sexta-feira, maio 24, 2013

Palavras de Miguel Sousa Tavares foram inspiração de São Gens

Está a fazer furor a entrevista de Miguel Sousa Tavares ao Jornal de Negócios, hoje publicada, na qual o escritor comparou o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, a um palhaço. Na entrevista, centrada no seu último livro intitulada "Madrugada Suja", MST referiu a dada altura que 

"O pior que nos pode acontecer é um Beppe Grillo, um Sidónio Pais. Mas não por via militar. Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva. Muito pior do que isso, é difícil.".

Quem não achou piada a isto foi o próprio Cavaco Silva, tendo já solicitado à Procuradoria Geral da República que analise as palavras do escritor à luz do artigo 328º do Código Penal, que prevê penas de 6 meses a 3 anos e multa não inferior a 60 dias para quem injuriar o Presidente da República por escrito.

Esta situação acaba por ter o seu quê de ironia e até de injustiça visto que, antes de eventualmente ter sido injuriado por MST, Cavaco Silva tinha vindo já a realizar um trabalho deveras interessante no que diz respeito ao denegrir a imagem da Presidência da República aos olhos dos portugueses. 

Há no entanto outra questão que Aníbal Cavaco Silva parece estar a desconsiderar e que é a possibilidade de intervenção divina neste caso. Se o resultado da 7ª avaliação da Troika foi, segundo ele, inspiração de Nossa Senhora de Fátima, quem nos garante que esta declaração de Miguel Sousa Tavares não terá sido inspiração de São Gens (de Roma), o santo patrono dos actores, músicos, humoristas, advogados (!!!) e... palhaços?

Imagem: Histórias com Carlitos

terça-feira, maio 21, 2013

Câmaras captam o momento em que um cão é encontrado nos escombros pela sua dona (Vídeo)

Ninguém ficou indiferente às notícias da destruição, causada ontem por um tornado, na cidade estado-unidense de Oklahoma. Estima-se que o tornado terá tido um diâmetro de 3 quilómetros e que a velocidade do vento terá ultrapassado os 320km/h, tendo ficado no limiar da classificação F5, o nível máximo na escala de Fujita, tendo causado mais de 90 mortos, para além de incalculáveis estragos materiais.

No entanto, em cenários catastróficos como este, há sempre sempre pequenos episódios que servem para reacender a esperança e o moral de quem sobreviveu à tragédia. Este é um desses casos. É esse o caso uma mulher idosa que se refugiou na casa de banho com o seu cão, aparentemente a sua única companhia, e que o perdeu quando a casa se desfez à sua volta. Enquanto relatava a experiência a uma equipa de televisão, eis que o cão é encontrado ainda vivo no meio dos escombros. Vale a pena ver!


(Clicar na imagem)


O trauma dos tornados de 1999

De acordo com as estatísticas, Oklahoma é a cidade anualmente mais atingida por tornados nos Estados Unidos. Para a história ficou o ano de 1999 quando a região foi atingida por nada menos que 66 tornados, tendo o momento mais crítico sido o período de 3 dias entre 3 e 6 de Maio, no qual se registou um tornado de nível F5, com ventos de velocidade superior a 500km/h! Curiosamente, o número de vítimas mortais foi significativamente mais baixo, tendo-se cifrado em 50 mortos.

segunda-feira, maio 20, 2013

Imagens da última etapa da Grande Rota da Transumância



A Grande Rota da Transumância começou no passado 1 de Maio e terminou ontem, ligando as planícies do concelho de Idanha-a-Nova que bordejam o rio Tejo aos planaltos estivais verdejantes da Serra da Estrela. Tratou-se de uma excelente iniciativa de cooperação intermunicipal (Guarda, Idanha-a-Nova, Fundão,  Castelo Branco,  Covilhã, Manteigas e Seia) que, tendo como objectivo a promoção dos produtos locais agro-pecuários, recriou os milenares trajectos da transumância, os corredores de circulação sazonal dos rebanhos, verdadeiras artérias de alimentação da economia das comunidades de outrora. 

O toque de originalidade desta iniciativa teve a ver exactamente com a ligação íntima às práticas da transumância, desde já na forma das próprias caminhadas, que foram feitas na companhia de um rebanho, experimentando depois as várias actividades associadas (tosquia, produção de queijo,...), assim como os sabores.

Não tendo tido oportunidade de participar nos percursos anteriores, consegui felizmente participar no último troço que ligou a zona de Manteigas a Penhas Douradas. Digo felizmente porque deu para tudo: para apreciar um passeio numa zona lindíssima, para participar em excelentes momentos de convívio, reencontrar caras conhecidas (inclusive uma ex-colega de curso que já não via há cerca de 10 anos!), deliciar-me com o pequeno-almoço e um belo almoço tradicional e, last but not the least, recordar com uma certa melancolia os momentos de infância em que acompanhei o meu avô paterno na sua actividade de pastorícia.

O percurso acabou por ser curto, infelizmente, menos de 10km percorridos acima dos 1.000m de altitude (1.500m nas Penhas Douradas), mas nem isso obsta a que sejam dados os parabéns à organização.

Partilho aqui algumas imagens desta jornada de boa memória:



Concentração na Cruz de Jugadas. Após alguns minutos de espera chega o rebanho.


O rebanho estava bem guardado por dois cães da Serra tão mansos quanto fotogénicos


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - I

Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - II


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - III


Chegada ao Campo de São Romano ou Campo Romano, onde diz a tradição popular, terão sido encontradas moedas "do tempo dos Césares", assim como vestígios de fortificação, actualmente desaparecidos.


Todo o planalto está actualmente ocupado por searas de centeio.


Os "atiradores furtivos" camuflados pelo centeio.


Entre duas searas, o amarelo das giestas e o rosa da urze (ou érica) cobrem as encostas que se avistam ao longe, tudo coroado pelo branco da neve que caiu nos últimos dias. 

Os caminheiros não se deixaram intimidar pelo frio e aderiram em cerca de meia centena.

Passagem pela Pousada de São Lourenço







Embora chamados ovelhas, os bichos revelaram-se grandes rebeldes, obrigando aqui e ali a um maior esforço por parte dos pastores!








Finalmente, Penhas Douradas à vista!

Um casal de Manteigas extremamente simpático, posando junto a uma "alminha". Durante o almoço foi um prazer sentar-me com eles e ouvir histórias de outros tempos.



O Cão da Serra não serve necessariamente para guardar ovelhas. Também os fotógrafos têm de ser vigiados de perto!


Entrada no bosque para a última meia hora de percurso




Pastores modernos em momento de pausa.


Passagem pela famosa estação meteorológica das Penhas Douradas.




O grande Proença, fotógrafo oficial da Rota da Transumância, mostrando os seus dotes de polícia sinaleiro.


Uma ovelha juvenil, com o freio de desmame, saboreando um belo gelado com sabor a erva

Chegada à colónia infantil de Penhas Douradas, os pastores e o rebanho despedem-se dos participantes


Atente-se no ar resoluto da equipa transumante!


Foto de grupo (parcial)!


Para já os rebanhos pastam nas altitudes em sossego até ao fim do Verão, sendo que em Setembro terá início o percurso inverso, partindo da Serra rumo às planícies da Idanha, percurso que será articulado com o Festival Chocalhos, de Alpedrinha. Alguém se atreve a perder esta oportunidade?

sexta-feira, maio 17, 2013

A memória dos Cátaros no regresso a Montségur

O castelo de Montsegur e, na base, o prado que é conhecido como "Camp dels cremats"

Ainda durante a recente passagem pelos Pirinéus, tive a satisfação de poder voltar à aldeia de Montsegur, dominada pela visão do seu castelo construído no topo de um esporão rochoso. A primeira vez que tentei subir ao castelo, há alguns anos atrás, fiquei frustrado. Chovia a cântaros e o castelo estava escondido pelas nuvens, das quais se ouvia esporadicamente o som dos trovões. Ainda assim, resolvi ser teimoso e iniciei a subida protegido pela floresta, até ao quiosque de venda de bilhetes que se encontra a meia encosta.

O funcionário, que estava distraído a ler uma revista, quase caiu da cadeira quando me encostei à abertura do quiosque e lhe dirigi um "Bom dia!". -"Vai subir?!", perguntou-me ele, ao que eu respondi afirmativamente, já que, tendo vindo de propósito, sentia que era uma pena voltar para trás sem chegar ao castelo. -"Eu não o aconselho a fazê-lo! Há trovoada, lá em cima.", insistiu ele, ao que retorqui -"Sim mas, se eu for atingido por um relâmpago, vocês devolvem-me o dinheiro do bilhete, certo?". Não desarmando, respondeu-me -"Podemos devolver mas só se o conseguirmos identificar.".

A actual "nova" aldeia de Montségur, sob a vigilância do castelo. A antiga aldeia situava-se no topo do esporão, junto à fortificação.


Acabou por levar a melhor, tendo-me convencido a descer para visitar a aldeia e o seu museu. Só regressei três anos mais tarde e a visita valeu bem a espera. A paisagem que se avista do topo do castelo é de cortar a respiração, mas mais chocante que tudo é a própria história deste castelo, assim como daqueles que foram outrora os seus habitantes: os Cátaros!

Os Cátaros ou uma das mais sangrentas atrocidades religiosas da Europa

O Catarismo foi uma variante do Cristianismo que, provavelmente vinda do Sudeste europeu, ganhou extrema popularidade no Sudoeste do actual território francês, entre os séculos X e XII, numa altura em que este território vivia sob a influência do reino de Aragão. Os cátaros chamavam-se a si próprio "Bons homens" e apenas reconheciam o sacramento do "Consolamentum", um baptismo espiritual que os convidava a optar por uma vida de pobreza e abstinência. Renegavam os símbolos, as mulheres tinham funções religiosas activas, embora nos níveis mais baixos e, para além de ferozes anti-clericais, criticavam com veemência a feudalização da Igreja Romana. A cidade de Albi era o fulcro fundamental desta doutrina, daí que os cátaros tenham também ficado conhecidos como albigenses.

A rápida expansão do Catarismo, à qual se associaram vários nobres da região em busca de autonomia, não agradou muito à Igreja, que já na época tinha a particularidade de ser mais célere a condenar as heresias que aconteciam fora da sua esfera do que dentro dela, e após várias tentativas pacíficas de trazer os albigenses de volta à razão, o Papa Inocêncio III encontrou no rei Filipe Augusto de França, ansioso por incorporar a região no seu reino, o aliado ideal para lançar a primeira de duas cruzadas contra os albigenses em 1209. Esta primeira cruzada iniciou-se com o cerco e massacre de Béziers. Diz a lenda que, não sabendo como distinguir católicos de cátaros, o representante pontifical terá afirmado "Matem-nos todos. Deus saberá reconhecer os seus!". 

Depois de Béziers, foi a vez de Carcassone (ver aqui) cair à traição nas mãos dos cruzados


No ano seguinte, na localida de Bram, os requintes de sadismo atingiram o seu auge quando o Simão de Monfort, líder do exército francês, mandou que se arrancassem os olhos, lábios e nariz a 100 prisioneiros, deixando apenas um olho a um deles, fazendo-os depois seguir em fila indiana com a mão sobre o ombro do que seguiam na frente, até à cidade de Cabaret, que 3 meses antes conseguira repelir o cerco católico, numa medida de guerra psicológica.

Após uma segunda cruzada e um esmerado trabalho pela recém-criada Inquisição, a  guerra contra os cátaros teria o seu epílogo no ano de 1244 em Montségur, que por força das circunstâncias se tornara o centro espiritual do Catarismo. Montségur resistiu durante 10 meses ao cerco, acabando por cair graças a uma audaciosa escalada nocturna de um grupo de cruzados. Sem hipóteses de resistir, foi dado aos sitiados o prazo de 15 dias para que preparassem a rendição. A condição era apenas uma: quem não renegasse a sua fé morreria na fogueira. Apesar de muitos terem preferido a conversão, quando o prazo terminou cerca de 200 cátaros, homens, mulheres e crianças, desceram do castelo para morrerem na gigantesca fogueira feita naquele que é hoje conhecido como Camp dels Cremats (o campo dos queimados).

Alguns cátaros conseguiram no entanto fugir, tendo-se refugiado durante alguns dias "infra castrum" (sic), sob o castelo, numa alusão que sugere a existência de grutas que até hoje ainda não foram encontradas. Esta ideia sai reforçada pelo facto de não se ter encontrado até hoje nas pesquisas arqueológicas um número significativo de restos humanos, o que deixa supor a prática de enterramentos em grutas, à semelhança do que aconteceu no castelo de Montreal de Sos (ver aqui). No museu da "nova" aldeia de Montségur, uma vitrina horizontal guarda os esqueletos de um casal de cátaros, assim como as duas pontas das flechas que causaram a sua morte.

Só a partir do século XVIII a sua memória foi resgatada do esquecimento, e o mistério à volta destes homens e mulheres levou a que mais recentemente tenham sido associados a um fabuloso tesouro que estaria ainda escondido, assim como ao Santo Graal. Folclores.

Iluminura: Histoire de France

quinta-feira, maio 16, 2013

Reflexões sobre o jogo da bola, à luz da derrota do Benfica

Pelas redes sociais, os últimos dias têm sido férteis em acesos debates centrados na temática do futebol e o mínimo que se pode dizer é que a irracionalidade e a lógica não quiseram envolver-se neles.

É lamentável e preocupante assistir ao nível das mesmas, cheias de generalizações patetas, de argumentos do tipo "nós fazemos porque vocês fizeram!", e que não raras vezes redundam em ofensas pessoais e em cisão social. A comunicação social, que explora e de que maneira esta faceta dos nossos cidadãos para vender, também terá alguma culpa, tal como têm culpa os dirigentes desportivos incendiários e irresponsáveis que temos na nossa praça, (há os até que usam termos como "guerra santa" (sic) para justificarem as suas palavras e atitudes!!) mas os responsáveis máximos são e serão sempre os comuns adeptos que fazem crer que o futebol é o fulcro central das suas vidas, declarando o seu "amor até à morte" e "contra tudo e contra todos", numa clara distorção de prioridades de vida. Mal vai a auto-estima individual quando esta depende de resultados desportivos...!

O cúmulo da irracionalidade perante o futebol: Em 1969, uma série de 3 jogos de futebol entre as selecções das Honduras e de el Salvador provocou uma guerra entre os dois países. Tendo durado 4 dias, ficou conhecida como "Guerra del fútbol". Terminou sem vencedores e custou a vida a dois milhares de civis. 


O futebol pode ser tema de discussão e de humor. Não é o melhor dos temas, não é um tema que enriqueça a cultura de quem o debate, mas é um tema melhor que vários outros. No entanto, quando se equipara o mesmo a uma religião (também teria aqui muito para dizer), quando se usa o futebol como se de uma qualquer expressão de identidade tribal se tratasse, torna-se uma discussão onde a razão deixa de ter espaço para existir.

Há poucas horas, o Benfica perdeu a final da Liga Europa. Por todo o lado, antes do jogo mas sobretudo depois dele, abundaram as adjectivações mais ou menos violentas e acusações de anti-patriotismo dirigidas a quem não desejou a vitória deste clube.  Abundaram também os comentários trocistas, muitos de teor inofensivo mas também muitos de um nível perfeitamente escusado, dirigidos aos perdedores da noite. Se por um lado é notório que há dificuldade em aceitar o livre arbítrio alheio quando este é divergente do seu, e este pode e deve existir desde que não ponha em causa as liberdades e integridade de cada um, por outro lado, também é manifestamente redutor fazer depender o patriotismo de cada um do facto de apoiarem, ou não, um clube de futebol em competições internacionais.

A expressão máxima deste patriotismo traduzido em apoio a equipas de futebol, tem a sua expressão máxima nos jogos da selecção nacional de futebol. Ser português passa a depender do facto de se apoiar a selecção nacional e cantar o "hino da selecção", perdão, o hino de Portugal antes de cada jogo. Durante a participação da selecção nacional de futebol em competições importantes, abundam pelas janelas e varandas de Portugal bandeiras portuguesas, não sendo importante se as mesmas contêm simbologia adulterada e estão penduradas ao contrário. O que interessa é que o "pano", pendurado onde toda a gente o possa ver, é uma declaração de profundo patriotismo. Ironia das ironias, esta moda foi lançada e estimulada por um imigrante brasileiro, pago a peso de ouro, e encheu os bolsos sobretudo a comerciantes de origem chinesa. Digam-me lá: isto é ser patriótico? Adiante.

Ontem não torci pela vitória do Benfica, tal como me é completamente indiferente que os adeptos de outros clubes torçam ou não pelo "meu" Futebol Clube do Porto em situações semelhantes. Isto não implica que não considere que a derrota de ontem tenha sido injusta, porque de facto o foi. Sejamos realistas: se os adeptos de um clube começam em primeiro lugar a torcer ininterruptamente para que, em competições internas, o seu clube vença e os principais rivais percam, será fácil inverter este comportamento de um momento para o outro? Se o número de troféus conquistados pelo clube de que se é adepto é usado como argumento em qualquer discussão, fará sentido torcer para que um clube adversário incremente o seu palmarés?  Podem dizer que sim (até fica bem), mas daí até porem isso em prática sem reservas vai uma grande distância. O meu caríssimo Pedro traduziu da melhor forma esta questão: "Imagina que não morres de amor por uma determinada pessoa. Se por acaso a encontrares do outro lado da fronteira, numa acesa discussão verbal com um espanhol, vais automaticamente tomar partido por ela?".

No entanto -e é aqui que se estabelece a fronteira do bom-senso- o facto de não se torcer para que determinada equipa ganhe ou até torcer para que esta perca, não é desculpa para, perante a derrota alheia, humilhar os adeptos do clube derrotado, usando-os como alvo de chacota em prol da auto-satisfação. Se é preciso saber perder, não é menos importante saber ganhar, até porque a alternância de vitórias com derrotas é uma inevitável constante do desporto e também porque, passado o respectivo momento de tristeza ou de alegria, acabamos por verificar que nada se alterou na nossa vida.

O futebol não é um jogo de vida ou de morte. É apenas um jogo. Por isso, alegremo-nos com as vitórias e brinquemos com as derrotas, enquanto bebemos um copo com os amigos. Isto sim é importante.


terça-feira, maio 14, 2013

ATARI BREAKOUT - Mais um apontamento genial do Google!

Ao longo da sua (curta) existência, o motor de busca Google tem sabido surpreender com uma irreverente originalidade e não falo apenas dos Google Doodles, os logótipos comemorativos que amiúde fazem as delícias dos cibernautas.

Desta vez, para comemorar o 37º aniversário do jogo Atari Breakout, o Google lançou um "Easter Egg"* que pode ser acedido através das Imagens Google. O melhor mesmo é verem, bastando para tal pesquisar "ATARI BREAKOUT" no Google Images ou simplesmente clicando aqui.




* - Easter Egg / Ovo de Páscoa - Termo que na gíria informática descreve uma funcionalidade, mensagem ou jogo escondidos num programa normal. Por exemplo, o Excel teve durante muitos anos jogos escondidos aos quais era possível aceder mediante sequências específicas de comandos.

Os incêndios estão de volta à Cova da Beira


Os incêndios regressaram hoje à paisagem da Cova da Beira, tendo para isso bastado alguns dias de maior calor. Nas faldas da Serra da Estrela, junto a Vila de Carvalho, mais de 100 homens e 25 veículos, com a ajuda de um helicóptero, vão por esta altura combatendo um incêndio que lavra desde as 11h da manhã.

Seja como for, parece que haverá algum alívio climático já amanhã, uma vez que está prevista até queda de neve na Serra da Estrela! Assim de repente, a meteorologia até parece estar a ser dirigida a partir do Entroncamento.

quinta-feira, maio 09, 2013

Benfeita, a aldeia das 1620 badaladas da Torre da Paz


Na aldeia de Benfeita, no concelho de Arganil, o aniversário da rendição alemã que pôs termo à II Guerra Mundial é comemorado de forma muito peculiar a cada ano que passa, no dia 7 de Maio, data em que terá chegado à aldeia a notícia do fim das hostilidades na Europa. A tradição dita até que terá sido esta uma das primeiras povoações portuguesas a receber a notícia.

Com o trauma da I Grande Guerra ainda bem vivo no espírito da população portuguesa e em sinal de gratidão pelo facto de Portugal se ter conseguido manter neutral durante a II Guerra Mundial, a população de Benfeita resolveu construir uma torre sineira para que os seus sinos tocassem no dia em que os combates chegassem ao fim. Inicialmente chamada de Torre Salazar, para "comemorar a paz portuguesa e homenagear o Chefe do Govêrno e a sua clarividente e quasi milagrosa política internacional, que preservou a nossa pátria dos horrores da guerra", esta torre foi construída graças a uma campanha de recolha de donativos para a qual contribuíram privados e entidades públicas, como as Câmaras Municipais de Figueira da Foz ou Viana do Castelo.

Numa homenagem 2 em 1, durante duas horas de cada 7 de Maio, o Sino da Paz toca automaticamente 1620 badaladas do alto da rebaptizada Torre da Paz, celebrando o fim da II Guerra Mundial com a memória do número de dias correspondentes aos 54 meses que durou a I Guerra Mundial. Evoca-se portanto o fim do medo com a memória amarga dos dias em que os combatentes portugueses perderam a vida nas trincheiras da Flandres e nas selvas africanas.


quarta-feira, maio 08, 2013

Histórias do 8 de Maio, o Dia da Vitória na Europa

Picadilly Circus, Londres,  comemorações do VE-Day

Assinala-se hoje o 68º aniversário da rendição alemã, momento que pôs fim à II Guerra Mundial na Europa, tendo o conflito continuado no Pacífico até à rendição japonesa, quase 3 meses mais tarde, a 15 de Agosto de 1945. A II Guerra Mundial custou a vida a mais de 60 milhões de pessoas, cerca de 3% da população mundial na época, deixando um legado de memórias difíceis de esquecer. Sendo assinalado em vários países (na Rússia e na Ucrânia comemora-se a 9 de Maio), em França este feriado é sentido de forma especial. 

Tive em 2005 a ocasião de falar com uma sobrevivente do conflito que, sem entrar em muitos pormenores, partilhou um pouco da sua história. Sendo judia, o seu destino estaria irremediavelmente traçado, não tivesse ela conseguido abrigo em casa de amigos, na cidade de Lyon, e vivido escondida num sótão até ao final da Guerra. Quando lhe perguntei pelo resto da sua família, a resposta foi desconcertante: "Não tenho familiares. Saíram todos em fumo pelas chaminés dos campos de concentração.".

Em França, para além dos monumentos oficiais à memória dos mortos pela Pátria existentes em todas as localidades, também é comum encontrarem-se inscrições que evocam a memória de determinados indivíduos em particular, como esta que encontrámos em Vicdessos, durante a nossa estadia recente nos Pirinéus:


Nesta casa habitava
MARCEL BARRERE-CASSAGNET
Doutor em Medicina
1907-1944
Conselheiro Geral do Cantão
Herói da Resistência
Detido pela Gestapo
Deportado e falecido
no campo de BUCHENWALD

Tu que passas, lembra-te
que ele deu a sua vida
para que a FRANÇA
Viva Livre 

Foi também nesta localidade que aprendemos a história de um outro médico que, durante a ocupação alemã (havia então em França 1 soldado alemão para cada 80 cidadãos franceses), viu parte da sua casa ser requisitada pelos nazis, mas nem isso o demoveu de ser subversivo. Assim, enquanto no 1º andar a sua esposa cozinhava para os novos inquilinos germânicos, o médico ia mantendo na cave alguns judeus e outros fugitivos (inclusive aviadores aliados), à espera de transporte para a próxima etapa da rota de fuga que, pelos Pirinéus, levaria alguns a conseguir chegar a Espanha ou Andorra com a ajuda dos passadores.


(dedicado) À GLÓRIA DOS PASSADORES
DO CANTÃO DE VICDESSOS
E DAQUELES
QUE OS AJUDARAM
EM PROL DOS EVADIDOS 
DA FRANÇA E DOS ALIADOS
1940-1944

Estes passadores eram gente comum que conheciam cada recanto dos vales como ninguém. Funcionavam em rede para ajudar os fugitivos a escapar para Espanha ou Andorra, incorporando-se num movimento heterogéneo regional da Resistência, embora tenha havido muitos que a receber dinheiro pelos seus serviços. Cada passador local tinha o seu próprio caminho secreto, Muitas histórias de fuga terminavam em tragédia, quer para os passadores, quer para os fugitivos, quando por infelicidade davam de caras com uma patrulha alemã  ou da milícia francesa colaboracionista, ou a montanha se revelava um território demasiado hostil. A Espanha, oficialmente neutra, permitia perseguições alemãs a até cerca de 10km dentro do seu território, o que aumentava consideravelmente o risco.

A repressão foi intensa, estimando-se que 1 em cada 330 habitantes da região tenha sido deportado para os campos de concentração, e muitas são as histórias que por aqui se contam, como a do jovem passador de 19 anos chamado Louis Barrau, pastor de profissão, que ao tentar escapar da casa incendiada pelos alemães que o haviam cercado, foi abatido a tiro.

Há ainda algumas histórias menos nobres acerca de falsos passadores que, após receberem o pagamento pedido, abandonavam as pessoas em locais ao acaso, garantindo-lhes que já se encontravam em segurança. Um deles não teve vida fácil após a guerra já que os familiares de alguns desaparecidos vieram à sua procura, dispostos a ajustar contas.

Ainda assim estima-se que mais de 30.000 pessoas tenham conseguido escapar em segurança pelos Pirinéus, entre 1940 e 1944.

Querem ver como comem os animais? (Vídeo)

Esqueçam o Discovery, a National Geographic, as manhã de Domingo da SIC e o Campeonato do Mundo de Cachorro Quente. Este vídeo explica, com rigor e em definitivo, tudo o que há para saber acerca dos hábitos de alimentação dos animais, partindo da pergunta-mote "Queres ver como é que os animais se alimentam?".

Aviso: A Junta Directiva do Blog do Katano não aconselha o visionamento deste vídeo a quem tiver a barriga cheia.



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