quarta-feira, agosto 07, 2013

E eis que ultrapassámos o meio milhão de visitas!

A todos os visitantes habituais, visitantes acidentais, trabalhadores desocupados, improváveis apreciadores do estilo de publicação que por aqui se pratica e outros não tão apreciadores quanto isso, bem dizentes e mal dizentes, ao Sócrates e ao Relvas que tanta inspiração deram a este local, o meu MUITO OBRIGADO!

Para assinalar este registo histérico, perdão, histórico, e numa manobra descarada para continuar a ter visitantes regulares, o Blog do Katano irá atribuir um fabuloso prémio ao visitante nº 728.426! 


segunda-feira, agosto 05, 2013

MANIFESTAÇÃO Contra a tourada SangriAgosto

A Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão decidiu que no cartaz da edição 2013 do festival SangriAgosto deveria constar uma tourada. A associação de uma tourada ao nome Sangria foi ironicamente cruel. A introdução de um elemento socialmente fracturante, num evento que deveria fomentar a união da população, foi irresponsável. 

De imediato gerou-se uma onda de contestação que tornou esta tourada tão incómoda, a ponto de a própria ACICF recusar agora assumir a paternidade da ideia, tendo inclusive alegado que o facto de o seu nome aparecer nos cartazes como único organizador do evento se dever a... um erro tipográfico! Agora temos a originalidade da realização de uma tourada que ninguém organiza. Ao telefone, recusam-se a dar respostas. Aos e-mails respondem com o silêncio. Se estão tão convictos de que se trata de um evento benéfico para o Fundão, porque mostra este medo? 

A petição, contra este evento estranho à matriz das tradições do Fundão, continua a ser assinada e já ultrapassou as 1500 assinaturas mas a ACICF recusa-se a reconhecer o seu erro e vai mesmo levar a tourada avante. 

Ao contrário da ACICF, vamos provar que não temos medo de dar a cara e é por isso que lá estaremos, no próximo dia 10 de Agosto pelas 17h, junto ao local onde a tourada se vai realizar. Vai ser uma manifestação pacífica, não lhes vamos dar nenhum pretexto para a vitimização, mas vamos lá estar! Vamos mostrar-lhes que somos contra este espectáculo bárbaro e eles não vão poder ignorar esse facto. 

Vamos dizer-lhes, olhos nos olhos, "Estamos aqui!"


sexta-feira, agosto 02, 2013

Tourada SangriAgosto - Um tremendo erro tipográfico de casting

Na sua edição do passado dia 1 de Agosto, o Jornal do Fundão dá grande destaque à polémica gerada em torno da realização de uma tourada no Fundão, integrada no cartaz do festival anual SangriAgosto. Exposição de argumentos e polémica à parte, aquilo que se retira deste artigo é um facto inusitado: ninguém assume a organização desta tourada! O Fundão, cidade que vinha lutando por passar uma imagem de progresso e inovação, pode estar aqui no limiar de uma fantástica inovação, a do primeiro evento realizado por geração espontânea. É sem dúvida um facto digno de registo.

Nos cartazes, a informação é taxativa: "Organização: ACICF". Tanto nos primeiros como nos que depois foram afixados agora com a referência ao apoio da Vinolive, empresa que chegou a ser apontada como a organizadora do evento mas que também o negou ao JF, declarando estar convencida que a responsabilidade da organização era mesmo da ACICF. Ao Jornal do Fundão, o presidente da ACICF, Rogério Hilário, afirmou tratar-se de... "um erro tipográfico"!

Os contactos telefónicos tidos com a ACICF também não ajudam a trazer luz a esta matéria, isto de acordo com algumas pessoas que ligaram para a ACICF e com as quais depois troquei impressões. 

Por exemplo, uma pessoa que ligou para a ACICF a 27 de Julho para apurar quem era o organizador relatou que "disseram que o organizador, é o director da associação comercial e que a acif só está a apoiar o evento!" (sic).

A mesma pessoa ligou esta semana e, ao perguntar se iria mesmo haver tourada, dada a contestação à mesma, terá sido tranquilizada com o argumento de que "tudo estava tratado e licenciado"! A versão quanto ao organizador era agora diferente. Este não foi agora revelado mas a ACICF assumiu-se como colaborante em tudo, respondendo por ele e tendo colaborado na logística, nas licenças, nos seguros e na publicidade. É pois legítimo perguntar: se a ACICF não organiza, o organizador faz o quê afinal? Só recebe o dinheiro?

Quem ligou para dar voz à sua contestação teve menos sorte. Isso mesmo relatou uma pessoa que ligou por estes dias e a quem foi dito que "por ordens superiores, não respondiam por telefone a questões sobre a tourada e que todas as perguntas deveriam ser enviadas por e-mail". Espero que não se tenha dado ao trabalho de escrever esse e-mail pois eu próprio enviei um à ACICF no passado dia 26 de Julho e ainda aguardo resposta. Parece-me a mim que solicitar que as questões sejam colocadas por e-mail não passa de pois de uma forma diplomática de despachar estas pessoas incómodas.

Ao tremendo erro de marketing que foi a inclusão desta tourada no festival SangriAgosto, a ACICF parece querer juntar uma desastrosa estratégia de relações públicas, que só serve para minar ainda mais a sua imagem perante o público.

Perante isto e dado que tem, segundo fonte da CMF, assinado toda a documentação entregue neste processo, aquilo que parece é que a ACICF não esperava esta onda de contestação à sua iniciativa e tem agora receio em assumi-la como sua. Continuar a negar que é organizadora e manter a tese de ser apenas "facilitadora do processo administrativo" (sic) não faz sentido algum.

Todo este mistério está a deixar-me intrigado, de tal forma que tenho receio até de nem conseguir ter a paz de espírito necessária para usufruir plenamente do habitual almoço de fim-de-semana em casa dos meus facilitadores de processo germinativo, facilitadores de processo de formação académica e ainda facilitadores do processo de herança de imóveis. Falo dos meus pais, obviamente.

terça-feira, julho 30, 2013

Arte urbana (daquela a sério!)

Pausa na tourada para falarmos de arte. Neste caso de duas obras de arte que decoram uma rua menor, quase um beco, encontrado completamente ao acaso numa deambulação em Glasgow, durante o mês passado. Quase de imediato, dei por mim a pensar na quantidade de telas que se encontram espalhadas pelo meu Fundão, disfarçadas de paredes feias.



domingo, julho 28, 2013

Tourada SangriAgosto - E-mail enviado ao presidente da ACICF

Ao ter conhecimento que a Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão assumia sozinha a organização da tourada e a sua inclusão no programa do festival SangriAgosto, embora tenha ouvido noutras fontes que se tratou de uma proposta de um particular, assumindo portanto uma atitude unilateral, à revelia dos restantes parceiros da organização do festival SangriAgosto, questionei abertamente esta situação na página Facebook da instituição. De forma reiterada, limitaram-se a ignorar as minhas questões, atitude que não se coaduna com a transparência e frontalidade com que uma instituição desta importância devia pautar a sua linha de acção.

Sendo assim, enviei um e-mail dirigido a Rogério Hilário, presidente da ACICF que aqui reproduzo:

Exmo Sr Presidente da ACICF, Dr Rogério Hilário

Já várias vezes coloquei as mesmas questões na página Facebook da ACICF mas a resposta tem sido apenas o ignorar das minhas interpelações, atitude que não se coaduna com o comportamento esperado por uma instituição que age de boa fé e à luz da transparência. Sendo assim, decidi entrar em contacto consigo por esta via, para finalmente procurar obter as respostas que pretendo.

Enquanto cidadão do Fundão fiquei estarrecido ao ser confrontado com a realização de uma tourada da responsabilidade da ACICF e, pior ainda, integrada no festival SangriAgosto, um festival do qual eu tinha até agora a melhor das impressões, tendo inclusive tido a oportunidade de o exprimir publicamente no ano passado. O SangriAgosto 2012 foi sem dúvida um sucesso e por esse facto, felicito-o. Já a "originalidade" da inclusão de uma tourada no SangriAgosto deste ano é uma completa inversão da imagem do SangriAgosto, alterando por completo a conotação do próprio nome do festival.

É para mim profundamente decepcionante assistir à entrada do nome da cidade do Fundão na negra lista das cidades onde ainda se pratica este espectáculo bárbaro e sangrento, espectáculo esse que não se coaduna em nada com a imagem de uma cidade virada para o futuro que o Fundão tem procurado construir. 

Por outro lado, o argumento comum de justificação das touradas, de que se trata de uma tradição, não colhe no Fundão. A tourada é completamente estranha à matriz das tradições desta cidade.

A tourada ainda não começou, Senhor Presidente, mas a primeira e mais profunda estocada já foi dada, ferindo de morte o festival SangriAgosto (infeliz coincidência de nome!) e denegrindo no processo o Festival Cale, que acontece em simultâneo. A responsabilidade disso recai sobre si, Senhor Presidente, enquanto organizador da tourada.

Sabe certamente o Senhor Presidente que as touradas têm vindo a ser proibidas em regiões de tradições tauromáquicas pela consciencialização que se tem tomado da barbárie que lhes está inerente. A evolução de mentalidades permitiu aí a percepção que uma tourada não é mais do que um aglomerado de sessões contínuas de tortura de animais para simples diversão. Que valores morais pode uma tourada transmitir? Que é legítimo torturar animais para nossa própria diversão?

Só num país como o nosso é que se penalizam os maus tratos a animais e, ao mesmo tempo, se permite a continuação das touradas mas, em pleno século XXI, a mais de 2.000 anos de distância da génese das touradas nas bem tradicionais arenas romanas, era de esperar que o bom-senso das figuras públicas, que como o Senhor Presidente ocupam cargos de responsabilidade, permitisse compensar as lacunas e contradições da lei. Puro e utópico engano. 

É por isso, e mais uma vez, ao abrigo da minha qualidade de cidadão do Fundão, que sente e ama a sua cidade, que lhe pergunto a si directamente e à luz daquilo que entendo ser a missão da ACICF:

O que tem a ver uma tourada com a dinamização do centro antigo do Fundão?

De que forma vai beneficiar o comércio tradicional do Fundão? 

Em que estratégia de promoção do nome do Fundão se insere esta iniciativa? 

Porque avançaram para a realização da tourada quando já sabiam à partida que esta iria ser fracturante e provocar divisões no seio da população do Fundão, contrariando por completo o papel agregador do SangriAgosto?

Fico pois a aguardar as suas respostas Senhor Presidente, pois entendo que enquanto fundanense tenho direito a elas. Eu e todos os cidadãos que não concordam com esta tourada.

E já agora, porque ainda vai a tempo, espero que ponha a mão na consciência e tome as necessárias diligências no sentido de corrigir aquilo que foi sem dúvida uma tremenda precipitação da sua parte.

Despeço-me com cordiais cumprimentos

David Caetano

Se quiserem também expressar o vosso repúdio por esta iniciativa, poderão usar os seguintes contactos da ACICF:

Morada:
Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão
Rua Dr. Teodoro Mesquita, 37
6230-355 Fundão

Telefones: 275 773 380 e 275 752 167

Fax: 275 773 664

E-mail da ACICF é acicf@acicf.pt

Petição contra a realização de touradas no Fundão

A petição on-line contra a realização de touradas no Fundão já conta, na altura em que escrevo estas linhas, com mais de 1080 assinaturas. São mais de 1080 pessoas que dão a cara, que não concordam com a realização deste triste espectáculo e com a associação do nome da cidade do Fundão a ele.

É preciso continuar a divulgá-la através de todos os meios possíveis para que, amanhã, quando esta for entregue ao Presidente da Câmara Municipal do Fundão, o número de signatários seja impossível de ignorar.

O link da petição é este: 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=sangriagosto . 

Ao assinarem, o sistema irá automaticamente enviar um e-mail contendo o link de confirmação no qual deverão clicar. Só assim a assinatura será válida.

Vamos a isso!

Entretanto, e com a devida vénia, partilho aqui um comentário deixado pelo Sr Jerónimo Augusto, um apoiante desta causa, na página da petição:

"É com profunda mágoa que recebo esta notícia. Há quarenta e dois anos que o Fundão é para mim um local obrigatório por razões turísticas e culturais. Não posso deixar de evocar, por exemplo, a bela festa dos Chocalhos, os Encontros de Pastores, a Festa da Cereja, entre outras, verdadeiras jornadas culturais, que fazem do Fundão uma cidade de valores, voltada para o futuro, e por isso por mim aconselhada aos amigos e conhecidos, aos quais ofereço CD´s dos eventos atrás evocados, para que se desloquem até ao Fundão e Alpedrinha, no sentido de viverem aquelas salutares jornadas, verdadeiros exemplos de modernidade e visão de futuro. Chocar-me-ia, profundamente, ver a cidade do Fundão, a retroceder nos seus objectivos de progresso, ao organizar um espectáculo sanguinário, retrógrado e inferior ( uma tourada ), o que seria retroceder à Roma de (37), com Lucius Domitius Nero Claudius, em cuja arena (Coliseu ) se realizavam aqueles espectáculos de triste memória .Porém, estou certo que o Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Dr. Paulo Alexandre Bernardo Fernandes, não vai ( pelo que de si conheço ), deixar que a sua cidade seja manchada pelo sangue de animais inocentes que são, cobarde e gratuitamente, sacrificados por mera diversão que em nada contribui para o bom nome e prestígio de uma cidade como o Fundão. Aproveito para apresentar ao Senhor Dr. Paulo Fernandes, os meus melhores cumprimentos."

quarta-feira, julho 24, 2013

São estas "pequenas" coisas que dão sentido ao que eu faço

Ao fechar o dia de ontem, deparei-me com uma mensagem enviada através do Facebook por um antigo aluno, com o qual já não falava há algum tempo. Conhecemo-nos no ano em que dei a disciplina de Sistemas de Informação na Ensiguarda, a escola profissional da Guarda, e desde cedo demonstrou que se tratava de um excelente aluno e de uma excelente pessoa. Esta mensagem, dedicada à minha ínfima contribuição para o seu percurso académico, é bem representativa da sua dimensão enquanto ser humano:

"Deixo aqui uma mensagem, Sou oficialmente licenciado em engenharia informática.  Tenho boa memoria... ainda me lembro das primeiras linhas de código que criei, foi com ajuda do professor, incentivando e dizendo dicas pelo (antigo) msn. 


Passaram 7 anos, sim já 7 anos... aprendi imensas coisas, evoluí, mas sem dúvida que o professor teve um papel muito importante em todo este processo. As vezes o primeiro passo é que é mais difícil... o professor foi realmente um bom professor que tive. 


P.S.: deixo aqui este desabafo, que se fosse professor também gostava que um aluno me dissesse tais coisas, passado tanto tempo. "


Apesar de, no preciso momento em que terminava de ler a mensagem, ter ficado com a sensação que havia um sacana de um gnomo escondido no escritório (quase de certeza no armário dos dossiers) a cortar cebolas, senti-me de alma cheia. São estas pequenas coisas que dão todo o sentido ao que eu faço! 


segunda-feira, julho 22, 2013

Tourada no Fundão. Vai haver Sangue em Agosto


Já tinha ouvido boatos mas, não encontrando nada que os sustentasse, acabei por esquecê-los. A realização de uma tourada no Fundão era uma ideia descabida e estranha às tradições da cidade. Um evento desses não era compatível com a ideia de uma cidade que se quer modernizar, em equipamentos mas sobretudo em ideias, que quer mostrar ao exterior o seu desejo de evoluir e romper com conceitos obsoletos e estagnantes. Só podia ter sido um mal entendido.

Foi por isso que hoje, ao pegar pela primeira vez num folheto de divulgação do festival SangriAgosto 2013, fiquei estarrecido ao ler nele que os boatos afinal se confirmavam. O festival deste ano conta no seu programa com a "1ª Grande Corrida de Toiros", colocando o nome da cidade do Fundão no rol das localidades que promovem o degradante espectáculo de tortura para diversão dos espectadores (e para encher os bolsos de vários barões que só em 2011 obtiveram perto de 10M€ em subsídios estatais).

Aqui, no entanto, não há sustentação para o motivo fictício invariavelmente invocado de se estar a procurar manter a tradição, uma vez que o Fundão não tem tradição tauromáquica, sobrando aquilo que realmente move quem organiza as touradas: fazer dinheiro.

Hoje, pela primeira vez na vida, tenho vergonha em dizer que sou do Fundão, a  cidade que não se vergou à Inquisição mas cujas instituições acolhem agora, de braços abertos, esta prática retrógrada e sangrenta. Tenho de perguntar: como se enquadra no sistema de valores morais pelo qual se regem aqueles que aplaudem cada ferro cravado com êxito, a ideia de que é legítimo torturar animais por diversão e ainda vale a pena pagar para assistir a isso?

Como ética e moralmente não posso compactuar com eventos que promovam touradas, decidi este ano boicotar qualquer iniciativa ligada ao SangriAgosto (tascas, espectáculos musicais, etc..) e convido todos aqueles que não concordam com a realização desta tourada no Fundão a fazerem o mesmo. 

Nunca a sangria fez, como este ano, tamanho jus ao nome que tem e, sendo assim, causar-me-ia certamente severas perturbações gástricas.

ACTUALIZAÇÃO DE 25 DE JULHO:

Obtive junto de fonte oficial da Câmara Municipal do Fundão alguns esclarecimentos (importantes) sobre a realização desta aberração tauromáquica no Fundão que passo a sintetizar:

  • A organização do SangriAgosto é da exclusiva responsabilidade da Junta de Freguesia do Fundão e da Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão.
  • A CMF é sim responsável pela organização do Festival Cale, o festival de artes de rua que ocorre em simultâneo com o SangriAgosto no fim-de-semana de 2, 3 e 4 de Agosto, sendo no entanto um evento distinto deste último.
  • Ao que foi possível apurar, esta tourada é da responsabilidade de um promotor público, não havendo quaisquer dinheiros públicos envolvidos na sua realização.
  • Até ao momento ainda não deu entrada na CMF qualquer pedido ou informação oficial sobre a realização desta tourada.

À luz disto (digo eu agora) é caso para perguntar:


No que estavam a pensar a Junta de Freguesia Fundão (Dar Fundão) e a ACICF quando deram o seu aval à realização de um evento sabendo à partida que este iria ser fracturante e provocar divisões no seio da população do Fundão, permitindo a sua inclusão no cartaz do SangriAgosto, evento que devia ser de agregação da população? A tourada pode ser promovida por um privado mas ao incluí-la no cartaz e ao dar-lhe o nome "SangriAgosto" é a cumplicidade com a sua realização que estão a assumir.


É lamentável senhor presidente da JF e senhor presidente da ACICF que por essa falta de visão tenham ferido duplamente de morte o SangriAgosto, quer pela fractura que provocaram na população, quer pela subversão do nome "Sangria" que, inevitavelmente, terá a partir de agora outra conotação.


Já agora, o que tem a ver uma tourada com a dinamização do centro antigo do Fundão? De que forma vai beneficiar o comércio tradicional do Fundão? Em que estratégia de promoção do nome do Fundão se insere esta iniciativa? 


São de facto questões às quais todos gostaríamos de ter respostas.



quarta-feira, julho 17, 2013

E porque o "nosso" Rui Costa ganhou ontem a etapa da Volta a França

A brilhante vitória de Rui Costa, na etapa de ontem da Volta a França, teve grande eco nos meios de comunicação social. Até quem não liga particularmente ao ciclismo exultou com esta vitória, que acabou por ser interpretada como um lampejo de optimismo na depressão geral nacional dos últimos tempos, fazendo de cada cidadão comum português também ele um vencedor da 16ª etapa da Volta a França.

Qual seria no entanto a sensação real de vencer uma etapa da Volta a França? Foi essa experiência que o infame humorista Rémi Gaillard proporcionou a vários ciclistas de Domingo que, ao fazerem uma curva, se viram subitamente metidos num ambiente digno da prova rainha do ciclismo internacional. Vale a pena ver.



Se isto vos acontecesse, como reagiriam?

quinta-feira, julho 11, 2013

No Trilho da Muralha de Adriano - Conclusão!

Mapa do percurso
(Clicar para ampliar)


Dia 6 - De Carlisle a Bowness-on-Solway (20,5km + 1,5km para formalidades)
[Todas as etapas: Dia 1 - Dia 2 - Dia 3 - Dia 4 - Dia 5 - Conclusão]

Último dia! Ao começarmos a caminhada foi difícil evitar um certo sentimento de saudade antecipada perante a iminência do fim daquilo que tinha sido uma fantástica aventura. Antes disso, tomámos o nosso último "english breakfast" na sala de bar do hotel, servidos por uma senhora simpática que começava todas as suas interpelações com "my dears". Deixando as mochilas numa arrecadação do hotel, levámos connosco apenas o essencial para o que faltava do trilho. Bowness-on-Solway, a aldeia situada onde outrora terminava a Muralha de Adriano, era "já ali".


O hotel Vallum House, situado na linha do aqui desaparecido Vallum da Muralha de Adriano, um hotel confortável, com boa comida e gente simpática.

A primeira tarefa era regressar ao Trilho que havíamos deixado ao entrar em Carlisle. Consultado o mapa, deduzimos que seguindo a estrada que passava frente ao hotel para Oeste, haveria certamente uma ligação, o que acabou por se confirmar após pouco mais de 500m de caminhada. Entre Carlisle e Bowness-on-Solway, o Trilho segue de grosso modo o curso do rio Eden, percorrendo inicialmente prados e quintas para terminar num larguíssimo estuário na foz do mesmo rio, depois de atravessar uma zona de pântanos. Pelo meio o Trilho passa por várias aldeias sendo as mais importantes Burgh-by-Sands, Drumbrugh, Port Carlisle e, obviamente, Bowness. Ao contrário do dia anterior, nesta etapa o Trilho segue sempre a linha da Muralha.


A ligação ao trilho, a partir de uma via mista ciclo-pedestre, muito bem assinalada. 




Uma imagem já familiar da passagem do Trilho por um prado verde e amarelo. Apesar de passar por zonas extremamente bonitas com a filosofia e equipamentos habituais, este troço do Trilho pareceu mais descuidado e a precisar de manutenção em algumas zonas.



Uma passagem simpática dentro de um bosque, não muito longe da aldeia de Grinsdale.

Ao chegarmos à 2ª aldeia do trilho, a povoação de Kirkandrews-Upon-Eden, um aviso ali afixado informou-nos que devido a um deslizamento de terras, teríamos de fazer um desvio. Acabámos pois por ter de fazer um percurso de alguns minutos junto à berma de uma estrada que, felizmente, era pouco movimentada.

Em Beaumont, uma aldeia pequena na margem do Eden, a Igreja de Santa Maria é o edifício que mais se destaca. Não muito longe dele, encontrámos mais uma "honesty box", esta com a particularidade de ter o conteúdo envolvido em bolsas de gelo e ser, segundo o que estava escrito no seu exterior, gerida por um miúdo de 8 anos chamado Drew. Que bem que soube um sumo fresquinho, nesta altura em que o calor do Sol ainda se fazia sentir! 

A Igreja de Santa Maria, em Beaumont, foi construída pelos Normandos no final do século XIII, no local exacto de uma torre de vigia da Muralha de Adriano. Nos casamentos aqui realizados, é costume trancar-se a porta com um cordel que o noivo tem de cortar pois, isso garante boa sorte para o casal. Muito mais garantias de sorte oferece a outra tradição de as crianças esticarem uma corda de um lado ao outro da estrada, deixando apenas passar os carros dos convidados do casamento que lhes derem dinheiro. 



Mais uma "caixa de honestidade" cujo conteúdo fresquinho veio bem a calhar. Obrigado Drew!


Uma belíssima passagem do trilho que até deu para praticar geocaching. Adivinhem lá onde está a caixinha...!

Entretanto encontrámos novamente as senhoras que tínhamos visto pela primeira vez no início da 2ª etapa, no Robin Hood Inn (lembram-se?), agora reduzidas a apenas duas. Entretanto, como já se criara alguma familiaridade devido aos encontros frequentes, os sorrisos e os diálogos já aconteciam com relativa naturalidade.


Burgh-by-Sands, uma povoação que todos os fãs do filme Braveheart deviam conhecer


A indicação das distâncias na sinalização rodoviária britânica foi sem dúvida feita por uma criança que era viciada em jogar às escondidas. Lembram-se de como se fazia a contagem? 


Pouco depois de Beaumont e seguindo a linha do Vallum, chegámos a aldeia de Burgh-by-Sands. A primeira coisa a dizer sobre esta povoação é que o seu nome se deve pronunciar "Bruff"-by-Sands. Historicamente é uma povoação relavante, começando pelo facto de estar localizada no traçado da Muralha de Adriano (actualmente sob a estrada), o seu centro se situar sobre o local onde outrora se erguia o forte romano de Aballava, cuja guarnição era de origem magrebina.

Foi também junto a esta aldeia que morreu o rei Eduardo I, o "Hammer of the Scots" (martelo do escoceses) ou "Longshanks" (pernas longas) que no filme "Braveheart" é retratado como um rei tirânico, opressor dos escoceses. O outro lado da história é bem diferente e Eduardo I é visto pelos ingleses como um dos seus maiores monarcas de sempre (ao contrário do seu filho que, de tão impopular que era, acabou assassinado com recurso à inserção de um ferro em brasa pelas partes pudendas da rectaguarda). (Foto de Eduardo I obtida em Mariner Museum)

Foi no decurso de mais uma expedição contra os escoceses que Eduardo I morreu, após contrair desinteria. No local onde isso aconteceu, num pântano a cerca de 3km a Norte da aldeia, ergue-se um memorial e na própria aldeia uma estátua eterniza a sua memória. Segundo a tradição, Eduardo pediu no seu leito de morte que fervessem o seu cadáver para separar a carne dos ossos, de modo a que estes fossem levados como relíquia à frente do seu exército nas campanhas contra os escoceses. Não lhe fizeram a vontade, talvez por terem chegado à conclusão que um cofre com ossadas não acrescentava grandes vantagens tácticas em batalha.


Estátua de Eduardo I em Burgh by Sands.


Os pântanos do estuário do Eden

Praticamente a partir de Burgh by Sands, começa uma enorme recta com cerca de 5km, que atravessa uma zona pantanosa do estuário do rio Eden. Em Longburgh existe um aviso com horários de marés para que os caminheiros possam estar informados das alturas do dia em que a estrada fica submersa devido à subida das águas do estuário.


5 quilómetros dos grandes para Oeste e sempre a direito!



Usando a elevação da antiga linha de caminho-de-ferro, que ajudou também a controlar as águas das marés que amiúde submergem a estrada, foi possível fazer a grande recta em terra batida. O pior foi o vento, que sopra predominantemente de Oeste para Este e que, neste dia, estava particularmente intenso. Foi também curioso ver a quantidade de caminheiros que circulavam neste corredor, tanto no mesmo sentido que nós como no sentido oposto.



Uma coisa é certa, pode acontecer muita coisa a quem passeia pelos pântanos do estuário do Eden mas perder-se não é certamente uma delas.



O caminheiro que passeia pelos pântanos do estuário do Eden também não corre o risco de se afogar nos prados por onde abundam os bovinos. 


Drumburgh 

A grande recta dos pântanos liga a aldeia de Burgh by Sands à de Drumbrugh (que se deve ler como algo parecido com "Drumbró"). Também esta povoação se situa sobre um antigo forte romano da Muralha de Adriano, neste caso o forte de Concavata, que albergou uma guarnição de 500 soldados. Infelizmente, o único vestígio da existência deste forte é a curva apertada que a rua principal da povoação faz na saída para Oeste, seguindo o percurso do antigo fosso do forte e denunciando a forma deste.

De romano propriamente dito, apenas avistámos a forma muito ténue do Vallum à entrada da povoação e um altar romano, junto a uma porta do rés-do-chão do edifício conhecido como Castelo de Drumbrugh. Esta construção é na verdade uma casa fortificada, com origem numa torre de vigia, construída para resistir às incursões dos temíveis salteadores de fronteira, bandos que puseram durante séculos a zona de fronteira entre a Inglaterra e a Escócia a ferro e fogo mas que tinha um código de conduta bem estabelecido.

O Castelo de Drumburgh, uma casa fortificada no local de uma antiga torre de vigia do século XIV, cujo aspecto actual deriva de obras feitas nos séculos XVI e XVII, usando pedras da Muralha de Adriano. A porta do rés-do-chão (junto à qual se encontra um altar romano) e a escadaria são adições recentes. Em caso de ataque, os moradores retirariam uma escada de madeira amovível, trancando-se no primeiro piso para aí resistirem (e insultarem quanto baste) os atacantes.


Os "Border Reivers", os salteadores da fronteira

Entre o século XIV e o século XVII, a vida foi difícil para quem vivia na fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, devido aos constantes conflitos entre os dois países. Os exércitos que por aqui passavam, saqueavam e destruíam a esmo, deixando os moradores em situação de miséria. 

Para sobreviverem, muitos optaram por praticar actos de banditismo, atacando e saqueando as propriedades do outro lado da fronteira. Nasciam assim os "Border reivers" e não tardou muito para que esta prática fosse cada vez mais vista como uma profissão e não um crime, sendo praticada por nobres, governantes locais e deixando até de ser exclusivamente de antagonismo para com o reino vizinho, para passar também a ser praticada entre compatriotas.

O caos atingiu tais proporções que chegaram a ser instituídas leis, não para acabar com os saques, mas para os regulamentar! Assim, se alguém fosse vítima dos saqueadores, poderia optar por uma de duas soluções a que tinha direito: apresentar queixa às autoridades e esperar pelo resultado ou então, como acontecia na esmagadora maioria dos casos, organizar também um bando de salteadores e perseguir aqueles que o tinham atacado para recuperar os seus bens. Isto tinha de ser feito no prazo de 24h pois, decorrido esse prazo, o grupo original de atacantes garantia o direito definitivo de posse sobre o saque. Todo aquele que se deparasse com um destes grupos de contra-ataque tinha obrigação de se juntar a ele, sob pena de ser acusado de cumplicidade com os atacantes originais. 

Esta prática só chegaria ao fim com a união das coroas escocesa e britânica sob Jaime VI (I de Inglaterra), rei que legislou com mão de ferro sobre esta matéria ao mesmo tempo que expropriou as famílias de salteadores que por aqui viviam. Já agora, a título de curiosidade, foi este rei que Guy Fawkes tentou assassinar na chamada Conspiração da Pólvora, celebrizada pelo recente filme "V for Vendetta".


Laal bite, o "barracão da honestidade"

Tendo decidido fazer uma paragem em Drumbrugh, seguimos a sinalética que prometia uma cafetaria ao virar da esquina. Qual não foi a nossa surpresa quando, ao entrarmos numa pequena construção, que mais parecia um barracão, verificámos que era afinal uma instalação self-service não vigiada, aplicando aqui à escala de um barracão o conceito já conhecido da caixa da honestidade. Tratava-se do Laal bite que no dialecto local significa "pequeno sítio (de pesca)".

Dentro desta cafetaria, com snacks, gelados, máquina de café e casa de banho, encontrámos um casal de ciclistas que nos explicou como funcionava a máquina do café. É óbvio que simpatizámos logo com eles! Na conversa que se seguiu, ficámos a saber que estavam reformados e que se divertiam agora viajando de bicicleta. Já tinham percorrido boa parte da Grã-Bretanha em diversas ocasiões, e tinham chegado inclusive a percorrer a França de Norte a Sul, entre Calais e Montpellier. Também já tinham viajado de Burgos, em Espanha, e La Rochelle. Ficou o desafio para um dia virem a Portugal.


Outro encontro fortuito no Trilho, desta vez com um casal de reformados que se diverte a percorrer longas distâncias em bicicleta. Quando nos contavam as suas aventuras, a ex-professora olhou para o seu marido e perguntou retoricamente "Somos um bocado malucos, não somos?".


Os últimos quilómetros

Deixando Drumbrugh para trás, seguimos por um caminho de terra batida até perto de Port Carlisle, outrora pensado para ser o porto de mar da cidade de Carlisle, projecto que, com o advento do caminho de ferro, acabou por ser abandonado, embora ainda sejam visíveis algumas construções portuárias. Do outro lado do estuário, avista-se já a Escócia!

O que impressiona mesmo, quando o Trilho regressa à margem do estuário do rio Eden, seguindo outra vez o percurso de uma antiga linha férrea, é a extensão do estuário propriamente dito, uma área classificada como Área de Excepcional Beleza Natural que é também um santuário de vida selvagem, sobretudo aves.



O estuário do rio Eden, um areal a perder de vista quando a maré está baixa. Junto a este local uma placa pregada numa árvore refere que "Gracey May dormiu aqui". Não fazendo a mínima ideia de quem era esta pessoa, ficámos agradados em saber que teve a ocasião de pôr o sono em dia num local tão aprazível.



Resto do paredão e do canal do porto de Port Carlisle, projectados para estimular a economia da região. O projecto morreu por causa do caminho-de-ferro e este morreu devido ao declínio económico da região. Há alturas em que acho que as dinâmicas da economia e a lógica são duas coisas mutuamente exclusivas.


A chegada a Bowness-on-Solway

2km depois de Port Carlisle, avistámos finalmente a aldeia de Bowness-on-Solway, povoação onde o trilho chega ao fim (ou começa, para quem o fizer no sentido Oeste-Este). Quase poderíamos jurar que a placa toponímica à entrada da localidade tem excelentes propriedades analgésicas, isto porque bastou a simples visão da mesma para subitamente fazer desaparecer as dores musculares e de tendinites que tínhamos coleccionado pelo caminho.



A famosa placa com efeito analgésico. Ideal para dores musculares e inflamações!


Também Bowness se encontra sobre um antigo forte romano, o forte de Maia. Este era o 2º maior forte da linha da Muralha (o maior era o forte de Uxelodonum, na actual Stanwix, na margem direita do Eden, junto ao forte de Luguvalium), tendo sido construído sobre o antigo 80º fortim de milha. Actualmente nada resta deste forte que terá possivelmente albergado perto de 1.000 soldados auxiliares. A Muralha terminava aqui mas as fortificações prolongavam-se para Sul, junto à costa, na forma de torres de vigia e fortins de milha isolados. 

Há alguns episódios curiosos na História das relações de Bowness com os vizinhos escoceses, dos quais partilho aqui dois. 


O roubo dos sinos

Pela sua localização Bowness também foi vítima de raides de saqueadores da fronteira. Em 1626, um grupo de "Border Reivers" vindos da Escócia atacou a aldeia e, entre outros bens, roubou os sinos da igreja de Bowness. Quis o destino que, durante a travessia de regresso à Escócia, os sinos caíssem às águas do estuário do Eden, perdendo-se para sempre.

Em retaliação, os habitantes de Bowness que atacaram a vizinha povoação escocesa de Annan, roubando naturalmente os sinos da igreja local que depois foram instalados na torre da igreja de Bowness. Desde então, numa tradição que hoje se mantém, sempre que um novo vigário assume funções na paróquia de Annan, envia à paróquia de Bowness um pedido formal de devolução dos sinos.


O viaduto mortal

Em 1869, a construção da linha de caminho-de-ferro entre Bowness a Annan levou a que fosse erguida uma ponte sobre o estuário do Eden. A linha acabaria por ser desactivada em 1921 e a ponte foi mesmo demolida 13 anos mais tarde. A sua demolição deveu-se ao facto de muitos dos vizinhos escoceses que, ao Domingo, dia em que o consumo de álcool lhes estava vedado, vinham tirar (ou meter?) o fígado de misérias ao lado inglês e depois regressavam bastante embriagados, terem ido fazer companhia aos sinos nas águas do estuário.




O fim do trilho!

Mal entrámos em Bowness, a sinalética indicando o fim do Trilho gerou um certo nervoso miudinho. Uma curva à direita, para um caminho estreito entre o casario, depois uma curva à esquerda, e ali estava finalmente o pequeno abrigo de madeira, à vista do Mar da Irlanda, com o emblemático letreiro de boas-vindas em latim! 



Quase, quase lá! 130 jardas para o fim do trilho!


E finalmente, 6 dias e 160km depois (desvios incluídos), tínhamos completado o trilho da Muralha de Adriano! 



A triunfante foto da praxe, antes de nos sentarmos por longos minutos num banco a apreciar a vista.


O Solway Firth, ou baía de Solway, que abre para o Mar da Irlanda. 


Após longos minutos nos quais também saboreámos a sensação de "dever cumprido", cumprimos a formalidade de colocar o último carimbo nos nossos Passaportes, na caixa que se encontrava no abrigo. Era tempo de nos dirigirmos a outro local emblemático de Bowness, o Kings Arms, para aí adquirirmos os nossos certificados. Trata-se de um pub, que também oferece alojamento em regime Bed and Breakfast, situado no exacto centro do desaparecido forte de Maia.

O último carimbo do Passaporte ou o selar da conclusão do Trilho da Muralha de Adriano, para depois obter o respectivo certificado. Estes Passaportes fazem parte do esforço de conservação da Muralha de Adriano, estando apenas disponíveis no Verão para desencorajar as pessoas a viajar no Inverno, altura em que o solo que cobre os vestígios arqueológicos está mais fragilizado. 


O Kings Arms é um pub extremamente acolhedor. Em conversa com o dono, também ele chamado David, ficámos a saber que éramos os primeiros portugueses de que ele se lembrava de atender e que ele próprio já trabalhara numa fábrica com outros dois. Ofereceu-se para nos tirar esta foto, enquanto o senhor que nela aparece também, foi simpático em emprestar o copo à Ana para ajudar a enriquecer a pose de forma desinteressada, apesar de podermos achar que há ali uma certa expressão de expectativa.


Instalados no Kings Arms e ao sabor de uma bela "pint" de cerveja (o dono fez uma cara de reprovação sentida quando lhe pedi um copo pequeno), obtivémos os nossos certificados e aproveitámos para nos refazer das emoções recentes, recuperando as memórias daquilo que tinha sido uma memorável caminhada. Pouco depois chegavam também as nossas já bem conhecidas amigas caminheiras do Robin Hood Inn, com quem finalmente tivemos uma conversa decente e com quem partilhámos as novidades de última hora.

A chuva a fechar a despedida de Bowness-on-Solway.


Fomos depois dar um curto passeio pela aldeia antes de apanharmos o autocarro de regresso a Carlisle (e antes de descobrirmos que já se andava a falar de nós em Bowness), a partir de onde viajaríamos em comboio para Glasgow, iniciando um périplo de uma semana pela Escócia. Seriam 7 dias divertidos e, como não podia deixar de ser, com um episódio inacreditável pelo meio. Isso será uma história para contar depois.


Já agora...

Havia uma boa razão para estarem a falar de nós em Bowness-on-Solway e que acho que me esqueci de mencionar lá atrás. Enquanto apreciávamos a paisagem do Solway Firth, sentados no banco junto ao abrigo de madeira do fim do Trilho, pedi a Ana em casamento e ela aceitou




O ano 2014 ainda está demasiado longe mas já promete ser memorável. Acredito que tenhamos sido dos poucos caminheiros, que aqui concluíram o Trilho da Muralha de Adriano, para quem o letreiro na fachada oposta do abrigo também terá tido algum significado. Eu gosto de pensar que foi um augúrio para a nova caminhada que aí iniciámos. Não concordam?



[Todas as etapas: Dia 1 - Dia 2 - Dia 3 - Dia 4 - Dia 5 - Conclusão]
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