segunda-feira, abril 26, 2010

25 de Abril, 36 anos depois



"Só saberá o que é a liberdade no dia em que a perder"

Passados 36 anos desde a revolução dos cravos, sinto que a sociedade se vai distanciando progressivamente dos valores e do significado que teve o 25 de Abril para Portugal, e não apenas temporalmente. Salgueiro Maia, Zeca Afonso e Marcello Caetano são cada vez mais ilustres desconhecidos, enquanto Salazar -imagine-se!- consegue ser eleito o maior de todos os portugueses em concursos televisivos, ao mesmo tempo que vai sendo evocado como o remédio que curaria todos os problemas sociais se por obra e graça do Espírito Santo regressasse do túmulo.

E se em vez de um "novo Salazar", os pais assumissem a sua efectiva responsabilidade educativa na família em vez de a descartarem, as instituições fossem tão ávidas de rigor e de trabalho como são a premiar a incompetência e o Estado fomentasse realmente o trabalho e o progresso em vez de, como assistimos actualmente, permitir que haja cidadãos que se reformem aos 18 anos?

Durante quase 50 anos, a opressão silenciou as vozes dos descontentes, ao mesmo tempo que usava o desterro, a prisão e a morte como instrumentos primordiais para se perpetuar. Hoje, essas mesmas vozes são silenciadas pelo desprezo e pela ignorância de uma sociedade que vive do imediatismo e que considera a liberdade como algo tão naturalmente seu por direito, que não consegue conceber uma época em que esta era negada, nem o que foi preciso fazer para a recuperar. Assiste-se, por outro lado e com uma facilidade incrível, à subversão dos termos "liberdade" e "liberdade de expressão", frequentemente usados para descrever algo mais próximo da libertinagem e da falta de respeito pelo próximo. De fora ficam outros dois conceitos fundamentais e indissociáveis dos anteriores: a responsabilidade e o respeito pelo próximo.

Deste lado, vou continuar ano após ano a recordar e evocar a Revolução dos Cravos, vou continuar a arrepiar-me ao som de Grândola Vila Morena e, sem dúvida, continuarei a ser inteiramente grato aos Heróis de Abril que puseram fim à longa noite do silêncio e a transmitir esse sentimento aos que depois de mim vierem.

25 de Abril Sempre!

Arruada comemorativa do 25 de Abril no Fundão


Mais uma vez na noite de 24 para 25 de Abril, minutos antes da meia-noite, a população do Fundão convergiu para o Jardim Municipal, em frente à Câmara, saindo depois em arruada pelas ruas mais emblemáticas da cidade, ao som de "Grândola Vila Morena", este ano interpretado pela Banda Filarmónica de Silvares.

Esta é uma tradição que se repete anualmente e que mantém viva a gratidão para com os Heróis de Abril.

Aqui fica um vídeo feito em cima do joelho esquerdo para dar uma ideia do que é esta tradição:



domingo, abril 25, 2010

Parabéns Sãozinha!

A Sãozinha, a nossa libidinosa guru espiritual comemora hoje o seu aniversário cuja numeração ordinal foi mantida no segredo dos deuses. Para ela, com votos de amizade sincera e na graça do senhor (que fez a música) aqui fica para ela o Hino de Parabenização do Katano.

Parabéns Sãozinha!!!



quinta-feira, abril 22, 2010

quarta-feira, abril 21, 2010

Conímbriga em 3D - Viagem no tempo a três dimensões

Na minha costumeira visita ao meu rol de blogues de eleição, encontrei no Património Cultural, Sustentabilidade e Desenvolvimento esta espectacular reconstrução virtual da Cidade de Conímbriga, disponibilizada online pelo Italica Romana. Nela, é possível ver a cidade na sua máxima extensão, quando ainda não se tinha retraído para trás da 2ª muralha que, no vídeo ainda não existe e que hoje domina a paisagem no local. É possível ver o Anfiteatro, o aqueducto, as termas de Trajano, a Casa dos Repuxos, a Ínsula do Vaso Fálico, entre outras construções. Conseguem imaginar o trabalho que isto terá dado?

Aconselho uma visita ao Italica Romana para verem outras reconstruções virtuais de alguns edifícios emblemáticos de Conímbriga e de outros sítios arqueológicos, entre os quais Santiponce.

Estas reconstruções, sejam elas tridimensionais ou apenas bidimensionais, são instrumentos indispensáveis à interpretação dos sítios arqueológicos, vindo dar ao cidadão comum uma ideia completamente diferente dos "amontoados" de pedras e de peças em avulso que lhes são normalmente apresentados, quer nos sítios em causa, quer nos museus.

Este filme mudou ou não mudou a vossa ideia acerca de Conímbriga?

segunda-feira, abril 19, 2010

domingo, abril 18, 2010

Choque de Titãs - O mito de Perseu

A escolha cinematográfica de fim-de-semana do núcleo duro do Blog do Katano recaiu no recém-estreado "Choque de Titãs", isto numa escolha ditada por voto de maioria, após duras negociações.

Havia alguma curiosidade em ver este remake em 3D do já clássico "Choque de Titãs" de 1981 mas no final fiquei com a sensação de ter visto um filme que, sendo uma versão light do clássico, procurou compensar o excessivo aligeirar do argumento com efeitos especiais realmente bem conseguidos, é certo, mas que ainda assim não conseguem compensar tudo (e a qualidade da projecção também não ajudou os efeitos tridimensionais). Já agora, os filmes têm obrigatoriamente de passar em 3D?

Em dois aspectos ambas as versões de "Choque de Titãs" são convergentes. Uma é a deturpação (chamemos-lhe livre adaptação) do mito grego de Perseu, enquanto a outra é o misturar da mitologia grega com a mitologia persa (os Djinn) e com a mitologia nórdica (o Kraken).

Choque de Titãs, 2010


Choque de Titãs, 1981


O mito de Perseu

Perseu era de facto filho de Zeus mas, ao contrário do que acontece no filme, era neto e não o filho de Acrísio, rei de Argos, que, avisado por uma profecia que Perseu seria a causa da sua morte, fechou a criança e a sua mãe, Dánae, numa urna, lançando-a depois ao mar. Ambos acabaram por ser resgatados ilesos na ilha de Serifo.

Anos mais tarde, o rei da ilha incumbiu maliciosamente Perseu de lhe trazer a cabeça da Medusa. Para matar a Medusa, Perseu precisou de chegar ao Jardim das Hespérides onde as ninfas lhe forneceram armas prodigiosas: o capacete de Hades, que tornava o seu portador invisível, sandálias aladas para lhe permitir voar, um escudo espelhado e uma espada indestrutível, para além dum saco para transportar a cabeça da Medusa em segurança. Para chegar às Hespérides, Perseu teve de perguntar o caminho às três Greias, bruxas que partilhavam o mesmo olho e o mesmo dente.

Perseu conseguiu surpreender as Górgones (eram três) enquanto dormiam e cortou a cabeça da Medusa, conseguindo depois sair sem ser visto. No regresso, salvou providencialmente Andrómeda de um monstro marinho, casando depois com ela, e ainda petrificou o gigante Atlas com a cabeça da Medusa (adivinhem onde?).

Perseu, Andrómeda e o monstro marinho

Depois de ter também petrificado o rei da ilha de Serifo, voltou a Argos cidade onde se tornou rei e, anos mais tarde, cumpriu a profecia. Participando numa prova de lançamento do disco, atingiu acidentalmente o seu avô, matando-o instantaneamente.

Fonte: Dicionário de Mitologia Greco-Latina das Edições 70,
Fotografia: Wikipédia

sexta-feira, abril 16, 2010

Maria Cavaco Silva: Declaração ao mais alto nível acerca de um vulcãozinho numa pequeníssima ilha


Retida em Praga, na República Checa, juntamente com o o seu marido, o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o resto da comitiva que se encontra de visita àquele país, por causa do vulcão islandês que paralisou meia Europa, Maria Cavaco Silva dissertou para a comunicação social sobre a situação.

Num curioso uso de palavras, a primeira dama referiu que o que estava a acontecer era no fundo a demonstração do conceito de "Aldeia Global", tendo em conta que "um vulcãozinho, que talvez não seja assim tão pequeno quanto isso, numa pequeníssima ilha" estava a afectar meia Europa.

Não querendo de forma alguma estar a ser picuinhas nem implicativo, esta declaração deixou-me contudo com a pulga atrás da orelha e fui verificar alguns dados geográficos tendo obtido os seguintes números:

Área total da Islândia: 103.000 km2
Área total de Portugal: 92.090 km2

Pelos vistos, mesmo que seja de forma inconsciente, nem a Presidência consegue ser imune a este vírus, tão português quanto irritante, de encarar o nosso país com um confrangedor sentimento de inferioridade.

Fico no entanto curioso... Como se referiria a Primeira-Dama ao Hawai se o vulcão aí estivesse situado? Será que resistiria a usar a piada do prefixo "nano-mini-micro"?

A libertação da Garça-Boieira

2 meses depois de ter sido encontrada e entregue ao CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens em Castelo Branco, a Garça-Boieira foi finalmente devolvida à natureza.

No Centro foi tratada e alimentada, conseguindo recuperar de uma ferida provocada por um disparo, de uma luxação numa pata e tendo ainda sido desparasitada.

Recuperada e em forma, uma vez que pôde treinar o voo nas instalações do CERAS, a Garça-Boieira viajou pela última vez de carro (assim o esperamos) até ao Fundão, para ser libertada, não sem antes ter devorado um delicioso rato que, devido ao enjoo provocado pelos solavancos do carro, como se sabe um meio de transporte que faz pouco sucesso entre esta espécie, acabou por ser regurgitado.

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O local escolhido para a libertação foi um que lhe é familiar, onde a sua colónia habitualmente convive com uma colónia de cegonhas que não se mostraram muito satisfeitas pela intrusão, demonstrando ruidosamente a sua objecção.

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Com todos a postos, a Garça era mesmo quem demonstrava maior ansiedade e, assim que a gaiola de transporte foi aberta, não se fez rogada e logo levantou voo rumo à sua segunda vida.

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Indo pousar junto aos ninhos das cegonhas, pareceu olhar em volta com ar confuso como se perguntasse “Hey! Onde está o resto da malta?”. De facto, a sua colónia, como garças-boieiras que se prezem, viajou para Sul, como sempre acontece nesta altura do ano, para nidificar. Procurar as suas companheiras será agora o novo desafio desta Garça-Boieira. Estamos todos a torcer por ela, ao mesmo tempo que esperamos que o seu GPS esteja actualizado.

 P4159833 RXCas[3] P4159841 RXCas[3]

 

Vale a pena visitar:

Blog do CERAS

CERAS na QUERCUS

CERAS no Facebook

quinta-feira, abril 15, 2010

Aves azuis em expansão

Ha bem pouco tempo, foi relatado aqui no blog do Katano o estranho fenómeno de uma garça que, já doente e debilitada, ainda ficou com uma coloração azul (que eu espero que nada tenha a ver com a vertente clubística de muitos elementos deste blog).

Hoje, ao folhear a revista Sábado (hábito semanal), até senti um pequenino arrepio sinistro: deparo-me com uma imagem muito semelhante há que aqui foi publicada. Mas, desta vez, o porte da ave era mais do dobro e estava em liberdade (e certamente não foi atacada pela D.Céu com um spray antibiótico de Terramicina!).

Uma cegonha azul está a deixar intrigada a população de Biegen, na Alemanha, que permanece de olhos postos no céu. Certamente, é uma imagem artificial mas a cor continua por explicar, até porque, não conseguindo perceber porquê, ainda ninguém conseguiu obter uma pena do animal para análise...







Imagem retirada de g1.globo.com

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