domingo, junho 11, 2006

Não massacrem mais a bandeira nacional - I


Com mais uma prova internacional de futebol, desta vez o Campeonato do Mundo, assiste-se a outra explosão de patriotismo como já não víamos desde o último Europeu, com bandeiras portuguesas espalhadas um pouco por todo o lado (algumas mesmo em locais improváveis).

Já ignorando o facto de ser uma expressão de patriotismo gerada por um brasileiro (ironia!) e por motivos fúteis à qual eu definitivamente não adiro, não deixa de ser ridícula a forma como a bandeira é tratada e colocada, surgindo muitas vezes invertida quer verticalmente, quer horizontalmente.

Mais grave será contudo a interpretação que se faz dos símbolos que compõem o escudo nacional. Ainda esta manhã, num programa de rádio, ouvi um locutor anunciar que ia proceder-se à explicação do significado da simbologia da bandeira nacional e que essa explicação seria dada por uma senhora da qual já não recordo o nome, senhora essa que era membro de uma sociedade histórica qualquer.

Aumentei o volume de som do rádio e apurei o ouvido para escutar a explicação mas esta acabou por ser uma verdadeira desilusão. Os argumentos da senhora na sua explicação resumiram-se a "diz-se que", "reza a tradição que" e "conta-se que", ou seja, nada de correctamente fundamentado. No fundo, resumiu-se a repetir o que eu já estava acostumado a ouvir desde a escola primária:

Fundo vermelho e verde que, segundo esta senhora representavam "o sangue e a alegria" e a "esperança e o relâmpago" respectivamente.

Em cima deste, a esfera armilar que simboliza os Descobrimentos e o escudo nacional em cima desta, com uma bordadura vermelha com os 7 castelos que representam as localidades conquistadas por Afonso Henriques aos mouros (outros dizem que são os 7 reis mouros derrotados em Ourique por este monarca), e dentro do escudo sobre fundo branco, as cinco quinas contendo cada uma as "cinco chagas de Cristo". Os mais esmerados dizem ainda que somando as chagas todas dentro das quinas e as próprias quinas, obtemos o número de 30 que foram os 30 dinheiros pelos quais Judas traiu Cristo.

Lamentavelmente, tudo isto não passa de um grande equívoco que, nos próximos posts vou procurar desfazer de uma vez por todas.

2 comentários:

Visconde disse...

k gajo complicado...da-se!!!

Caetano disse...

Cala-te a aprende!

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