito para agradecer também a informação adicional que forneceu no seu comentário.

nelly disse...

O Kat Kero revelou-se de facto uma surpresa, mas não tanto como a Festa da Seca d Bacalhau... O empregado/patrão tinha uma forma muito peculiar de lidar com os clientes e isso do vinho teve a sua justificação, pois, após olhar para o David, ele disse: "Trago aqui um jarro de vinho porque vocês, jovens, só bebem coca-cola"...

Isto depois de duas piadas (?) que me recuso reproduzir, mas que lá pelo meio envolveram invisuais e 6 kg de pacotes de açúcar...

Mas valeu bem a pena, sobretudo para depois andar a saltitar a fronteira:"Agora tou em espanha, agora não estou.Agora estou, agora não estou". Depois não quer esta malta que a guardia civil os mande parar...:)

São Rosas disse...

Olha que se te casares com essa agente da Guardia Civil eu quero ser a madrinha, coño!

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