quinta-feira, março 18, 2010

Quando um livro com 84 anos nos faz revisitar o que pensávamos conhecer

Ler é uma das grandes paixões da minha vida que, desde muito cedo, aprendi a cultivar. Inclusive, recordo-me que, nos meus tempos de escola primária, era tão viciado em leitura que, à falta de outros livros, pegava num dicionário e começava a lê-lo. Embora não me consiga recordar se cheguei ou não ao fim da insípida trama do dicionário, o vício da leitura ficou enraizado e permaneceu até hoje como uma espécie de função biológica indispensável e inevitável. Por isso, comprar ou receber livros é sempre extremamente gratificante.

Ora, um dos últimos livros que recebi, simpaticamente oferecido pela família Brito, revelou-se uma verdadeira pérola, não só por se tratar de um livro com 84 anos (tendo eu uma adoração especial por livros antigos como aqui e aqui referi) e sendo parte de uma tiragem de 100 exemplares, mas também porque me permitiu revisitar com uma perspectiva completamente diferente alguns locais que visitei em França durante a minha viagem a solo em 2007.

Trata-se de um livro dedicado às cidades romanas do vale do Ródano nas quais inevitavelmente se incluem capítulos dedicados a Nimes e Orange, cidades que ainda hoje ostentam monumentos impressionantes da época romana, classificados pela UNESCO. É interessante comparar o estado de conservação dos monumentos em 1926, apresentados nas fotografias e ilustrações do livro, com o que encontrei em 2007.

O Arco de Triunfo, ou mais propriamente, o Arco Comemorativo consagrado a Tibério é uma verdadeira banda-desenhada dos feitos de armas da legião II que fundaram esta cidade embora muitos elementos tenham desaparecido com o tempo, especialmente com a adaptação do arco a atalaia durante a Idade Média. As diferenças entre 1926 e 2007 são pouco evidentes até porque o Arco foi completamente recuperado em... 1811, em plena época napoleónica.


É contudo na comparação com a sua configuração na Idade Média, em que foi adaptado a torre de vigia como já referi, que as diferenças saltam à vista. Este não foi um caso virgem em termos de adaptação pois existem vários outros casos de arcos romanos incorporados em fortificações. A reconstituição hipotética ajuda a dar uma ideia provável do que seria o seu aspecto original.

(clicar para ampliar)

Já o Teatro Romano de Orange é o melhor conservado da Europa, mantendo de pé o seu imponente muro de cena de 103 metros de comprimento por 37 de altura desde o século I d.C., descrito por Luís XIV como sendo "a mais bela muralha do Reino".

Tendo sido "preenchido" com habitações que entretanto foram demolidas a partir de 1825, o aspecto do teatro revelava em 1926 algum abandono em forte contraste com a actualidade.



Contudo, um dos aspectos mais interessantes do livro prende-se com a descrição dos monumentos da cidade de Arles, cidade que ainda não tive ocasião de visitar, especialmente com o seu imponente anfiteatro, um dos monumentos romanos melhor conservados no Mundo.

Inicialmente utilizados para jogos (combates, representações,...) que divertiam os 25.000 espectadores que se podiam sentar nas bancadas, após o advento do cristianismo e a decadência do Império Romano, o edifício foi readaptado a fortificação na Idade Média, tendo sido construídas torres de vigia em pontos diametralmente opostos. Este foi aliás um destino partilhado por estruturas semelhantes como o anfiteatro de Nimes e o Coliseu de Roma.

Mais tarde, a fortificação foi substituída por um aglomerado de habitações que persistiram até ao Séc XIX, altura em que a estrutura foi desimpedida.

Este livro é realmente uma pequena pérola que, para além de me ter feito ver com outros olhos algo que eu pensava conhecer, me deixou com água na boca em relação a Arles que, inevitavelmente, será uma paragem obrigatória na minha próxima passagem por aquela zona.

Virada a última página, não pude deixar de ficar a matutar. Poderiam imaginar os Srs Sautel e Imbert que, 84 anos depois, o seu livro seria capaz de ter este efeito num leitor a cerca de 2.000 km, a ponto de lhe dar destaque numa coisa chamada "Blog do Katano" que pode ser encontrada num local etéreo e anárquico chamado "Internet"?

terça-feira, março 16, 2010

Buck Rogers no séc. XXV ou porque não se devem rever séries que marcaram a nossa infância

Depois do artigo ontem dedicado a Peter Graves e à série que o eternizou, Missão Impossível, dei por mim a percorrer mentalmente as séries que marcaram a minha infância e que eu acompanhava tão religiosamente como uma senhora idosa e beata em relação ao hábito de assistir à santa missa. Aliás, creio mesmo que, não fosse a minha ingenuidade de então, própria de uma criança imberbe, e eu poderia muito bem ter usado este argumento para me furtar à obrigação imposta de ir assistir à missa de Domingo.

Se há série que eu seguia com especial devoção, essa era sem dúvida a incomparável "Buck Rogers no século XXV" da autoria do inevitável Glenn A. Larson. Já se sabia de antemão que o final das tardes de Sábado seriam sempre passados frente ao televisor, que na altura apenas captava a RTP1 e a preto e branco, para acompanhar as aventuras deste autêntico ícone e modelo de vida que era o capitão William Buck Rogers, interpretado por Gil Gerard.

A história era simples: em 1987 (lá estava mais uma vez o optimismo que daria origem também a séries como "Espaço 1999"), a NASA enviava a última sonda espacial tripulada de exploração do espaço profundo. No entanto, um fenómeno sem explicação acabaria por colocar o capitão Buck Rogers em animação suspensa ao mesmo tempo que desviava a nave Ranger 3 da sua trajectória prevista, projectando-a para uma outra que haveria de a trazer de volta à Terra cerca de 500 anos mais tarde.

Da série, para além do inesquecível robô Twiki, fazia também parte a inesquecível Coronel Wilma Deering (Erin Gray) uma mulher que, pelo que me recordo, dava asas à minha imaginação pré-pubere. Era impossível não ficar caído por aquela mulher com personalidade forte e olhos claros, que vestia roupas de combate brancas justas e pilotava caças com uma destreza só comparável à ferocidade com que disparava as suas armas laser. Creio que houve ali até um momento em que o meu principal objectivo de vida era casar com a coronel Wilma Deering. O drama abateu-se contudo sobre a minha vida no dia em que a série chegou ao fim. Desesperado, cheguei a ponderar colocar a trouxa às costas e partir à procura da Wilma mas, provavelmente porque era hora do almoço, acabei por desistir da minha aventura.




Depois da série terminar (recordo-me que só deverei ter perdido um episódio porque o retransmissor da Gardunha estava com problemas nesse dia, para meu desespero), fiquei com uma excelente recordação da mesma, recordação que aliás me acompanhou durante muitos anos... até que cometi o erro crasso de rever alguns episódios, cerca de 20 anos mais tarde.

Subitamente, Buck Rogers deixou de ser um galã ginasticado que seduzia tudo o que fosse fêmea para passar a ser um macho latino chauvinista, que usava a exibição ostensiva da "peitaça" como instrumento privilegiado de sedução, e a série passou a ter uma conotação extremamente sexista. Os efeitos especiais, então tão fantásticos aos olhos de uma criança, passaram a parecer terem sido efectivamente feitos por uma criança, e o enredo que então aparentava ser genial, passou a ser, vá lá, pateta. Confesso que me arrependi amargamente de ter revisto esta série depois de tanto tempo.

E quem diz Buck Rogers no Século XXV, diz "Capitão Power e Os Soldados do Futuro", uma série de ficção científica pós-apocalíptica (estão a ver um padrão, aqui?) no qual os robôs tinham conquistado o Mundo (esta ideia era então recorrente) e, não contentes com isso, perseguiam os humanos sobreviventes para os digitalizar (o que quer que isto pudesse significar embora a ideia que ficasse do processo é que era extremamente doloroso).

Felizmente para a Humanidade ainda havia um punhado de resistentes, o Capitão Power e os Soldados do Futuro (nunca ninguém me explicou porque é que eram "do futuro" se aquilo era o presente deles), que atacavam os robôs sem dó nem piedade, com a ajuda de fatos especiais. Assim, tipo Power Ranger.




Há alturas em que não me importava de ter a minha inocência de volta...

segunda-feira, março 15, 2010

Morreu Peter Graves... Good Bye, Jim

Este género de notícias é duplamente desagradável. Se por um lado temos evidentemente o lado humano da questão e o de um homem que falece, por outro aquilo que nos atinge, quiçá num assomo de egoísmo, é a dura constatação de que estamos irremediavelmente a ficar mais velhos.

Que diabos! Parece que ainda estou a recordar as minhas tardes televisivas da TF1, algures pelos meados dos anos 1980, em que Peter Graves encarnava o mítico Jim Phelps na série clássica Missão Impossível e, afinal, já passaram quase 30 anos. Ao fim e ao cabo, creio que o que nos preocupa realmente neste género de notícias não é a perda humana em si mas mais aquele pedaço da nossa infância ou juventude que subitamente se vai.

Peter Graves esteve presente em alguns dos momentos altos da minha juventude, é um facto. Para além, como já referi atrás, ter interpretado o papel do mítico Jim Phelps na ainda mais mítica série "Mission Impossible", personagem que aliás foi subvertida com total e imperdoável despudor só para fazer o Tom Cruise parecer um tipo porreiro, Graves começou por combater os Draconians na série Buck Rogers no século XXV, tendo ainda interpretado o inenarrável Comandante Clarence Oveur em Aeroplano I e II, isto como papéis salientes de uma extensa carreira.

Cena do filme Aeroplano com Peter Graves (Comandante Oveur), Kareem Abdul-Jabbar (Co-piloto Roger) e outro actor que faz de Victor. A confusão que se estabelece durante a comunicação com a torre de controlo para a descolagem do avião é deliciosa.

Fica pois a sentida homenagem a Peter Graves (o apelido é aqui uma mórbida ironia), que consigo leva parte da minha juventude. Good bye Jim.



Jornalismo criptográfico... Alguém consegue perceber esta notícia?

É certo que cada jornalista tem o seu próprio estilo de escrita, desde o jornalista que mostra haver em si um prémio Nobel da Literatura reprimido até ao jornalista que parece ter sido promovido directamente de operador de telégrafo.

Contudo, a notícia que se segue parece simplesmente mostrar o caso de um jornalista que trabalhou horas a mais e que, ainda assim, quis dissertar na secção de desporto do Diário de Notícias sobre o problema do desemprego, tentando interligar inteligentemente a questão com a crise na habitação em Portugal.

O resultado é no mínimo peculiar.




sábado, março 13, 2010

Os computadores das FARC são apenas para navegar em banda larga

A captura de um membro da ETA quando procurava escapar para a Venezuela no aeroporto da Portela veio reacender a polémica da denúncia do suposto apoio de Hugo Chavez quer à organização independentista basca quer às FARC, na Colômbia.

Já no início do mês, um juiz espanhol renovara as acusações de cooperação do governo venezuelano com as organizações terroristas em causa, tendo Chavez vindo a terreiro refutar as acusações e denunciar o óbvio: que se tratava de uma grande conspiração dos EUA para o desacreditar. Isto depois de ter destruído o Haiti, o Chile e Taiwan com a tal arma secreta tectónica, acrescentamos nós.

Estas suspeitas vêm já de 2008 quando, dentro do computador de Raul Reyes, nº2 das FARC morto pelas forças colombianas, teriam sido encontrados ficheiros comprometedores que indiciavam essa colaboração venezuelana com a organização terrorista. No entanto, é óbvio que ninguém no seu perfeito juízo acredita que Hugo Chavez seria capaz de uma coisa destas.

Por outro lado, temos informações seguras de que as FARC usam os seus computadores apenas para aceder à Internet em ligação de banda larga, no intuito de actualizarem o seu perfil no Facebook, trocarem e-mails e encomendarem novos pares de meias on-line.
(Cartoon inspirado numa ideia original da Ana)

quarta-feira, março 10, 2010

De Vigo a Santiago de Compostela II - Na capital da Galiza

Relativamente à crónica da nossa viagem por terras da Galiza, uma espécie de Muito Alto Minho no qual percebemos que acabámos de entrar quando deixamos de ver lojas com atoalhados, tínhamos ficado na descrição do Parque do Castro em Vigo, um interessante parque arqueológico dedicado à cultura castreja e com vista para a Ria de Vigo.

Animados por essa injecção de cultura, fizemo-nos à estrada para Norte, seguindo o Caminho de Santiago, e sobrevivendo às curvas e contra-curvas, ao trânsito mais intenso, à fome e a uma piada sobre bonsais menos conseguida que a condutora achou por bem atirar.


A cidade de Santiago de Compostela, capital da Galiza, é uma cidade que nasceu e cresceu em torno de um túmulo, situado actualmente sob o altar-mor da catedral, e que impressiona pela monumentalidade do seu centro histórico. Em termos religiosos é uma das cidades santas do Cristianismo, tendo na Idade Média sido comparável em termos de importância a Jerusalém ou a Roma.

O túmulo do apóstolo Tiago é sem dúvida a alma e a razão de ser desta cidade mas... serão mesmo de São Tiago os restos mortais que se encontram numa elegante urna de prata sob a estátua do Santo? Diz a história escrita com a pena da fé que, depois de ter vindo evangelizar a Hispânia, Tiago terá regressado à Palestina, onde morreu supliciado. O seu cadáver terá sido trazido de volta por dois discípulos e, à falta de documentos históricos que o atestem, diz a lenda que terá sido sepultado no monte Libredón, onde hoje se situa a catedral.

Uns 7 séculos mais tarde, um eremita (ou pastor) afirmou ter avistado estranhas luzes sobre o monte. No local terá sido encontrado um conjunto de restos mortais que o clero de imediato identificou como pertencendo a Tiago e seus dois discípulos. Terá sido esta uma descoberta extraordinária tendo em conta que ocorreu num local conhecido como Campus Stellae (Campo de estelas / Cemitério)?

O que é certo é que a Cristandade assumiu que se tratava efectivamente de São Tiago e o local tornou-se um centro de peregrinação e, a pouco e pouco, em torno do pequeno templo ali erguido, começou a formar-se aquela que é hoje a cidade de Santiago de Compostela, uma cidade que vale a pena visitar.



A Catedral de Santiago de Compostela domina a chamada Praza do Obradoiro, em oposição ao Pazo de Raxoi, sede da Junta da Galiza e do Conselho Cultural. A Praça é assim chamada por ter sido o local do estaleiro das obras de construção da actual fachada da Catedral e, no seu centro, encontra-se simbolicamente assinalado o quilómetro 0 dos Caminhos de Santiago que aqui trazem todos os anos milhares de peregrinos.


Por ser um ano santo, ano de Xacobeo, pelo facto de a data em que se assinala o suplício de São Tiago (25 de Julho) coincide com um Domingo, a porta sagrada da catedral encontra-se aberta, dando acesso directo à passagem que leva à imagem do santo. As ombreiras da porta estão extremamente polidas, dando uma ideia do número de peregrinos que já as afagaram antes de se benzerem, como manda a tradição. Também a tradição manda que se abrace a imagem do santo, sendo por isso legítimo afirmar que este é um dos santos menos carentes do extenso panteão católico.


Sob o altar-mor, descendo uma escadaria através de uma estreita passagem, pode ser visitada a urna que supostamente conterá os restos do santo, no extremo de uma cripta fechada. Sobre a urna pende uma estrela, símbolo das tais "luzes" que terão levado à descoberta do corpo do santo.



Uma caminhada pelo centro histórico de Compostela constitui um excelente passeio pelo tempo. As ruas são ladeadas por arcadas e desembocam inevitavelmente na catedral. Dado o frio que estava, impôs-se uma paragem num café de aspecto muito agradável (porque também os há em Espanha!) para comer um belo de um bocadillo de "presuntio" serrano.



Entre as várias ruas de Santiago encontra-se a Ruela de Entrerruas, uma das ruas invulgar pela sua reduzida largura capaz de fazer surgir uma inquietante dúvida no espírito dos turistas que instantes antes tenham por exemplo ingerido um bocadillo de dimensões apreciáveis.


No entorno da catedral as construções monumentais são muitas, como por exemplo o imponente mosteiro de San Martiño Pinario que oferece uma vista privilegiada sobre o templo maior da cidade.


Em zona "extramuros" encontra-se um parque curioso, construído a partir de um antigo cemitério. Aqui, numa zona verde onde tivemos oportunidade de mostrar aos locais a qualidade do futebol português (se fosse em Vigo rir-se-iam de nós), após a entrada através de um majestoso portão de ferro forjado do século XIX, os trilhos serpenteiam entre blocos de compartimentos selados junto a um antigo convento. Abstraíndo-nos do lúgubre, é um local que convida à descontracção.
Ali perto, mais um marco português: o edifício do Centro Galego de Arte Contemporânea tem a assinatura de Siza Vieira.



segunda-feira, março 08, 2010

E porque hoje é dia internacional da mulher...

...aproveitamos para assinalar este dia com este curioso apontamento de sinalização de apelo ao respeito, tirada do álbum da Sinalética do Katano.(Ver mais sinalética escabrosa ).

domingo, março 07, 2010

Uma aventura no SNS

Ainda não refeito de um problema de saúde que me impediu de escrever aqui nos últimos dias (terá a febre sido provocada pela visita à colecção de malandrices da São Rosas?), finalmente hoje tive oportunidade para vir aqui matar o vício.

Estar doente é um bocado deprimente, sobretudo quando a reclusão nos leva a situações de degredo tal que somos literalmente "forçados" a assistir através do nosso imobilismo a séries televisivas que nos ensinam coisas tão interessantes como o facto de a sociedade humana estar dividida em humanos, humanos maus, vampiros e nerds. Contudo, nem tudo é mau. Convalescer tendo a nossa própria médica em casa, ainda por cima sendo ela dotada de uma imensa paciência, é de um valor inestimável!

Contudo, se pensam que o fim-de-semana foi todo ele marasmo, desenganem-se. Um facto significativo viria a alterar completamente a situação: uma visita ao SNS!

Depois de ter esperado apenas 3.45 minutos para ser atendido, já contando com o pagamento da taxa moderadora, deparei-me com um médico extremamente prático. Atrás do seu largo monitor, que mal deixava perceber o ultra-portátil, com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet, no qual ia dedilhando a espaços, de imediato determinou que o único exame que interessava fazer era uma radiografia, dispensado formalidades escusadas como o exame objectivo (auscultação, observação,...).

Obtida a radiografia e tendo sido esta enviada pela rede para o seu computador (o grande, aquele que tapava o ultra-portátil com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet), o médico começou primeiro por tranquilizar-me dizendo que não nada via de anormal. Subitamente, depois de um momento em que desviou por instantes o olhar do monitor, olhou para este novamente e exclamou de olhos esbugalhados: "O que é isto???!".

Ora, isto é sem dúvida algo que não é muito agradável de ouvir, especialmente vindo de alguém que se supõe que esteja a observar o que está a suceder no interior do nosso corpo e, naquele instante, confesso ter até sentido como que uma dualidade integrante de uma parte da minha anatomia, que me é muito cara, cair ao chão e rebolar até desaparecer por baixo do radiador.

Felizmente, não tive tempo de escrever mentalmente o rascunho para o meu testamento para lá das primeiras 5 linhas pois, logo a seguir, o médico acrescentou: "Eh pá, cliquei aqui sem querer e isto mudou de ecrã!". Não evitou contudo que eu ficasse de pulsação acelerada nos minutos seguintes.

No entanto, era necessário avançar um diagnóstico e foi isso que o médico tentou fazer baseado na radiografia e no meu testemunho, inquirindo de forma contundente: "Será que é Brucelose?", opção logo abandonada perante a minha discordância. Recomendou-me então, depois de me receitar alguns medicamentos, que, caso houvesse evolução a nível de sintomas, me dirigisse na Segunda-feira ao Centro Hospitalar para realizar análises adicionais, visto que o local onde nos encontrávamos no momento tal não era possível por se tratar de "uma verdadeira chafarica!" (sic).

Foi pois com um sentimento estranho que regressei a casa, algo desiludido por não ter conseguido apurar o que se passava comigo mas, ao mesmo tempo, extremamente aliviado por tal ter acontecido...

quarta-feira, março 03, 2010

Algálias de Santiago de Compostela

Quem passeia por Santiago de Compostela fica sem dúvida deslumbrado pela monumentalidade do entorno da Catedral onde dizem que se encontram os restos mortais de São Tiago (já lá iremos!).

A verdade é que as surpresas não se ficam apenas pelos monumentos. Atentem por exemplo na curiosa toponímia capturada nos instantâneos que se seguem:



Pelos vistos, também podemos concluir que, em Santiago de Compostela, a algália de baixo não tem prioridade, ao contrário da algália de cima.

terça-feira, março 02, 2010

Votem no Blog do Katano no Super Blog Awards 2009/2010!

Pois é...! Depois do brilharete de 2007/2008 em que este blog venceu na categoria de blogs pessoais, os leitores pediram em referendo (com a vitória do SIM com 80%, 33% dos quais são uns verdadeiros brincalhões a fingirem estar dispostos a votar a troco de 12,50 Euros) e o Blog do Katano vai novamente participar no concurso Super Blog Awards, na sua edição 2009/2010. Numa primeira fase, qualquer pessoa poderá registar-se e votar no seu blog favorito nas diferentes categorias até 24 de Março. Posteriormente, os mais votados passarão à segunda fase onde serão alvo da apreciação por um júri que, com base em diferentes parâmetros de avaliação, escolherá o melhor blog dos apurados.

Tenho plena noção de que desta vez será muito difícil vencer a categoria em que este blog concorre, a categoria Pessoal, uma vez que a concorrência é muito mais forte. Seja como for, venho aqui pedir a cada um de vocês que colabore e ajude este Blog, votando!

Para votar deverão:

2 - Registar-se no site do concurso Super Blog Awards / Super Bock
3 - Responder a um pequeno inquérito
4 - Votar nos blogs favoritos em cada categoria

A todos o meu muito obrigado!

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