Há cogumelos, como este provável Cortinarius traganus, que têm uma certa piada quando admirados de um ponto de vista diferente. "E come-se?" perguntam vocês. A resposta é não, já que pode dar chatices. O melhor mesmo é comê-lo só com os olhos.
terça-feira, novembro 19, 2013
Um cogumelo do... katano
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segunda-feira, novembro 18, 2013
Depois do Míscaros, fomos aos míscaros
Logo pela manhã, a Estrela parece estar a ser vigiada de perto por naves espaciais. Terão vindo admirar o primeiro nevão deste Outono?
Inspirado pela noite anterior no festival Míscaros, na aldeia do Alcaide, decidi dar um saltinho ao pinhal mais próximo para recolher mais alguns cogumelos para o jantar micológico entre amigos que se avizinha. Se há coisa que gosto de fazer no Outono, isso é sem dúvida passear pela paz das florestas aqui à volta e apanhar aquelas pequenas ofertas coloridas da natureza. Por outro lado, detesto chegar a um pinhal e ficar com a sensação que fui precedido por 300 javalis enraivecidos, que reviraram tudo, deixando atrás de si um cenário desolador.
Infelizmente, há recoletores que deixam o civismo em casa quando saem para o campo e, para além de deixarem o solo da floresta em pantanas (até a sachos recorrem!), dão-se ao luxo de arrancar e atirar para o lado os cogumelos que não lhes interessam, não pensando que aquelas espécies podem interessar a quem vier depois. Isto demonstra também um alto nível de ignorância no que diz respeito à importância dos fungos no contexto florestal. Muitos fungos são micorrízicos, isto é, ajudam a fixar nutrientes e água nas raízes das árvores, ajudando ao seu desenvolvimento.
Ainda assim, no meio da devastação, foi possível encontrar alguns exemplares em muito bom estado e, usando roteiros alternativos, depressa enchi a cesta. O resto do tempo foi passado a identificar e fotografar alguns cogumelos bem fotogénicos, desde o míscaro amarelo até outras espécies que possuem a característica de permitirem que a pessoa que os consuma inadvertidamente saiba, com elevada precisão, quanto tempo tem de vida, geralmente não menos de 6 dias e não mais de 15.
Míscaro amarelo / Tricholoma equestre
Um Cortinarius cuja espécie não identifiquei, talvez um Cortinarius armillatus. A cortina não deixa dúvidas quanto ao género.
Russula sardonia. Não é um cogumelo comestível mas, se a provarem (e deitarem fora!) vão constatar que é bastante picante.
Lactários, Sanchas, Raivacas ou Lactarius deliciosus para os amigos. No final da jornada descobri que, para além de salteados, também ficam muito bem quando grelhados e rematados com uns grãos de sal e um fio de azeite.
Míscaro amarelo / Tricholoma equestre outra vez
Sob um castanheiro, encontrei um pequeno "prado" de Ramarias, embora não tenha identificado a espécie. Não coincidem com as ramárias comestíveis que conheço e o tamanho é bastante reduzido.
Outro exemplar da mesma Ramaria.
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sexta-feira, novembro 15, 2013
Vamos aos "Míscaros"?
E depois do Açor e das castanhas, é agora a vez da aldeia do Alcaide e dos cogumelos, não apenas daqueles que emprestam o nome ao festival . De resto, já se sabe: animação, tasquinhas, iniciativas gastronómicas, passeios micológicos, artesanato,... O melhor mesmo é porem-se já a caminho. Como sempre acontece, funcionará entre o Fundão e o Alcaide um serviço de autocarro para que ninguém seja obrigado a trazer o carro. É só para não haver problemas de estacionamento, obviamente.
Começa já hoje e, escusado será dizer, é mais uma festa imperdível!
No ano passado foi assim:
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quinta-feira, novembro 14, 2013
Assim foi a Mostra de Artes e Sabores da Maunça
Terminou em grande mais uma Mostra de Artes e Sabores da Maúnça que, durante o último fim-de-semana, fez da pequena aldeia do Açor o centro de todas as atenções. Mais uma vez, a festa não defraudou as expectativas e, pese embora a distância e o relativo isolamento da aldeia, vale sempre a pena -e de que maneira!- ir até lá.
As "hostilidades" tiveram início ainda no Sábado à noite, com um delicioso jantar na tasquinha do grande "Ti Tó", que serviu em quantidade e qualidade maranhos, chanfana e ainda uns belos bifinhos com castanhas, tudo devidamente rematado com um original pudim de castanha (e que bom que estava!) e com uma panóplia de licores.
No Domingo de manhã, para recuperar da noite anterior, juntámo-nos a um simpático e animado grupo, no qual reencontrámos algumas caras bem conhecidas, para uma caminhada de 5km de regresso ao Açor. Foi um trilho que proporcionou algumas imagens de encher o olho, alguns momentos de aventura e agradáveis momentos de conversa que versaram sobre tudo um pouco, inclusive as invasões francesas que fazem parte da memória colectiva das gentes da Maúnça e estão intimamente ligadas a locais como a Eira dos Três Termos (onde existe um fenómeno) ou o sítio dos Valados.
Após o belo almoço na sede da associação local, impôs-se nova ronda pela aldeia, em busca das tasquinhas mas não só. Pelas ruas cheias de grande animação e de cheiros que parecem chamar por nós, o destino estava já definido: ir à procura do pão acabadinho de sair do forno e das filhoses feitas por mãos sabedoras, herdeiras do saber de incontáveis gerações.
Antes da despedida, e porque finalmente a encontrámos aberta, visitámos a casa-museu local. Trata-se de uma casa de habitação tradicional que foi recuperada mantendo o seu figurino original, com divisões minúsculas, uma cozinha com lareira ao centro e um banco corrido de madeira junto às paredes. Enquanto comentávamos aquilo que víamos, a senhora que tomava conta do local partilhou connosco: "É pequena não é? Custa a crer que uma mãe criou aqui 7 filhos. Uns dormiam no quarto, outros na "loja"... Olhe, era onde calhava, mas criaram-se."
Chegada a hora da despedida, optámos por regressar a pé pelo caminho através do qual tínhamos chegado de manhã, aproveitando para recolher alguns quilos de castanha e cogumelos ao longo do percurso.
Fecha-se o capítulo do Açor, deixando já o encontro marcado para o próximo ano, e abre-se agora a contagem decrescente para o festival "Míscaros", que tem início já depois de amanhã. Vamos a isso?
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sábado, novembro 09, 2013
A imagem do fim-de-semana: macrolepiota procera lusitana
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sexta-feira, novembro 08, 2013
Maúnça 2013 - Que ninguém se atreva a faltar!
Tem hoje início a 13ª "Mostra de Artes e Sabores da Maúnça", certame onde a castanha assume um papel de destaque mas não só. As ruas e caves da aldeia do Açor, bela terra feita de gente hospitaleira, irão animar-se com cores, aromas e sons que prometem um fim-de-semana em grande.
Para aguçar o apetite, partilho aqui uma amostra do que foram as últimas edições:

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quarta-feira, novembro 06, 2013
Uma foto para inspirar a tarde
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terça-feira, novembro 05, 2013
Em Malta, Portugal está em todo o lado!
Se perguntarmos o que têm em comum Malta e Portugal, aos mais desavisados possa ocorrer a resposta "Brucelose!". Embora essa seja uma resposta à qual eu não posso ficar indiferente, uma vez que cheguei a padecer dessa maleita durante alguns segundos (recordar aqui), ela não poderia estar mais longe da realidade. Na verdade, uma das coisas que mais nos surpreendeu em Malta foi a quantidade de alusões a Portugal, fruto da importância do nosso rectângulo na História deste arquipélago, que chegou a ter inclusive alguns governantes de nacionalidade portuguesa.
Uma história que começa no século XIII
Desde a sua fundação como Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Jerusalém, a Ordem dos Cavaleiros de São João (de Malta) teve "apenas" 79 Grão Mestres. Nesta lista surgem 4 portugueses, sendo o primeiro D.Afonso de Portugal (no séc. XIII quando a sede da Ordem era ainda na Palestina), filho bastardo de D. Afonso Henriques. Desta lista de portugueses, aquele que mais relevância ganhou, sendo ainda hoje recordado na toponímia e em alguns monumentos de Malta, foi D.António Manoel de Vilhena (podem admirá-lo no retrato ao lado), Grão-Mestre entre 1722 e 1736. Durante a sua governação, fomentou activamente a fortificação de Malta, enquadrando-se na "febre paranóica" que se seguiu ao Grande Cerco de 1565 e que transformou por completo o arquipélago. A ilha Manoel, junto a Valletta, é disso um bom exemplo, tendo herdado o nome do Grão-Mestre. Já agora, convém recordar que a capital maltesa foi também ela construída com um contributo avultado de 30.000 cruzados por parte do "nosso" D.Sebastião.
Vista da fortaleza da Ilha Manoel, junto a Valletta.
Ironicamente, como as pedras pouco valem sem os homens, quando o ainda general Napoleão chegou a Malta no final do século XVIII, a população acolheu-o como libertador, já que os Cavaleiros da Ordem se tinham tornado extremamente impopulares e eram vistos como opressores, e Malta entregou-se praticamente sem resistência. O pior viria depois.
Mas nem só de fortificações se ocupou Manoel de Vilhena. Teve ainda tempo para mandar construir o Teatro que ainda hoje tem o seu nome, o Teatro Manoel, e que é nem mais nem menos o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento. Realizou ainda várias obras de vocação caridosa. Tendo começado na sua governação a construção do subúrbio de Floriana, mandou que aí se construísse uma casa de acolhimento para mulheres solteiras pobres e outra para doentes incuráveis.
Esquina do Teatro Manoel, o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento.
Sempre prontos a incomodar Napoleão!
No contexto da ocupação napoleónica, tal como aconteceria mais tarde em Portugal, os franceses anunciaram-se à população local em 1798 como libertadores. Bem acolhidos pelos malteses, tomaram o arquipélago praticamente sem resistência mas cedo começaram a mostrar que a promessa de liberdade era apenas uma ilusão.
Ora, sendo por natureza um povo temperamental, os malteses não acharam piada à ideia de trocar um opressor por outro, ainda por cima estrangeiro a viver à grande e à francesa, e revoltaram-se em massa, depressa circunscrevendo os franceses à zona de Valletta.
Ao apelo maltês por ajuda internacional responderam os ingleses e... Portugal! Uma esquadra portuguesa foi despachada de Lisboa sob o comando de D.Domingos Xavier de Lima, Marquês de Nisa, tendo bloqueado os franceses em Valletta, fornecendo ao mesmo tempo armas e oficiais aos desorganizados revoltosos. A acção do Marquês, ignorando mesmo a dada altura as ordens do regresso da esquadra a Lisboa, foi fundamental para o sucesso da revolta, tendo merecido palavras de elogio dos malteses e ainda do Almirante Nelson. Uma lápide descerrada nos Upper Barrakka Gardens de Valletta, em 2008, é o símbolo desse reconhecimento.
Em Malta ficaram os ingleses, tendo abandonado o arquipélago apenas em 1964!
Como uma Pedra de Roseta dos tempos modernos, este memorial trilingue recorda o papel dos portugueses na revolução maltesa que resultou na expulsão das forças napoleónicas, abrindo caminho ao estabelecimento da soberania britânica sobre o arquipélago.
O Albergue de Castela (e Portugal, já agora).
A Ordem dos Cavaleiros Hospitalários era uma organização multinacional. Para harmonizar o seu funcionamento, dividiu-se a sua estrutura em agregações baseada nas línguas faladas pelos seus membros. As Langues (Línguas) como ficaram conhecidas essas agregações, eram inicialmente 8, tantas quanto as pontas da Cruz de Malta, sendo cada uma delas responsável por um determinado aspecto de gestão da Ordem (Finanças, Justiça, Defesa, etc...). Inicialmente as línguas eram a Língua da Provença (França), a Língua da Alvérnia (Auvergne, em França), a Língua de França, a Língua de Itália, a Língua da Alemanha, a Língua de Aragão, a Língua de Inglaterra e a Língua de Castela e Portugal.
Cada uma destas Línguas tinha a sua própria sede em Valletta, os Albergues, para que aí ficassem alojados os membros da Ordem que não tivessem residência própria em Malta. O mais imponente destes edifícios é precisamente o Albergue de Castela (e Portugal), cuja construção se iniciou em 1574, 6 anos antes da efectivação da união política filipina de Portugal e Espanha. Na fachada vêem-se lado a lado as armas portuguesas e espanholas, sem dúvida uma declaração política que transcendia a própria Ordem de Malta.
O magnífico Albergue de Castela, antiga residência dos Cavaleiros da Língua de Castela e actual residência do Primeiro-Ministro de Malta, ostenta na fachada as armas portuguesas. Vejamos um pouco mais de perto.
Lado a lado, as armas de Castela de Portugal.
O Albergue de Castela impressionou quem passou (e ainda hoje quem passa) por Malta após a sua construção, tendo sido escolhido para quartel-general das forças francesas e, após a expulsão destas, do governo inglês de Malta. Actualmente é a residência oficial do Primeiro-Ministro maltês.
Elementos dispersos
Para além da toponímia e da monumentalidade, encontrámos outros elementos avulsos que aludem de forma directa ou indirecta a Portugal. Aqui ficam dois exemplos.
Em Malta, existe o hábito generalizado de baptizar as casas, um pouco à semelhança daquilo que por cá se vê esporadicamente por aí. Junto às portas de entrada das casas, é frequente avistar-se uma pequena placa de cerâmica mais ou menos elaborada, com o nome da casa. Neste expositor há um portuguesismo que salta à vista.
Este é um exemplo perfeitamente tendencioso e só para quem percebe do jogo da bola. Embora indirectamente, ninguém pode dizer que isto não faz parte da História do desporto português, pois não?
Retrato de António Manoel de Vilhena: Wikipédia
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domingo, novembro 03, 2013
A imagem do fim-de-semana
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quinta-feira, outubro 31, 2013
Blatter vs Ronaldo e as prioridades dos portugueses
A polémica gerada pelas declarações de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo tem dominado a opinião pública portuguesa esta semana, substituindo até -imagine-se!- o desCarrilhamento do casamento de Bárbara Guimarães como tema de conversa nos espaços públicos privilegiados de tertúlia, desde o café da esquina ao salão da cabeleireira mais próximo.
Sinceramente, não percebo o porquê de tamanha indignação. É certo que, tendo o cargo que tem, Blatter deveria ter sido mais comedido na sua intervenção e não ter demonstrado preferência por um jogador em detrimento de outro. Contudo, não acho que tenha sido uma intervenção merecedora de tamanha onda de indignação e, aqui entre nós que ninguém nos lê, não só concordo com algumas das coisas que ele disse, como até achei piada à situação. Quem não gostaria de ter Messi como filho? Eu gostava e até estou a pensar em adoptá-lo, em prol de uma velhice tranquila e remediada. Se não conseguir, posso sempre tentar o Ronaldo, vá, para que não me acusem de traidor da Pátria.
Voltando à polémica, no calor da indignação ninguém se apercebeu do descabido que foi o conteúdo da resposta de Ronaldo, ao dizer que aquelas declarações tinham sido uma mostra da consideração que a FIFA tem por si, pelo seu clube e pelo seu país. Eu pergunto: onde é que está implícita a referência ao Real Madrid e a Portugal, a não ser no ego do próprio Ronaldo? Pessoalmente, como português que sou, não me senti minimamente atingido. Joseph Blatter limitou-se a fazer a sua apreciação pessoal em relação a dois praticantes do jogo da bola. Ponto final.
O que é certo é que toda a gente, consciente ou inconscientemente, decidiu cavalgar a onda da indignação, através de reacções em forma de vídeos, textos, petições e espaços nas redes sociais exigindo a cabeça de Blatter. A celeuma tornou-se até matéria de Estado e não me admirava nada que, após o repúdio manifestado pelo Governo através do ministro da presidência Marques Guedes, o próximo passo venha a ser um implacável e contundente pedido de desculpas à FIFA através de Rui Machete.
Tenho de facto enormes dificuldades em compreender as prioridades dos meus concidadãos. Os angolanos dizem que não passamos de uns invejosos, que as nossas elites são corruptas e incompetentes e qual é o resultado? Como portugueses que se prezem e salvo um ou outro disparo acidental para o ar, não só ficamos quietinhos e calados como, ainda por cima, o nosso Governo pede-lhes desculpa. Agora quando se trata do CR7, alto e pára o baile! É o toque a rebate, é o pegar em forquilhas e archotes para salvar a Pátria e contra a FIFA marchar, marchar!
Adenda
Foto: O Provocador
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