quarta-feira, março 07, 2018

As Secadeiras da Gardunha

Texto publicado no Jornal do Fundão a 1 de Março de 2018.(ver aqui

Secadeira do Carvalhal, Souto da Casa


As secadeiras são uma das construções mais tradicionais da Serra da Gardunha, e foram em tempos uma engrenagem fundamental num dos aspectos económicos mais importantes da região: a produção de castanha. Funcionaram de forma intensiva até há cerca de 30 anos, altura em que os incêndios, as pragas e o corte abusivo enfraqueceram irremediavelmente os soutos. 

Várias fontes atribuem aos romanos a responsabilidade pela introdução do castanheiro na Península Ibérica mas, na verdade, o registo fóssil prova que o Castanea sativa já existia pelo menos no Noroeste peninsular há cerca de 7.000 anos. Na Gardunha, reza a tradição que os castanheiros terão sido plantados por ordem de D. Dinis, em finais do séc. XIII, sendo que os soutos, com uma extensão de cerca de 14km, depressa assumiram um papel vital para as comunidades da Gardunha. 

É fácil perceber a importância que o castanheiro terá tido na subsistência destas comunidades, à semelhança do que acontecia nas geografias onde abundava. Para além da tão apreciada e muito nutritiva castanha, que lhe granjeou o epíteto de “árvore do pão”, o castanheiro fornecia também lenha para cozinhar e para aquecimento, madeira para construção de habitações e do seu mobiliário, matéria para fertilizar os solos, material para cestaria, alfaias agrícolas e até cajados de pastores. 

Os soutos, inicialmente pertença do rei, acabaram nas mãos de grandes proprietários que daí obtinham uma parte significativa dos seus rendimentos. A tarefa da recolha da castanha, na ordem das centenas de toneladas, cabia à população assalariada que, em seguida, levava o fruto para as secadeiras onde eram colocadas a secar. Depois de seca, grande parte da produção ficava na posse do proprietário, cabendo apenas uma pequena fracção àqueles que tinham recolhido o fruto, inicialmente um sexto ou um quinto

 As secadeiras eram construções em granito ou xisto, com telhado a uma ou duas águas, consoante a sua dimensão e organização. Possuíam dois pisos e tinham em geral apenas duas aberturas: uma porta e uma janela. Adossado às secadeiras ou nas imediações destas, era comum existir um espaço de armazenamento. Separando os dois pisos encontrava-se o “caniço”, sobre o qual eram despejadas as castanhas destinadas à secagem. Tratava-se de uma estrutura em madeira, constituída por pequenas tábuas ou “ripas”, suportadas por vigas transversais. As ripas eram espaçadas entre si o suficiente para, por um lado, não deixar cair as castanhas e, por outro lado, para permitir a passagem do calor proveniente das fogueiras do piso inferior. 

 O processo de secagem demorava de duas a três semanas, sendo realizado pelo efeito do calor de fogueiras brandas, sempre com recurso a lenha de castanheiro cujo fumo, dizem, “dava às castanhas um aroma e um paladar mais adocicado”. As fogueiras eram mantidas pela vigília constante daqueles que tinham as suas castanhas na secadeira nessa altura. Já secas, as castanhas eram depois descascadas, sendo para isso colocadas em cestos próprios onde eram pisadas fosse com tamancos de madeira ou, mais recentemente, com recurso a botas cardadas. As castanhas secas, ditas “castanhas piladas”, eram depois triadas para separar as de melhor qualidade para venda. As de menor calibre ou partidas destinavam-se ao sustento da população podendo ser cozidas ou usadas no tradicional “caldudo”. 


Distribuição das secadeiras inventariadas na Gardunha. Para referência, a Penha situa-se no canto superior direito da imagem. Fonte: Google Maps


Recentemente, dedicámo-nos a fazer o seu inventário na freguesia do Souto da Casa, tendo registado sete secadeiras. Haveria certamente mais ao redor da Gardunha. Das que constam deste inventário, a mais bem conservada é a Secadeira do Carvalhal, que em boa hora foi restaurada pela Junta de Freguesia do Souto da Casa. As restantes encontram-se todas em ruínas.

sexta-feira, março 02, 2018

A cintura fortificada de Liège - O forte de Embourg



De forma depreciativa, pelo passado bélico de séculos do seu actual território, costumava-se dizer que a Bélgica era o "Boulevard Paris-Berlim". De facto, pelas suas características, o território belga sempre foi visto como a via ideal para qualquer ofensiva francesa contra a Alemanha ou vice-versa. Após a guerra franco-prussiana de 1870-71, as autoridades belgas decidiram contrariar esta tendência e reforçar defensivamente a região ao redor de duas cidades de grande importância estratégica, Namur e Liège, com a construção de cinturas de fortes ao seu redor.

Entre 1888 e 1892, foram construídos nada mais nada menos que 12 fortes ao redor de Liège, visando trancar a região a futuras invasões. Na cidade propriamente dita, foi construído um forte imponente, a Cidadela, sendo complementado com outro forte na margem direita do Mosa: o forte de Chartreuse.

Infelizmente, como a História nos ensinou, o nível tecnológico dos fortes desta região sempre chegou com uma guerra de atraso e, quando se deu a Batalha de Liège na abertura da ofensiva ocidental alemã em Agosto de 1914, as estruturas de betão simples (não armado) não conseguiram resistir à artilharia pesada germânica. Alguns fortes foram pura e simplesmente apagados da paisagem pela artilharia, sepultando as tropas que os guarneciam.

Ainda assim, a resistência de Liège durou 12 dias, muito acima do esperado pelos alemães, que contavam com uma rápida vitória no sector, garantindo um tempo precioso para que os franceses preparassem a sua defesa. O reconhecimento deste feito mereceu a condecoração de Liège com a Legião de Honra francesa.

Antes da Segunda Guerra Mundial, alguns fortes foram reconfigurados e reapetrechados e a região militar foi reforçada com 4 novos fortes. Apesar de tudo, mais uma vez, pouca resistência conseguiram oferecer à "Wermacht".

Embora os fortes apresentem hoje estados de conservação e utilização bem diferentes, decidi percorrê-los a todos, começando arbitrariamente pelo Forte de Embourg. Os restantes serão percorridos ao longo do ano.


O Forte de Embourg

A cintura fortificada de Liège. O forte de Embourg está assinalado a azul.


O Forte de Embourg visava fechar o vale do Ourthe, no sector Sul / Sudeste. Actualmente é mantido por uma associação sem fins lucrativos que realiza visitas guiadas ao seu interior, onde aliás foi implementado um museu reputado de muito interessante.



Acesso ao forte de Embourg, com alguns vestígios de defesa passiva anti-tanque


"Blockhaus" de protecção da entrada, com abertura de tiro de canhão ou metralhadora e abertura para largada de granadas (à direita)

Infelizmente, no dia da nossa visita e ao contrário do anunciado, o forte manteve-se fechado pelo que tivemos de nos contentar com uma pequena visita à parte superior das fortificações. Felizmente, nem tudo foi mau e encontrámos à porta uma habitante local, a senhora Vin Coenen, muito envolvida na gestão do forte,  que aceitou acompanhar-nos e falar um pouco sobre Embourg.

Com Vin Coenen na entrada do forte.


O ataque alemão de 1914

Os fortes de Liège e as tropas de intervalo ofereceram uma feroz resistência ao ataque alemão de 6 de Agosto de 1914, ocorrido apesar de a Bélgica ter declarado a sua neutralidade no conflito. Perante a inesperada resistência belga, os alemães foram forçados a duplicar os efectivos envolvidos no ataque e a utilisar os seus famosos canhões "Grande Bertha", com um calibre de 420mm. Ora os fortes, como disse, tinham várias limitações, entre elas, a mais grave, o facto de terem sido construídos em betão não armado, permitindo-lhes resistir ao impacto de obuses com um calibre máximo de 210mm. Escusado será dizer que o efeito do bombardeamento contínuo foi devastador. Por outro lado, os canhões dos fortes utilisavam pólvora negra, que produzia um fumo asfixiante. Após várias horas a disparar, o ar no interior dos fortes tornava-se irrespirável.

O forte de Embourg foi bombardeado sem parar durante mais de 24h, entre 12 e 13 de Agosto, acabando por se render.

A germanofobia do pós-guerra e a heróica resistência de Liège foram bem evidenciadas pelos franceses. Assim, o café dito "Viennois" foi rebaptizado de "café Liègois", para evitar referências à capital austríaca e, por outro lado, a rua e a estação de Berlim, em Paris, foram rebaptizadas de rua e estação de Liège, respectivamente e a raça canina pastor-alemão passou a ser conhecida por pastor-belga. Finalmente, à cidade de Liège foi atribuída a Legião de Honra francesa.


O ataque alemão de 1940

O forte foi o primeiro forte de Liège a entrar em contacto com as tropas alemãs, no início da batalha da Bélgica. O forte tinha dois grupos de soldados em rotação. Vin conta-nos que o seu pai estava no destacamento em repouso na aldeia ali ao lado e que, quando chegaram as notícias do ataque, recebeu ordem para retirar para uma linha defensiva longe do forte. Este ultimo acabaria por se render 5 dias mais tarde, sem possibilidades de resistir ou receber apoio. O pai de Vin acabaria mais tarde por ser capturado em França e passou vários meses como prisioneiro de Guerra na Alemanha antes de voltar a casa.

Quanto ao forte, ocupado agora pelos alemães, foi alvo de várias obras de melhoramento para o tornar mais resistente e eficaz. O que hoje se vê é o resultado desses melhoramentos.


O acesso de infantaria no maciço central superior do forte

Posição de tiro de infantaria na parte superior do forte

Espaço anteriormente ocupado por uma cúpula de artilharia


Vista do fosso e, à direita, do maciço central do forte

Uma ligação a Portugal

Ao saber que somos portugueses, Vin exclama -"Tenho excelentes recordações dos portugueses!" e conta-nos porquê. Após o regresso do pai, acabaram por deixar a Bélgica rumo ao Congo Belga (actual R.D. do Congo) onde ficaram até ao fim do conflito, após o que decidiram regressar à Bélgica. O meio de transporte escolhido foi o barco que, por proximidade e por conselho de vários amigos, decidiram ir apanhar em Luanda, o que implicava uma viagem de carro pelo interior africano. 

Ora acontece que na fronteira os amigos que os acompanhavam foram impedidos de prosseguir, obrigando a família de Vin a continuar sozinha. A dada altura perderam-se e, chegados a uma localidade cujo nome se perdeu da memória, foram acolhidos por um casal de portugueses que os convidou a jantar e pernoitar em sua casa.

Na altura com 6 anos, Vin já não se recorda qual foi a ementa do jantar. Lembra-se apenas da sobremesa: leite creme com canela. -"Os portugueses põem canela em tudo, não é? Estava tão bom, tão bom...!".

Com as indicações certas, seguiram viagem no dia seguinte e finalmente regressaram a Liège. O pai de Vin foi reincorporado no exército e destacado para Aachen, no sector inglês da Alemanha ocupada. Do que viveu ficaram-lhe poucas memórias mas bem vivas: a cidade em ruínas e a vida que levavam no quartel. "A cidade estava toda destruída. Era horrível. Mas nós, lá no quartel vivíamos bem. Tínhamos escolas, cinema, piscina,... Eram mundos diferentes."

Despedimo-nos, com alguma frustração por não podermos visitar o interior do forte mas, ficou desde logo combinado que voltaríamos quando este estivesse aberto em permanência. Ficou muito por conhecer sobre o forte de Embourg.

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Serra da Gardunha - Um território de passagem

Nota - Este artigo serviu de base à crónica recentemente publicada no Jornal do Fundão. Apresenta-se aqui numa versão mais extensa e próxima da sua versão original.




A Serra da Gardunha contém muito mais que apenas a paisagem natural. Possui muitos outros rostos, outras materialidades que estão na base da nossa identidade cultural. Apesar de hoje a escala humana escapar à nossa percepção, a Gardunha sempre foi ao longo da História um território de intensa vivência e também de comunicação entre as comunidades das suas vertentes. Esta sua dimensão cultural humana entra nos domínios da história e da etnografia, aspectos que se refletem num rico manancial de património material e imaterial que hoje podemos encontrar ao seu redor. 

A existência de diferentes comunidades no perímetro da Gardunha, com a consequente necessidade de comunicação entre elas, e o próprio carácter de fronteira da Serra, sendo um lugar de passagem por exemplo dos caminhos da transumância, pressupunha a existência de uma rede de vias de trânsito que permitia atravessar a serra ou simplesmente servir de via de comunicação entre comunidades da própria serra. 

Se dos caminhos secundários hoje pouco resta a não ser a memória imprecisa da sua existência, quanto às vias principais o cenário é substancialmente diferente. Quem não conhece hoje a estrada romana que liga Alcongosta a Alpedrinha, com o seu sinuoso lajeado, ou a continuação desta de Alpedrinha para Castelo Novo? Trata-se de uma via notável que merece claramente ser preservada e valorizada, embora suceda precisamente o contrário já que sobre ela continuam a passar veículos motorizados, com consequências bem visíveis no seu estado de conservação e, não bastando isso, ainda no ano passado no segmento Alpedrinha-Castelo Novo foi realizada uma intervenção para benefício privado que a danificou seriamente.

Para além de outros troços de calçada antiga existentes ao redor de São Vicente da Beira e do Alcaide, outra via dita romana que é bem conhecida é a calçada que liga o santuário da Senhora da Orada, em São Vicente da Beira, até à portela denominada como “Cruz”, no limite entre esta freguesia e a do Souto da Casa. Também esta via foi alvo há alguns anos de uma intervenção de preservação muito sui generis que a escondeu dos olhares e hoje, em consequência do esquecimento a que foi votada, está já seriamente danificada em alguns locais. Esta calçada ainda assim era apenas uma parte de uma via que ligava São Vicente da Beira ao Souto da Casa, e que entre esta última localidade e a aldeia de Casal de Álvaro Pires evidencia ainda alguns segmentos de pavimento em zonas de maior inclinação, uma prática normal que se destinava a garantir que os veículos puxados por animais aí conseguissem ter tracção.

Para além da sua função de ligação entre comunidades no domínio mais terreno, algumas destas vias tinha também uma função de ligação ao sagrado, tornando-se caminhos de romaria ou peregrinação mais ou menos sazonais. Neste contexto em particular, a cartografia da antiga rede viária da Gardunha teve no ano passado uma importante contribuição por parte dos Caminheiros da Gardunha que, em conjunto com o Museu do Fundão e contando ainda com a preciosa colaboração de Mário Castro no que à interpretação e ao levantamento cartográfico diz respeito, identificaram no terreno e na quase totalidade da sua extensão, a via que ligava Castelo Novo ao antigo santuário de Nossa Senhora da Serra na Penha da Gardunha. O resultado deste trabalho foi dado a conhecer nas I Jornadas de Arqueologia e Património da Serra da Gardunha realizadas em Abril de 2017 no Fundão.


Vista SO do fraguedo da Penha, já no topo da escadaria

A fundação do santuário de Nossa Senhora da Penha, justificada por um milagre, remontará provavelmente a tempos medievais, acabando mais tarde por ser desmantelado por ordem bispal, possivelmente algures no início do século XVIII, na sequência de uma existência algo turbulenta. Durante este período, foi um importante local de romagem das comunidades ao redor da Gardunha, que para aí convergiam logo a seguir à Páscoa, embora em dias diferentes para evitar refregas decorrentes de rivalidades, como nos conta José Inácio Cardoso na sua Orologia da Gardunha. Esta tradição sobrevive actualmente em Castelo Novo, com a festa em honra de Nossa Senhora da Serra na Segunda-feira de Pascoela. Voltando à romaria anual à Penha pela vertente de Castelo Novo, para além de algumas descrições historiográficas, havia muitas dúvidas sobre qual o caminho que os romeiros seguiam para aí chegarem, dúvidas essas que agora parecem estar dissipadas com a identificação da via.



A escadaria da Penha

Esta, cuja passagem pelo sítio do Sameiro já tinha sido referenciada pelo Museu embora sem precisar a sua real extensão, parece ter servido também para transporte de carga entre a aldeia histórica e o casario mais ou menos disperso que existia no local conhecido como Barrocas do Mercado, como o demonstram as marcas de rodados que ficaram bem vincadas em algumas lajes pelo seu uso continuado. Desta derivava, a dada altura, um caminho que ascendia à Penha, num ziguezague de degraus e plataformas sucessivos ao longo de 350m, com alguns segmentos eventualmente pouco recomendáveis a quem sofre de vertigens. Dos acessos de quem vinha do Souto da Casa e Alcongosta conhecem-se hoje apenas alguns vestígios e há ainda muitas interrogações no ar.

Ora, acontece que a nefasta passagem do fogo pela Gardunha, não deixando de ser uma tragédia, deixou à vista muitos elementos de património que até agora estavam escondidos, inclusive alguns troços viários antigos que nos ajudam a ter uma ideia mais abrangente da rede de caminhos que percorriam a serra. Várias publicações na rede social da moda, o Facebook, deram conta do surgimento destes troços de calçada entre Louriçal do Campo e Alpedrinha, passando por Castelo Novo. Estamos, sem dúvida, perante uma oportunidade de ouro para proceder à identificação e inventariação desta rede de caminhos antigos. As vantagens que poderiam advir desta intervenção são por demais evidentes.


Troço da calçada Alcongosta-Alpedrinha que estava escondido e que o incêndio deixou à vista


Numa lógica de criação de valor turístico da Serra da Gardunha e com base nos inúmeros elementos patrimoniais atrás referidos, é hoje perfeitamente possível - e faz todo o sentido- criar itinerários pedestres permanentes com um fundo cultural, com uma temática que abranja tanto o património material como o imaterial, e cujo interesse consiga ir muito para além da paisagem natural. A rede viária antiga tem aqui também um papel importante na medida em que traria valor acrescentado a estes percursos. Para além deste factor de valor acrescentado, a sua integração na rede de percursos pedestres acabaria por ser também um importante factor de preservação, na medida em que contribuiria para os manter transitáveis.

Um bom exemplo de uma iniciativa nesse sentido é projecto “Gardunha Sacra”, um projecto que começou há 4 anos resultante de uma parceria entre o Município do Fundão, os Caminheiros da Gardunha e o GEGA, contando também circunstancialmente com o contributo de várias colectividades e instituições do perímetro da Gardunha, e que procurou definir um percurso ao redor da serra ligando os lugares sagrados de certa forma esquecidos através da rede de caminhos antigos. Esta iniciativa termina a sua primeira fase no próximo mês de Março, numa caminhada que vai ligar Alcongosta ao Fundão, avançando depois para o patamar seguinte em que se vai trabalhar no sentido de tornar o percurso permanente, associando-lhe não só publicações de suporte e divulgação como ainda meios para tornar possível que todo o percurso possa ser feito de forma autónoma sem perder o seu cunho pedagógico.

Adicionalmente, agora que a real extensão desta rede viária começa aos poucos a ser conhecida, muitos dos actuais percursos pedestres homologados poderiam e deveriam ser desviados quando possível para as vias antigas, retirando-as dos “estradões” contemporâneos nas quais foram sinalizadas. Enquadram-se perfeitamente neste contexto por exemplo a Rota da Penha, a Rota de Alpreade e até o troço do Caminho de Santiago que, apesar de ser considerado um caminho cultural histórico, atravessa a Gardunha por intermédio de um moderno, exigente e descontextualizado estradão. Seria sem dúvida mais interessante se o fizesse por calçadas antigas, seguindo certamente desta forma mais fielmente os passos dos antigos peregrinos.

Valorizar os elementos patrimoniais materiais existentes ao longo do percurso seria também uma possibilidade, destacando-os e disponibilizando informação sobre eles. Tomando como exemplo a via romana entre Alcongosta e Alpedrinha, com pouco esforço se poderia dar destaque às interessantes lagaretas escavadas na rocha existentes junto à portela ou colocar em evidência as marcas de trabalho existentes nas rochas ao longo da via, marcas essas que nos dão pistas sobre onde e como foram obtidas as lajes com que foram feitos a calçada e respectivos muros de suporte.



Marcas de trabalho de extracção de pedra certamente para abertura de passagem e pavimentação da via.




Uma das lagaretas situadas junto à via Alcongosta-Alpedrinha


As soluções para pôr tudo isto em prática existem e não é preciso inventar nada. Basta saber seguir os bons exemplos. Depois, é só uma questão de sabermos capitalizar aquilo que é o factor crucial de diferenciação, que é a conjugação do nosso património natural com o património cultural material e imaterial. A receita é bem simples: basta saber valorizar o que é nosso e que define, ao fim e ao cabo, a nossa identidade enquanto filhos da Serra da Gardunha.


quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Peculiaridades arquitectónicas de Liège

Num artigo anterior, referi que Liège tinha sido devastada várias vezes ao longo da sua História, a última delas durante a 2ª Guerra Mundial. Num dos próximos artigos irei falar sobre isso mas, para já, o que interessa é que com este passado atribulado, sobra hoje pouco das construções medievais da cidade.

No último fim-de-semana decidi ir esticar as pernas pelas ruas de Liège, à descoberta dos seus contrastes e particularidades. Comecei na Praça da Ópera e passei sucessivamente pela ilha de Outremeuse, bairro de Guillemins e regressei pelo centro histórico da cidade numa volta simpática de cerca de 9km.

Aquilo que foi perfeitamente perceptível é que a maioria das construções datam do século XVIII em diante, embora seja possível encontrar alguns exemplares mais antigos. Mas estas construções evidenciam bem o fulgor económico da cidade, a "Cidade Ardente" como é chamada, e o grande crescimento da mesma ao longo dos últimos 200 anos.

No entanto, entre inúmeros pormenores houve um que me chamou a atenção e que se encontra em praticamente todas construções do século XIX e início do século XX ou, pelo menos, nas menos modestas. Praticamente todas as construções deste período têm em comum as mesmas características e que se podem ver nas fotografias seguintes: uma abertura ao nível do solo, um respiradouro na escadaria de acesso à porta ou perto dela e um elemento que ao início me intrigou e que em geral consiste numa cavidade com um elemento metálico proeminente.





A abertura ao nível do solo servia para despejar carvão para aquecimento das casas, ou não se gabasse Liège de ser sede da região onde se descobriu pela primeira vez a hulha, ou carvão betuminoso, que possibilitou a Revolução Industrial. Os respiradouros estão associados à mesma cave para a qual o carvão era despejado e queimado e estarão certamente nesse local para permitir a entrada de oxigénio no compartimento.




Por último, o terceiro elemento remete para uma época em que as ruas estavam cheias de lama, inúmeras obras e testemunhavam um intenso tráfego de carros de tracção animal: trata-se dos "décrotteurs", literalmente os "tira-bostas".






Estes elementos encontravam-se não só à entrada das residências mas também dos edifícios públicos e permitiam a quem trouxesse as botas sujas com lama ou com o resultado do escape dos carros de tracção animal que ia ficando no chão. Claro que os mais ricos também podia simplesmente recorrer a um "décrotteur" como eram chamados os engraxadores, que não só engraxavam as botas como também removiam o que estava a mais nas solas.

Hoje em dia passam quase despercebidos sendo que a grande maioria já perdeu o seu elemento metálico e, pelo que pude perceber, muita gente desconhecce hoje o seu propósito original. No entanto são elementos arquitectónicos bastante interessantes que existem numa grande variedade de formas, mais ou menos normalizadas e que ainda hoje são capazes de dar bom jeito aos transeuntes que não costumam olhar para o chão que pisam.


















quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Não, a lei que permite a entrada de animais em restaurantes não é o 1º sinal do fim do Mundo.

Imagem tirada daqui

"Após o ribombar das trombetas celestes, o chão irá fender-se derramando sobre a terra legiões de animais famintos e sarnosos que irão invadir os restaurantes, condenando à fome e à intromissão de pêlos, em partes insuspeitas e recônditas do corpo, todos os seres humanos aí presentes.

É desta forma que é encarada nas redes sociais, esse lugar de indignações instantâneas e seguidistas, quiçá com algum exagero da minha parte, a perspectiva da entrada em vigor da lei que irá permitir a entrada de animais de companhia em estabelecimentos de restauração

A receita é sempre a mesma: a aquisição de informação fica-se pela leitura do título de uma notícia, na maior parte das vezes já inquinada por uma certa dose sensacionalismo e falta de rigor, com vista a obter "cliques", e de pronto se faz a sua partilha, juntando-lhe uma série de palavras "robustas", plenas de indignação.

Nas redes sociais, parece que as pessoas perderam a capacidade de ter um certo nível de pensamento crítico e, pior ainda, parecem ter perdido a capacidade para debater assuntos com alguma urbanidade. Basta uma opinião contrária à de alguém para este último desfilar um rol de adjetivos pouco abonatórios dirigidos a quem ousou discordar. Os exemplos são mais que muitos e poderão ter a ver com a sensação de impunidade e protecção que é dada por estarem escondidos por um ecrã.

Depois, no que diz respeito às leis, há sempre um argumento de contraditório que teima em vir à superfície: “Tanta coisa tão importante para legislar e perdem tempo com estas coisas!”. Um bom exemplo disto é a onda indignação geral, com um certo teor de islamofobia, é certo, que se gerou perante inúmeras iniciativas de ajuda a refugiados, que fugiam à guerra na Síria. O argumento principal era que “em vez de se ajudarem os sem-abrigo, estamos a trazer estas pessoas para viverem às nossas custas!”. Então muito preocupadas com os sem-abrigo, seria interessante averiguar quantas destas pessoas se mexeram desde então para os ajudar ou até, sendo picuinhas, quantas delas desviam o olhar quando passam por eles na rua para evitar dar umas moeditas.

Também parece generalizada a ideia de que a Assembleia da República dedicou dias inteiros das suas sessões à aprovação desta lei o que não pode estar mais longe da verdade. Basta ir consultar a documentação disponível no site da Assembleia da República para perceber isso, em vez de nos ficarmos com os pacotes sintéticos de indignação instantânea do Facebook.

Caros concidadãos, se acham que há coisas mais importantes MEXAM-SE! Criem petições, aborreçam os deputados que elegeram para a Assembleia da República. Não fiquem sentadinhos à espera que as mudanças caiam do céu. A cidadania, não se esqueçam, não se esgota nas mesas de voto. É, pelo contrário, um exercício que deve praticado ao longo de um período de 4 anos. Mas adiante.


O que diz afinal a lei que foi aprovada?

Voltando ao tema de abertura, o que diz afinal a lei que foi aprovada na sequência de uma proposta do PAN? 

Não, também não é isto que vai acontecer:



e não, também não vai ser o apocalipse da invasão animal com a chegada dos 4 binómios cinotécnicos do apocalipse como está a ser pintado. 



Em termos gerais, deixa de proibir taxativamente a entrada de animais de companhia em espaços de restauração, excepção feita a cães-guia como até agora acontecia, conferindo aos proprietários a prerrogativa da escolha de permitirem ou não essa entrada.

Ainda assim:

- Essa permissão ou não será dada a conhecer mediante a afixação de um dístico na entrada dos estabelecimentos (como acontecia com a permissão ou não de fumadores). Na ausência do dístico assume-se que a entrada é permitida;

- Os proprietários podem definir um limite de animais dentro do estabelecimento;

- Os animais terão de estar presos com trela curta, não podendo circular livremente

- O proprietário pode definir uma área específica para a permanência de animais em vez de permitir a sua presença em todo o espaço


Percebido? Espalhem a palavra!

Ah! Já agora, senhores donos de animais, porque há regras de civismo que são de observância obrigatória, não tentem aproveitar-se desta lei alegando que agora ninguém pode proibir a entrada de animais. Também será conveniente que os cães estejam treinados para não terem comportamentos que incomodem as restantes pessoas e animais. As regras de civismo aplicam-se a todos embora em Portugal muitas vezes tenha tristemente de ser imposto por lei.


quarta-feira, fevereiro 07, 2018

3 semanas e várias ameaças depois, eis a neve!

Depois de ter assistido a várias ameaças, a última das quais no passado Domingo (recordar aqui), desta vez nevou a sério sobre Liège e com reforçada intensidade na área onde trabalho, que fica a pouco menos de 300m de altitude mas, ainda assim, claramente acima da cota da cidade, que se fica por uns modestos 60m.

O habitual trajecto entre a empresa e a paragem onde apanho o autocarro para regressar a Liège fez-se desta vez num cenário radicalmente diferente. Se a zona já é bonita, pelos bosques de bétulas, faias e pinheiros silvestres que rodeia as estradas e as vivendas dispersas, agora com o branco da neve ficou-o ainda mais.

A neve não interrompeu o trânsito mas condicionou-o fortemente, o que tornou a normal meia-hora de viagem numa hora. Partilho aqui alguns dos "bonecos" de ontem registados entre a zona alta do Sart Tilman e o centro de Liège.

Olhando para trás, a EVS estava com este aspecto



A estrada do Parque Científico



Pormenor de um dos bosques



A recta entre o Parque Científico e a Igreja de Sart Tilman



Um caminho que desemboca na estrada



Uma das muitas vivendas que ladeiam o acesso ao Parque Científico



Pormenor de um dos vários jardins



A Igreja do Sart Tilman, um dos cenários de uma encarniçada batalha em 1914.



A Ópera Real da Valónia com a estátua de Grétry, um grande compositor nascido em Liège no século XVIII



Olhando na direcção da Catedral de Liège

terça-feira, fevereiro 06, 2018

O maior e mais antigo mercado da Bélgica

Vista parcial d'O Marché de la Batte

Se queremos conhecer o carácter e a identidade de um local, é indispensável visitar os mercados locais e, no caso de Liège, essa máxima aplica-se - e de que maneira!-. 

Todos os Domingos, entre as 8h00 e as 14h30 na margem esquerda do rio Mosa, realiza-se o "Marché de La Batte", o grande mercado da cidade. Este mercado é o maior e mais antigo de todo o território belga e um dos mais importantes da Europa, tendo começado a ser realizado em 1561.

Estende-se ao longo de cerca de um quilómetro mas articulado em duas vias paralelas, ou seja, se quisermos percorrer todas as barraquinhas, num total de cerca de 350 vendedores fixos e cerca de meia-centena mais de vendedores ocasionais, será necessário caminhar um total de 2km! Estima-se também que seja visitado anualmente por quase 5 milhões de pessoas.

As duas vias paralelas que formam o mercado



Banca de especiarias. Há de tudo um pouco e inclusive oferecem um cartão-cliente que permite usufruir de ofertas e descontos após um determinado volume de compras.



O mercado diante do grande museu Curtius, um dos museus mais emblemáticos da cidade. A oferta museal irá merecer um artigo dedicado.


O mercado sob a neve no último Domingo, aqui junto a uma das pontes sobre o Mosa


Neste mercado encontra-se de tudo um pouco e sem nenhum tipo de organização ou agrupamento em função do tipo de produto, desde alimentos a vestuário, passando por produtos de higiene e beleza, electrónica, livros, produtos de cozinha, aves (de canários a galinhas), roulottes de alimentação asiática ou fast-food, entre outros, por vezes numa apresentação que, não deixando de ter excelente aspecto, provocaria arrepios a alguns membros mais púdicos da nossa ASAE. Também é curioso ver o nível de requinte de alguns pontos de venda, nomeadamente de queijo, carne ou peixe, que têm um sistema de senhas para atendimento por ordem de chegada.

Apesar de pela cidade existirem muitas lojas de venda de legumes e fruta, vir a este mercado já faz parte da minha rotina, dado que por pouco mais de 10€ consigo mantimentos suficientes para uma semana. O percurso começa sempre com uma paragem na mini-banca que vende o melhor e mais barato café de Liège, apenas 0,90€, e termina, já com as compras feitas, com uma passagem por uma das barraquinhas de alimentação para comer algo à vista do Mosa e das suas pontes. Só é preciso ter cuidado com alguma pomba ou gaivota mais atrevida.

A melhor banca de todas! Café expresso a 0,90€!



Uma das muitas bancas de frutas e legumes



Outra banca de frutas e legumes que permite levar 3 sacos à escolha por apenas 5€. O senhor do gorro mostrou toda a sua capacidade de cativar o público ao pôr as crianças todas a entoar o seu pregão.


Facto digno de registo: quando o mercado chega ao fim e os feirantes partem, pouco ou nenhum lixo fica espalhado, bem pelo contrário. Fica tudo devidamente acondicionado em sacos que depois são recolhidos pelos serviços de limpeza. Um bom exemplo a ser seguido.


Flores de mimosa a bom preço!

Para mim foi a banca que mais me chamou a atenção, por aquilo que a planta representa em Portugal. Nela, uma senhora equipada a condizer, vendia ramos de flores de mimosa e produtos de higiene e beleza com extracto de mimosa. Não resisti à curiosidade e perguntei quanto custavam os ramos de flores: grandes a 5€ e pequenos a 3€. Para quem quiser cultivar a planta, também estavam à venda em pequenos vasos.



segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Primeiras impressões de Liège

Praça de São Lamberto, o local onde nasceu a cidade de Liège e que hoje é dominado pelo palácio dos príncipes-bispos. No canto inferior direito é possível ver o memorial das vítimas do atentado de 13 de Dezembro de 2011 durante o mercado de Natal.


A primeira semana em Liège foi algo estranha já que durante esse tempo nunca consegui ver a cidade durante o dia. O facto de trabalhar a mais de 7km do centro de Liège e de começar às 8h30, obrigava-me a apanhar um autocarro por volta das 7h40, antes do nascer do Sol, regressando já depois do pôr-do-Sol. Entretanto, 4 semanas depois, a luz do dia já dura mais uma hora do que há 3 semanas atrás, e a diferença começa a fazer-se sentir de forma notória.

Foi preciso, na sequência do que disse atrás, esperar pelo fim-de-semana seguinte para poder explorar a cidade à luz do dia e aprender algo sobre ela. A primeira constatação desse fim-de-semana foi que o café é em geral vendido a um preço bem puxadinho. Felizmente, andando pelas ruas deu para perceber que nem tudo é mau na cidade e as pessoas até gostam de comunicar. As primeiras frases que me foram dirigidas pelos transeuntes foram, por esta ordem, "Desculpe, tem uns trocos que me possa dispensar?", "Não tens por aí uma mortalha a mais?" e "Desculpe incomodar mas percebe alguma coisa de rum? Tenho de comprar uma garrafa mas não sei qual será o melhor."



Organização da cidade

Apesar da sua história milenar, não sobra muita coisa dos primeiros tempos da cidade e, no centro histórico, quase todos os edifícios são posteriores ao século XVI. Isto é fruto de uma história tumultuosa ao longo da qual a cidade foi destruída várias vezes, a última das quais durante a II Guerra Mundial. Sobre isto falarei em próximos artigos.

Sendo banhada pelo rio Mosa (Meuse em francês e Maas em holandês) a cidade deve muito daquilo que é hoje ao rio. A própria organização urbana da cidade foi definida pelo Mosa. Se recuarmos até aos primórdios da Idade Média, a zona à volta do núcleo onde se desenvolveu a cidade ainda era uma área pantanosa onde se espraiavam vários braços do rio. Muitas das ruas da actual Liège seguem escrupulosamente o curso de alguns desses braços que, ao longo dos séculos, foram sendo aterrados e transformados em vias de circulação terrestre.

Comparação entre um mapa da área de Liège no final da presença romana exposto no museu Curtius e o mapa actual de Liège via Google Maps

À volta do centro histórico de Liège, desenvolvem-se bairros com diferentes identidades. Os mais característicos serão provavelmente o bairro Hors-Chateau (literalmente, "fora do castelo"), com os seus típicos e bem bonitos becos sem saída, e o bairro de Outremeuse (literalmente "Ultra Mosa", "Além do Mosa") situado na grande ilha no meio do rio e que se intitula a si próprio como República Livre de Outremeuse.

Vista do bairro de Outremeuse, a partir do centro histórico de Liège


Falando novamente do centro de Liège, ao andar pelas ruas, fica-se com a nítida sensação que a cidade está em processo de renovação. Muitas casas devolutas do centro estão a ser recuperadas e vários espaços estão a ser devolvidos à fruição dos cidadãos. Parece que há uma nova cidade a tomar lentamente o lugar antes ocupado por outra menos interessante. Infelizmente, durante a noite é complicado perceber os detalhes arquitectónicos por força da falta de iluminação ou da sua pouca eficácia no que diz respeito ao evidenciar de edifícios mais importantes. 

Não me pareceu apesar de tudo uma cidade insegura, pelo menos nas zonas em que já caminhei. Houve até uma altura em que fiquei bem impressionado quando, ao entrar em áreas de ruas mais estreitas a deambulações tantas, as senhoras que ali estavam àquela hora da noite me dirigiam todas um cordial "Boa noite" pontuado com um sorriso.

Em termos de limpeza, encontra-se pouco ou nenhum lixo pelas ruas. As pessoas parecem respeitar escrupulosamente essa regra básica de civismo e, a ajudar, encontram-se papeleiras e contentores, estes uns cones muito engraçados com as cores da cidade, um pouco por todo o lado. As ruas ficam sim cheias de lixo no dia da recolha semanal de lixo doméstico. Então as pessoas deixam os seus sacos à porta, amarelos para lixo indistinto e azuis para garrafas de plástico, embalagens tipo PET e embalagens metálicas. Cada zona tem o seu próprio dia para recolha e os sacos, com o símbolo da cidade vendem-se em qualquer supermercado, sendo que para os cidadãos residentes em Liège são gratuitos.



Falando das lojas, os horários também se estranham ao início. No que diz respeito ao comércio dito "tradicional", a abertura é em geral entre as 8h00 e as 8h30 da manhã e o fecho entre as 18h00 e as 18h30. Só os supermercados do tipo "Carrefour Express" se mantêm abertos até às 20h00, e destes há às dezenas. Para lá disso, é sempre possível recorrer às lojas de conveniência geridas por asiáticos que, essas, fecham muito mais tarde. Ao Domingo, as lojas abrem embora num horário mais reduzido mas, nesse dia, vale mesmo a pena fazer compras no grande mercado junto ao rio mas sobre ele publicarei um artigo em breve. Bem o merece.

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