sexta-feira, abril 08, 2011

Hoje é dia de luta contra as portagens nas SCUT A23, A24 e A25

A introdução das portagens na A23, A24 e A25 foi suspensa, é um facto. Mas sinceramente, quando soube da notícia, a primeira coisa que me ocorreu foi que se tratava de uma medida eleitoralista, embora depois tenha surgido a notícia de que se tratava de uma situação devida ao facto de o Governo se encontrar em gestão (mas vai uma aposta que vai ser usado nas eleições, mesmo assim?). Contudo, as obras de instalação dos pórticos não pararam, num claro sinal de que, logo após as eleições, as portagens serão inevitavelmente implementadas, independentemente de termos um Governo rosa, laranja ou Benetton.

Para uma região como é a Beira Interior, com nível de vida bastante inferior ao "outro" Portugal da zona litoral, e onde, ainda por cima, não há alternativas dignas desse nome pelo simples facto de, destinadas a não serem vias portajadas, as SCUT foram construídas em cima dos anteriores IPs (IP2, IP5,...), deixando para trás retalhos que nunca mais sofreram trabalhos de conservação ou, em alternativa, estradas nacionais onde não se cruzam dois camiões. Lembram-se do que partilhei aqui aquando do terrível acidente da A25 em Agosto último?

Mesmo com as tão propaladas "isenções" para residentes, prenda magnânima dos nossos governantes, a implementação de portagens vai inevitavelmente levar a um aumento de custos para as famílias que residem na região, seja pelo valor das portagens que terão de pagar, seja pelos custos acrescidos de combustível pela circulação em estradas secundárias, caracterizada por acelerações e desacelerações constantes provocadas pelo trânsito e pelas curvas e contra-curvas. Seja como for, o Estado ganha sempre... quem perde são sempre os mesmos e o Interior fica ainda mais distante do resto do país.

Hoje é dia de mostrarmos o que pensamos deste "volte-face" político (mais um) participando nas Marchas Lentas de protesto que vão ter lugar nas ditas SCUT. Os pontos de encontro são os seguintes:

Viseu: Avenida Europa - 18h00
Vila Real: Zona Industrial - 17h30
Castelo Branco: Governo Civil - 17h30
Fundão: Avenida da Liberdade - 18h00
Covilhã: Rotunda do Operário - 18h30
Guarda: Parque Polis - 18h00

Mais informações: http://www.contraportagens.net/ e no Facebook em http://tinyurl.com/5srnazj

Se somos capazes de sair de casa e bloquear o trânsito quando uma equipa de futebol vence um jogo ou um campeonato, algo que na prática em nada nos aproveita, será que não somos capazes de o fazer para lutar em prol daquilo que realmente nos afecta? Eu acredito que sim e amanhã vou lá estar. E vocês?

quarta-feira, abril 06, 2011

Cerejeiras já estão em flor!

Com um tempo convidativo, que tal um passeio, no próximo fim-de-semana, para apreciar a brancura e os aromas das cerejeiras em flor que por esta altura cobrem as encostas da Serra da Gardunha?





Ver também este artigo, este e ainda este.

sexta-feira, abril 01, 2011

Cão resgatado de destroços em alto mar no Japão

Uma história improvável com um final feliz. Um cão foi encontrado encurralado num aglomerado de destroços a flutuar no mar, após ter sido arrastado pelo tsunami há 21 dias atrás. Dado não ter colaborado com a equipa que o tentou resgatar por helicóptero, acabou por ser salvo algumas horas mais tarde, por um barco da guarda costeira nipónica.

Até parece mentira, não é?

terça-feira, março 29, 2011

Ainda sobre a mudança para a Hora de Verão

Definitivamente, a mudança de hora deixa-me mal disposto e não consigo perceber se isso é fisiológico ou se é pela irritação amarga de perder uma hora de fim-de-semana. Claro que em Outubro "recuperamos" essa hora mas fico sempre com as mesma sensação incómoda de que algo não está bem. É um pouco como aquela sensação de, durante uma viagem, termos a sensação de que nos esquecemos de algo mas não sabemos o quê.

Mas porque é que temos de mudar de hora duas vezes por ano? Justifica-se? Na génese desta medida (apenas político-económica e nada tem a ver com ciclos astronómicos) esteve a ideia de poupar energia ajustando os horários à duração da luz solar. Aliás, já tivemos a oportunidade de constatar até que ponto as perspectivas económicas em relação à mudança de hora são capazes de chegar, quando, por uma questão de unificação horária com a Europa Central, o Governo decidiu manter a hora de Verão o ano inteiro, isto quando a hora "natural" de Portugal, é a hora de Inverno. Não tenho bem a certeza mas creio que houve muito boa gente que chegou a ir para as aulas e para o trabalho ainda em pijama, dado ter de sair de casa ainda com noite cerrada.

Portugal, aliás, aderiu à mudança de hora em 1916, em plena I Guerra Mundial, sendo esta questão gerida actualmente pela UE. No entanto, de acordo com com Bruxelas (citando o Courrier Internacional), obtém-se uma poupança energética de 0,1 a 0,5% nos países do Sul da Europa, algo que seria largamente suplantado pela implementação de boas práticas de conservação energética, poupando-se assim perturbações no bio-ritmo da população.

O blogue Persuacção criou uma página que é uma referência sobre a mudança de hora e que vale a pena visitar, apresentando e fundamentando ao mesmo tempo a ideia de que esta medida pouca ou nenhuma vantagem traz. Adicionalmente propõe uma petição solicitando o fim da mudança horária em Portugal.

E desse lado? A mudança de hora não vos afecta?



segunda-feira, março 28, 2011

O projecto de Paulo Futre para o Sporting, por Rui Unas (vídeo)

Como Rui Unas consegue ser ainda mais genial que o próprio Paulo Futre, na apresentação do projecto para o Sporting.

sexta-feira, março 25, 2011

A situação política e económica em Portugal vista por um estrangeiro

Ultimamente tenho-me tornado cada vez mais um visitante assíduo da Al Jazeera on-line, acompanhando a par e passo os relatos acerca do que vai acontecendo nos países do Norte de África e do Médio Oriente, e posso dizer que estou extremamente impressionado com a qualidade do serviço informativo prestado por esta estação televisiva.

Nos últimos dias, a Al Jazeera tem acompanhado também a situação político-económica em Portugal através dos seus correspondentes europeus. Entre as várias peças acerca do nosso cantinho à beira-mar plantado, descobri esta crónica, da autoria de Barnaby Phillips (correspondente europeu no Reino Unido), que relata a sua viagem de ontem a Lisboa e na qual faz o retrato de um país desiludido, ansioso e receoso à beira do colapso. Tomei a liberdade de a traduzir pois vale a pena ler.


Apanhei um táxi do aeroporto para o meu hotel no centro de Lisboa e pedi recibo ao condutor.

Ele era um homem amigável e tínhamos tido uma conversa interessante. "Quanto quer que lhe ponha no recibo?" perguntou-me, com um sorriso e um piscar de olho.

Depois da fria e respeitável Londres, foi o recordar de que me encontrar num lugar -como dizê-lo?- talvez mais mediterrânico (com o devido pedido de desculpas se ofendi alguém).

De facto, Lisboa é uma das minhas cidades favoritas. Adoro os bairros antigos agarrados às encostas das colinas, a arquitectura e os pequenos eléctricos que andam para cima e para baixo nas ruas com calçada.

Sou fascinado pela história e pelas ligações coloniais com Angola e Moçambique. As pessoas são gentis e generosas, a comida é óptima.

Mas não há lugar para equívocos em relação ao estado de humor, desta vez; uma mistura de ressentimento fervilhante em relação aos políticos portugueses e uma cruel resignação perante o facto de o pior estar ainda por vir.

Já senti este estado de alma antes; lembra-me a Grécia durante os primeiros meses de 2010, à medida que o país caía na bancarrota.

Está presente o mesmo cinismo em relação aos que se encontram no poder, o mesmo sentimento de desamparo e frustração... (e, atrevo-me a dizê-lo, a mesma tendência criativa em relação a alguns aspectos de contabilidade).

Em alguns aspectos, Portugal encontra-se numa situação ainda pior.

Pelo menos a Grécia, sob a liderança do Primeiro Ministro George Papandreou, elegeu recentemente um governo com um mandato forte que lhe permitiu tomar acções firmes para salvar a economia.

Portugal está à deriva após a demissão do Primeiro Ministro José Sócrates.

As eleições podem estar a semanas de distância e podem ser inconclusivas.

É certo que a dívida e o défice de Portugal são menores do que os da Grécia.

Também é verdade que os bancos se encontram em melhor situação do que os da Irlanda ou da Espanha.

Contudo, os problemas económicos são aqui muito profundos; o mercado de trabalho é inflexível e há pouca inovação.

Hoje visitei uma uma empresa de Tecnologias de Informação, dirigida por um grupo de jovens empreendedores portugueses.

Todos eles eram extremamente brilhantes e a empresa está a portar-se bem.

Mas eles partilharam o seu desagrado e sentimento de alienação em relação os políticos do país e o seu sentimento de desespero ao verem cada vez mais colegas seus a procurar emigrar para o Norte da Europa e para os EUA.

Hoje, o metropolitano de Lisboa estava em greve. Ontem eram os ferries. Amanhã serão os comboios.

Será uma maré crescente de inquietação industrial à medida que as medidas de austeridade se tornam mais severas?

Talvez, embora Lisboa não tenha a tradição de protestos de rua dramáticos de Atenas.

Sendo assim, para onde vamos a partir daqui?

Os mercados financeiros claramente não acreditam que Portugal consiga o crescimento necessário para lhe permitir saldar as suas dívidas e há agora imensa especulação sobre o país vir a necessitar de um resgate na ordem dos 70 biliões de euros.

Isto irá levantar mais questões acerca do futuro das fracas economias periféricas da Zona Euro e reavivar os receios de contágio que possam afectar economias maiores como a da Espanha.

Infelizmente, a lição que se tira de Portugal, da Grécia e da Irlanda, é que optar pelo resgate não singnifica necessariamente o fim das aflições do país.

Pelo contrário, é apenas o início de um novo capítulo, num longo e doloroso processo de reforma.


domingo, março 20, 2011

Caminhada nocturna à Senhora da Penha, Serra da Gardunha - Super Lua 2011

[Texto por: Caetano; Fotografias por: Xamane (sem acento)]

Aproveitando as excelentes condições de luminosidade proporcionadas pelo fenómeno que se convencionou chamar de Super Moon (Super Lua para os menos chiques), na prática a coincidência da fase de Lua Cheia com o perigeu lunar (o ponto da órbita elíptica lunar mais próximo da Terra), resultando num aumento da área aparente da Lua em cerca de 10% - Este momento de ciência pura foi patrocinado pela Delta Cafés - e ainda num luar com uma intensidade mais elevada que o habitual, o núcleo duro do Blog do Katano empreendeu no passado Sábado uma caminhada nocturna pelo maciço central da Serra da Gardunha.

Ressalva-se no entanto que quem se tiver munido, à laia de precaução, de protector solar e óculos escuros temendo um luar sem precendentes, terá decerto ficado defraudado pois aquilo a que se assistiu foi como que um espectacular luar de Agosto. Ainda assim, as excelentes condições de luminosidade permitiram fazer todo o percurso, que teve troços de caminho, de trilhos e de corta-mato, sem recurso a lanternas.

A caminhada começou e terminou junto à casa do guarda de Alcongosta (terra que todos os anos é palco da Festa da Cereja), tendo começado às 18h30 e terminado por volta das 22h30.

Apresentamos em seguido o resumo fotográfico possível desta autêntica expedição científico-gastronómico-astronómica ao maciço central da Serra da Gardunha:



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Momento de pose para a fotografia. Junto ao ninja contratado por motivos de segurança, uma participante iludida pela paragem celebra julgando que já se havia chegado ao destino. À direita do transportador da reserva moral da expedição (leia-se, uma garrafinha de Moscatel de Setúbal do bom), um outro elemento impacienta-se e reclama que pretende estar de regresso a tempo de ver a bola.


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Com a promessa de que, por este percurso se poupariam 15 minutos de caminhada, nem sequer se pensou duas vezes. Afinal, caminhada que é caminhada tem de ter corta-mato!


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E eis que subitamente, o disco lunar se ergue altivo e reluzente acima da linha do horizonte, num momento que causou bastante emoção junto dos caminheiros, que não contiveram efusivas manifestações verbais, sendo a mais vibrante: "Olha a Lua...! Ainda falta muito?"


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... a Lua e 3 indivíduos, sendo que um deles é um ninja.
Ao longe, avista-se a nobre povoação de Peroviseu.



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Já na vertente Sul da Gardunha, alguém exclama "Olha! Daqui vê-se Monsanto!"
ao que outra pessoa retorquiu "Ainda falta muito?"



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Já era noite cerrada quando se iniciou a subida pelo pequeno trilho até à Penha, que parecia ela própria admirar a Lua. Esta visão foi suficiente para que alguém perguntasse "Já chegámos? Não? Ainda falta muito?".


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Finalmente na Penha, o alegre grupo faz pose à entrada da "gruta", um abrigo natural que chegou a funcionar como capela, sacralizando aquilo que terá sido o Castro da Senhora da Penha, uma povoação do III milénio a.C. . Dado o vento que aqui se fazia sentir, foi decidido por unanimidade escolher o local como zona de abrigo para a ceia light para reposição das energias do grupo...

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...que aqui celebra o momento em que, por artes mágicas, uma garrafinha de Moscatel de Setúbal (do bom) e vários copinhos surgem do interior de uma mochila.


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Para Oeste, a aldeia de Castelejo e o horizonte delimitado pelos mui típicos geradores eólicos.



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A Super Moon (Super-Lua para os menos chiques) espreitando entre o arvoredo

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Uma imagem que diz bem das condições de luz proporcionadas pelo luar. Ao fundo, avista-se a Covilhã e, mais acima junto à margem da foto, as Penhas da Saúde.

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Para SE, é possível avistar Monsanto e as serranias de Penha Garcia povoação que, segundo a SIC, foi doada por D. Dinis aos templários em 1510!

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Para Sul, sobre uma das "bancadas" do anfiteatro natural da Gardunha, avista-se Castelo Branco cidade que em breve ficará à distância de cerca de 4 euros do Fundão (mais gasóleo).

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Outra perspectiva da mesma encosta, avistando-se ainda à esquerda Castelo Branco. Não sei se já referi o facto mas a cidade ficará em breve à distância de cerca de 4 euros do Fundão (mais gasóleo).


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Uma perspectiva sobre a aldeia histórica de Castelo Novo...

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Mais um retrato da Super Moon (Super-Lua para os menos chiques) entre aquilo que a Gardunha tem, os blocos de granito, e aquilo que se espera há muitos anos que tenha em abundância, o arvoredo.

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Perspectiva sobre a aldeia histórica de Castelo Novo

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Sim, sim. É Castelo Novo.

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Já no regresso, tempo ainda para admirar o pontilhado que se espraia pela Cova da Beira, tendo em primeiro plano o centro do Universo: o Fundão, e mais ao fundo no sopé da Serra da Estrela, a Covilhã

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Sim, mais do mesmo.


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No regresso, um dos membros da expedição descobre um casaco que bem poderia pertencer a um indivíduo abduzido por um dos OVNIs que dizem sobrevoar a Gardunha em determinados horários. Na verdade, tratava-se apenas do resultado da distração de um dos participantes da caminhada durante o percurso da subida.

quarta-feira, março 16, 2011

Dois cães comem num restaurante (Vídeo)

Quantos de vocês não conhecem pessoas para as quais este vídeo conseguiria ser uma excelente lição de boas maneiras? ;)


Este vídeo foi uma excelente sugestão da Marlene da Cal, a quem agradeço.

segunda-feira, março 14, 2011

Golfe, o desporto nacional, a seguir ao futebol e à sueca

Provando que realmente se preocupa com a saúde e o bem estar dos portugueses, o Governo prepara-se para baixar a taxa de IVA associada ao golfe de 23% para 6%, tendo ao que parece já enviado uma carta registada e com aviso de recepção a Angela Merkel, solicitando a devida autorização. Esta medida já está a ser bastante saudada pela esmagadora maioria dos cidadãos da classe média-a-caminho-da-baixa-não-tarda-nada.

Isto vem de certa forma acalmar a preocupação dos cidadãos após a recente subida da taxa de IVA nos ginásios para 23% e após os rumores crescentes de que o Governo poderia deixar de comparticipar tratamentos relacionados com obesidade.

Um grupo de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, ex-estivadores desempregados, não consegue esconder a sua felicidade após as notícias de que o Governo se prepara para baixar o IVA do golfe, modalidade da qual são profundos adeptos e praticantes de longa data. Joaquim, mais à esquerda na foto, confessou-nos ser um adepto de Tiger Woods. "O Tiger é o maior! Acerta nos buracos todos!"

Actualmente, o golfe é uma modalidade com grande popularidade em Portugal, sendo o desporto mais praticado pelos portugueses, logo a seguir ao futebol, à sueca e ao dominó. Fonte oficial de uma claque de um clube de futebol nacional manifestou já o seu "profundo regozijo por uma medida que vai tornar ainda mais popular este saudável desporto".

sexta-feira, março 11, 2011

Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos


Este texto resultou de uma diálogo no Facebook acerca do protesto marcado para amanhã, intitulado "Da Geração à Rasca" e surgindo numa sequência de comentários que se dividem acerca da utilidade das marchas de protesto marcadas para amanhã. Haverá razão para protestar? É legítimo protestar?

Efectivamente não estamos numa ditadura mas, por outro lado, vivemos num sistema que nos permite fazer ouvir a nossa voz quando sentimos que estamos a ser injustiçados.

Infelizmente, este país é mesmo de brandos costumes. O povo definitivamente carece de participação cívica e é desastrado nas formas que encontra para manifestar o seu desagrado perante o sistema instituído. É o tipo de povo que fica em casa ou vai para o shopping em dia de eleições mas depois acha que está tudo mal e "isto já só lá vai com outro Salazar". É o tipo de povo que se manifesta de forma pateta votando em Salazar como "maior português de todos os tempos" ou em sátiras de música de intervenção em programas televisivos à laia de protesto.

Uma das principais falhas da Democracia portuguesa é o facto da população, tantos anos depois e passado o deslumbramento inicial pós-25 de Abril, não ter conseguido perceber e assumir a sua responsabilidade cívica. Falta de maturidade democrática? Provavelmente. Falta de responsabilidade? Principalmente! Isso começa quando se ouve dizer "Sou apenas um. O meu voto não faz diferença." e, quando damos por ela, mais de metade dos eleitores decidiram que o seu voto não era importante. Na prática, não há diferença entre quem se assume desiludido com o sistema político e os seus intervenientes e, por isso, não vai votar, e quem decide ficar na esplanada mais próxima a bebericar umas imperiais com os amigos, lendo o jornal desportivo do dia. Quantos dos que amanhã vão sair à rua se deram ao trabalho de ir votar nos últimos 4 ou 5 actos eleitorais? Na impossibilidade de o saber, que cada um responda a si próprio e à sua consciência.

Claro que não quero com isto dizer que quem não votou não tem legitimidade para protestar, pelo contrário. Não se pode amordaçar ou não alguém em função do seu nível de participação cívica pois, enquanto cidadãos e à luz da Constituição, todos somos iguais e temos os mesmos direitos. Fica contudo a ideia de que essas pessoas não fizeram tudo o que poderiam ter feito para tentar mudar as coisas, quando poderiam ter logo começado por usar o recurso mais elementar que a Democracia lhes permite. É a velha questão dicotómica dos direitos e dos deveres, sendo que os primeiros são sempre mais sedutores.

Quanto ao protesto em si, a única coisa que me ocorre dizer é que com os políticos que temos, é uma fortuna tremenda, especialmente para eles, que nesta altura apenas se esteja a pensar em fazer uma marcha de protesto, mesmo que esta esteja aquém do que poderia ser. Na Grécia, país recheado cidadãos algo temperamentais, foi aquilo que se sabe, enquanto que na Irlanda, país de outros valores, houve demissões ministeriais que levaram à convocação de eleições antecipadas. Já na Islândia, a coisa ficou mais séria e o anterior Primeiro-Ministro foi mesmo processado por conduta negligente que levou à crise em que o país mergulhou.

Da nossa classe política, estou farto de boys, tachos e tachistas, de políticos que nos mentem descaradamente, de hipocrisias e falsos altruísmos de quem apelida de país e de povo português o seu próprio bolso, movendo-se apenas em função dos seus próprios interesses. O pior? Não consigo ver diferença entre eles, salvo uma ou outra excepção e confesso que isso me assusta. Vejo Governantes que mentem à descarada ao povo português, que apelam ao sacrifício e não dão eles próprios o exemplo, muito pelo contrário, outros que finalmente se solidarizam com a população mas só após garantirem a reforma, deputados que não cumprem o trabalho para o qual foram eleitos,... a lista seria interminável!

Voltando ao Protesto da Geração à Rasca e lendo o manifesto que lhe serve de base de orientação, creio que se trata de um movimento com uma certa falta de substância e que fica aquém de tudo o que poderia ser. Não sendo concreto na sua orientação, vai inevitavelmente transformar-se numa amálgama sem ligação de reivindicações diversas, uns protestando contra a precariedade laboral, outros contra os impostos, outros contra a classe política e por aí fora. Creio que haverá até quem proteste contra o barulho que os vizinhos do lado fazem durante a madrugada. Protestar por protestar tira força ao movimento. É pena. A maior virtude que reconheço neste protesto é que poderá funcionar como despertador para a sociedade portuguesa e como catalisador da indignação dos cidadãos.

Se vou participar? Tenho toda a vontade do Mundo em fazê-lo mas fico ainda de pé atrás pelo que já referi atrás. Defendo que os incompetentes, os mentirosos e eticamente deficientes que perderam a confiança das pessoas que neles confiaram não merecem continuar no cargo que desempenham. Se não têm a hombridade de tomar por si a iniciativa, então cabe ao povo exigir a sua saída. Faça-se uma manifestação de protesto neste sentido e estarei lá certamente! Nesta? Provavelmente não. Quer se queira quer não, não se trata de uma Geração à Rasca. É sim UM PAÍS À RASCA.

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