Foto: Moagem - Cidade do Engenho e das Artes / CMF
No que toca ao concurso de curtas pode-se dizer que houve poucas mas boas! Os prémios foram sem dúvida bem atribuídos nas categorias de animação e ficção enquanto que na categoria de documentário, havendo só uma participação, não se pode estabelecer um termo de comparação.
Na categoria de ficção o camarada Luís Batista não deixou os seus créditos por mãos alheias e explorou muito bem a velha crença de que as encruzilhadas são sítios "perigosos". Um aspecto curioso deste filme é a evocação, creio, de uma receita contra maus-olhados, usada aqui como bruxaria, na qual se fazia uma reza à medida que se ia deixando pingar azeite sobre um prato com água. A forma como o azeite se dividia sobre a água determinava a intensidade do mau-olhado de que a pessoa, para a qual se fazia isto, padecia. Vale a pena ver:Na categoria de animação o vencedor foi o trabalho intitulado "Spectrum Optical Disorder", de todos o que mais me agradou. Excelente conjugação entre imagem e música e locução impecável. Foi pena não ter podido ver isto com óculos 3D.
O documentário vencedor, "Ver é ter visto", é constituído por uma série de entrevistas a habitantes da aldeia de Castelo Novo que afirma ter avistado estranhos fenómenos na Gardunha. Esse foi aliás o mote das actividades planeadas para o serão.
À noite, a forte chuva que começou a cair obrigou a alterar o programa, naquilo que para mim foi uma gravíssima falha por parte da organização. Então planeia-se uma caminhada e uma sessão de observação "do astro" e permite-se chuva?! É um escândalo! Vá lá que o plano B foi bem engendrado e o documentário que estava inicialmente previsto para ser visionado na Casa do Guarda de Alcongosta acabou por ser projectado na Moagem.
Tratou-se de um episódio do programa sobre avistamento de ovnis, que há uns anos passou na RTP 2, intitulado "Encontros imediatos" (recordar aqui). Este episódio centrou-se na figura do Sr. Américo Duarte que durante os anos em que viveu em Castelo Novo, elaborou um vasto arquivo de registo de observações de objectos voadores e até de encontros imediatos do 3º grau.
Apesar de achar que o Sr. Américo Duarte denotava alguma sintomatologia que encontra explicação em termos clínicos, não é menos verdade que se tratava de uma genuíno apaixonado pela Gardunha e conhecedor desta Serra como poucos. Não sei até se não será mesmo o habitante mais influente de Castelo Novo desde Pedro Guterri. Seja como for, a conversa entre os espectadores que se seguiu ao documentário foi extremamente agradável, e o que saltou à vista foi a quantidade de pessoas que afirmam taxativamente ter avistado fenómenos inexplicáveis na Serra da Gardunha.
Do último dia pouco vi, infelizmente, embora o suficiente para nessa noite ter repetidamente sonhado com um infindável por-do-sol e ter por isso acordado com o ritmo biológico completamente invertido.
Fica o registo de uma interessante iniciativa cuja organização merece bem os parabéns. Venha a 2ª edição até porque, para além da beleza natural e patrimonial, também o paranormal faz parte do encanto da Serra da Gardunha.








