domingo, maio 30, 2010

O Cabeço das Fráguas

Como previsto, o dia de ontem foi dedicado a uma caminhada até ao Cabeço das Fráguas, no limite entre o Concelho da Guarda e o Concelho de Sabugal, concretizando finalmente um regresso já muito ansiado a esse fantástico local.

A vertente escolhida para abordar o monte foi a vertente Oeste, não necessariamente fácil como a vertente Norte, caracterizando-se por uma forte pendente que, aliada ao Sol e ao calor que se faziam sentir, tornou o percurso algo difícil.

Têm por isso a minha simpatia os que, apesar de numa primeira instância se mostraram interessados em participar, terem depois mudado de ideias perante o percurso.

Benespera

Antes de iniciarmos a caminhada, houve tempo para uma pequena paragem na aldeia de Benespera. Agora subjugada pela A23, a aldeia vive na expectativa do regresso da ligação ferroviária que, até há algum tempo atrás, já só se fazia por automotora, tendo em conta o estado em que se encontrava a linha férrea.

Fica a memória romântica do actual apeadeiro a partir do qual se tem uma vista muito interessante sobre a aldeia, apesar do “corte” da A23 na paisagem.

1

Digna de registo é a impressionante ponte ferroviária sobranceira à aldeia, que ainda ostenta a data da sua construção: 1890.

2

O Cabeço das Fráguas

Com 1015 m de altitude, o Cabeço das Fráguas é um enorme bloco granítico que se avista a quilómetros de distância, destacando-se pela sua forma imponente. Não há caminhos para o topo, pelo que o acesso é algo difícil, embora na vertente Norte a inclinação seja mais suave.

Não tem vegetação a não ser vegetação rasteira e arbustiva o que dificulta ainda mais a subida, nesta altura do ano, pela ausência de sombra.

3

No entanto, todas as dificuldades da subida se esfumam perante a vista que se alcança ao chegar ao topo, sendo possível observar o território que se estende da Serra da Estrela até à raia espanhola.

Vídeo panorâmico
Clique e arraste para ver a paisagem a 360º









Para visualizar, é necessário ter o Apple Quicktime. Infelizmente parece só funcionar em Internet Explorer.

4

Ao longe, a Serra da Gardunha, a Maúnça e a Estrela, sendo ainda possível avistar Belmonte e, mais atrás, a Covilhã.


5

Para Sudeste, o Sabugal e a Serra da Malcata.


6

Um olhar sobre a raia em direcção a Espanha

7

O monte faz bem jus ao seu nome. O granito está omnipresente em caos de blocos que a natureza esculpiu aqui e ali em formas curiosas. Aqui tudo se viu. Desde um coelho, até um pinguim passando por um dos robôs maléficos do Exército Dourado do filme Hellboy 2. A criatividade na interpretação terá sido ajudada sem dúvida pela incidência solar.


O Castro e o Santuário

Mais que pela paisagem que do seu topo se avista, o Cabeço das Fráguas é conhecido pelos vestígios arqueológicos que nele se encontram.

No seu cume, encontram-se vestígios de ocupação humana do século VIII a.C. até ao século I d.C., altura em que o povoado que aqui existia terá sido abandonado.

8

Derrube de construções no interior do perímetro muralhado.

No centro deste povoado, com uma linha de muralhas exteriores e uma mais interior, situava-se um importante santuário ao qual deveriam afluir ciclicamente os habitantes da região.

A actividade religiosa desse santuário está aliás atestada por uma inscrição muito peculiar, gravada numa laje, a “Laje da Moura”, junto a um conjunto de construções, posta à luz do dia pelos trabalhos arqueológicos, que poderiam pertencer ao templo.

9

Aspecto dos trabalhos arqueológicos. As estruturas descobertas, divisões circulares e rectangulares de várias épocas, foram protegidas com geotêxtil para impedir a sua degradação durante o período invernal.

Esta inscrição evoca o sacrifício de vários animais a diferentes deuses, de diferentes hierarquias, sendo o seu interesse ainda maior pelo facto de conter a língua que se convencionou chamar de lusitana, escrita em caracteres latinos.

10

fig18_200

Assim, aos deuses Trebopala, Labbo, Iccona Loiminna, Trebarune e Reva foram consagrados respectivamente uma ovelha, um porco, uma ovelha prenha, uma ovelha “de qualidade” e um touro.

É curiosa a similaridade de termos desta língua pré-romana com o nosso actual português, “TAVROM” para Touro e “PORCOM” para Porco.

Já depois de termos deixado o Cabeço para trás, devidamente dotados de uma nova coloração ao estilo “lagosta”, impôs-se uma visita ao Museu da Guarda para visitar a exposição, que hoje termina, dedicada aos resultados das investigações e aos achados no Cabeço das Fráguas.

No centro da sala encontrava-se a reprodução da laje com a inscrição, feita através de levantamento por sistema laser.

11


Não podia acabar sem o insólito do costume…

Estando no Cabeço das Fráguas, aproveitámos para nos dedicarmos ao Geocaching, tendo encontrado a cache local em questão de minutos.

12

A caixa continha vários objectos, o logbook e um panfleto que contava a história do local e continha uma descrição da inscrição rupestre, algo digno de aplauso visto que traz valor acrescentado à visita.

O pior foi quando, ao abrir o panfleto, verificámos que este estava ilustrado com uma fotografia bem sugestiva do Cabeço das Fráguas… que havia sido tirada por mim numa das minhas visitas anteriores. Exactamente esta foto.

13

Embora não tenham tido a delicadeza de mencionar a autoria da foto, pelo menos há que louvar o bom gosto de quem elaborou o panfleto.

Imagem da inscrição retirada daqui


sexta-feira, maio 28, 2010

Novo hino de parabenização

Por motivos ainda desconhecidos e que concerteza não valem a pena ser aqui desvendados, a elite deste blog (ou seja, o seu fundador) resolveu este ano "esquecer-se" de parabenizar dois dos companheiros do núcleo duro deste humilde blog. Eu cá, tenho as minhas suspeitas que tal situação muito tem a ver com as queixas dos caros leitores relativamente ao hino de parabenização que tem vindo a ser utilizado mas, como disse, os motivos permanecem efectivamente desconhecidos e não valerá a pena serem esmiuçados.

Na falta do hino habitual, procurei uma alternativa igualmente "rica" e peculiar, que mantivesse a boa disposição do costume. Creio até que alguns de vocês já conhecerão a música, pelo que assim poderão cantar a plenos pulmões e com maior confiança aos nossos queridos Xamane e Nelly:


PARABÉNS!!

Na Rússia, cada deputado faz o trabalho de 5!

Muito se tem falado, ainda para mais agora perante as medidas de austeridade, sobre se será realmente necessário ter 230 deputados na Assembleia da República tendo em conta a dimensão do país e a despesa que este número acarreta.

Este debate ganha ainda mais força quando deputados há que se destacam pela sua elevada taxa de absentismo (e ainda dizem que as escolas não formam bons profissionais). Isto para não falar dos elevados salários e das muitas regalias, entre elas as famosas ajudas de custo celebrizadas recentemente por uma deputada eleita por Lisboa mas com residência em Paris.

Mas será possível fazer funcionar a Democracia com poucos deputados? Se atentarmos no exemplo que nos chega da Rússia, a resposta é inapelavelmente SIM! Aliás, de forma astuta, os russos demonstraram recentemente como é possível fazer com que cada deputado valha por 5.

O caso reporta-se a uma lei de endurecimento de sanções contra condução sob o efeito de álcool que foi aprovada no Parlamento Russo com um total de 449 votos a favor e nenhum contra. Isto quando estava no hemiciclo...88 deputados. Vale a pena ver o vídeo e admirar a dedicação e o esforço com que os deputados russos cumprem a sua missão.


quarta-feira, maio 26, 2010

Calvin explica a dinâmica da economia moderna

(clicar para ampliar)
Qualquer semelhança com a realidade talvez não seja pura coincidência.

Imagem recebida por e-mail

terça-feira, maio 25, 2010

Caminhada e piquenique no Cabeço das Fráguas

O Cabeço das Fráguas sempre exerceu em mim um fascínio difícil de explicar. Talvez seja o peso da História que ali se sente, ou os segredo que aquele monte teima em guardar apesar da curiosidade humana, ou talvez seja ainda a espectacular paisagem que se avista desde a Serra da Estrela até terras de Espanha.

Ainda neste sítio existiu outrora um povoado anterior à romanização mas que sofreu os efeitos desta. A prova maior é a inscrição numa rocha que testemunha o sacrifício de vários animais aos deuses indígenas, perpetuando a devoção dos habitantes para com os seus deuses há quase 2 milénios.

Um pouco para reviver este fascínio e, por outro lado, para permitir dar a conhecer este local ao núcleo duro do blog (embora com a baixa tremenda da Ana), no próximo Sábado nada melhor do que fazer uma caminhada com piquenique até ao local. Quem quiser pode juntar-se às hostes, bastando para isso estar devidamente equipado, levar o seu farnel e cumprir o pré-requisito obrigatório de levar boa disposição. Vamos lá?

sexta-feira, maio 21, 2010

A capa de jornal da semana!

Fica na retina esta capa de jornal onde, obviamente, o destaque vai inteirinho para a chegada de Pepe à Covilhã para integrar os trabalhos da Selecção. Será que recupera a tempo de dar o seu contributo a 100% no Mundial?

Música com dedicatória: "Vem devagar emigrante"

Tendo em conta que o Xamane, o nosso fotógrafo oficial, e sua família estão na iminência de ir tomar café a Paris (gente fina é realmente outra coisa) não poderíamos deixar de dedicar com amizade uma canção sensível que, ao mesmo tempo, constitui uma chamada de atenção para os perigos da estrada e para a falta de psicólogos no SNS. Só para vocês, Graciano Saga, o trovador do povo, com "Vem devagar emigrante"!




PS - Esta fantástica ode musicada é também dedicada à Madalena, nossa atenta camarada no
Twitter que tem esta tendência para conduzir a horas impróprias.

quinta-feira, maio 20, 2010

Divulgação: Caminhada "Na Rota das Azenhas"... e das cerejas!

Da parte dos Caminheiros da Gardunha, recebemos o seguinte pedido de divulgação da caminhada da Rota das Azenhas, iniciativa que estava prevista para Fevereiro último mas que entretanto foi adiada devido ao mau tempo.

Há agora um aliciante extra que é a possibilidade de fazer a caminhada por entre pomares de cerejeiras que, entretanto, já começaram a dar fruto. Vamos a isso?


Caminhada
“Na ROTA das AZENHAS” – Souto da Casa

Marcada, inicialmente, para o passado dia 21 de Fevereiro e adiada por causa da intempérie que se abateu na região, os Caminheiros da Gardunha, em colaboração com a Junta de Freguesia do Souto da Casa, organizam no próximo dia 30 de Maio (domingo) a caminhada com o tema “NA ROTA DAS AZENHAS” agora valorizada com o período das cerejas.


O percurso permitirá, um contacto, na encosta da Serra da Gardunha, com as cerejeiras carregadas de cerejas; as bonitas paisagens da Ribeira da Gardunha (outrora designada do Caia ou do Ocaia); as Azenhas (onde se destaca a Azenha da Figueira) e o conjunto do casario em xisto.

A concentração é no Largo dos Caminheiros (Fundão), às 8.30 horas, realizando-se a deslocação, até ao Souto da Casa, em autocarro.
O percurso, com cerca de 7 Km, de baixa intensidade, inicia-se no Souto da Casa (Praça da República – junto à Capela de Gonçalo).
Após a caminhada realiza-se o “almoço tradicional da aldeia”.


Inscrições para a caminhada:

- 4 (quatro) Euros - com reforço alimentar; almoço e transporte para o Souto da Casa e regresso ao Fundão, em autocarro.
As crianças até aos 10 anos não pagam.

As inscrições deverão ser feitas, impreterivelmente, até ao dia 27 de Maio, para:

Telemóveis – 961 764 062 / 964 343 968 (Caminheiros da Gardunha)
E-mail – caminheirosdagardunha@hotmail.com

terça-feira, maio 18, 2010

Tirar o Cartão do Cidadão pode ser uma jornada de auto-descoberta


Não querendo de forma alguma parecer paranóico, tenho a sensação que a Administração Central é como um polvo conspirativo que investe contra mim com cada um dos seus tentáculos, seja através das Finanças, com os seus diligentes funcionários de indumentária peculiar, da Segurança Social, que decide numa migração de sistemas fazer desaparecer 3 anos das minhas contribuições, e -imagine-se!- até através do SNS que me leva a pensar que a minha longevidade está na iminência de ser abreviada.

Esta diabólica trama teve um novo capítulo quando há dias me dirigi ao Registo Civil para pedir o Cartão do Cidadão, pedido que aliás foi uma estreia para mim. Abro aqui um parêntesis para referir que a designação "Cartão do Cidadão" é uma designação feliz, tendo em conta que inicialmente se falava em Cartão Único. Felizmente alguém na Administração Central percebeu os riscos desta última e optou-se pela primeira.

O funcionário solicitou o meu BI para comparar os dados da base de dados com os que constavam no documento. Acompanhei o processo atentamente como é meu timbre e, no instante em que o funcionário arregalou os olhos, aproximou o rosto do ecrã e exclamou "Mau...!", a minha perspicácia levou-me a comentar imediatamente para com os meus botões "Oh diabo...! Tu queres ver que me vai suceder outra situação completamente fora do vulgar e que não faz sentido algum, como se a Administração Central fosse um polvo conspirativo que investe contra mim com todos os seus tentáculos?".

É certo que quando menos esperamos, descobrimos coisas sobre nós próprios que até então desconhecíamos mas, descobrir ali, pela mão daquele funcionário, que eu era afinal mais velho e casado, que os meus pais não são quem eu toda a vida pensei que fossem e que, contra todas as aparências, resido na Marinha Grande, foi para mim um choque tremendo.

De forma admirável, o funcionário não desarmou e refez uma e outra vez a pesquisa, usando critérios diferentes mas obtendo sempre o mesmo resultado. Perante a sua diligência e teimosa insistência, tentei poupar-lhe o esforço e explicar-lhe que não adiantaria pesquisar fosse de que forma fosse pois o que se passava é que alguém tinha feito asneira ao introduzir os dados no meu registo e me confundira com um cidadão que tinha, letra por letra, exactamente o mesmo nome que eu.

Olhando-me desconfiado, o funcionário insistiu uma última vez "Vou pesquisar noutro computador para ver o que acontece!", sendo novamente assolado por um sentimento de desilusão e de uma certa frustração, exclamando bem alto "Caramba! Aqui acontece o mesmo!".

Foi necessária uma mini-convenção de funcionários diante do computador, para finalmente decidirem alterar os dados do meu registo, corrigindo de acordo com o que constava no BI mas perguntando-me sempre, campo a campo, se os mesmos estavam correctos... não fosse o diabo tecê-las e obrigá-los a mais uma bateria de pesquisas.

sábado, maio 15, 2010

Segundo a Wikipédia, as Vuvuzelas vendem-se na Galp


A
Wikipédia tem sido de há uns tempos a esta parte, uma fonte privilegiada de informação para os cibernautas, especialmente estudantes, que não raras vezes recorrem ao Copy+Paste descarado desta enciclopédia colaborativa para os seus trabalhos escolares (com a devida conivência dos professores). Mas será a informação realmente válida?

Muito se tem discutido acerca da credibilidade da Wikipédia no que à consistência e veracidade da informação disponibilizada diz respeito. Pessoalmente, estou habituado a olhar com desconfiança para a Wikipédia, usando-a mais como fonte de referências do que propriamente como fonte de informação de forma directamente proporcional à importância daquilo a que se destina a minha pesquisa.

Por exemplo, no que à História de Portugal diz respeito, a Wikipédia deve ser encarada com extrema cautela até porque a maior parte dos seus revisores são brasileiros. Após a ridícula polémica do vídeo de Maité Proença, este facto ganhou ainda mais relevância.

Em suma, o busílis da questão é: sendo a Wikipédia uma enciclopédia colaborativa em que qualquer pessoa pode participar, quem verifica a consistência e coerência daquilo que é introduzido?

Hoje tive mais uma pequena surpresa ao querer saber qual era o nome das cornetas que a Galp está actualmente a distribuir no âmbito do Campeonato do Mundo e que um meu vizinho fazia soar no prédio com entusiasmo. Segundo a Wikipédia, apesar das dúvidas quanto à origem do nome Vuvuzela, que é o nome dessas cornetas, o que é certo é que as mesmas estão à venda na Galp. Ora vejam (cliquem para aumentar):


Entretanto, parece que a original adição ao artigo já foi removida.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...