quinta-feira, outubro 18, 2012

Crónicas Canárias I - Introdução

Regressados de férias depois de um périplo pelas praias e montanhas do arquipélago das Canárias, muito há para contar e partilhar e é exactamente isso que iremos fazer nos próximos dias.

De uma forma geral, a impressão que trazemos dos habitantes desta região ultra-periférica da Europa é que se trata de gente afável, extremamente positiva e optimista e, acima de tudo, gente resiliente, irredutível e imaginativa. 

Para abrir um pouco o apetite... ok, talvez não seja a expressão mais politicamente correcta para o caso... como eu dizia, para levantar um pouco do véu, partilho com vocês um instantâneo registado no centro histórico da igualmente histórica cidade de Las Palmas. 

Trata-se de um instantâneo que mostra um pouco daquilo que eu referi atrás acerca da imaginação dos habitantes das Canárias, neste caso no contexto da divulgação de serviços. Independentemente do suporte, nota-se aqui nitidamente a preocupação em promover um serviço, cuja diferenciação assentará na sua qualidade, a partir de um estacionário rústico ao qual se aplicou um design algo naïf, que não deixa no entanto também de potenciar o "boca-a-boca".... Bom, para já é melhor ficar por aqui.


domingo, outubro 07, 2012

Bruxaria com vitaminas de A a Z?

Ao percorrer as serranias junto a Vila Nova de Cerveira deparámo-nos com aquilo que pareceu à primeira vista um farto piquenique mas, pela disposição da coisa e não avistando ninguém por perto, depressa nos apercebemos que se tratava de outra coisa.

Bruxaria? Oferenda? Piquenique organizado por pessoas, com perturbações de memória de curto prazo, que de repente esqueceram que estavam a fazer um piquenique? Aceitam-se hipóteses...



quarta-feira, outubro 03, 2012

Vais ficar em casa amanhã?

Amanhã é novamente dia de sair de casa e ir para a rua fazer ouvir a nossa voz. Esta é uma oportunidade que ganha redobrada importância se tivermos em conta as últimas e preocupantes iniciativas deste Governo e ainda o facto de ser este o último feriado comemorativo do 5 de Outubro. Dia da república mas também dia de Portugal!

Assim, a partir das 22h00 de amanhã, Quinta-feira, todos os caminhos vão dar à Praça do Município para, a partir da meia-noite se dar início a uma arruada que irá percorrer as ruas do Fundão.

Vem e faz ouvir a tua voz!

Parece que há um ET no Barcelona...


... isto de acordo com as palavras do treinador do Benfica, na conferência de imprensa após o jogo de ontem que terminou com a vitória dos catalães por 2-0.

Sabem qual é a diferença entre o Gaspar e o Gaspar?

Sabem qual é a diferença entre o Gaspar da direita e o Gaspar da esquerda?...


O da direita tem amigos.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Até sempre, Dª Maria Alcina


Começou infelizmente da pior forma esta semana, quando ao chegar a Caria, fui informado do falecimento, durante o fim-de-semana, da Dª Maria Alcina Patrício, um imenso ser humano e um verdadeiro exemplo de vida. O pesar divide-se entre o sentimento de perda de 93 anos de histórias e conhecimentos acumulados que faziam dela um verdadeiro e precioso livro e, sobretudo, a constatação, ainda em fase de aceitação, de que aquele incomparável sorriso já não entrará mais pela porta do nosso escritório, para o encher com a sua alegria.

O pequeno computador que era uma das suas principais distracções foi aliás o motivo pelo qual acabámos por nos conhecer. Era a sua via de comunicação com os familiares mais distantes e com o resto do Mundo também, fosse através do Skype ou do E-mail. Não demorou muito a aderir também ao Facebook, motivada pela sua afilhada: -"A minha afilhada está-me sempre a falar de uma coisa chamada Facebook. O que é isso? Eu também posso ter?". Este foi aliás o mote para várias tardes na sua companhia quando, depois de lhe ter criado a sua página, lhe fui explicando o essencial do seu funcionamento. Às dificuldades próprias da idade, respondia com uma tremenda persistência e uma curiosidade admiráveis, próprias não de uma idosa mas de uma criança que descobre o Mundo.

Tinha tanto de dinâmica como de generosa e não esquecerei a forma como se prontificou para gravar uma mensagem em vídeo de encorajamento para a minha mãe, na sequência do acidente que esta tivera e que, apesar das dores que sentia, foi capaz de lhe arrancar um sorriso.

Como ela própria dizia, não tinha tempo para se sentir sozinha, já que os seus dias eram totalmente preenchido pelas suas inúmeras ocupações, que ela própria ia renovando. Era artista plástica, cantora (criou inclusive o grupo das Cantadeiras de Caria), actriz (criou uma personagem "Ti Maria", que contava contos tradicionais, com a dicção popular do século XIX), tocava adufe, viola, piano mas, como se não fosse suficiente, e porque era dona de um temperamento imparável e incansável, começara também a ter aulas de cavaquinho!

Veio visitar-nos pela última vez há cerca de duas semanas. Estava anormalmente cansada e chegou a confessar o seu receio, premonitório como infelizmente se viria a verificar, em já não recuperar desta partida que o seu coração, enorme mas cansado, lhe parecia querer pregar. Ainda assim, ao sair, virou-se para trás e ainda atirou "Olhe, peça à sua Ana para arranjar alguma coisa para me pôr boa!" e rematou a frase com o seu inesquecível sorriso. Nem poderia ser de outra forma.


quinta-feira, setembro 27, 2012

Algo a que ninguém esperaria assistir durante um exame de engenharia!

Em Toronto, o dia prometia ser apenas mais um dia soalheiro e rotineiro, excepto para as dezenas de alunos da Universidade de Toronto que tinham à sua espera mais um exame de engenharia. No entanto, aguardava-os uma enorme surpresa... 




Confesso que se alguém se tivesse à época lembrado de fazer algo do género, os meus primeiros exames de Física Aplicada teriam sido muito menos dramáticos, embora me seja difícil imaginar um senhor algo idoso, de colete de malha e laçarote, subir para cima da sua mesa para tocar violino.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Macau é um país?

Longe vão já os meus tempos de frequência do ensino primário, uma etapa que, modéstia à parte, foi cumprida com notável desempenho, apesar do risco de desenvolvimento de uma certa agorafobia dado, que numa sala preparada para 30 alunos, eu partilhava o fascínio da aprendizagem com 5 ou 6 colegas.

Eu tinha aquilo que se pode caracterizar de síndrome do comportamento obsessivo pós-período curricular (tentei inventar algo pomposo e isto foi o melhor que consegui). Mas de que se tratava afinal este síndrome do comportamento obsessivo pós-período curricular? Basicamente nisto: sempre que conseguia acabar mais cedo as tarefas de que a professora me incumbia, pedia licença para me dirigir à biblioteca da escola, ou seja, o armário mais moderno da sala no qual se encontravam dispostos os livros da escola. Aí, devorava (salvo seja) o atlas que lá se encontrava, memorizando o nome dos países, as suas capitais e respectivas bandeiras. As bandeiras dos países tornaram-se para mim uma espécie de teste de Rorschach no qual, ao contrário de qualquer pessoa mais desavisada que nelas via apenas um rectângulo colorido, eu via um país, uma capital e imaginava a sua localização num planisfério.

Ora, precisamente no último fim-de-semana, vi a minha sensibilidade para as questões de geografia e geo-política seriamente feridas quando mostrava o castelo de Castelo Novo a uma ilustre visitante minhota. Ao subir a escadaria de acesso à torre de menagem, um grupo de jovens, talvez perto dos 16 anos de idade, discutia de forma acessa sobre esta temática e uma pergunta atirada para o ar captou a minha atenção:



- "Mas afinal Macau é o quê? É um país, não é?", questão que motivou alguns risos entre os jovens. É claro que eu fingi-me indiferente e até fiz questão de o dizer: "Eu não ouvi nada!", passando por eles com ar verdadeiramente indiferente, como se estivesse extremamente concentrado e fascinado no efeito que os líquenes estavam a ter sobre o material ligante nas juntas das pedras de granito que compõem a torre.

Após alguns minutos, e já revigorados pela vista e pelo ar fresco, regressámos pelo mesmo caminho onde ainda se encontrava esse grupo de jovens que discutia ainda sobre a mesma temática. Desta vez, apesar da falta de conhecimentos, notava-se uma nítida vontade de aprender: -"Mas então vamos lá ver. A Guiné e isso tudo, eram colónias, certo? Então e agora são de quem?". "Pertencem a Macau!", pensei eu. Pensei mas não disse, já que outra questão bem mais importante me veio à mente: que raio de geração Morangos com Açúcar / Casa dos Segredos é esta, que nem sequer conhece o Mundo em que vive? 


terça-feira, setembro 18, 2012

Algumas fotografias do festival "Chocalhos" 2012

Desta vez, e por força das circunstâncias, não tive oportunidade de experimentar a noite dos Chocalhos e portanto, a minha vistia a Alpedrinha resumiu-se a uma breve incursão vespertina dominical que, ainda assim, deu para regalar os olhos... e a barriga, claro! Porque o festival é acerca da Transumância, foi muito gratificante ver os efeitos, ainda que para já muito simbólicos, da adesão do Fundão à Grande Rota da Transumância, nomeadamente com a presença no Chocalhos da Guarda, Idanha-a-Nova, Castelo Branco e... Malpartida de Cáceres, povoação extremenha onde se fez um trabalho verdadeiramente notável neste campo. 

Voltando ao lado mais "mundano" dos Chocalhos, aqui ficam alguns instantâneos registados na tarde de Domingo:


"Bombistas" por todo o lado no largo do Chafariz de D. João V!


O mesmo cenário mas em ângulo inverso, como nos jogos de futebol televisionados.


Quase se consegue imaginar o Vitorino a cantar "Ovelha, estás à janela...!"

Barraquinhas, tascas, bancadas e património histórico são inseparáveis durante os Chocalhos.


Idem aspas

O "nosso" esparteiro José Martins Mendes, o "Zé da Encarnação" de Alcongosta, que, praticamente com 90 anos, continua a praticar a sua arte intemporal. Uma das suas peças foi premiada com o título de melhor peça de artesanato deste festival.

O Palácio do Picadeiro onde fomos encontrar a recém-devolvida imagem de São Jorge.

E, para fechar, algo completamente diferente: "Sob a Égide do Estado Novo"

Até para o ano!

segunda-feira, setembro 17, 2012

Onde é que tu estavas no 15 de Setembro de 2012?



Memorável! É o que se pode dizer de um dia em que os portugueses mostraram que o limite da tolerância foi atingido e que não concordam com uma política governativa que asfixia cada vez mais os que cada vez mais menos têm. Na Covilhã, algumas centenas saíram à rua e manifestaram-se contra o (des)Governo deste país. Foram poucos mas foram bons. Eu estive lá com muito orgulho... e ainda mais indignação.






 Até o Pêro da Covilhã, perdido no infinito, parece pensar que será mais fácil encontrar o Preste João do que a saída desta crise...

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