terça-feira, abril 19, 2011

Pelos Pirinéus IV - Caminhada até ao circo de Bassies

2° Dia: Vicdessos - Bassiès

Esta caminhada consistiu o maior desafio das férias e embora a distância fosse de cerca de uma dúzia de quilómetros, houve ali 2 ou 3 deles que me pareceram 150! Contudo, valeu bem a pena pois o circo glaciar de Bassiès, um vale situado a cerca de 1.600m de altitude, largo, cavado pela deslocação de um glaciar ao longo de milhares de anos, é simplesmente assombroso.

A primeira parte da caminhada decorreu pelo vale do Vicdessos, passando pela povoação de Auzat, outrora local de um importante centro de produção de alumínio que constituia o motor económico do vale. Aliás, a história da produção de alumínio neste vale remonta ao início do século XIX tendo terminado em 2003 com o encerramento da fábrica que deixou cerca de duas centenas de pessoas no desemprego. É interessante ver que após esse encerramento, bastantes habitantes estabeleceram negócios por conta própria e o espaço da fábrica foi reconvertido para criar um parque desportivo, articulando-se com uma nova estratégia de negócios local fortemente voltada para o turismo. Inclusive, uma das naves da fábrica foi preservada, sendo reconvertida num espaço de pavilhões/armazéns para os novos negócios locais.

Quanto à povoação de Auzat, situada na confluência de 2 vales e atravessada por um curso de água, é uma localidade simpática e calma, que convida a um passeio pelas suas ruas.

Saíndo de Auzat, o percurso foi feito por uma pequena estrada até à base de partida do trilho que leva a Bassiès, uma espécie de área de serviço com estacionamento, espaço de merendas e painéis com todas as informações e recomendações necessárias para realização do percurso. (Entre várias recomendações, das quais faziam parte, por exemplo, "Não faça este percurso sozinho" e "Leve um telemóvel", consegui cumprir a que dizia "Use calçado adequado" e ainda "Não se esqueça de levar água").


O início do "off-road" faz-se por um pequeno trilho que leva a uma pequena ponte de madeira que atravessa o ribeiro de Vicdessos.


A partir da ponte, o percurso inicia uma subida pelo meio da floresta. Recordo-me vagamente que nesta altura fiquei surpreendido pela reduzida inclinação da subida. O pior estava para vir... logo a seguir à primeira curva.

Mais à frente, um cruzamento de trilhos coincide com um curso de água criado pelo degelo em cotas superiores.

Pelo caminho fiquei com a sensação que a fauna local se resumia a lagartixas. Sem exagero, devo ter visto / ouvido mais de 2 centenas destes pequenos répteis, para além de alguns lagartos verdes de cabeça azul, uma serpente e várias rãs que encontrei em cotas mais elevadas e que, aparentemente, já tinham aderido com grande entusiasmo à Primavera. Num momento de paragem, quem se deixou fotografar mais facilmente foi mesmo esta mariposa:

Se de um lado tinha uma mariposa que se dava à pose fotográfica, já do outro lado a vista era líndissima, com a barragem de Soulcem a surgir entre a Ponta de Prata (2654m) à direita e o Pico de Malcaras (pico visível de 2792m) à esquerda.

Já no cimo desta subida, quando a água do cantil começava a escassear, encontrei esta fantástica fonte com uma água geladíssima, que me fez lembrar a fonte Paulo Luís de Martins na Serra da Estrela. Recarregadas as baterias, e o cantil, a caminhada prosseguiu.

Subitamente, à saída da floresta (toda ela de faias) a paisagem mudou radicalmente, passando do verde ao cizento do granito. À esquerda vê-se a passagem para o Circo de Bassiès, do qual chega o curso de água que se vê à direita.
Finalmente, a chegada ao Circo de Bassiès, cuja entrada se faz por esta simpática ponte de pedra.

Sim! Eu estive lá!
Vista da entrada do Circo com a Lagoa d'Escales em primeiro plano.

Nesta zona alta do vale, abundam os Orris, construções de pedra seca (sem ligante como argamassa ou cimento) que serviram de abrigo aos pastores que outrora por aqui abundavam. Há zonas onde os Orris chegam a formar verdadeiras pequenas aldeias.

Um pouco mais à frente, surge a Lagoa Maior de Bassiès. Neste ponto, a paisagem e o silêncio criam uma combinação fantástica.

Quando o trilho sobe um pouco, tem-se outra perspectiva da Lagoa Maior. À direita avista-se já a curva do Circo onde se localiza o Refúgio de Bassiès.


Mais à frente encontrei outro Orri, este bem camuflado sob a vegetação, com o pormenor de à frente deste ser possível ainda distinguir um perímetro onde ficaria guardado o gado (em primeiro plano). Foi por esta altura que me cruzei com as últimas pessoas que encontraria até ao meu regresso à estrada na base da montanha. Para abrilhantar este encontro, no preciso momento em que as pessoas me apareceram à frente, a neve sob os meus pés cedeu subitamente e fiquei enterrado até aos joelhos. Levantei-me rapidamente (creio que terei simulado sacudir a caspa dos ombros em total desprezo) e cumprimentei-os tentando manter ao máximo uma postura de dignidade.

Finalmente, algumas horas após a partida de Vicdessos, cheguei finalmente à vista do objectivo: o refúgio de Bassiès. Este refúgio oferece, a partir de Maio e até ao início dos primeiros nevões, dormida e serviço de refeições a quem queira aqui pernoitar para fazer uma pausa nas caminhadas. Algo em que vale a pena pensar para uma próxima vinda a esta zona. Para já, só as estruturas de apoio exteriores e a zona de abrigo de Inverno (para quem queira passar a noite ali ao abrigo dos elementos) estão disponíveis.

O Circo de Bassiès continua até ao Pico Vermelho de Bassiès (2676m) ponto que será interessante visitar numa próxima ocasião. Na ocasião o momento foi dedicado a recuperar forças e a um reforço de alimentação.

Um pouco por todo o lado, abundam os pequenos narcisos que pintam a paisagem de amarelo.

A ideia original era prosseguir em direcção a esta elevação (mais uma subida a pique) para descer na outra vertente, para o outro vale que confluía para a localidade de Auzat. Contudo, a presença de neve na passagem, a hora, e o facto de já não estar propriamente com as forças todas, levaram-me a optar pelo regresso pelo mesmo caminho.
No final da jornada, ficou o registo de um local fantástico ao qual voltarei sem dúvida no futuro integrado numa caminhada de 2 ou 3 dias. O dia seguinte foi dedicado ao repouso para, na última caminhada, conseguir estar em forma para cumprir finalmente um objectivo com alguns anos: ir às Spoulgas de Bouan.

Pelos Pirinéus III - Caminhada pelo Vale do Vicdessos

1° dia: Vicdessos - Dolmen de Sem - Minas de ferro de Rancié - Cataratas do Caraoucou - Arconac.

Ora bem, apos assentar arraiais por Vicdessos e tendo alguns percursos de caminhada em mente, o primeiro dia foi dedicado a uma pequena caminhada que serviu para desentorpecer as pernas e para preparar o dia seguinte, esse sim marcado para uma caminhada mais a sério.

Escolhi a subida até ao dolmen e à aldeia de Sem decidindo depois o percurso de regresso. Acabei por fazê-lo num percurso junto às cataratas do Caraoucou e valeu bem a pena.


Primeiro, uma subida ao monte do calvario, no centro da povoaçao de Vicdessos, para admirar a vista.


O dolmen de Sem situa-se numa saliencia da encosta do Pico do Risoul, uma impressionante parede rochosa (ver mapa em cima) na qual foi construida uma Via Ferrata, um percurso aventura, feito com cabos de aço, cordas e pontes que desafiam as vertigens dos participantes.


Apos um pequeno trajecto pela estrada, surge o inicio do caminho pedestre.



Apos algum esforço, finalmente o dolmen à vista!


Na verdade, este monumento megalitico é de origem natural e foi concebido pelo glaciar que outrora percorria este vale e aqui depositou estas rochas.


A paisagem que daqui se avista é fabulosa, sendo possivel avistar Vicdessos, Auzat e, um pouco à esquerda, a plataforma onde se encontram as ruinas do castelo de Montreal de Sos. Para la das ruinas avistam-se os montes que seriam percorridos no dia seguinte.


Daqui se avista também a aldeia de Sem, pitoresca aldeia com uma milenar historia mineira que atingiu o seu auge com as minas de ferro de Rancié, em parte visiveis no flanco do monte que domina a aldeia. Curiosamente, os habitantes desta aldeia conseguiram ainda na Idade Média obter os direitos de exploraçao e comercializaçao do minério de ferro, direitos que so chegariam ao fim no inicio do século XX, com o fecho das minas.


Para NE, avista-se o castelo de Miglos, aquele pontinho branco na confluencia das duas montanhas que formam o vale.


Até Sem, o caminho nao esconde os sinais de uma Primavera que este ano chegou anormalmente mais cedo.



Ja na aldeia pode encontrar-se o monumento de homenagem aos mineiros. Cada familia (homens, mulheres e crianças) trabalhava nas minas e vendia, a comerciantes que aqui chegavam com mulas, o produto do seu trabalho diario. Contudo nao era facil obter a profissao de mineiro. So o podia ser quem pertencesse a uma familia de mineiros ou casasse com um membro de uma familia de mineiros. Este monumento aproveita a entrada da galeria mais tardia da mina.





O unico moinho de Sem ainda de pé.


... e o inicio do caminho de regresso ao fundo do vale, seguindo o antigo trilho de comércio do minério de ferro.


Um ultimo vestigio das minas: os restos de um vagonete de transporte de minério no espaço à entrada da galeria mais a jusante no vale, no local onde se processavam as transacçoes comerciais.


O inicio das cataratas que se prolongam por varias dezenas de metros.


Ja no fundo do vale, cruza-se a estrada em direcçao à aldeia de Arconac. A velocidade é bastante limitada mas aqui eu também ja nao tinha muita energia.




Finalmente, o regresso a Vicdessos.

segunda-feira, abril 18, 2011

Pelos Pirinéus II * - A cidade de Pamiers

Poderao estranhar o facto de começar este relato pelo capitulo 2 sendo este o primeiro artigo mas o que é facto é que o primeiro artigo que queria escrever, contando as peripécias de 20h de viagem de comboio e autocarro, conteria demasiada prosa para ser escrita num computador com teclado AZERTY (nao sei como é que esta gente consegue sobreviver com teclados destes!). Sendo assim, sera o ultimo artigo da série no qual irei dissertar sobre os beneficios de se proibir o consumo de bebidas alcoolicas em comboio.

Ora bem, depois de chegar à bonita cidade de Toulouse, cidade celebrizada pelos U2 no refrao da cançao With or Without You (é a piada possivel), fui obrigado a deixar o comboio e a troca-lo pelo autocarro, pelo facto da linha que segue para Sul se encontrar em obras.

Seguiu-se uma paragem na cidade de Pamiers, paragem essa que me obrigou a ficar 2h na cidade à espera da ligaçao seguinte para Tarascon-sur-Ariège. Com a estaçao de caminhos de ferro fechada e com duas horas pela frente, nao desisti de ir dar um passeio pelo centro historico da localidade, mesmo que isso significasse transportar todas as bagagens comigo. Confesso-vos que nao foi nada facil até porque, para além da inclinaçao do terreno, o Sol, tal como hoje, estava torrido! Apesar de tudo, valeu a pena.

A toponimia encontra-se em frances e em "occitano", com os nomes actuais e antigos das ruas, outrora a lingua falada em todo o Sul de França e parte de Italia, mas que hoje apenas é falada na Catalunha.


Torre sineira da catedral de Pamiers (Século XVII)


Um jardim junto a catedral. A minha presenca foi mal recebida por um casal de jovens enamorados que aqui se encontrava, talvez pelo constante barulho do trolley.


Torre da Moeda. Ultimo vestigio da Casa da Moeda de Pamiers... que nunca chegou a cunhar moeda apesar do investimento que foi feito nesse sentido. Por momentos tive aqui uma certa sensaçao de portugalidade.


Uma fachada antiga bem restaurada junto à Torre da Moeda


E para finalizar, um pequeno apontamento de ironia. "Défense d'Afficher" - Afixaçao proibida. Pois claro que sim...

segunda-feira, abril 11, 2011

Vêm aí as férias...!


Foto: Rioblog

A política tuga é melhor que qualquer novela mexicana


A política tuga tem um enredo mais intrincado do que qualquer novela mexicana de alto nível. Depois de termos descoberto que o Freitas do Amaral era afinal socialista, que o Sócrates omitiu duas ou três coisas importantes sobre o défice (nomeadamente o seu real valor), que o Coelho acha que há um limite para os sacrifícios a exigir aos portugueses e por isso vai aumentar o IVA, eis o grande volte-face do momento: Fernando Nobre é afinal Social-Democrata. Já estou a fazer pipocas para assistir ao compacto do fim-de-semana. É muita emoção!


Foto: Medicult

sexta-feira, abril 08, 2011

Hoje é dia de luta contra as portagens nas SCUT A23, A24 e A25

A introdução das portagens na A23, A24 e A25 foi suspensa, é um facto. Mas sinceramente, quando soube da notícia, a primeira coisa que me ocorreu foi que se tratava de uma medida eleitoralista, embora depois tenha surgido a notícia de que se tratava de uma situação devida ao facto de o Governo se encontrar em gestão (mas vai uma aposta que vai ser usado nas eleições, mesmo assim?). Contudo, as obras de instalação dos pórticos não pararam, num claro sinal de que, logo após as eleições, as portagens serão inevitavelmente implementadas, independentemente de termos um Governo rosa, laranja ou Benetton.

Para uma região como é a Beira Interior, com nível de vida bastante inferior ao "outro" Portugal da zona litoral, e onde, ainda por cima, não há alternativas dignas desse nome pelo simples facto de, destinadas a não serem vias portajadas, as SCUT foram construídas em cima dos anteriores IPs (IP2, IP5,...), deixando para trás retalhos que nunca mais sofreram trabalhos de conservação ou, em alternativa, estradas nacionais onde não se cruzam dois camiões. Lembram-se do que partilhei aqui aquando do terrível acidente da A25 em Agosto último?

Mesmo com as tão propaladas "isenções" para residentes, prenda magnânima dos nossos governantes, a implementação de portagens vai inevitavelmente levar a um aumento de custos para as famílias que residem na região, seja pelo valor das portagens que terão de pagar, seja pelos custos acrescidos de combustível pela circulação em estradas secundárias, caracterizada por acelerações e desacelerações constantes provocadas pelo trânsito e pelas curvas e contra-curvas. Seja como for, o Estado ganha sempre... quem perde são sempre os mesmos e o Interior fica ainda mais distante do resto do país.

Hoje é dia de mostrarmos o que pensamos deste "volte-face" político (mais um) participando nas Marchas Lentas de protesto que vão ter lugar nas ditas SCUT. Os pontos de encontro são os seguintes:

Viseu: Avenida Europa - 18h00
Vila Real: Zona Industrial - 17h30
Castelo Branco: Governo Civil - 17h30
Fundão: Avenida da Liberdade - 18h00
Covilhã: Rotunda do Operário - 18h30
Guarda: Parque Polis - 18h00

Mais informações: http://www.contraportagens.net/ e no Facebook em http://tinyurl.com/5srnazj

Se somos capazes de sair de casa e bloquear o trânsito quando uma equipa de futebol vence um jogo ou um campeonato, algo que na prática em nada nos aproveita, será que não somos capazes de o fazer para lutar em prol daquilo que realmente nos afecta? Eu acredito que sim e amanhã vou lá estar. E vocês?

quarta-feira, abril 06, 2011

Cerejeiras já estão em flor!

Com um tempo convidativo, que tal um passeio, no próximo fim-de-semana, para apreciar a brancura e os aromas das cerejeiras em flor que por esta altura cobrem as encostas da Serra da Gardunha?





Ver também este artigo, este e ainda este.

sexta-feira, abril 01, 2011

Cão resgatado de destroços em alto mar no Japão

Uma história improvável com um final feliz. Um cão foi encontrado encurralado num aglomerado de destroços a flutuar no mar, após ter sido arrastado pelo tsunami há 21 dias atrás. Dado não ter colaborado com a equipa que o tentou resgatar por helicóptero, acabou por ser salvo algumas horas mais tarde, por um barco da guarda costeira nipónica.

Até parece mentira, não é?

terça-feira, março 29, 2011

Ainda sobre a mudança para a Hora de Verão

Definitivamente, a mudança de hora deixa-me mal disposto e não consigo perceber se isso é fisiológico ou se é pela irritação amarga de perder uma hora de fim-de-semana. Claro que em Outubro "recuperamos" essa hora mas fico sempre com as mesma sensação incómoda de que algo não está bem. É um pouco como aquela sensação de, durante uma viagem, termos a sensação de que nos esquecemos de algo mas não sabemos o quê.

Mas porque é que temos de mudar de hora duas vezes por ano? Justifica-se? Na génese desta medida (apenas político-económica e nada tem a ver com ciclos astronómicos) esteve a ideia de poupar energia ajustando os horários à duração da luz solar. Aliás, já tivemos a oportunidade de constatar até que ponto as perspectivas económicas em relação à mudança de hora são capazes de chegar, quando, por uma questão de unificação horária com a Europa Central, o Governo decidiu manter a hora de Verão o ano inteiro, isto quando a hora "natural" de Portugal, é a hora de Inverno. Não tenho bem a certeza mas creio que houve muito boa gente que chegou a ir para as aulas e para o trabalho ainda em pijama, dado ter de sair de casa ainda com noite cerrada.

Portugal, aliás, aderiu à mudança de hora em 1916, em plena I Guerra Mundial, sendo esta questão gerida actualmente pela UE. No entanto, de acordo com com Bruxelas (citando o Courrier Internacional), obtém-se uma poupança energética de 0,1 a 0,5% nos países do Sul da Europa, algo que seria largamente suplantado pela implementação de boas práticas de conservação energética, poupando-se assim perturbações no bio-ritmo da população.

O blogue Persuacção criou uma página que é uma referência sobre a mudança de hora e que vale a pena visitar, apresentando e fundamentando ao mesmo tempo a ideia de que esta medida pouca ou nenhuma vantagem traz. Adicionalmente propõe uma petição solicitando o fim da mudança horária em Portugal.

E desse lado? A mudança de hora não vos afecta?



segunda-feira, março 28, 2011

O projecto de Paulo Futre para o Sporting, por Rui Unas (vídeo)

Como Rui Unas consegue ser ainda mais genial que o próprio Paulo Futre, na apresentação do projecto para o Sporting.

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