terça-feira, junho 21, 2011

Diferenças entre o lado de cá e o lado de lá...

Eu sei que do lado de lá da fronteira as coisas também não estão famosas e os bancos ainda estão piores que os nossos mas... como querem que não se fique com a ideia de que o nível de vida do lado de lá é melhor que o nosso, quando nos deparamos com uma clara disparidade no nível do produto em promoção no festivais sazonais de um lado e do outro?

Na margem esquerda do rio Minho encontrámos este cartaz:

Por outro lado, na margem oposta do rio Minho encontrámos este:

Não notam aqui uma subtil diferença?

terça-feira, junho 14, 2011

As inquietantes sugestões de pesquisa do Google!

A maioria das pessoas que utilizam regularmente o Google, já terá com certeza atestado a utilidade das sugestões de pesquisa do Google, uma lista de opções que o Google considera como pesquisas mais prováveis, que surge anexada à caixa de pesquisa enquanto escrevemos os termos daquilo que queremos procurar, e que é formada tanto pela análise daquilo que estamos a escrever como pelas pesquisas mais populares dos cibernautas em geral.

Se estas sugestões são de uma utilidade inegável, não é menos verdade que também podem por vezes ser completamente inusitadas e até mesmo inquietantes. Também é interessantíssimo analisar as diferenças entre as tendências de pesquisa lusófonas e anglófonas, diferenças essas que nos mostram que, para além da diferença linguística há também uma enorme diferença de motivações e preocupações entre os dois grupos. Senão vejam:


PORQUE É QUE... ?



Primeira diferença gritante. Enquanto os lusófonos mantêm uma associação umbilical ao mar e já agora, porque nem só do azul do céu e do mar se vive, se questionam acerca do porquê do formato das caixas de pizzas, já os anglófonos preocupam-se com questões mais concretas do dia-a-dia, nomeadamente o porquê do resultado da sua digestão aparentar uma coloração próxima da de um arco-íris, o porquê das pessoas ao seu redor estarem tão sérias e misterioras e finalmente do porquê de estar um paquistanês morto no sofá das suas casas o que, como todos sabemos, é uma enorme maçada.


ONDE POSSO...?



Se tanto um grupo como o outro mostram uma tendência cinéfila, já a forma como a praticam se posiciona de forma díspare em termos legais. Há no entanto uma diferença importante nas restantes motivações. Enquanto os lusófonos se mostram preocupados com as eleições e, entretanto, em tirar o passaporte e obter o Certificado de Aptidão de Motoristas (provavelmente nas últimas eleições tinham um plano para se ausentarem do país por tempo indefinido caso José Sócrates vencesse novamente), já os anglófonos têm uma preocupação primordial: encontrar Chuck Norris. Acredito que seja assim como que encontrar Cristo.



POSSO COMER...?


Aqui reside uma diferença abissal em termos de preocupação com aquilo que se pode e não pode comer. Se os lusófonos têm uma absoluta preocupação com a alimentação durante a gravidez já os anglófonos, embora também tenham algumas preocupações relacionadas com essa mesma temática, mostram também uma preocupação com... com... como hei-de de colocar a questão... com a ... com o ... em relação a... Podemos chamar isto de reciclagem ?

segunda-feira, junho 13, 2011

Festa da Cereja 2011 em fotografias

Terminou mais uma Festa da Cereja que, como sempre, teve muita animação, música, muitas cores e sabores e que este ano teve também honras de visita de estado com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva entre os milhares de visitantes que vieram provar os sabores da cereja à aldeia de Alcongosta, no Concelho do Fundão. Se ouvimos bem, por estes dias venderam-se cerca de 50 toneladas deste fruto!

Nós também andámos por lá e partilhamos com vocês um pouco do que se passou pelas ruas de Alcongosta. Em primeiro lugar, destacamos um aspecto: o ordenamento do trânsito. A criação de um parque de estacionamento na zona do seminário, com ligação por autocarro ao centro da aldeia foi muito positiva e evitou o caos no trânsito das edições anteriores.

As ruas encheram mais uma vez com os visitantes, com cada vez mais pessoas vindas de fora da região, que percorreram as inúmeras tasquinhas e lojas de artesanato que abriram um pouco por todo o lado.
A temática da cereja estava, como é óbvio, omnipresente nos motivos decorativos com que se enfeitaram as ruas.


Chegados à zona mais alta, nada melhor para recuperar o fôlego e recuperar da desidratação do que uns belos copinhos de licor de cereja!


Mas nem só de licores e petiscos se fez a festa. Também a música teve como sempre o devido protagonismo, como aqui com o animado concerto dos Contradições.


Pelas tascas, começámos pela tasca do Fiúza, uma tasca à moda antiga!

... e com um licor de cereja que constitui uma espécie de felicidade em forma de copo, como aliás é possível perceber no seguinte instantâneo:


Já na tasca do Alentejano, o ambiente também estava animado, animação que aliás está bem patente na expressão do ilustre alcongostense na diáspora que aqui se deixou fotografar e que, ao longo da noite, se dedicou de corpo e alma (talvez mais de corpo) à causa do fomento do consumo de produtos locais.


Aqui um aspecto geral do referido estabelecimento.



Um alinhamento de respeito! No final deste arco-íris não estava de certeza um duende com um pote de ouro mas mais provavelmente um enfermeiro com uma garrafa de soro.


Noutras zonas da aldeia, e porque nem só de cerejas vive o organismo e porque para as rampas que se encontram em Alcongosta, tanto a subir como a descer (segundo o nosso ilustre Jerónimo), "o peixe não puxa a carroça", houve quem se esmerasse no trabalho com o grelhador para encher o estômago dos visitantes.


E claro, também há espaço para diversas formas de artesanato, embora a que mais caracteriza a aldeia seja sem dúvida a cestaria.


Também a Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão marcou presença, tendo apresentado algumas supresas bastante interessantes.

Se o Segredo de Cereja, uma bebida que apesar do sucesso em certos sectores da comitiva tinha uma composição que nos escapou, já o Pastel de Nata de Cereja, uma invenção da escola, estava delicioso.


Aqui supreendemos dois bravos alunos da escola que finalmente conseguiram ter tempo para jantar, lá para as duas horas da manhã, tirando a barriga de misérias com duas sandochas acompanhadas de cerveja sem álcool (Asseguramos que não fomos copiosamente pagos para dizer isto de modo a não denegrir a imagem dos retratados).


E para o ano há mais!
Também têm fotos e/ou vídeos da festa? Partilhem connosco!

quarta-feira, junho 08, 2011

Museu do Fundão apresentou 6º número da revista premiada Eburobriga


O Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão, apresentou ontem o 6ª número da revista científica Ebvrobriga, uma publicação que em 2010 viu reconhecido o seu valor pela APOM, Associação Portuguesa de Museologia, como prémio de Melhor Trabalho de Museologia. Recorde-se que, já em 2008, a APOM havia atribuído ao Museu uma menção honrosa na categoria do Melhor Museu Nacional.

A apresentação esteve a cargo de Ana Mercedes Stoffel, docente da Universidade Lusófona, que se revelou uma excelente oradora, e que aliás faz parte do conselho editorial da revista, à semelhança de alguns dos nomes mais importantes da arqueologia e museologia em Portugal.

Esta apresentação coincide com o anúncio da assinatura de um convénio de colaboração entre este Museu e o Museo Nacional de Arte Romano, de Mérida, facto que vem acrescentar mais uma página de ouro à curta mas intensa história da existência deste museu, que se assume cada vez mais como uma referência nacional na área da museologia e investigação arqueológica. Está portanto de parabéns toda a equipa do Museu Arqueológico José Monteiro.


Quem este fim-de-semana vier ao Fundão, aproveitando um fim-de-semana prolongado para participar na Festa da Cereja, não pode deixar de visitar este museu!

Festa da Cereja 2011 - Alcongosta / Fundão


Começa já amanhã a Festa da Cereja 2011 que, até Domingo, promete mais uma vez encher as ruas da aldeia de Alcongosta de cores, música e movimento com as tasquinhas, instaladas pelos habitantes locais nas suas caves e garagens a prometerem fazer outra vez as delícias dos mais de 40.000 visitantes esperados. Recordam-se como foi no ano passado? (Cliquem aqui)

A cereja, rainha do evento, estará omnipresente no evento, tanto na sua forma original como em doces, licores e muitos outros produtos, consoante a imaginação dos "tasqueiros", sendo obrigatório provar o licor de cereja ou até a espetada de cereja em banho de chocolate, por exemplo. Está ainda assegurado durante todo o fim-de-semana, como sempre tem acontecido, a ligação por autocarro entre o centro do Fundão e Alcongosta para evitar os inconvenientes do trânsito.

Esta festa da cereja coincide ainda com o festival gastronómico Sabores da Cereja ao qual aderiram vários restaurantes ao redor da Gardunha. Motivos de sobra para visitarem a zona da Gardunha este dias!


Seguem-se algumas informações de indesmentível utilidade:

1 - Onde é que é isto da festa da cereja, afinal? Está aqui no mapa:


2 - E qual é o programa das festas? É este:

Dia 9 de Junho
Tarde | Bombos da Alcongosta
Pifaradas e Gaitadas do Álvaro Pessoa
Bombos da Capinha
21H00 | Concerto Grupo de Cantares Sª do Mosteiro (Freixial)

Dia 10 de Junho
8h30 | Passeio Pedestre na Rota da Cereja
(integrado nas comemorações do 25º aniversário da Rádio Cova da Beira)
Ponto de Encontro – Junta de Freguesia do Fundão

Manhã | Bombos de Alcongosta
Tarde | Concertinas da Sequeira (Guarda)
Rancho Folclórico do Castelejo
Noite | Grupo de Música Popular “As sementinhas”Centro de Dia do Castelejo
Rancho Folclórico de Soalheira
22H30 | Concerto Comtradições

Dia 11 de Junho
8h30 | II Passeio/ Convívio de Motard
Clube Motard Trinca Cerejas (contacto:966 376 010)
ponto de encontro - Amnésia Bar
Manhã | Bombos de Alcongosta
Tarde | Associação de Bombos Souto da Casa
Bombos das Donas
Bombos do Barco
Rancho Folclórico dos Três Povos
Concertinas Estrelas da Serra (Guarda)
Noite | Rancho Folclórico
Cantarinhas do Telhado
Bombos do Alcaide
Grupo de Cantares da Esc. Sec. do Fundão
22H30 | Concerto A Caruma

Dia 12 de Junho
Manhã | Bombos de Alcongosta
Bombos da Barroca
Bombos da Junta de Freguesia do Fundão
Tarde | Grupo de Cantares de Santo André (Telhado)
Grupo de Cantares da Arrifana
Rancho Folclórico dos Pastores do Açor
Grupo Coral da Associação de Solidariedade Social de Silvares

3 - E diz que há autocarros? Há sim senhores! Cliquem aqui para ver os horários.

terça-feira, junho 07, 2011

Os escoceses têm o Nessie e nós temos o crocodilo de Castelo de Bode!

Depois do Abominável Homem das Neves nos Himalaias, depois do Bigfoot na América do Norte, depois do monstro pré-histórico do Loch Ness e depois do Hugo Chavez na Venezuela, eis que Portugal entra também restricto rol dos países possuidores de um tão terrível quanto improvável bestiário, após o suposto avistamento de -nada mais nada menos!- um crocodilo na albufeira de Castelo de Bode!

São vários os habitantes locais que afirmam ter visto a criatura, descrita como sendo semelhante a um tronco. Mas desenganem-se os cépticos que se sintam tentados a dizer algo como "Olha, vai na volta era mesmo um tronco!" pois a criatura provoca ondas ao deslocar-se e, daquilo que sabemos do comportamento dos troncos quando em liberdade, é que se há coisa que eles não fazem é certamente provocar ondas! É pois mais uma preocupação para as comunidades estabelecidas ao longo desta zona do Zêzere, que já estavam de há uns anos a esta parte a braços com uma invasão de lagostins, menos indigestos apesar de tudo que um crocodilo.

A culpa será, segundo consta de um Holandês que, segundo rumores de fonte indeterminada, terá estabelecido na zona um viveiro destes répteis e de onde estes se terão escapado. Vale a pena ver o vídeo da reportagem:



Ups! Peço imensa desculpa mas parece que houve aqui uma troca de vídeos! O que eu queria mesmo mostrar é mesmo este:


Este episódio traz-me à memória um outro, ocorrido nos anos 1980's, quando se espalhou um boato segundo o qual haveria um tigre à solta numa zona do país da qual já não me recordo. Alguém se lembra?

Entretanto ficamos a aguardar tranquilamente por novidades acerca deste caso mas, em prol da saúde, com os pézinhos fora da água da albufeira de Castelo de Bode... derivado do reumatismo, claro!

domingo, junho 05, 2011

O discurso de despedida de José Sócrates e a pergunta incómoda de Susana Martins da Rádio Renascença


Sócrates despediu-se da governação com uma clara derrota nas legislativas. Como era previsível, José Sócrates optou por demitir-se da liderança do PS. O seu discurso foi de humildade, a mesma que esteve em défice durante as duas últimas legislaturas, e de resignação, procurando sair com dignidade. O pior foi quando no final do discurso convidou os jornalistas a fazerem perguntas. A dada altura, foi brindado com uma pergunta colocada por Susana Martins da Rádio Renascença:

"Eu gostava de saber se receia que este resultado eleitoral, esta derrota eleitoral abra caminho a novos processos judiciais ou que acelere processos judiciais em curso. (...) Estou-me a referir a novos processos em torno do caso Face Oculta ou Freeport."

O desconforto de Sócrates foi notório e procurou ganhar tempo para saber o que responder, enquanto a jornalista era brindada com uma enorme vaia por parte dos apoiantes do candidato derrotado.


É de louvar a coragem que a jornalista teve para fazer uma pergunta semelhante num ambiente que não tem lidado bem com vozes discordantes, como se viu durante a campanha, e é uma pergunta infelizmente legítima já que em Portugal nos encontramos. No entanto, gostaria muito que este tipo de questões tivesse sido levantado há muito mais tempo (terá sido o medo de repetição do caso Manuela Moura Guedes?) e não agora que o Sócrates está "no tapete".

Seja como for, a pergunta não deixa de ser oportuna. Será que agora os Face Oculta, Freeports, "Manuela Moura Guedes", e outros que tal irão deixar de se arrastar, parecendo não chegar a lado algum?

E hoje? Estão à rasca para votar?


Hoje temos um dever a cumprir. Não basta passarmos o resto do tempo a reclamar, a protestar contra quem nos governa, seja ele Fulano ou Beltrano ou seja pelo voto em branco, a declaração efectiva de que nenhum dos candidatos nos enche as medidas. É preciso votar por nós, pelo país.

Há 3 meses atrás escrevi aqui, inserido num artigo intitulado "Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos", o seguinte:

Uma das principais falhas da Democracia portuguesa é o facto da população, tantos anos depois e passado o deslumbramento inicial pós-25 de Abril, não ter conseguido perceber e assumir a sua
responsabilidade cívica. Falta de maturidade democrática? Provavelmente. Falta de responsabilidade? Principalmente! Isso começa quando se ouve dizer "Sou apenas um. O meu voto não faz diferença." e, quando damos por ela, mais de metade dos eleitores decidiram que o seu voto não era importante. Na prática, não há diferença entre quem se assume desiludido com o sistema político e os seus intervenientes e, por isso, não vai votar, e quem decide ficar na esplanada mais próxima a bebericar umas imperiais com os amigos, lendo o jornal desportivo do dia. Quantos dos que amanhã vão sair à rua se deram ao trabalho de ir votar nos últimos 4 ou 5 actos eleitorais? Na impossibilidade de o saber, que cada um responda a si próprio e à sua consciência.

Espero sinceramente descobrir hoje que estou enganado. Agora se me dão licença, vou ali votar e já venho.

PS - Não sabem onde é que devem votar? Descubram aqui: Consulta dos Cadernos Eleitorais.

sexta-feira, junho 03, 2011

Divulgação: Intervenção de preservação ecológica no Castro de S.Brás - Fundão

Recebemos da parte do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro - Fundão, o seguinte pedido de divulgação:



Realiza-se no próximo sábado uma intervenção de preservação ecológica no Povoado castrejo de S. Brás, actividade inserida no programa de voluntariado do Instituto Português da Juventude “Acções para a sustentabilidade florestal”, com o projecto “Arqueologia da Paisagem Silvo-Florestal”, uma parceria entre o Museu Arqueológico Municipal do Fundão e a Associação de Amizade e Convívio nas Donas e que visa a sensibilização, preservação e educação florestal e ambiental dos jovens em contextos arqueológico.

Os interessados em participar deverão entrar em contacto com o Museu Arqueológico.

Programa:

9h00 – Concentração na Praça do Município;

9h30 – Chegada ao Castro de S. Brás e breve palestra sobre o povoado e a cultura castreja;

10h00 – Inicio dos trabalhos;

12h00 – Caminhada de regresso ao Fundão.

Contactos do Museu:

TLF: 275 774 581 - FAX: 275 774 583 - TLM: 961 941 287
E-mail: geral@museuarqueologicofundao.com

Sabem quem foi Roland Garros?


Por estes dias joga-se em Paris o torneio de ténis Roland Garros que conta com a presença da nata do ténis mundial, e estamos a falar da nata a sério (aquela que fica mesmo no coador). Seja ou não fã de ténis, toda a gente já ouviu falar neste torneio. Mas quem é afinal esse tal de Roland Garros que deu nome ao torneio? Nem todos saberão e alguns poderão responder que se trata de um antigo jogador de ténis de origem francesa.

Na verdade, Roland Garros tem uma história de vida pouco pacífica. Pioneiro da aviação, foi um dos primeiros pilotos de combate da História, durante a I Guerra Mundial. Responsável pelo aperfeiçoamento do sistema de sincronização que permitia disparar a metralhadora pelo meio das pás da hélice do avião e inventor do caça monolugar, Garros foi também protagonista de uma das mais incríveis evasões de um campo de prisioneiros da história deste conflito, juntamente com outro ás da aviação: Anselme Marchal.


A evasão de Garros e Marchal

A 18 de Abril e 1915, Garros foi forçado a aterrar atrás das linhas alemãs, na sequência de uma avaria no seu avião, tendo sido feito prisioneiro. Ironia das ironias, o seu mecanismo de sincronização hélice-metralhadora caiu nas mãos dos alemães que desta forma deram um salto enorme em termos de eficácia da sua força aérea. De prisão em prisão, destino acabaria por juntá-lo a Anselme Marchal num campo de prisioneiros em Magdeburgo, já em 1918. Marchal fora capturado após ter "bombardeado" Berlim com panfletos de propaganda, tendo sem sucesso tentado chegar à Rússia, acabando por aterrar, também ele, devido a uma avaria.

A 14 de Fevereiro de 1918, Garros e Anselme Marchal conseguiram evadir-se. O plano fora preparado com precisão durante várias semanas e era de uma simplicidade desconcertante consistindo em sair do campo... tranquilamente pela porta, disfarçados de oficiais alemães.

Os uniformes foram preparados com minúcia. O tecido foi obtido a partir das fardas azuis dos oficiais franceses e tingido de cinza, os botões foram esculpidos em madeira e pintados de forma a parecerem de bronze e os sabres foram feitos com paus com várias aplicações de cera. Com a ajuda dos camaradas, todos os elementos de pormenor destinados a dar realismo aos uniformes foram improvisados a partir de materiais tidos como inofensivos, que se encontravam nos alojamentos dos prisioneiros. Por baixo dos uniformes, escondiam-se roupas civis que seriam usadas mal estivessem longe do campo. Quanto aos indispensáveis documentos de identificação, esses foram forjados por um outro prisioneiro habilidoso.

Chegado o dia da fuga, Garros e Marchal saíram das garagens do campo, discutindo de forma exaltada em alemão, ou melhor, Marchal falava (era fluente) enquanto Garros, que nada percebia, apenas ouvia e acenava.

Passaram por uma sentinela, depois outra e ainda outra, sendo que nenhuma delas solicitou qualquer identificação aos dois oficiais, que reclamavam da falta de respeito dos prisioneiros e sobre como era necessário tomar medidas para endurecer a disciplina. Só a 4ª sentinela os interpelou e pediu a documentação. Marchal, que queria evitar ao máximo usar os documentos de identificação que traziam com eles, respondeu furiosamente que não iria mostrar mais os documentos, depois de o ter feito já por 3 vezes. O truque resultou e a sentinela limitou-se a fazer continência e a abrir caminho.

Dali, os dois oficiais dirigiram-se à estação de Magdeburgo a partir de onde viajaram de comboio até Colónia e daí para a fronteira. As restantes dezenas de quilómetros foram feitas durante a noite, atravessando localidades e florestas, tendo acabado finalmente por conseguir chegar à Holanda, após terem percorrido um total de mais de 500km, regressando depois a França, apresentando-se novamente ao serviço, de forma imediata.

Garros e Marchal condecorados com a Legião de Honra após o regresso a França

Roland Garros morreria a 5 de Outubro desse ano, após ter sido abatido durante um combate aéreo. Quanto a Marchal, acabaria por morrer, já depois da Guerra, em Junho de 1921, após ter sido atingido pela manivela com que punha o seu carro a trabalhar.

Fonte: MORTANE, Jacques - "Traqués par l'ennemi", Éditions Baudinière, 1929.
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