segunda-feira, janeiro 14, 2013

A culpa é do cão do dono?

Numa altura em que novamente os ataques de cães de raças tidas como perigosas estão na ordem do dia, e como sempre acontece perante estas notícias, vem-me sempre à memória um episódio no qual me vi envolvido durante a minha meninice.

Tinha eu a saltitante idade de 11 anos quando, num infeliz final de dia, fui atacado por um cão que pertencia à família havia já vários anos. O Leão era um rafeiro de médio porte (que, à escala própria da minha idade de então, me parecia bastante grande) que nascera de uma cadela, a Farrusca, que havia sido recolhida, já adulta e em estado semi-selvagem, pelo meu homónimo tio-avô.

Vivi com os meus avós durante 4 anos, convivendo portanto com o Leão durante todo esse tempo. Ele era um cão algo temperamental mas sempre dócil com as crianças. Aliás, permitia até que eu e o meu primo Alexandre nos sentássemos no seu dorso, transportando-nos até se cansar. No entanto, vários cães menores da aldeia foram alvo da sua fúria, alguns de forma fatal. Várias foram as queixas e os pedidos para que o Leão fosse abatido. Houve até quem tentasse fazer justiça por suas próprias mãos, como já muito mais tarde acabariam por confessar. Por exemplo, furioso pela morte do seu cão de estimação, um habitante da aldeia viu um dia o Leão passar perto da sua casa. Chamou-o e atirou-lhe um pedaço de pão no qual havia vertido algumas gotas de veneno. O Leão aproximou-se da oferenda, cheirou-a e, com uma descarada impertinência, levantou a pata traseira e acrescentou os seus próprios fluidos ao já embebido pedaço de pão, partindo em seguida.

Naquele fatídico fim de tarde, algures em Setembro, penso eu, eu estava na brincadeira com o resto da miudagem, na costumeira algazarra irrequieta. O Leão aproximou-se e ficou estático junto a mim, enquanto as brincadeiras prosseguiam. De repente, sem pré-aviso, atirou-se rosnando à minha perna esquerda. Fechou a mandíbula junto ao meu joelho, sacudiu algumas vezes e, tão inesperadamente como atacou, largou-me e partiu.

A minha primeira preocupação foi pedir aos meus amigos que nada dissessem ao meu avô pois ele de imediato mandaria abater o Leão. Abalado, fui para casa com uma estranha falta de força na perna e entrei discretamente no meu quarto. Aí, subi a perna das calças para, ingenuamente, averiguar se o ataque tinha deixado algum hematoma. Para meu horror, à minha frente destapou-se um buraco enorme na perna, através do qual conseguia avistar uma importante parte do tecido muscular daquela zona, e mais além!

Claro que foi impossível continuar a ser discreto. Em aflição fui a correr avisar os meus pais que, de imediato me levaram ao Hospital do Fundão onde fui suturado com cerca de uma vintena de pontos.

Quanto ao Leão, que no regresso do hospital se dirigiu ao carro de rabo a abanar, acabou mesmo por ser abatido. Creio que parte da minha meninice morreu no dia em que mo comunicaram pois, a única coisa que consegui sentir para além da tristeza, foi um enorme sentimento de culpa, por ter contribuído para a morte de um amigo de muitas brincadeiras, isto apesar de durante muito tempo ter sofrido  de cinofobia e, ainda hoje, carregar as marcas físicas desse episódio.

É legítimo culpar um cão? Um cão não se rege por princípios de moralidade, não tem noção de certo e de errado. É por norma o reflexo da forma como os donos agem (e não agem) perante ele. O Leão era, na sua essência um cão de rua, o chefe da matilha e portanto territorial. Naquele dia, a algazarra de meia dúzia de miúdos no seu território não lhe caiu bem, ou talvez não tenha concordado com o facto de eu estar a brincar com outros que não ele. Agiu de acordo com os seus instintos. Não devia ter perdido a vida por isso.

Chegando ao caso do Zico...

Nos casos de ataques de  cães de que vou tendo conhecimento na comunicação social, fico sempre com a sensação de negligência por parte dos donos. Este caso do Zico é paradigmático: para além de todas as considerações sobre se o meio familiar era ou não disfuncional, o cão vivia confinado a um espaço reduzido. Por outro lado, as declarações de relativização da importância do cão ("Ele já era para ter sido abatido há um ano!" e "Não tínhamos condições para manter o cão!") realçam que o mesmo era tido como um objecto sem valor pela família.

Entretanto há também interrogações que ficam no ar: por que motivo tinha aquela família aquele tipo de cão, sobretudo quando eles próprios admitem que não tinham condições? Abater o dito vai impedir que esta família volte a ter um cão? Em que circunstâncias decorreu o ataque? Há muita coisa que ainda se desconhece sobre este episódio. Para já, e infelizmente, a única coisa que se pode fazer é lamentar a perda de uma vida.
É claro que dificilmente o cão escapará ao abate, até porque, dado o seu historial, não acredito que uma família queira adoptar este cão e deixá-lo aproximar-se de crianças.

Creio que já é altura de legislar de forma mais dura sobre esta matéria, agravando as sanções sobre a posse ilegal de cães de raças ditas perigosas e sobre os requisitos obrigatórios para poder ter um deles. Mal treinado, mal tratado, um cão pode tornar-se perigoso mas, tal como acontece em relação às armas, perigoso mesmo é o seu dono não conhecer a relação causa-efeito que existe entre o gatilho e o cano e ainda considerá-la apenas mais uma peça do mobiliário lá de casa, colocando em risco todos os que o rodeiam.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Episódios de apoio técnico à volta da barra de espaço

O universo do apoio técnico é fértil em situações que facilmente ganham um lugar na eternidade da memória graças aos seus contornos inusitados capazes, por exemplo, de elevar um leitor de CD à categoria de suporte para copos ou de dar vontade própria a um teclado, que subitamente desata a introduzir espaços num texto  antes que a utilizadora consiga perceber que, inadvertidamente, pousou o farto material mamário em cima das teclas, isto após uma chamada de atenção dos técnicos que já haviam sido convocados ao local para resolver este intrigante mistério que já durava há muito. 

Bom, se a primeira pertence à galeria dos clássicos do género, perdendo-se nos mitos urbanos do apoio técnico, já esta última história do teclado autónomo é bem real e foi-nos contada por um dos leitores deste blog, que guarda boas mamórias, perdão, memórias dos seus tempos de técnico itinerante.




Ora, foi precisamente à volta da tecla de espaço, "space bar" para os amigos, que ocorreram as duas últimas situações caricatas de apoio técnico em que me vi envolvido, ambas relativas ao mesmo processo. Telefonicamente, eu ia dando instruções para as utilizadoras introduzirem alguns parâmetros num comando. Um desses parâmetros era simplesmente " @", ou seja, "espaço, arroba". Basicamente, foi isto que aconteceu:

Situação 1:

Eu - Agora introduza "espaço" e "arroba", e faça OK.
Srª X - Em maiúsculas ou minúsculas?
...

Situação 2:

Eu - Agora introduza "espaço" e "arroba", e faça OK.
Srª Y - Já está!
Eu - Muito bem, agora vamos testar. Já funciona?
Srª Y - Não! Continua sem dar nada.
Eu - Introduziu os parâmetros onde eu disse, certo?
Srª Y - Sim! Tal e qual!
Eu - Ok, então vamos rever novamente para ter a certeza que ficou tudo como deve ser. Abra novamente a janela e diga-me o que lá tem.
Srª Y - Então, onde o senhor disse, eu pus: "E", "X", "P", "A", "Ç", "O" e o símbolo da arroba.
...



sábado, dezembro 29, 2012

O caso do envelope perdido

Anteontem, ao sair do escritório a horas pouco recomendáveis, dirigi-me ao carro para voltar para casa. Era o único veículo que por ali se encontrava estacionado àquela hora e, na rua, não se via vivalma. Também, -pudera!- com o frio que se fazia sentir, qualquer pessoa no seu perfeito juízo não se atreveria a sair de casa!

Ao chegar junto do carro reparei num envelope caído no chão junto ao carro. Peguei nele e verifiquei que estava fechado embora fosse possível perceber que continha alguma coisa. Ao abri-lo deparei-me com isto:



O primeiro pensamento foi logo "Eishhh que a alguém deve estar neste momento mais ralado que queijo parmesão antes de saltar para cima de uma bolonhesa!" No entanto, logo as preocupações se dissiparam quando, ao retirar aquilo que parecia ser um maço de notas de 100 euros, constatei que na verdade alguém colocara um guardanapo com uma decoração mitológica dentro do envelope.


Ele há com cada brincalhão!...



sexta-feira, dezembro 28, 2012

Castelo Novo no calendário da revista da National Geographic Portugal deste mês!

A edição de Janeiro da National Geographic Portugal inclui um calendário de 2013 que, desta feita, é dedicado às Aldeias Históricas de Portugal. Se só por si já é um excelente motivo de interesse por vários factores, mais será ainda, pelo menos para nós, pelo facto de a fotografia dedicada à Aldeia Histórica de Castelo Novo ter sido originalmente publicada no Blog do Katano pelo nosso mestre fotógrafo Pedro Brito (Xamane para os amigos menos próximos).

Trata-se de uma fotografia simplesmente fantástica que retrata a notável aldeia histórica do Concelho do Fundão sob um nevão em 2009, registada graças à perspicácia (e total desrespeito pela temperatura capaz de soltar o ultracongelado que há em nós, digo eu) do Pedro, no regresso de uma jornada laboral em Castelo Branco.



Esta foto foi também incluída no "I Catálogo de Bens Culturais da Beira Interior", publicado também em 2009 pela Sociedade dos Amigos do Museu de Castelo Branco, dando corpo à associação de cerca de 50 pessoas dos 11 municípios do distrito.

Vale bem a pena ir até à banca mais próxima, comprar esta edição da NG, que inclusive assinala neste número o seu 125º aniversário! Já agora, quem já tiver adquirido a revista, informe-nos por favor sobre qual foi o mês atribuído esta fotografia uma vez que o autor se encontra temporariamente emigrado e, como ainda não recebemos a revista, estamos já algo enfadados derivado da recepção de constantes solicitações com os dizeres "Então? Já sabes que mês me foi atribuído? Já?" ou "Então? Qual é o mês?" ou ainda "Olha, acho que deixei o ferro de engomar ligado".

PARABÉNS CAMARADA!!

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Postal oficial de boas festas do Blog do Katano

Agora que temos a certeza de ter sobrevivido ao Fim do Mundo pela 6ª ou 7ª vez (pelas nossas contas), aqui fica o postal oficial de Boas Festas do Blog do Katano, para a época 2012/2013, aproveitando ao mesmo tempo a ocasião para desejar a todos os nossos amigos, familiares, amigos familiares, familiares amigos, rostos familiares, rostos familiares amigáveis, visitantes sem rosto, visitantes sem rosto amigáveis, visitantes pouco familiarizados e demais não tão apreciadores do Blog do Katano quanto isso, uma boas festas e um ano de 2013 recheado de coisas boas. 

NDR: Este desejo relativo a 2013 é válido até ao próximo Orçamento Rectificativo.


Espelho do rio Dão

O dia de ontem ficou marcado por mais um espectacular almoço-convívio entre a Junta Directiva do Blog do Katano e o Comité da Taska Force. O local escolhido foi o restaurante "Cota Máxima", em Santa Comba Dão, e foi bastante agradável pôr a conversa em dia na margem do rio Dão, envolvidos por uma belíssima paisagem. Aqui fica um "cheirinho":




domingo, dezembro 23, 2012

68 anos depois, o pombo-correio entregou a mensagem!

Em 1982 no Reino Unido, um casal fez uma fantástica descoberta quando desimpedia uma lareira na sua casa que fora selada havia já muitos anos e cuja chaminé fora entretanto ocupada por pássaros, que ali nidificaram ano após ano.

No decurso da limpeza da lareira, David Martin começou a remover restos de ninhos que iam caíndo da chaminé. Foi nesse momento que caíram alguns ossos de uma ave um pouco maior, primeiro um osso do peito, depois o crânio e em seguida uma perna com uma anilha identificadora, facto que os fez perceber que se tratava dos restos de um pombo-correio.




A maior surpresa aconteceria contudo quando a outra perna caiu, já que nela ainda estava amarrado um pequeno cilindro vermelho em alumínio, recipiente que fazia daquele um pombo-correio muito especial: tratava-se de um pombo-correio que estivera ao serviço das forças aliadas durante a 2ª Guerra Mundial! Mas a surpresa não se ficava por aí já que, dentro do cilindro, encontrava-se ainda uma mensagem misteriosa.

A mensagem fora escrita usando um código secreto, desconhecendo-se portanto o seu conteúdo e a quem se destinava. Apenas era possível ler que esta mensagem era um duplicado, de uma outra que fora enviada por outro pombo, e que fora escrita por um misterioso sargento "W. Stot". A grafia de sargento ("sjt") indicava que era alguém do Exército.




Só há dois anos atrás surgiu algum interesse institucional nesta mensagem, neste caso, por parte do museu de Bletchley Park, a antiga sede dos serviços de inteligência destinados a decifrar códigos inimigos (cliquem aqui para ler o artigo sobre Alan Turing!). O facto de esta mensagem estar codificada, algo muito incomum, levou a supor que contivesse informação importante o que levou ao envolvimento do GCHQ, uma das 3 actuais agências de serviços de informação (as outras são o MI5 e o MI6). Não conseguindo decifrar a mensagem por desconhecer o código usado, o GCHQ (ndr: com esta segunda referência, já deve haver alguém da agência a ler o Blog do Katano), lançou um pedido de ajuda público.

A resposta acabou por chegar do outro lado do Atlântico há poucos dias atrás, quando um historiador canadiano, chamado Gord Young, alegou ter conseguido decrifar a mensagem em apenas 17 minutos, recorrendo a um livro de códigos que havia pertencido ao seu avô, combatente na I Guerra Mundial.

Segundo o historiador, a mensagem enviada pelo sargento William Stot diz:

"Hit Jerry’s right or reserve battery here. / Troops, panzers, batteries, engineers, here. / Counter measures against panzers not working"

Ou seja, trata-se de informação sobre localização e descrição das forças alemãs no terreno, pedindo acção contra elas. A referência Jerry era uma referência depreciativa aos alemães, assim tratados pelos ingleses devido à semelhança entre os capacetes alemães da I Guerra Mundial  e os penicos ingleses  de então ("jerry"). 

Este sargento William Stot foi largado de paraquedas atrás das linhas alemãs durante o Dia D, tendo acabado por morrer no decurso dos combates dos dias seguintes. Crê-se portanto que, a ser efectivamente este o autor da mensagem, esta terá sido enviada no decurso da invasão.

Os especialistas do GCHQ mostraram-se contudo algo reticentes, desconfiando da tradução avançada por Young, acrescentando que muito provavelmente nunca se terá a certeza do que diz a misteriosa mensagem. Poderá efectivamente tratar-se de uma má leitura. A outra hipótese poderá apenas ser que os técnicos do GCHQ  não querem ficar mal vistos nesta história...





Fotos: GCHQ, The History Blog,

sexta-feira, dezembro 14, 2012

O papel higiénico, os tubos agradecidos e o entulho

As mensagens que encontramos nas paredes e portas das instalações sanitárias de uso público, podem ser de índole diversa e nem sempre muito claras no seu conteúdo. Se mensagens há que prometem serviços de ordem sexual com elevados padrões de qualidade, com indispensável indicação de número de telefone, outras que denunciam de forma depreciativa determinadas características de terceiros devidamente identificados, ainda outras que dão a conhecer faculdades bastante abonatórias de elementos de outro sexo, mas há também mensagens do foro institucional, que dão instruções ou fazem recomendações para o uso dos equipamentos sanitários disponíveis.

Ora, é precisamente nesta última categoria que se enquadra o aviso que ilustra este artigo. Pelos vistos (apesar das adulterações manuscritas na forma de sinais de pontuação), há aqui um apelo para a não colocação de papéis no interior da sanita. Até aqui tudo bem. O resto da mensagem é que é pouco clara, pelo menos para mim que não consegui perceber a relação entre canalizações gratas e a produção de entulho... 


quarta-feira, dezembro 12, 2012

Google Zeitgeist - Os termos mais pesquisados em 2012

Como sempre acontece, a Google divulgou os termos mais pesquisados em 2012 pelos cibernautas, num universo de mais de um bilião de referências, dividindo a informação por países e por categorias. 

As pesquisas mundias parecem decisivamente influenciadas pelos EUA, uma hegemonia apenas quebrada pela "intromissão" de algumas referências brasileiras e uma ou outra britânica, tendo valido neste caso a exposição inadvertida das maminhas da Kate Middleton, destronando sem apelo nem agravo os afamados glúteos da sua própria irmã. Deu-me um certo gozo traquina colocar a palavra "maminhas" a negrito mas, por outro lado, eu também precisava de arranjar aqui uma forma de captar a atenção dos leitores, levando-os a ler o resto do artigo.

TOP PESQUISAS NO MUNDO
Pesquisas gerais: Whitney Houston, Gangnam Style, Furacão Sandy
Imagens: One Direction (uma boys band irlandesa), Selena Gomez, iPhone5
Atletas: Jeremy Lin, Michael Phelps, Peyton Manning
Acontecimentos: Furacão Sandy, Fotografias da Kate Middleton (topless, pois claro!), Olimpíadas 2012
Pessoas: Whitney Houston, Kate Middleton, Amanda Todd
Filmes: Os Jogos da Fome, Skyfall, Prometheus
Programas TV: BBB12 (Big Brother Brasil 12), Avenida Brasil, Here Comes Honey Boo Boo
Artistas: Whitney Houston, Michael Clarke Duncan, One Direction
Electrónica de consumo: iPad3, Samsung Galaxy S3, iPad Mini
Linhas aéreas: Southwest Airlines, United Airlines, American Airlines


E Portugal?

A realidade portuguesa contudo, é bem diferente, havendo uma clara primazia dos assuntos "domésticos" em relação às "americanices", o que não é necessariamente um bom sinal, sobretudo se atentarmos à natureza de alguns dos termos pesquisadas. Um bom exemplo disso é mesmo o dos programas de TV em que a "Casa dos Segredos" surge em primeiro lugar, à frente de "A tua cara não me é estranha" e da novela Gabriela, programa que, pelo que foi possível perceber, tem feito muito sucesso, presumo eu pelo rigor da caracterização social e económica da época que retrata. 

Aliás, "Casa dos segredos" é mesmo o 2º termo mais pesquisado do ano em Portugal, logo atrás de "Euro 2012" e à frente de "Pingo Doce", facto que, sendo um indicador importante das preocupações dos cibernautas lusos, me deixa a mim um pouco preocupado. Imaginem o diálogo entre os membros de um casal heterossexual de classe média, no qual a mulher foi recentemente despedida da fábrica de têxteis onde trabalhava há 20 anos e o homem vive dias inquietantes no escritório desde que o patrão o começou a tratar de forma estranhamente delicada de há uns tempos a esta parte, após terem circulado rumores de insolvência.

Mulher - "Se calhar deveríamos começar a pesquisar ofertas de emprego na net porque não tarda nada vais para o olho da rua e o meu subsídio de desemprego também não vai durar para sempre. Em alternativa poderíamos informar-nos acerca dos incentivos para a criação do próprio emprego. Eu já ando de há uns tempos para cá a pensar em montar o meu próprio negócio, até porque sou jeitosa para a doçaria.".

Homem - "Agora não. Estou a efectuar uma pesquisa com o intuito de aceder ao sítio do programa televisivo da Casa dos Segredos na Internet, para ver aquela parte, que eu perdi ontem, na qual o Cláudio e a Jessica discutiram devido à atitude da Jessica em abraçar o Fábio e ainda para visionar as imagens a verde de edredões a abanar.". 

(Sim, confesso, fui obrigado a pesquisar no Google por "Casa dos Segredos" para compor este diálogo mas foi bom porque assim fiquei também a saber que a Mara perguntou à Alexandra se esta já alguma vez se tinha sentido atraída pelo Cláudio!)

Salienta-se, para finalizar, o verdadeiro trio apocalíptico que compõe os políticos mais pesquisados no Google: Cavaco, Relvas e Gaspar. Não há duvida que estes políticos entraram em definitivo no coração dos portugueses, no caso de Relvas provavelmente também no pacemaker.


TOP PESQUISAS EM PORTUGAL
Pesquisas gerais: Euro 2012, Casa dos Segredos, Pingo Doce
Pessoas: Luciana Abreu, Adele, Rita Pereira
Canções: Somebody that I used to kown, Gangnam Style, Vem ver os aviões
Programas TV: Casa dos Segredos, A tua cara não me é estranha, Gabriela
Filmes: Ted, Madagascar 3, Os Vingadores
Livros: Um homem com sorte, D. Maria II, As 50 sombras de Grey
Atletas: Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar
Clubes: Benfica, Sporting Porto
Atletas olímpicos nacionais: Gustavo Lima, João Monteiro, Telma Monteiro
Como...?: Como emagrecer, Como perder a barriga, Como ganhar dinheiro
Destinos de viagem: Madeira, Cabo Verde, Algarve
Comida/Bebida: Bolo de chocolate, Bolo de iogurte, petiscos 
Marcas de roupa: Zara, Bershka, La Redoute
Políticos: Cavaco Silva, Miguel Relvas, Vitor Gaspar
Aplicações: Facebook, Youtube, Dropbox




quarta-feira, dezembro 05, 2012

Dos disparos da PSP sobre as claques na Nigéria aos misteriosos eventos em Braga, pelo Correio da Manhã

O tablóide diário Correio da Manhã é bem conhecido entre nós pela sua linha editorial de "se não tem sangue, sexo ou qualquer outro tipo de ilícito ou deboche, não é notícia". Para o comum dos mortais, melhor dizendo, para o comum dos mortais que não vive com entusiasmo estas especificidades da vida social, o Correio da Manhã é visto como se se tratasse da versão vampiresca do próprio Guttenberg, alimentando-se do lado mais sinistro do ser humano. 

Fiquem sabendo senhores que, independentemente das suas especificidades, a actividade jornalistíca é extremamente desgastante e, para os colaboradores do Correio da Manhã que se vêem obrigados a perseguir meliantes de índole diversa por caminhos sinistros, fugir às balas, rastejar na lama, circular pelo mundo da prostituição e proxenetismo sem ter a sua intimidade violada e ainda ter forças para chegar à redacção e compor uma edição, mais ainda. Chega-se à última página já em estado de esgotamento.

Isto tudo para dizer que, na edição da passada Segunda-feira, que eu folheei com deleite enquanto esperava que o meu cabeleireiro/barbeiro acabasse de cortar o cabelo a um senhor careca, me deparei com o bloco de notícias da última página no estado que mostro na foto abaixo.

Se nas primeiras duas notícias tudo parece normal, já que o PSD é por estes dias pouco popular e as criaturas que pululam pelo nosso futebol são realmente dignas de um país de 3º Mundo, já a última é desconcertante, levando a supor que o seu autor já se encontrava portanto no tal estado de esgotamento de que falei lá atrás.

Ficamos portanto a saber que, no dia anterior, aconteceram em Braga determinadas situações que, provavelmente, terão envolvido pessoas. 

Ah! Já agora, o número sorteado do Joker foi o 4 937 692. Porque, afinal, este ainda é um blogue de serviço público e isso é válido até num artigo dedicado ao Correio da Manhã.



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