domingo, maio 22, 2011

Belenenses 2 x 3 AD Fundão - Histórico! (Vídeo)

Não tenho por hábito colocar publicar aqui artigos dedicados a modalidades desportivas, excepto claro, as minhas caminhadas em montanha, mas isso enquadra-se na classificação de desporto de altíssimo nível. No entanto, vejo-me obrigado a fazer referência à minha fantástica Associação Desportiva do Fundão que ontem fez história, ao conseguir alcançar as meias-finais do playoff de apuramento de campeão nacional da 1ª Divisão de futsal.

A vítima foi o Belenenses, ainda por cima no Restelo. A ADF venceu por 3-2, com o golo da vitória a ser apontado a 20 segundos do final do prolongamento. Cruel ironia para o Belenenses que no último jogo em casa contra a ADF,tinha vencido por 3-2 com um auto-golo no último segundo de jogo. A ADF está assim no grupo das 4 equipas nacionais que irão lutar pelo título, juntamente com o Instituto D. João V, Benfica e Sporting, sendo contra estes últimos que irá disputar o acesso à final, apesar do claro favoritismo dos de Alvalade, tendo em conta a abissal diferença de orçamento.

Quando o Interior luta de forma desigual contra o maior poder económico da faixa do litoral, este feito ganha ainda mais relevância, ainda para mais quando a ADF enfrentou já esta época uma grave crise que quase levou à extinção da modalidade a meio do campeonato.

É preciso pois dar os parabéns a todos os jogadores, à equipa técnica e aos dirigentes que conseguiram um feito histórico para o desporto desta região e agradecer-lhes por terem enchido de orgulho não só os seus adeptos mas também todos os habitantes de uma região que tem sido muito mal tratada. Até Sábado!

sexta-feira, maio 20, 2011

Sócrates vs Coelho! Quem ganha?

(Clicar para ampliar)
Afinal o plano do FMI é ou não é o PEC IV? Quem tem afinal a culpa da crise? Será que os portugueses se devem preocupar com os pentelhos? Logo saberemos.
Não se esqueçam das pipocas e dos óculos 3D!

(Vídeo) José Manuel Coelho deixa participantes de debate à beira de um ataque de nervos

O inimitável José Manuel Coelho, com a sua habitual postura irreverente de fazer política (?), deixou na passada Quarta-feira, os participantes do debate entre partidos sem representação parlamentar, literalmente à beira de um ataque de nervos.

Agora com poleiro no Partido Trabalhista Português, o enfant térrible da cena política nacional começou a provocar uma grande agitação quando decidiu colocar-se atrás de Garcia Pereira com uma faixa do PTP, invocando a Constituição e os "Direitos de Abril" para se manifestar dessa forma. A situação ameaçou degenerar e acabou mesmo por obrigar a moderadora a fazer um intervalo no debate para serenar os ânimos.

Realmente, o José M. Coelho soube cativar a simpatia dos portugueses pela sua forma irreverente e original de estar na política mas, cada vez mais e à força de o ouvirmos, ficamos com a impressão que os males da República se resumem ao Alberto João Jardim, sendo que desta vez, a irreverência teve mais contornos de atitude anárquica. Ai Coelho, Coelho...! Estás cá a ficar um traquina...!


Já agora, e uma vez que falamos do Partido Trabalhista Português, é obrigatório recordar o tempo de antena com que este partido abrilhantou o serviço de televisão, durante a campanha para as Legislativas de 2009! Imperdível!

terça-feira, maio 17, 2011

O tipo que vivia do RSI e que fazia biscates por fora

"Oh amigo! Oh amigo!...". Um indivíduo que eu não conhecia atravessava calmamente o estacionamento acenando na minha direcção. Percebendo que falava comigo, carreguei o último saco de compras no carro e esperei que o dito indivíduo chegasse junto a mim.

Na sua abordagem, deu logo a entender que era um sujeito sem rodeios e que tinha mais que fazer: -"Olhe, eu vou directo ao assunto para não perdermos tempo. Eu moro em Castelo Novo, sabe onde é?".

-"Sim...", respondi eu com algumas reservas.

-"Então é assim: eu moro sozinho, tenho uma casa pequena que só tem um radiozinho e como uma sopita que todos os dias tenho de ferver para não azedar, está a ver?"

-"Sim...", respondi novamente, embora achando que a abordagem que não estava a ser tão directa quanto havia sido prometido. Ainda para mais, sabia por experiência própria, que o processo normal em situações análogas passava geralmente pelo simples pedir de "uns trocos" ou de "umas moeditas", nunca havendo lugar para a exposição da realidade socio-económica do indivíduo. Os únicos que permitem ocasionalmente um lamiré sobre esse aspecto particular das suas vidas são geralmente os cidadãos de origem romena mas fazem-no por escrito com recurso a folhas A4 plastificadas, que apresentam aos transeuntes que vão abordando.

Seja como for, o indivíduo depressa interrompeu as minhas reflexões:

-"Eu governo-me com o Rendimento Mínimo e de vez em quando faço uns biscates também. Pronto, eu sei que não devia dizer isto, mas é a realidade."

Para logo de seguida acrescentar:

-"Pronto, a situação é que há ali uma aparelhagem na Worten que custa 100 euros. A ideia era, você vinha lá comigo, preenchia o cartão Worten e depois combinávamos, por exemplo uma vez por mês, para nos encontrarmos ou você passava lá em casa - se quiser pode ir comigo ver onde é que moro - e eu ia-lhe dando o dinheiro aos poucos. Pode ser?"

Mal terminou a frase, tive de morder o lábio para reprimir uma gargalhada que ameaçava soltar-se. Juro que não foi fácil. Aqui estava eu, perante um indivíduo que vivia sustentado pelo RSI, fazendo também biscates por fora, e que, apesar de viver numa situação financeira precária, tinha decidido endividar-se, ao invés de procurar poupar, para usufruir de um bem que não lhe era de forma alguma essencial. Um verdadeiro estandarte nacional em forma humana, portanto.

Retorqui-lhe apenas com um cordial "Oh amigo, você aqui não se safa. Desejo-lhe boa sorte." e despedi-me dele com duas palmadinhas nas costas.

Já dentro do carro, olhei na direcção de outro que se encontrava estacionado na fila da frente. No seu interior, uma mulher falava ao telemóvel ao mesmo tempo que vigiava com alguma inquietação o indivíduo que, encostado ao carro do lado, olhava fixamente para ela, esperando que terminasse a chamada e saísse do carro, para lhe dar a conhecer a sua situação sócio-económica e para lhe pedir uma aparelhagem de 100 euros que estava na Worten.


segunda-feira, maio 16, 2011

Bem-vindos ao... Campo da Rata

Se explorando os contornos da Torre de Hércules, n'A Corunha, avistarem uma extensa área de vegetação razoavelmente aparada e relativamente frequentada, então encontram-se no Campo da Rata.

Acrescento ainda que é um local extremamente aprazível para uma voltinha de final de tarde, pela hora do pôr-do-Sol.


As grutas fortificadas de Bouan - O vídeo

Aqui fica o primeiro de 2 vídeos (de qualidade duvidosa pelo facto de, em alguns momentos o registo ter sido feito em equilíbrio precário) feitos no decurso da recente estadia nos Pirinéus, este dedicado às "Spoulgas de Bouan", grutas fortificadas dos séculos XII e XIII. Vale a pena recordar previamente o artigo que dedicámos às Spoulgas clicando aqui.

sexta-feira, maio 13, 2011

Quando o Youtube tem a mania que tem piada...

Ao tentar aceder a um vídeo no Youtube, obtive a seguinte mensagem de erro:


Basicamente:

"Desculpe, algo correu mal. Uma equipa de macacos altamente treinados foi enviada para lidar com a situação. Se os vir, mostre-lhes a seguinte informação:"

quarta-feira, maio 11, 2011

El Pasatempo - Uma árvore genealógica que todos os nossos economistas e políticos que nos governam deveriam conhecer

Em Betanzos, uma povoação galega, sede de concelho e situada perto d'A Corunha, onde para além de um centro histórico simpático, existe ainda um parque temático conhecido como El Pasatempo que é único no seu género.

Trata-se de um "parque enciclopédico", construído no final do século XIX/início do século XX por 2 irmãos, os García Naveira, beneméritos nascidos em Betanzos que, após fazerem fortuna no estrangeiro, regressaram à sua terra Natal onde decidiram contribuir para o bem-estar dos seus conterrâneos, construindo escolas, obras de assistência social e este parque, no qual incluíram alusões às maravilhas que encontraram nas suas viagens à volta do Mundo, isto para além de várias lições sobre os aspectos do quotidiano.

Entre as referências à pirâmide de Quéops, ao canal do Panamá ou ainda a reconstituição de uma gruta, com estalactites e estalagmites, é possível encontrar esta curiosa árvore genealógica do Capital:

Vendo associados ao Capital, termos como "constancia", "ahorro", "firmeza", "honor", "economia", "trabajo", "orden", "prevision", "entendimento", "voluntad", "caracter" e "rectitud", leva-nos a colocar a questão: Serão os nossos governantes demasiado evoluídos ou estes irmãos García Naveira é que eram mesmo do século passado?

sexta-feira, maio 06, 2011

Pelos Pirinéus VI - Incursão às Spoulgas de Bouan, contra manadas de vacas francesas

Último dia: De Norrat às Spoulgas de Bouan

Já há alguns anos, desde que pela primeira vez visitei a região e li alguma coisa sobre o património e a história da mesma, que queria visitar as Spoulgas de Bouan. As spoulgas, da deturpação em língua occitana do latim spelunca, significando gruta ou caverna, são grutas que foram fortificadas durante a Idade Média, para controlar o território com fortificações de baixo custo, comparativamente ao custo de construção de castelos. A sua utilização situa-se entre o século XII e o século XIII.

As da aldeia de Bouan, no vale do Ariége, rio que dá o nome a este departamento francês, são as que se encontram em melhor estado de conservação no país, e graças aos maciços calcários que ladeiam o vale, permitiam o controlo da histórica via comercial que ligava a região da Catalunha à região de Toulouse.

Assim, o percurso escolhido partia da aldeia aldeia de Norrat, na comuna de Miglos, famosa pelo seu castelo, passando pelo Col de Larnat, a 1194m de altitude. Ao contrário das anteriores, a maior subida viria a ser feita no regresso.

Fonte: Geoportail. A azul, os percursos alternativos / atalhos.


O início do percurso, na aldeia de Norrat:


O cenário era mais uma vez lindíssimo, já que o trilho subia por uma densa floresta. Contudo, a partir de certa altura, certos... indícios no trilho e um inconfundível... aroma, deixavam adivinhar que ia em breve ter um encontro com algumas criaturas comuns pelas redondezas.

E eis que elas apareceram! Uma manada de 2 ou 3 dezenas de vacas a pastarem em pleno trilho! De repente senti-me um intruso quando todas elas pararam de pastar e ficaram a olhar-me fixamente. Confesso, e não querendo fazer qualquer analogia pejorativa mas tão somente comparando sentimentos, que já não me sentia tão inconveniente e tão intruso desde que há uns anos atrás entrei num café em Salamanca e descobri que todo ele estava preenchido por senhoras idosas vestindo casacos de pele, sendo que muitas delas pararam de conversar e bebericar para me olharem fixamente. Eis aqui três bonitos exemplares que se encontravam mais a descoberto (não falo das senhoras de Salamanca mas sim das vacas do trilho entre Norrat e Bouan):

Assim, por uma questão de precaução motivada até pelo meu desconhecimento em termos de temperamento de gado bovino de além Pirinéus, optei por continuar pelo caminho florestal que ali ao lado fazia uma curva, embora me prolongasse um pouco o caminho. O insólito voltou a manifestar-se mais à frente na forma de um sinal de perigo a alertar-me para a aproximação de uma passagem canadiana.


... que mais não é que uma grelha colocada no chão para impedir o trânsito de gado numa abertura da cerca. O canadiano é de facto um indivíduo que consegue ter boas ideias. O pior foi mesmo o aroma de natureza morta de origem intestinal bovina que por ali se fazia sentir ...


Ultrapassada a zona que deveria estar interditada por ameaça à saúde pública, para além da passagem canadiana, não tardou muito para que chegasse finalmente à passagem de Larnat. Pausa para respirar, beber água e fotografar.


Um olhar para trás, para o vale do Vicdessos...

... e para a frente para o Vale do rio Ariège que, para a direita, leva a Pas de la Casa, em Andorra. O meu destino era mesmo chegar ao fundo do vale, a Bouan, depois de passar pela pequena aldeia de Larnat a meia encosta.


Bouan é uma aldeia muito pacata onde abundam duas coisas: o verde e a água. O silêncio é apenas quebrado na parte mais baixa da povoação pelo som abafado do trânsito que circula na RN20, que se estende paralelamente ao rio.


Chegando finalmente junto à base do maciço calcário no qual se encontram as Spoulgas , fui obrigado a enveredar por (mais) uma passagem anti-gado para ter acesso ao trilho, algo mal conservado, que me levaria às grutas.

... não sem antes ceder passagem a mais uma manada que, pelos vistos se sentiu incomodada pela minha presença e decidiu ir dedicar-se ao pasto em zona mais afastada.

Para minha surpresa, após enveredar pelo trilho, dei de caras com um bezerro que havia ficado para trás e me encarava, provavelmente com a mesma inquietação que me apoquentou quando olhei para a direita e vi aquela que seria provavelmente a mãe do dito bicho, correndo na minha direcção, vinda do prado. Após um primeiro pensamento que foi "Ainda bem que trouxe pensos rápidos!", decidi que seria mais produtivo e saudável tentar convencer o bezerro a poupar trabalho à mãe e consegui, após algum esforço, que ele encontrasse uma saída do trilho que o levasse também ao prado. Finalmente juntos, bezerro e mãe decidiram ignorar-me e juntar-se ao resto da manada... para meu alívio.

Com caminho livre, prossegui em frente e, cerca de 15 minutos depois cheguei finalmente aos primeiros vestígios de fortificação. Uma entrada que deveria integrar-se numa primeira muralha que provavelmente cercaria as Spoulgas.

Mais à frente, na parede rochosa, era possível distinguir arranques e derrubes de muralhas. Fica a ideia de que as grutas seria apenas a parte mais recuada de um sistema defensivo relativamente importante.

A algumas dezenas de metros, finalmente cheguei à Spoulga mais importante. Originalmente teria dois muros defensivos, o primeiro, altíssimo, do qual ainda se vêem vestígios à esquerda e que fecharia a base, e um outro que se encontra em excelente estado de conservação, com os merlões (o nome dos elementos do "recorte" que vemos no topo das muralhas) ainda bem visíveis.

A ocasião era boa demais para desperdiçar a oportunidade de praticar geocaching, visto que nesta Spoulga se encontra uma geocache. Sabendo, pelas pistas que esta se encontrava numa plataforma junto à muralha superior, foi necessário entrar na gruta e depois trepar por uma passagem de cerca de 5 metros até à plataforma. Ultrapassadas as vertigens, a busca terminou com sucesso e com o meu primeiro registo numa geocache francesa!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...