segunda-feira, novembro 25, 2013

PR13 - Na Rota das Faias em Manteigas


A Rota das Faias (PR13) é um dos 16 percursos pedestres de pequena rota do concelho de Manteigas, vila situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na entrada do impressionante Vale Glaciar do rio Zêzere. Na sequência de um convite feito pela Eulália no decurso da caminhada ao Açor (ver aqui), juntámo-nos a um animado grupo e fomos à descoberta do colorido outonal das faias daquele belíssimo recanto da Estrela.

Foi muito gratificante voltar a ver algumas caras conhecidas, e ver mesmo algumas pela primeira vez fora das redes sociais e, apesar do frio que em alguns troços do percurso se fez sentir, a beleza paisagística justificou -e de que maneira!- a viagem até Manteigas por uma estrada do tipo "curva à direita, vomita à esquerda".

Aqui ficam alguns instantâneos da jornada:


O primeiro olhar para Manteigas, ponto de partida da caminhada. Foi aproximadamente nesta altura que alguém que não vou identificar (e que não foi a Nelly) lançou a pergunta "Falta muito?".



A valente representação do Fundão equipada a rigor para o frio que se fazia sentir, com destaque para o tapa-orelhas usado pela Nelly. Isto prova que, mesmo numa caminhada exigente, é possível ter apontamentos de moda de extremo bom gosto [comentário patrocinado].



Bermas decoradas em tons outonais e tapete de alta qualidade no caminho. Sem dúvida um percurso gourmet.



A "pedreira dos preguiçosos". Apesar da foto não dar essa sensação, a inclinação era bastante acentuadada (esta foto quase valeu um torcicolo) e ficámos com a sensação que bastaria retirar uma pedra do fundo para ter automatica e gratuitamente direito às restantes pedras da rampa. 



Enquanto o resto do grupo admirava a folhagem das árvores, um camarada em particular mantinha os olhos colados ao chão. A avaliar pelo volume do saco há um belo magusto em perspectiva.

Um encontro com o Sr. José (e não João como se teimou em chamá-lo), uma simpatia de pessoa, pastor de profissão, e já um velho conhecido de muitos elementos do grupo. Enquanto o diálogo decorria animado, o seu pequeno cão saltitava à nossa volta o que levou o Sr. José (e não João) a pedir-nos que não levássemos o cão pois era fazia boa companhia à sua esposa.



Rumo à luz! A última subida a sério do trilho.



Porque isto de pisar folhas chega a ser cansativo, parte da representação de Trancoso aproveita para fazer uma pausa antes de prosseguir.


Com a motivação renovada por uma goma daquelas que se colam à placa, prosseguimos por uma avenida de faias. Foi por esta altura que começaram a surgir uns belos espécimes micológicos à nossa volta.


Micologia, parte 1 - Uma Ramaria (espécie concreta ainda por determinar).



Micologia, parte 2 - Macrolepiota procera, algo fora de época.



Micologia, parte 3 - Boletus edulis, nota 20 de comestibilidade, tal como o anterior.




Secção do trilho que passa por um pequeno carvalhal já praticamente despido de todas as folhas.



Pausa para merenda no posto de vigia. O remate do repasto foi feito com uma jeropiga de altíssima qualidade.



Jiboiar  - Acto de permanecer imóvel em situação de exposição ao Sol e em aparente estado de sonolência, com o intuito de facilitar a digestão. 



Uma casa de campo devidamente equipada com antena parabólica e painéis solares, porque o sossego não implica falta de condições de conforto!



Já quase de regresso a Manteigas, um último olhar para a encosta onde horas antes tínhamos passado.

terça-feira, novembro 19, 2013

Um cogumelo do... katano

Há cogumelos, como este provável Cortinarius traganus, que têm uma certa piada quando admirados de um ponto de vista diferente. "E come-se?" perguntam vocês. A resposta é não, já que pode dar chatices. O melhor mesmo é comê-lo só com os olhos.



segunda-feira, novembro 18, 2013

Depois do Míscaros, fomos aos míscaros

Logo pela manhã, a Estrela parece estar a ser vigiada de perto por naves espaciais. Terão vindo admirar o primeiro nevão deste Outono?

Inspirado pela noite anterior no festival Míscaros, na aldeia do Alcaide, decidi dar um saltinho ao pinhal mais próximo para recolher mais alguns cogumelos para o jantar micológico entre amigos que se avizinha. Se há coisa que gosto de fazer no Outono, isso é sem dúvida passear pela paz das florestas aqui à volta e apanhar aquelas pequenas ofertas coloridas da natureza. Por outro lado, detesto chegar a um pinhal e ficar com a sensação que fui precedido por 300 javalis enraivecidos, que reviraram tudo, deixando atrás de si um cenário desolador.

Infelizmente, há recoletores que deixam o civismo em casa quando saem para o campo e, para além de deixarem o solo da floresta em pantanas (até a sachos recorrem!), dão-se ao luxo de arrancar e atirar para o lado os cogumelos que não lhes interessam, não pensando que aquelas espécies podem interessar a quem vier depois. Isto demonstra também um alto nível de ignorância no que diz respeito à importância dos fungos no contexto florestal. Muitos fungos são micorrízicos, isto é, ajudam a fixar nutrientes e água nas raízes das árvores, ajudando ao seu desenvolvimento. 

Ainda assim, no meio da devastação, foi possível encontrar alguns exemplares em muito bom estado e, usando roteiros alternativos, depressa enchi a cesta. O resto do tempo foi passado a identificar e fotografar alguns cogumelos bem fotogénicos, desde o míscaro amarelo até outras espécies que possuem a característica de permitirem que a pessoa que os consuma inadvertidamente saiba, com elevada precisão, quanto tempo tem de vida, geralmente não menos de 6 dias e não mais de 15. 


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre


Um Cortinarius cuja espécie não identifiquei, talvez um Cortinarius armillatus. A cortina não deixa dúvidas quanto ao género.


Russula sardonia. Não é um cogumelo comestível mas, se a provarem (e deitarem fora!) vão constatar que é bastante picante.


Lactários, Sanchas, Raivacas ou Lactarius deliciosus para os amigos. No final da jornada descobri que, para além de salteados, também ficam muito bem quando grelhados e rematados com uns grãos de sal e um fio de azeite.


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre outra vez


Sob um castanheiro, encontrei um pequeno "prado" de Ramarias, embora não tenha identificado a espécie. Não coincidem com as ramárias comestíveis que conheço e o tamanho é bastante reduzido.

Outro exemplar da mesma Ramaria.

sexta-feira, novembro 15, 2013

Vamos aos "Míscaros"?


E depois do Açor e das castanhas, é agora a vez da aldeia do Alcaide e dos cogumelos, não apenas daqueles que emprestam o nome ao festival . De resto, já se sabe: animação, tasquinhas, iniciativas gastronómicas, passeios micológicos, artesanato,... O melhor mesmo é porem-se já a caminho. Como sempre acontece, funcionará entre o Fundão e o Alcaide um serviço de autocarro para que ninguém seja obrigado a trazer o carro. É só para não haver problemas de estacionamento, obviamente.

Começa já hoje e, escusado será dizer, é mais uma festa imperdível!






No ano passado foi assim:




Encontramo-nos por lá?



quinta-feira, novembro 14, 2013

Assim foi a Mostra de Artes e Sabores da Maunça

Terminou em grande mais uma Mostra de Artes e Sabores da Maúnça que, durante o último fim-de-semana, fez da pequena aldeia do Açor o centro de todas as atenções. Mais uma vez, a festa não defraudou as expectativas e, pese embora a distância e o relativo isolamento da aldeia, vale sempre a pena -e de que maneira!- ir até lá.

As "hostilidades" tiveram início ainda no Sábado à noite, com um delicioso jantar na tasquinha do grande "Ti Tó", que serviu em quantidade e qualidade maranhos, chanfana e ainda uns belos bifinhos com castanhas, tudo devidamente rematado com um original pudim de castanha (e que bom que estava!) e com uma panóplia de licores. 

No Domingo de manhã, para recuperar da noite anterior, juntámo-nos a um simpático e animado grupo, no qual reencontrámos algumas caras bem conhecidas, para uma caminhada de 5km de regresso ao Açor. Foi um trilho que proporcionou algumas imagens de encher o olho, alguns momentos de aventura e agradáveis momentos de conversa que versaram sobre tudo um pouco, inclusive as invasões francesas que fazem parte da memória colectiva das gentes da Maúnça e estão intimamente ligadas a locais como a Eira dos Três Termos (onde existe um fenómeno) ou o sítio dos Valados.






Após o belo almoço na sede da associação local, impôs-se nova ronda pela aldeia, em busca das tasquinhas mas não só. Pelas ruas cheias de grande animação e de cheiros que parecem chamar por nós, o destino estava já definido: ir à procura do pão acabadinho de sair do forno e das filhoses feitas por mãos sabedoras, herdeiras do saber de incontáveis gerações.









Antes da despedida, e porque finalmente a encontrámos aberta, visitámos a casa-museu local. Trata-se de uma casa de habitação tradicional que foi recuperada mantendo o seu figurino original, com divisões minúsculas, uma cozinha com lareira ao centro e um banco corrido de madeira junto às paredes. Enquanto comentávamos aquilo que víamos, a senhora que tomava conta do local partilhou connosco: "É pequena não é? Custa a crer que uma mãe criou aqui 7 filhos. Uns dormiam no quarto, outros na "loja"... Olhe, era onde calhava, mas criaram-se."


Chegada a hora da despedida, optámos por regressar a pé pelo caminho através do qual tínhamos chegado de manhã, aproveitando para recolher alguns quilos de castanha e cogumelos ao longo do percurso. 

Fecha-se o capítulo do Açor, deixando já o encontro marcado para o próximo ano, e abre-se agora a contagem decrescente para o festival "Míscaros", que tem início já depois de amanhã. Vamos a isso?

sexta-feira, novembro 08, 2013

Maúnça 2013 - Que ninguém se atreva a faltar!


Tem hoje início a 13ª "Mostra de Artes e Sabores da Maúnça", certame onde a castanha assume um papel de destaque mas não só. As ruas e caves da aldeia do Açor, bela terra feita de gente hospitaleira, irão animar-se com cores, aromas e sons que prometem um fim-de-semana em grande.

Para aguçar o apetite, partilho aqui uma amostra do que foram as últimas edições:





acor11


acor4

acor7

quarta-feira, novembro 06, 2013

terça-feira, novembro 05, 2013

Em Malta, Portugal está em todo o lado!

Se perguntarmos o que têm em comum Malta e Portugal, aos mais desavisados possa ocorrer a resposta "Brucelose!". Embora essa seja uma resposta à qual eu não posso ficar indiferente, uma vez que cheguei a padecer dessa maleita durante alguns segundos (recordar aqui), ela não poderia estar mais longe da realidade. Na verdade, uma das coisas que mais nos surpreendeu em Malta foi a quantidade de alusões a Portugal, fruto da importância do nosso rectângulo na História deste arquipélago, que chegou a ter inclusive alguns governantes de nacionalidade portuguesa.  


Uma história que começa no século XIII

Desde a sua fundação como Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Jerusalém, a Ordem dos Cavaleiros de São João (de Malta) teve "apenas" 79 Grão Mestres. Nesta lista surgem 4 portugueses, sendo o primeiro D.Afonso de Portugal (no séc. XIII quando a sede da Ordem era ainda na Palestina), filho bastardo de D. Afonso Henriques. Desta lista de portugueses, aquele que mais relevância ganhou, sendo ainda hoje recordado na toponímia e em alguns monumentos de Malta, foi D.António Manoel de Vilhena (podem admirá-lo no retrato ao lado), Grão-Mestre entre 1722 e 1736.

Durante a sua governação, fomentou activamente a fortificação de Malta, enquadrando-se na "febre paranóica" que se seguiu ao Grande Cerco de 1565 e que transformou por completo o arquipélago. A ilha Manoel, junto a Valletta, é disso um bom exemplo, tendo herdado o nome do Grão-Mestre. Já agora, convém recordar que a capital maltesa foi também ela construída com um contributo avultado de 30.000 cruzados por parte do "nosso" D.Sebastião.

Vista da fortaleza da Ilha Manoel, junto a Valletta.

Ironicamente, como as pedras pouco valem sem os homens, quando o ainda general Napoleão chegou a Malta no final do século XVIII, a população acolheu-o como libertador, já que os Cavaleiros da Ordem se tinham tornado extremamente impopulares e eram vistos como opressores, e Malta entregou-se praticamente sem resistência. O pior viria depois.

Mas nem só de fortificações se ocupou Manoel de Vilhena. Teve ainda tempo para mandar construir o Teatro que ainda hoje tem o seu nome, o Teatro Manoel, e que é nem mais nem menos o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento. Realizou ainda várias obras de vocação caridosa. Tendo começado na sua governação a construção do subúrbio de Floriana, mandou que aí se construísse uma casa de acolhimento para mulheres solteiras pobres e outra para doentes incuráveis

Esquina do Teatro Manoel, o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento.



Sempre prontos a incomodar Napoleão!

No contexto da ocupação napoleónica, tal como aconteceria mais tarde em Portugal, os franceses anunciaram-se à população local em 1798 como libertadores. Bem acolhidos pelos malteses, tomaram o arquipélago praticamente sem resistência mas cedo começaram a mostrar que a promessa de liberdade era apenas uma ilusão.

Ora, sendo por natureza um povo temperamental, os malteses não acharam piada à ideia de trocar um opressor por outro, ainda por cima estrangeiro a viver à grande e à francesa, e revoltaram-se em massa,  depressa circunscrevendo os franceses à zona de Valletta.

Ao apelo maltês por ajuda internacional responderam os ingleses e... Portugal! Uma esquadra portuguesa foi despachada de Lisboa sob o comando de D.Domingos Xavier de Lima, Marquês de Nisa, tendo bloqueado os franceses em Valletta, fornecendo ao mesmo tempo armas e oficiais aos desorganizados revoltosos. A acção do Marquês, ignorando mesmo a dada altura as ordens do regresso da esquadra a Lisboa, foi fundamental para o sucesso da revolta, tendo merecido palavras de elogio dos malteses e ainda do Almirante Nelson. Uma lápide descerrada nos Upper Barrakka Gardens de Valletta, em 2008, é o símbolo desse reconhecimento.

Em Malta ficaram os ingleses, tendo abandonado o arquipélago apenas em 1964! 

Como uma Pedra de Roseta dos tempos modernos, este memorial trilingue recorda o papel dos portugueses na revolução maltesa que resultou na expulsão das forças napoleónicas, abrindo caminho ao estabelecimento da soberania britânica sobre o arquipélago. 


O Albergue de Castela (e Portugal, já agora).

A Ordem dos Cavaleiros Hospitalários era uma organização multinacional. Para harmonizar o seu funcionamento, dividiu-se a sua estrutura em agregações baseada nas línguas faladas pelos seus membros. As Langues (Línguas) como ficaram conhecidas essas agregações, eram inicialmente 8, tantas quanto as pontas da  Cruz de Malta, sendo cada uma delas responsável por um determinado aspecto de gestão da Ordem (Finanças, Justiça, Defesa, etc...). Inicialmente as línguas eram a Língua da Provença (França), a Língua da Alvérnia (Auvergne, em França), a Língua de França, a Língua de Itália, a Língua da Alemanha, a Língua de Aragão, a Língua de Inglaterra e a Língua de Castela e Portugal.

Cada uma destas Línguas tinha a sua própria sede em Valletta, os Albergues, para que aí ficassem alojados os membros da Ordem que não tivessem residência própria em Malta. O mais imponente destes edifícios é precisamente o Albergue de Castela (e Portugal), cuja construção se iniciou em 1574, 6 anos antes da efectivação da união política filipina de Portugal e Espanha. Na fachada vêem-se lado a lado as armas portuguesas e espanholas, sem dúvida uma declaração política que transcendia a própria Ordem de Malta.

O magnífico Albergue de Castela, antiga residência dos Cavaleiros da Língua de Castela e actual residência do Primeiro-Ministro de Malta, ostenta na fachada as armas portuguesas. Vejamos um pouco mais de perto. 


Lado a lado, as armas de Castela de Portugal.

O Albergue de Castela impressionou quem passou (e ainda hoje quem passa) por Malta após a sua construção, tendo sido escolhido para quartel-general das forças francesas e, após a expulsão destas, do governo inglês de Malta. Actualmente é a residência oficial do Primeiro-Ministro maltês.


Elementos dispersos

Para além da toponímia e da monumentalidade, encontrámos outros elementos avulsos que aludem de forma directa ou indirecta a Portugal. Aqui ficam dois exemplos.

Em Malta, existe o hábito generalizado de baptizar as casas, um pouco à semelhança daquilo que por cá se vê esporadicamente por aí. Junto às portas de entrada das casas, é frequente avistar-se uma pequena placa de cerâmica mais ou menos elaborada, com o nome da casa. Neste expositor há um portuguesismo que salta à vista. 


Este é um exemplo perfeitamente tendencioso e só para quem percebe do jogo da bola. Embora indirectamente, ninguém pode dizer que isto não faz parte da História do desporto português, pois não?

Retrato de António Manoel de Vilhena: Wikipédia

domingo, novembro 03, 2013

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