quarta-feira, dezembro 14, 2011

Prémios APOM 2011 - Museu Arqueológico do Fundão de novo entre os melhores!

Naquilo que é mais uma prova da qualidade do trabalho desenvolvido pela sua equipa, o Museu Arqueológico Municipal José Monteiro do Fundão foi na passada Segunda-feira galardoado com o prémio de Melhor Serviço de Extensão Cultural da Associação Portuguesa de Museologia (APOM) na gala que premiou as instituições que mais se distinguiram na área de museologia em 2011.

Momento da entrega do prémio no auditório do BES

Este galardão, recebido ex aequo com o Museu do Café em Campo Maior e com o Museu Nacional do Traje, constitui o 3º mais importante da APOM, a seguir ao prémio de Melhor Museu e ao de Melhor Exposição Permanente, foi atribuído ao Museu Arqueológico do Fundão em reconhecimento da excelência do serviço educativo que tem prestado em vários projectos que tem vindo a desenvolver, participando activamente na formação da juventude escolar e académica e colaborando nesse sentido com várias instituições, tanto a nível local (com a Escola Secundária do Fundão) como a nível nacional ou internacional, sendo de destacar as parcerias com universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Salamanca e Madrid.

As campanhas de escavações arqueológicas têm tido a participação activa de muitos jovens voluntários durante o período de Verão.

A biblioteca do Museu, aberta a qualquer cidadão que pretenda consultar uma obra ou utilizar um dos computadores disponíveis.

Depois da Menção Honrosa no prémio para o Melhor Museu Nacional em 2008 e do prémio para o Melhor Trabalho Museológico no ano passado, o Museu Arqueológico do Fundão torna-se assim, apesar do seu relativo curto tempo de vida, um dos museus mais premiados em Portugal. O Concelho do Fundão e as suas instituições e representantes podem pois orgulhar-se de ter aqui um dos museus mais activos e reconhecidos do país que, apesar de tudo, parece-me ser mais valorizado "lá fora" do que na própria cidade onde se encontra.


A Beira Interior em grande nos prémios APOM 2011

Para além do Museu Arqueológico do Fundão, outras entidades da Beira Interior foram também distinguidas noutras categorias:

Inovação e Criatividade: Projecto das Actividades Comemorativas do Centenário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco;

Melhor Catálogo: Carolina Beatriz Ângelo - Museu da Guarda;

Melhor Site: Museu do Côa;

Prémio Informação Turística / Visitante: Promoção Turística da C.M. de Vila Velha de Ródão, ex aequo com o Castelo de São Jorge (Lisboa) e Promoção de Turismo Cultural na cidade do Funchal.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Sobral de São Miguel - Das Minas dos Mouros às Lutas Liberais.

A propósito do passeio fotográfico que amanhã tem lugar em Sobral de São Miguel, recordei-me de uma reportagem que, em conjunto com o Xamane, realizei no ano 2.000 na povoação, tendo como cicerone o Sr. António Marques, escritor local que assina com o pseudónimo de Emanuel João. Das "minas dos Mouros" às peripécias durante as Guerras Liberais, esta visita teve de tudo um pouco.

Sobral de S. Miguel (Covilhã)
Uma Serra com histórias para contar


"Diante de nós, rasga-se uma comprida vala que na sua profundidade máxima deverá ter cerca de 4 a 5 metros." - ArqueoBeira 2003Atiçada a nossa curiosidade por um pequeno artigo no Jornal do Fundão que alertava para o abandono a que nessa localidade estava votado o local das "Minas dos Mouros", deslocámo-nos a Sobral de São Miguel. Guiados por António Marques, embarcámos numa viagem até aos tempos em que os salteadores assolavam a região e onde ainda ecoam as detonações das lutas liberais.

Em Sobral de São Miguel, existe alguém para quem a história e a cultura da localidade merecem a dedicação de uma vida. António Marques, um habitante desta localidade que diariamente cuida das suas cabeças de gado e das suas terras, escreve livros onde conta as histórias que recolheu ou que lhe foram transmitidas pelos seus pais e avós. Ocasionalmente, escreve artigos para o Jornal do Fundão onde relata o que vai acontecendo na sua localidade. Foi precisamente um desses artigos que nos levou ao seu encontro. Nele relatava a sua preocupação e mágoa por nenhuma entidade ou personalidade se interessar pelo sítio das "Minas dos Mouros" estando este local em vias de desaparecer.

Após o nosso encontro num café da localidade, tendo tido conhecimento do que nos tinha levado até ali, António Marques não consegue conter um sorriso próprio de quem sente a satisfação de saber que alguém ouviu o seu apelo. Prontamente acedeu a levar-nos até ao local, não sem antes nos ter contado um pouco da história de Sobral de S.Miguel, um pouco de si e do livro que está a escrever.

A Rota do Sal

Sobral de S.Miguel foi em tempos uma terra de grande importância económica. Por aqui passava a Rota do Sal que, do litoral, levava o tão precioso "ouro branco" para as terras do Interior. Aqui, onde existiam algumas Catraias, a rota dividia-se seguindo um ramo para Este e Sudeste passando por Covilhã e indo até Monsanto e outro para Nordeste. Esta rota só terminou quando o caminho de ferro adquiriu protagonismo como meio principal de comunicação com os centros de produção.
-"Ali em cima ainda se notam os sulcos das rodas dos carros (de bois) que transportavam o sal" - Diz-nos António Marques.

As Minas dos Mouros

António Marques - ArqueoBeira 2003Partindo então em direcção às "Minas dos Mouros", somos surpreendidos por uma paisagem impressionante que tem como pano de fundo a majestosa Serra do Açor. À medida que o vale se vai estreitando enquanto a estrada vai subindo na direcção de um monte sobranceiro a Sobral de S.Miguel, vemos aqui e ali umas manchas onde nem sequer vegetação rasteira existe. Os incêndios devastaram a floresta, e a vegetação restante foi impotente para travar a erosão. "A serra tem estas feridas. Já pensei em escrever para o jornal a falar nisto também" - lamenta-se António Marques.

Finalmente, entramos por um caminho de terra batida, onde somos obrigados a abandonar o veículo para fazer o resto do trajecto a pé. Poucos minutos depois, António Marques aponta para uma abertura na rocha camuflada pelos arbustos "É aqui a primeira. Ali mais à frente está a maior." - Diz-nos. Diante de nós, rasga-se uma comprida vala que na sua profundidade máxima deverá ter cerca de 4 a 5 metros. Inconfundivelmente escavado por mãos humanas, a época em que foi feita escapa-nos. "Toda a vida ouvi chamar-lhe Minas dos Mouros. Já os meus avós assim lhe chamavam e toda a vida lhe tinham ouvido chamar isso." - confessa-nos António Marques.

Descendo pela abertura, somos confrontados com um triste espectáculo: o único interesse que este local despertou foi em infelizes oportunistas que aqui viram uma oportunidade para se livrarem de trastes e lixo diverso. Para lá deste atentado, a galeria estende-se um pouco mais e afunda-se no solo, estando no entanto entulhada. O propósito das "Minas dos Mouros", tal como a sua idade, jaz sob a terra à espera que alguém a queira descobrir.

Salteadores e lutas liberais

Imersos na paisagem que nos envolve, contemplamos a Oeste a Serra do Açor, a Este o maciço central da Estrela e a Sul as marcas que as Minas da Panasqueira deixaram na paisagem envolvente. Apontando para a Serra do Açor, António Marques conta-nos histórias em que a Serra era um santuário para os que fugiam dos bandos de salteadores que atormentavam a população: os Cacarras e os Brandões.

"Quando alguém se apercebia da vinda dos salteadores, dava o alarme e toda a população escondia o que não podia levar e fugia para a Serra com o que podia levar, até animais. Uma vez, estando os salteadores em Sobral de S.Miguel, um dos galos que alguém tinha levado consigo para o esconderijo na Serra cantou. O dono, sem pensar, com as próprias mãos lhe torceu o pescoço." - conta-nos António Marques, continuando: "Isto era no tempo em que os que eram por D.Miguel lutavam contra os de D.Pedro. Ora chegando certa vez os salteadores a Sobral de S.Miguel, apenas encontraram uma velha que por não poder, não tinha fugido com o resto. Os salteadores querendo saber por que partido estava ela perguntaram-lhe "Viva quem?" ao que ela respondeu "Viva os que cá estão e El-Rei de Bragança. Vão todos para o raio que vos parta então, que não entendo nada dessa dança"".

Abordando as lutas liberais, conta-nos sobre um combate que aconteceu no alto da Serra do Açor. As forças realistas carregaram sobre os liberais que se tinham entricheirado no cume da Serra. Sobre estes fizeram tal descarga de artilharia que estes para não serem exterminados, tiveram de fugir

A Casa de Bragança em Sobral de S.Miguel

Sobral de S.Miguel era um local ao qual os reis da Casa de Bragança se deslocavam muitas vezes para fazer caçadas. Segundo António Marques "Os reis vinham cá e por aí deixaram semente. Andava aí muita gente parecida com os reis.". A uma familiar sua, recorda com um sorriso trocista, chamavam-lhe Maria Pia por ser parecida com a Rainha D. Maria I.

Emanuel João

Convidando-nos para entrar em sua casa, António Marques revela-nos outra faceta sua: a de escritor. Com o pseudónimo de Emanuel João, está actualmente a escrever um livro onde aprofunda os episódios que nos contou. O mais interessante desse livro, do qual tivémos o privilégio de ler já algumas passagens, reside no facto de contar o dia-a-dia dos habitantes de Sobral de S.Miguel do antigamente, tudo isto escrito em português de sotaque saloio. Um pormenor que nos faz sentir imersos no quotidiano de então.

No entanto, a edição deste livro ainda sem título, poderá não acontecer. António Marques lamenta o facto de se encontrar sozinho nesta luta "É difícil arranjar apoios. Eu sozinho não consigo pagar a impressão do livro e também não consigo arranjar quem me apoie. Nem os meus filhos me querem ajudar, não se interessam pelo que faço" - diz-nos não escondendo a sua mágoa.

Já o seu livro anterior intitulado "Deus, a verdade e a vida ou libertação da humanidade", conheceu sérios problemas para ser editado. "Consegui obter do Sr Carlos Pinto (presidente da Câmara Municipal da Covilhã) um apoio de 100 contos. Mas tive de insistir muito para o obter depois de prometido.". Neste livro, o autor reúne alguns pensamentos e reflecte sobre Deus, a relação dos homens com Deus e analisa o Mundo moderno à luz destes temas com a clareza de uma pessoa simples e franca.

Paradigmático da sua personalidade é o último parágrafo do seu livro:

"Escrevo este livro, sem qualquer intenção monetária ou comercial.
Se sou feliz com o pouco que tenho, para quê quero eu mais?
Olhai leitores amigos:
O que é preciso, é aproveitar o dom da vida tão lindo, que a natureza nos ofereceu.
Não quero ficar na história, como herói, profeta ou arrastar multidões, que isso de nada me aproveita, nesta ligeira passagem.
O que eu mais desejo era ver a libertação da humanidade!
O que é possível com o auxílio de todos os homens de boa vontade!
Que Deus me oiça!..."

07/01/2000"

Divulgação: Passeio fotográfico, Passeio Micológico e Encontro de Tunas

Este fim-de-semana vai ser animado por várias actividades para todos os gostos. Assim, amanhã os amantes de fotografia poderão participar num passeio fotográfico pela aldeia do xisto do Sobral de São Miguel. Entre paisagens de cortar a respiração, os amantes da fotografia irão certamente deliciar-se com imagens inesquecíveis.

À noite nada como ir até ao Souto da Casa para assistir ao VI encontro de Tunas para uma noite de animação garantida mas atenção! Nada de abusar porque no Domingo de manhã, ainda no Souto da Casa, haverá um passeio micológico sob a orientação técnica do Eng. Gravito, um especialista na área que se gaba de já ter provado mais de 80 cogumelos diferentes na Beira Interior! A não perder!


Passeio fotográfico - Natal no Sobral


10 de Dezembro - Sábado

Conheça, descubra e fotografe tradições, nesta aldeia tipicamente serrana.
Num passeio alusivo ao tema do Natal, época de grande alegria e convívio, dia 10 de Dezembro, venha passear pelas ruas da Aldeia do Xisto de Sobral de S. Miguel, no concelho da Covilhã.

Uma actividade do Histérico!



VI Encontro de Tunas do Souto da Casa

Sábado, 10 de Dezembro
Passa Calles a partir das 14h
Espectáculo 21h30 na Casa do Povo. Entrada por apenas 2,5 euros.
Organização da Secção Académica da CPSC


Passeio Micológico - Souto da Casa

Domingo, dia 11 de Dezembro a partir das 9h30
Direcção Técnica: Eng Gravito
Almoço opcional por 8€ às 12h30


Smartphoto - imagem matinal

Campo de milho junto à ribeira de Caria

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Ex-SCUT - Mas afinal são viagens ou passagens em pórticos?


Parece estar finalmente esclarecida a questão de interpretação da portaria no que diz respeito à forma das isenções na A22, A23, A24 e A25.

O que levantava dúvidas era a definição de "transacção" no disposto pelo decreto-lei 111/2011 onde se lia que os utilizadores teriam direito a isenção nas "10 primeiras transacções mensais". A esse propósito, a Rádio Altitude recolheu declarações do director de Relações Institucionais da Estradas de Portugal, Mário Fernandes, segundo as quais:

"(...) As isenções (...) terão como base dez viagens mensais e não dez transacções entre pórticos de cobrança electrónica de portagens. Assim, deslocações entre Vilar Formoso e Aveiro (na A25) ou entre a Guarda e Torres Novas (na A23) poderão ser contabilizadas como viagens únicas, embora o decreto-lei (...) refira «transacções». (...) Os automobilistas poderão sair numa localidade e voltar a entrar na auto-estrada continuando a beneficiar da isenção de viagem única, desde que o tempo de duração do desvio ou paragem não exceda um determinado limite, que não está quantificado mas que o porta-voz da Estradas de Portugal menciona como «o suficiente para tomar um café ou fazer um abastecimento». "

Ficamos portanto a saber que ao realizar a viagem não podemos demorar mais do que um determinado tempo, que ninguém sabe quanto é, mas que corresponde ao tempo de tomar um café ou de fazer um abastecimento. Eu pergunto: haverá tempo para fazer um abastecimento e tomar um café na mesma paragem ou temos de optar por um ou por outro? Já agora, a possibilidade de ter de recorrer aos sanitários está também consagrada ou temos de tomar o café no WC, redefinindo com isso o conceito de café com cheirinho?


PS - Já agora não se esqueçam de que, se a vossa viagem implicar a passagem da A23 para a A25 ou vice-versa, isso significará a contabilização de duas viagens!

Como evitar as portagens na A25 - Um artigo indispensável

É já a partir de amanhã que entra em vigor a cobrança de portagens nas ex-SCUT, situação que vai colocar novamente o Interior à distância em que se encontrava há 20 anos atrás dos centros económicos e dos centros de decisão deste país. Para uma região que tem um rendimento per capita que é 60% da media nacional, ter por exemplo a A23 mais cara que a A1 e ainda dada a conjuntura socio-económica actual, é sem dúvida um notável presente de Natal envenenado.

A discussão gerada em torno dos artigos que publiquei aqui sobre as alternativas à A23 entre Guarda e Castelo Branco (ver aqui) e entre Torres Novas e Castelo Branco (ver aqui) fomentaram uma interessantíssima discussão, na qual os leitores deram várias sugestões que permitem evitar a constante entrada e saída da A23. Aconselho vivamente a leitura das sugestões apresentadas e, desde já, agradeço imenso a todos os que deram o seu contributo.

Entre comentários vários, tanto aqui como no Facebook, alguém tinha perguntado se não estava a pensar em publicar um artigo idêntico para a A25. Não foi preciso! O Rui Sousa, no seu blogue Viver na Cidade da Guarda, apresentou ontem um notável artigo no qual não só apresenta as alternativas aos troços portajados da dita autoestrada como ainda uma tabela na qual apresenta uma análise da diferença de tempo e de distância entre as opções possíveis.


Este notável trabalho encontra-se disponível aqui:



Preços definitivos das portagens e isenções

Entretanto foi também esta semana publicada, no nº 232 da 1ª série do diário da República, a portaria nº303/2011 que fixa em definitivo os valores das portagens em todas as ex-SCUT: A22, A23, A24 e A25.

Em termos das isenções, as mesmas estão definidas no disposto pelo decreto-lei nº111 /2011, no diário da República nº228 da 1ª série de 28 de Novembro de 2001 que define isenção nas "primeiras dez transacções mensais" e 15% de desconto nas restantes. Ora aqui o termo transacções ainda provoca alguma discussão já que não está definido o que é isso da "transacção" mas pressuponho que seja uma passagem por um pórtico. Sendo assim, teremos direito a passar em 10 pórticos gratuitamente e 15% de desconto nas seguintes passagens.

O que é certo é que eu não beneficiarei disto de certeza. Recuso-me a contribuir para este assalto descarado à carteira das gentes da Beira Interior e, porque isso dói mais que qualquer marcha lenta, recuso-me a passar a partir de amanhã por qualquer pórtico da A23. Se todos fizessem o mesmo, isso sim levaria os "boys" da nossa praça a ter de tomar alguma medida proactiva e a inverter as decisões dos últimos anos que foram sufocando a Beira Interior.


terça-feira, dezembro 06, 2011

Amanita Muscaria - O cogumelo psicotrópico

amanita muscaria - Telhado, Fundão

O amanita muscaria, também conhecido como mata-moscas ou agárico das moscas é provavelmente o cogumelo mais conhecido e mais representado nas mais variadas expressões artísticas humanas, embora seja erradamente considerado como o supra-sumo dos cogumelos venenosos. Esse título deve ser atribuído a outro cogumelo do género das amanitas, a temível amanita phalloides, que é responsável pela esmagadora maioria dos casos de morte por envenamento derivado do consumo de cogumelos, e cujo único tratamento possível, quando feito a tempo, consiste no transplante de fígado.

Voltando ao nosso mata-moscas, este tem um forte efeito psicotrópico, sendo possível encontrar vários sítios na Internet onde este cogumelo é vendido a uma faixa muito -como dizer?- "específica" de apreciadores de cogumelos... É claro que pode mesmo assim ser mortal se for consumido em excesso pelo que o melhor mesmo é não arriscar.

Seja como for este cogumelo é sem dúvida um excelente elemento decorativo na paisagem e, para além disso, desempenha também uma função ecológica importantíssima, ao facilitar o crescimento das árvores (sobretudo pinheiros) em cujas raízes se desenvolve.

sábado, dezembro 03, 2011

Quando pedirem indicações rodoviárias nunca digam que são do Fundão


Todos estamos acostumados ao excesso de zelo que os habitantes locais põem em prática quando paramos para pedir indicações sobre o percurso a seguir até uma determinada rua ou povoação. Quem não se deliciou já (ou ficou mais baralhado) com o atropelo de indicações dadas por quem nos quer informar de todos os caminhos possíveis em direcção ao local onde pretendemos chegar? Eu próprio que o diga quando há uns anos cometi o erro de pedir indicações a um grupo de 20 cidadãos idosos na aldeia de Fornotelheiro. Ainda assim, experimentei há dias uma situação completamente diferente.

É claro que eu poderia ter logo percebido que a coisa não ia correr bem quando, ao procurar a Avenida General Humberto Delgado na localidade de Canhoso, junto à Covilhã, o GPS respondeu de forma seca que a mesma não existia. Ainda assim, movido por uma teimosia que me está lavrada no código genético, própria da gens Caetano, fui até ao Canhoso para procurar a empresa que as minhas pesquisas na web haviam situado nessa avenida e nessa localidade.

Após 15 minutos às voltas pela povoação sem conseguir encontrar a referência toponímica que procurava, decidi usar o antigo e infalível método de indagar a população indígena que, pensava eu, certamente me dirigiriam para a dita avenida. Encostei pois a viatura e abri a janela do lugar do passageiro, abordando um trio de indivíduos que teriam entre 50 e 60 anos.

-"Boa noite! Será que me poderiam indicar onde fica a Avenida General Humberto Delgado?"

O mais expedito de entre eles tomou a iniciativa de responder: - "Avenida quê? Oh amigo, isso não é cá no Canhoso. É ali na Covilhã!", resposta que deu início a um diálogo entre eles sobre qual seria a avenida com esse nome na Covilhã. Consensualmente, concluíram e informaram-me que se trataria de uma avenida que circundava o cemitério da Covilhã.

Já em jeito de despedida quis saber de onde eu era, ao que respondi que era do Fundão. A mudança do seu rosto para uma expressão de um misto de choque e revolta foi impressionante:

-"Do Fundão?! F###-SE! Do Fundão?! Ai o C######! F###-SE! Oh amigo, do Fundão nem cão, nem esposa nem nada! Há uma empresa do Fundão que me deve 64.000 euros, oh meu amigo! 64.000 euros!"

Subitamente, abriu muito os olhos e deu dois passos atrás, enquanto dizia exasperado -"Espere lá! De que firma é este carro? Hein? De que firma?", enquanto mirava o meu carro de ponta a ponta, procurando a identificação da empresa à qual ele pertencia. Tranquilizei-o dizendo que, apesar de eu ser do Fundão, a empresa à qual pertencia não o era, acrescentado que houvera ali um momento em que chegara a recear ter de voltar a pé para casa.

Quiçá devido ao alívio de não estar perante um agente de um caloteiro, o indivíduo foi tomado de um novo voluntarismo e, pegando no telemóvel, pediu-me para esperar um bocadinho -"Espere aí. Vamos mas é ligar para a PSP que eles devem saber onde fica essa rua!". Não contente pela resposta dada pela PSP, que contrariou as suas convicções e o informou de que afinal a Avenida General Humberto Delgado não existia na Covilhã (e no Canhoso também não, já agora), fez nova chamada mas desta vez para a GNR.

Aqui a resposta foi quase imediata: a dita avenida era afinal a artéria principal do Canhoso, que no GPS era referida como "Rua João XXIII". Desligando, apontou para a avenida que dali se avistava ao fundo da rua e exclamou: "É aquela oh amigo!". Despedi-me com um cordial e sentido agradecimento, não deixando no entanto de acrescentar: "Já viram? É preciso vir um gajo do Fundão para vocês aprenderem o nome das ruas do Canhoso!".

terça-feira, novembro 29, 2011

Como evitar as portagens na A23 entre Torres Novas e Castelo Branco

 

Como prometido, na continuação do artigo anterior onde apresentei as alternativas à A23 entre Castelo Branco e Guarda (clicar aqui para ler), apresento-vos hoje os mapas de localização dos troços pagos no troço Castelo Branco – Torres Novas.

Não tive ocasião ainda de testar algumas das sugestões de alternativa. Sendo assim, estou receptivo a sugestões que possam ajudar a optimizar o percurso para que este seja efectuado na forma mais económica possível.

Este artigo utiliza os preços de referência que se encontravam afixados junto aos pórticos até há cerca de duas semanas atrás e que a empresa concessionária fez questão de tapar.

Troço 1 - Torres Novas – Abrantes Oeste
Nº de pórticos: 3 – Custo total: 3,30€ (1,20€ + 1,10€ + 1,00€)

Para quem viajar de Torres Novas para Abrantes, a “fuga” à A23 obrigará a passar por algumas localidades, sendo que o mais inconveniente será mesmo a passagem pelo Entroncamento. No resto, saindo da A1, a tal autoestrada que é mais barata que a A23 porque no interior o rendimento per capita é de 60% da média nacional e a riqueza está concentrada no litoral (não fui eu quem inventou esta lógica), é necessário sair logo na primeira saída, a da Zibreira, seguindo depois pela Variante em direcção a Torres Novas, onde se poderá entrar novamente na A23 até ao Entroncamento.

Entrando no Entroncamento (cuidado com os fenómenos!), a opção é atravessa a povoação, rumo a Este, até ao IC3 que leva de novo à A23, no nó de Atalaia. Daqui até ao nó de Constância Centro não se encontram mais portagens.

Entre este último nó e Montalvo há mais um pórtico pelo que se deverá deixar a A23 no nó de Constância Centro e seguir para Oeste, circundando a povoação de Montalvo. De novo na A23, segue-se um curto percurso até Abrantes Oeste onde se deverá novamente deixar a A23, entrando em Abrantes.

 Clicar para abrir o mapa e depois usar o zoom para ver melhor1-TN-MONTALVO

 

Troço 2 - Abrantes Oeste - Envendos
Nº de pórticos: 3 – Custo total: 3,65€ (1,10€ + 1,30€ + 1,25€)

Atravessando Abrantes, deve-se apanhar a N2 para entrar novamente na A23 no nó de Abrantes Oeste, viajando depois até Mouriscas (Quem se lembra dos tempos em que a autoestrada aqui terminava?). Simbolicamente, deve-se sair outra vez em Mouriscas, seguindo a N358 e virando depois no sentido de Alvega-Ortiga, passando pelo Outerinho. A estrada aqui poderá não ser muito boa… O regresso à A23 faz-se no nó de Mação via N3-12, para voltar a sair na saída 13, no nó de Belver / Gavião.

A minha sugestão é seguir pela N3 até Vale de Coelho e, embora no mapa se proponha a EM 597 até ao nó 14 da A23, a escolha mais adequada será talvez seguir pela N3 até Envendos, voltando depois para a A23 pela N359.

Clicar para abrir o mapa e depois usar o zoom para ver melhor

2-MONTALVO-ENVENDOS

 

Troço 3 – Envendos – Perdigão (Sertã)
Nº de pórticos: 1 – Custo total: 1,35

Num troço relativamente “pacífico”, tendo entrado no acesso 14 em Envendos, só será necessário sair no nó de Fratel (17), seguindo depois rumo a Vilar de Boi e depois até ao nó de Perdigão, um pouco mais à frente. Daqui até ao nó de Vila Velha de Ródão é um pulinho… infelizmente. 

3-ENVENDOS-FIGFOZ

 

Troço 4 – Perdigão (Sertã) – Retaxo /Sarnadas
Nº de pórticos: 2 – Custo total: 2,35€ (1,45€ + 0,90€)

A partir de Vila Velha de Ródão, a alternativa mais lógica será a N3 até Castelo Branco, passando perto de Vale do Homem e por Sarnadas, rumo a Castelo Branco. Confesso que não passo por aqui há já muito tempo mas presumo que seja muito melhor que as alternativas anteriores na zona de Envendos.

Chegados a Castelo Branco e rumando para Norte, será muito mais fácil circular pelas alternativas aos troços portajados da A23 do que o foi até aqui.

4-FIGFOZ-RETAXO 

Resumindo:

Não é tão fácil fazer o percurso entre Torres Novas e Castelo Branco como o é entre Castelo Branco e a Guarda, em termos de alternativas. Estradas sinuosas e passagem pelo centro de localidades poderão levar-nos a pensar duas vezes em relação a optar ou não pelas “alternativas”, até porque os preços dos pórticos, quando analisados individualmente, parecem não ser tão relevantes.

No entanto, não se esqueçam que neste percurso se encontram 11 pórticos, para um total de portagens de 10,65€, e isto para veículos de Classe 1! Para um percurso de ida e volta estão em jogo 21,30€, mais combustível!

Sintam-se livres de sugerir alternativas às que foram aqui apresentadas. Serão muito bem-vindas e com certeza preciosas para amenizar a distância a que o Interior se acha novamente do poder central.

Mapa completo

Clicar no mapa para abrir. Em seguida poderá usar a função de zoom
CB_TN
 

Leitura obrigatória:

Os preços das portagens de Abrantes até à Guarda

Como evitar as portagens na A23 entre a Guarda e Castelo Branco

Leiam! Partilhem! Já basta basta de abuso!

segunda-feira, novembro 28, 2011

Madeiro de Penamacor - O maior madeiro de Portugal precisa do vosso voto!

Madeiro da aldeia de Fatela - 2010

Pela Beira Interior, Natal não é Natal se não houver Madeiro. Numa altura em que pelos adros das igrejas e capelas das povoações da Beira Interior, se vão em breve começar a acumular os troncos que iluminarão e aquecerão a noite de Natal daqui a sensivelmente um mês, eis que somos confrontados com a oportunidade de dar ainda mais visibilidade a esta tradição.

O Movimento SIM, criado pela Samsung para premiar a criatividade em Portugal, promoveu uma extensão do concurso para premiar também a tradição de Natal mais criativa. O Madeiro de Penamacor, o maior madeiro do país, surge entre os 3 finalistas onde se incluem também a Saída dos Reis de Vila do Conde e a Festa de Santo Estêvão de Ousilhão. O vencedor merecerá honras de uma curta-metragem realizada por Manuel Pureza.


O processo de voto é simples:
1 - Ir ao site do Movimento SIM em http://www.movimentosim.com/simnatal/
2 - Por baixo da foto do madeiro de Penamacor clicar em VOTAR
3 - Preencher e submeter os campos pedidos (nome, apelido e e-mail)
4 - Confirmar o voto no e-mail enviado para o endereço que referiram atrás



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