quarta-feira, outubro 24, 2012

Crónicas Canárias V - A caminho do Teide, o ponto mais elevado de Espanha!


A visita ao Parque Nacional del Teide, ou Parque Nacional de las Cañadas del Teide, foi sem dúvida e por vários motivos o ponto alto da estadia nas Canárias. Em primeiro lugar porque se tratou da nossa primeira visita a uma paisagem moldada pelo vulcanismo e onde este ainda está bem presente, porque o vulcão Teide, com 3718m de altitude, é o ponto mais elevado de Espanha e, last but not the least, porque esta visita nos permitiu passear por paisagens não raras vezes surreais, dando muitas vezes a impressão de estarmos noutro planeta; isto dito com a experiência própria de alguém que nunca esteve efectivamente noutro planeta mas que já visionou diversos filmes de ficção científica, nomeadamente o Total Recall original, todos os da série Star Trek e o documentário "Ainda há pastores".

A grande caldeira do Parque Nacional. À direita erguem-se o Pico do Teide e o Pico Velho, com a sua cratera. Foto: Viaje Jet


O Parque é constituído por uma gigantesca cratera situada a cerca de 2.000m de altitude, rodeada por uma cintura florestal de pinheiros, sendo que numa das suas extremidades se erguem dominantes o Pico do Teide e o Pico Velho. Dos dois, o Pico Velho foi o último a entrar em erupção.

Pico Viejo (à esquerda) e o Pico de Teide (à direita)

O Pico Velho entrou em erupção pela última vez em 1789. A erupção foi antecedida por 2 anos de intensa actividade sísmica até que, finalmente, o flanco da montanha explodiu, abrindo uma fenda de 700m (que hoje é conhecida como Nariz do Teide), da qual foram projectados gases e lava durante 3 meses.

Já o Teide terá entrado em erupção durante a Idade Média. Cristóvão Colombo, nos registos do seu diário durante a viagem que o haveria de levar à descoberta da América em 1492, descreveu uma erupção em Tenerife que muitos atribuem ao Teide. 

É fácil estabelecer uma cronologia de antiguidade para as escorrências de lava que preenchem a paisagem. As mais recentes caracterizam-se por ser mais escuras enquanto as mais antigas possuem tons castanhos.

O Pico Velho e, a preto, a lava libertada durante a erupção de 1789

O "Nariz do Teide" visto de frente

Como referi atrás, tanto o Pico Velho como o Pico do Teide estão situados no limite de uma enorme cratera, vestígio remanescente do gigantesco vulcão que outrora dominou o centro da ilha. Contudo, há cerca de 180.000 anos atrás, mais ou menos a época em que Portugal não estava em crise, parte deste enorme maciço rochoso colapsou devido à erosão e deslizou para o mar. Este deve ter sido um acontecimento geológico fantástico já que, associado ao colapso da montanha, a câmara magmática do vulcão terá explodido devido à súbita descompressão, isto para além do tsunami que este evento terá provocado. A parede da caldeira remanescente é inconfundível na paisagem do Parque, erguendo-se a centenas de metros de altura.

Formações magmáticas e, ao fundo, a parede da caldeira

Mais uma vez a parede da caldeira e, em primeiro plano, os picos ditos fonolíticos. Já lá iremos.

Quando chove, forma-se na parte baixa da caldeira um lago efémero que pode dura apenas alguns dias ou algumas semanas. É o chamado "Llano de Ucanca", a planície de Ucanca. Esta zona foi também uma zona de transumância uma vez que os aborígenes para aqui traziam sazonalmente os seus rebanhos de cabras e ovelhas sem lã, abrigando-se nos muitos abrigos e grutas das imediações. 

O Llano de Ucanca e os vestígios sedimentares do lago efémero

Sim, exacto, é a parede da caldeira

Não sei se identificaram mas lá ao fundo avista-se a parede da caldeira. Ao meio avistamos uma antiga escorrência de lava e, em primeiro plano, um grande monte de piroclastos


Vista da parte superior da caldeira a partir da estação de base do teleférico que leva ao topo do Teide


O limite de uma das escorrências de lava mais recentes mas agora de mais perto


Algumas das formações mais características desta enorme cratera são os chamados picos fonolíticos, curiosas formações rochosas abruptas que parecem por vezes desafiar a gravidade.




Estes picos, que no caso do conhecido como "A Catedral" chega a ter 100m de altura, são os últimos vestígios de antigas chaminés vulcânicas, dentro das quais a lava arrefeceu e solidificou. A erosão desgastou os cones, constituídos por materiais menos resistentes, deixando à vista as colunas de lava solidificada. Como os materiais e condições ambientais de solidificação foram diferentes, estas colunas acabam por ser constituídas por camadas de diferentes cores e resistência, o que lhes confere um aspecto muito peculiar.

Os picos fonolíticos conhecidos como Roques de Garcia são a fronteira entre a zona mais baixa e a zona mais alta da grande cratera do Parque.

Alguns picos com as diferentes camadas de materiais bem evidentes

Roques de Garcia, agora de perfil

O pico fonolítico mais emblemático do grupo. A base é constituída por material menos resistente e, como tal, a erosão teve nela mais efeito

Outra das zonas mais interessantes (entre tantas) do espaço da grande cratera é a zona conhecida como Los Azulejos onde uma série de alterações hidrotermais conferiu um colorido muito característico às rochas, que vai do verde ao azul, passando pelo amarelo. A ilita e a caleonita são os minerais responsáveis pelas cores mais claras da "palete". Sinceramente, não faço ideia do que sejam estes minerais e estou apenas a reproduzir a informação constante do painel informativo no local só para impressionar.

Los Azulejos!



Junto aos Roques de Garcia encontra-se a pequena ermida de Nossa Senhora das Neves ou de Santa Maria Maior, o templo cristão espanhol situado a maior altitude, construída nos anos 1950/60 juntamente com o vizinho Hotel Parador. A título de serviço público, informo aqui que na ermida se celebra a santa missa todos os Domingos e dias festivos pelas 13h00.


 
A ermida de Nossa Senhora das Neves, na qual se celebra missa todos os Domingos e dias festivos pelas 13h00

A vegetação existente na cratera do Parque é claramente influenciada pela altitude a que esta se encontra, sendo exclusivamente rasteira ou arbustiva. Uma das plantas mais características deste espaço é o Tajinaste Rojo, Echium Wildpretii para os amigos.

Quando chega a Primavera e floresce, esta planta que permanece até aí rasteira, desenvolve uma estaca que pode crescer até 2m. No final da floração, esta estaca seca, deixando um "esqueleto" que pode durar vários anos. 

A seguir: A subida ao Teide!

Foto aérea: Viaje Jet

terça-feira, outubro 23, 2012

Crónicas Canárias IV - Montaña Samara, o primeiro vulcão!

O coração da ilha de Tenerife, a maior do arquipélago das Canárias, é ocupado pelo Parque Nacional del Teide, um dos dois locais da ilha inscritos na lista de Património da Humanidade da UNESCO, a par do centro histórico de La Laguna. Ir a Tenerife e não ir ao Parque do Teide é como ir a Cidadelhe e não ver o Pálio (isto para evitar entrar no lugar comum de ir a Roma e não ver o Papa).

Este parque é uma verdadeira lição sobre a história do nosso planeta, contendo uma paisagem marcada de forma inconfundível pela actividade vulcânica que não só criou a ilha como, ainda nos nossos dias, lhes continua a dar forma. Sim porque, bem vistas as coisas, os vulcões de Tenerife não estão extintos mas apenas inactivos, havendo alguma expectativa sobre quando e  onde será a próxima erupção. A agravar este sentimento existe a coincidência de as últimas erupções terem sempre ocorrido muito próximo do virar do século (1492, 1704, 1705, 1706, 1789 e 1909). Encontrando-nos já em 2012, podemos portanto dizer que, por esta lógica, os vulcões de Tenerife já estão a dever um espectáculo de pirotecnia. 

A caminho do Teide, passámos pela montaña Samara, uma chaminé vulcânica situada na zona de actividade mais recente cujo expoente foi a erupção do Chinyero que, em 1909, durou 10 dias.


Junto à estrada, os pinheiros dispõem-se sobre os agora petrificados rios de lava


montaña Samara tem a particularidade de ser um vulcão monogénico, isto é, um vulcão que se formou numa única erupção que cobriu todo o terreno circundante de cascalho, tendo ainda projectado aquilo que se designa por bombas vulcânicas, pedaços de lava, projectados pela chaminé, que solidificam no decurso da sua trajectória. Os pinheiros canários parecem querer apropriar-se pouco a pouco da paisagem desolada.

A montaña Samara


Percurso pedestre que leva ao topo do cone vulcânico

Pinheiros canários, os mais distintos habitantes do local

Ao fundo e à esquerda, avista-se o emblemático Teide e, à sua direita, o Pico Viejo

Ao chegar ao topo, a cratera impressiona. Apesar de este ser um dos mais pequenos cones vulcânicos, é impossível deixarmos de nos sentir pequenos perante a sua dimensão.
  
À beira da cratera

Vista do lado oposto

Uma bomba vulcânica


sábado, outubro 20, 2012

Solta o 007 que há em ti! Uma acção de publicidade fantástica da Coca-Cola Zero!

Numa excelente acção promocional (mais uma!), a Coca-Cola resolveu oferecer bilhetes para a ante-estreia do último filme de James Bond. A ideia, levada a cabo na Estação Central de Antuérpia, na Bélgica, foi bastante simples: numa máquina de vending, os transeuntes foram desafiados a soltar o 007 que havia dentro deles, tendo apenas 70 segundos para se deslocarem até à plataforma 6, convenientemente longe do local onde se encontravam. Fácil? Nada disso! No seu caminho foram colocados vários obstáculos e... bom, o melhor é mesmo verem o vídeo!


Crónicas Canárias III - La Laguna, Património da Humanidade

La Laguna, ou com maior rigor San Cristóbal de la Laguna, é uma cidade situada a curta distância da capital da ilha e província de Tenerife, Santa Cruz de Tenerife, e actualmente inscrita na lista de Património da Humanidade da UNESCO. Para além disso, é considerada a capital cultural das Canárias, sendo sede de uma universidade com uma população de 30.000 estudantes!

La Laguna foi a primeira cidade não fortificada a ser construída nas Canárias no fim do século XV, junto a uma lagoa que viria a ser drenada no século XIX, tirando daí o seu nome. Foi mesmo durante muito tempo a capital política e religiosa do arquipélago. Divide-se historicamente em duas zonas: Villa de Arriba e Villa de Abajo, nomenclatura que lembra um conhecido anúncio publicitário televisivo de um determinado detergente para lavar a loiça.

Uma das casas da Villa de Arriba com uma curiosa cobertura vegetal


A zona mais antiga, a Villa de Arriba, foi fundada em 1497 para albergar antigos soldados. No entanto, em 1502, com base nos conceitos de urbanização de Leonardo da Vinci para a cidade de Imola, um pouco abaixo desta, fundou-se por sua vez a Villa de Abajo. O resultado foi a construção de uma cidade de ruas bem largas e com blocos de urbanização bem definidos e regulares, contrastando assim com a Villa de Arriba, de ruas e casas extremamente irregulares.






As características das construções desta bem delineada Villa de Abajo que mais saltam à vista são, por um lado o colorido das casas, que contrastam e muito com a paisagem sobretudo do Sul da Ilha que é feita de castanho e cinza, e por outro lado o estilo colonial das mesmas, com vários solares.











A cidade de La Laguna encontra-se rodeada de verde, uma característica de toda a zona Norte da ilha que contrasta, e muito, com a parte Sul, agreste e desértica onde a única vegetação existente se compõe de cactos e demais plantas adaptadas à falta de água.

Independentemente disso, não faltam espaços verdes dentro da própria cidade. As árvores mais habituais são os ficus, a icónica palmeira e o peculiar dragoeiro, árvore com extrema longevidade. 


Dragoeiro na Plaza del Adelantado (Comandante Geral / Governador)

Noutra povoação da costa Norte de Tenerife, em Icod de los Vinos, é possível encontrar um exemplar milenar desta árvore. Infelizmente para nós não o pudemos ver uma vez que, à hora nocturna a que chegámos a Icod, o parque onde a árvore se encontra já se encontrava encerrado, isto para grande indignação de 50% da comitiva que quase se predispunha a salta a vedação!

Pormenor da ramificação do dragoeiro

Voltando às construções existentes não só em La Laguna como no resto da ilha, aquelas isentas de tijolo, é interessante para quem vem de fora deparar com a utilização da pedra vulcânica escura nas mesmas. Isso é de sobremaneira evidente nos templos cristãos da ilha.


Torre da Iglesia de la Concepción, a primeira paróquia a ser estabelecida nas Canárias


Torre sineira da Catedral de La Laguna


Catedral de La Laguna, infelizmente de acesso vedado devido às obras de recuperação em curso.


Em suma, é imperdoável vir a Tenerife e não visitar a cidade de San Cristóbal de La Laguna, cidade rica em cultura e história, e onde, pelo colorido das suas ruas, é impossível sentirmo-nos deprimidos.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Crónicas Canárias II - Bem-vindos a Tenerife!




Se geralmente quando viajamos, nos limitamos a ir confirmar a existência daquilo que já sabemos que existe, nesta viagem às Canárias optámos por uma abordagem diferente, tendo ido um bocado, passe a expressão, "às escuras". Sim, sabíamos que havia praia em Tenerife, pelo menos um grande clube de futebol, ainda um vulcão e diversas povoações. Uma consulta ao site da UNESCO permitiu saber ainda que havia dois locais classificados como Património da Humanidade, mas pouco mais. Isto serviu para reforçar ainda mais a surpresa daquilo que iríamos descobrir durante a estadia e não foi pouco!

Para além de ter permitido uma tremenda descarga psicológica, foi ainda possível aprender imenso sobre ilha, sobre o arquipélago e, sobretudo, sobre a formação do nosso planeta!

Como se formou a ilha?

Tenerife, tal como o resto do arquipélago, formou-se por acção do vulcanismo da região.
A hipótese mais aceite é a de que esta ilha se terá formado a partir de 4 vulcões que, a partir do fundo do mar, fizeram surgir quatro ilhas que, com a persistência das erupções vulcânicas, acabaram por se fundir numa só, com o centro naquilo que é actualmente o Parque Nacional de Las Cañadas del Teide. Há cerca de 180.000 anos atrás, grande parte do grande vulcão central e, como tal, uma significativa parte da ilha, desabou, provocando um tsunami de proporções épicas assim como uma super explosão do vulcão, moldando em definitivo a ilha.

Pequeno cone vulcânico na linha de vista da arriba conhecida como "Fortaleza"

O vulcanismo na ilha não está extinto, ao contrário do que acontece por exemplo na Gran Canária. A última erupção vulcânica em Tenerife ocorreu há pouco mais de 100 anos e já há muita gente a fazer apostas sobre quando será a próxima...


Os aborígenes

Um guanche vigiando atentamente o horizonte

Quando os espanhóis se dispuseram a apropriar-se das Canárias, estas eram já habitadas. Os "guanches" eram um povo originário do Norte de África e não se sabe como terão aqui chegado. Quando os espanhóis aqui desembarcaram, os guanches não tinham quaisquer conhecimentos de navegação, embora algumas ilhas estivessem à vista umas das outras. Nem tão pouco foram encontrados quaisquer vestígios arqueológicos que sugiram que alguma vez tiveram esse conhecimento. Isto alimenta a hipótese de que terão sido trazidos por povos do Mediterrâneo (Fenícios? Cartagineses?) algures entre os séculos V e III a.C.. Uma coisa é certa: os romanos já conheciam estas ilhas.

A conquista das Canárias, na qual Tenerife foi a última ilha a ser conquistada, quase levou ao desaparecimento dos aborígenes das Canárias (por exemplo dos 20.000 existentes na Gran Canária, só 3.000 sobreviveram), mas isto será tema para um artigo à parte, até porque, embora estivesse no nível tecnológico da Idade da Pedra, este povo tinha de facto uma cultura fascinante e, por outro lado, porque não é todos os dias que, passeando por entre centenas de caveiras, apanhamos um valente susto como aquele que apanhámos!

Continua...



quinta-feira, outubro 18, 2012

Crónicas Canárias I - Introdução

Regressados de férias depois de um périplo pelas praias e montanhas do arquipélago das Canárias, muito há para contar e partilhar e é exactamente isso que iremos fazer nos próximos dias.

De uma forma geral, a impressão que trazemos dos habitantes desta região ultra-periférica da Europa é que se trata de gente afável, extremamente positiva e optimista e, acima de tudo, gente resiliente, irredutível e imaginativa. 

Para abrir um pouco o apetite... ok, talvez não seja a expressão mais politicamente correcta para o caso... como eu dizia, para levantar um pouco do véu, partilho com vocês um instantâneo registado no centro histórico da igualmente histórica cidade de Las Palmas. 

Trata-se de um instantâneo que mostra um pouco daquilo que eu referi atrás acerca da imaginação dos habitantes das Canárias, neste caso no contexto da divulgação de serviços. Independentemente do suporte, nota-se aqui nitidamente a preocupação em promover um serviço, cuja diferenciação assentará na sua qualidade, a partir de um estacionário rústico ao qual se aplicou um design algo naïf, que não deixa no entanto também de potenciar o "boca-a-boca".... Bom, para já é melhor ficar por aqui.


domingo, outubro 07, 2012

Bruxaria com vitaminas de A a Z?

Ao percorrer as serranias junto a Vila Nova de Cerveira deparámo-nos com aquilo que pareceu à primeira vista um farto piquenique mas, pela disposição da coisa e não avistando ninguém por perto, depressa nos apercebemos que se tratava de outra coisa.

Bruxaria? Oferenda? Piquenique organizado por pessoas, com perturbações de memória de curto prazo, que de repente esqueceram que estavam a fazer um piquenique? Aceitam-se hipóteses...



quarta-feira, outubro 03, 2012

Vais ficar em casa amanhã?

Amanhã é novamente dia de sair de casa e ir para a rua fazer ouvir a nossa voz. Esta é uma oportunidade que ganha redobrada importância se tivermos em conta as últimas e preocupantes iniciativas deste Governo e ainda o facto de ser este o último feriado comemorativo do 5 de Outubro. Dia da república mas também dia de Portugal!

Assim, a partir das 22h00 de amanhã, Quinta-feira, todos os caminhos vão dar à Praça do Município para, a partir da meia-noite se dar início a uma arruada que irá percorrer as ruas do Fundão.

Vem e faz ouvir a tua voz!

Parece que há um ET no Barcelona...


... isto de acordo com as palavras do treinador do Benfica, na conferência de imprensa após o jogo de ontem que terminou com a vitória dos catalães por 2-0.

Sabem qual é a diferença entre o Gaspar e o Gaspar?

Sabem qual é a diferença entre o Gaspar da direita e o Gaspar da esquerda?...


O da direita tem amigos.

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