sexta-feira, dezembro 18, 2009

Para fazer um filme apocalíptico, bastam 300 dólares


Nesta curta metragem uruguaia intitulada "Panick Attack" que, seguindo as regras normais deverá ter em Portugal um título como "Chamas escaldantes e fatais sobre Montevideo" , um grupo de invasores robóticos invade e destrói a capital uruguaia em cenas com grandes efeitos especiais e lembrando um pouco O Dia da Independência.

Este filme foi a primeira curta-metragem de ficção de Federico Álvarez, realizador de uma empresa que produz anúncios, video clips e curtas metragens, tendo custado a módica quantia de... 300 dólares!

O sucesso do filme, que no Youtube já teve quase 2 milhões de visualizações, foi tal que os Ghost House contrataram o realizador para rodar um filme, com orçamento entre 30 a 40 milhões de euros, e do qual se espera que seja o próximo "District 9". Para este trabalho Álvarez irá receber um valor com 7 dígitos cujo montante exacto não me foi possível descobrir.

Ai se tivéssemos terminado o "Resgate na Gardunha"...

Inscrição da entrada do campo de concentração de Auschwitz foi roubada


Uma das notícias desta manhã dá conta do roubo, perpetrado por desconhecidos, da inscrição "Arbeit Macht Frei" que estava sobre a entrada do antigo e infame campo de concentração de Auschwitz. Esta inscrição, que se traduz em "O trabalho liberta", era um símbolo do sadismo nazi tendo um significado implícito muito mais sombrio do que o que aparentava a quem aqui era internado. Fica a dúvida sobre quem terá realizado este roubo, que é apenas o último de vários que entretanto ali aconteceram e que subtraíram, por exemplo, os bicos por onde entrava o Zyklon B nas câmaras de gás. Mórbidos caçadores de recordações ou saudosistas de uma época que o Mundo pretende esquecer?

Embora muitos tentem hoje sanear aquilo que foi um dos maiores genocídios, a memória do horror permanece bem viva até hoje em muitos sobreviventes. Em 2007, conheci uma senhora, actualmente residente na Escócia, que me falou da angústia constante que era ser judia e viver na França colaboracionista do regime de Vichy.

Durante maior parte da 2ª guerra, quando era ainda uma criança, viveu escondida no sótão da casa de uma família de conhecidos em Lyon, que se arriscaram para a manter a salvo da deportação. "E a sua família?", perguntei eu. "A minha família?... Partiram todos em fumo pelas chaminés dos campos de concentração. Não ficou ninguém".

Fotografia: Samuel Cantigueiro

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Duplo terramoto na noite de ontem


Registo no sismógrafo da Estação meteorológica de Manteigas
A noite passada ficou marcada pela ocorrência de dois terramotos: o primeiro teve o epicentro ao largo do Cabo de São Vicente e uma magnitude de 5.7 na escala de Richter, tendo sido sentido em praticamente todo o país e já teve quase 20 réplicas desde então. O segundo teve início praticamente em simultâneo e prolongou-se pela noite toda. Falo da explosão de actividade que aconteceu nas redes sociais sobretudo no Twitter e Facebook onde quase de imediato os utilizadores começaram a comentar o sismo.

Foram entretanto criados vários grupos no Facebook com nomes tão sugestivos como "Eu sobrevivi ao sismo de 2009!", que com mais de 2.000 membros será o mais significativo, seguido de outros como "Eu estava a trabalhar durante o sismo de 2009", "Estou-me nas tintas para o sismo de 2009", "Pessoas que sentiram algo mas que não sabem se se tratava do sismo de 2009", "Não houve sismo nenhum em 2009", "Pessoas que não sentiram o sismo de 17 de Dezembro de 2009" e, talvez o mais interessante, "Já passaram na rua miúdas que fizeram abanar mais que este sismo 2009". Há inclusive dois outros grupos praticamente com o mesmo nome: "Sobrevivi ao sismo de 2009 mas quero ver o Hulk a esmagar Lisboa no Domingo".

Este fenómeno das redes sociais é extraordinário e justifica bem um comentário que alguém fez referindo que, antigamente, quando havia um sismo as pessoas saíam para a rua mas hoje em dia correm para o Twitter.

Quanto ao sismo propriamente dito, como já referi, foi sentido em praticamente todo o país. Em termos de experiência pessoal, limitei-me a sentir uma ligeira vibração que me fez endireitar na cadeira para tentar perceber porque motivo o computador e a mesa pareciam estar a tremer. Na altura, confesso, não me apercebi que fosse um sismo e foi por isso que, quando cheguei à Internet e me deparei com mensagens a referir a ocorrência de um sismo em Lisboa, pensei por instantes que o Sócrates tivesse acabado de anunciar que os impostos iam baixar.

Algumas pessoas poderão achar extraordinário o facto de um sismo, que teve epicentro no mar a cerca de 100km a Sudoeste do Cabo São Vicente, ter sido sentido numa área geográfica tão grande mas tal facto é perfeitamente normal.

O sismo de ontem, a Sudoeste do Cabo São Vicente

Se recuarmos no tempo até ao grande sismo de 1755 que devastou Lisboa, este provocou estragos em todo o país com relatos de fissuras e danos em edifícios em todo o país, havendo também relatos de inúmeras fontes que pura e simplesmente secaram. Em Salamanca, a Catedral Nova sofreu também danos, tendo surgido fendas na cúpula, na torre sineira e no claustro do edifício.

Registos do Instituto de Meteorologia (sismo e réplicas):

Data(TU)Lat.Lon.Prof.Mag.Ref.GrauLocal
2009-12-17 11:2936,58-9,75182,4SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 11:0836,60-9,81152,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 10:2936,58-9,84322,1SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 09:4336,58-9,75201,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 09:0136,56-9,70172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 07:5736,59-9,80142,1SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 07:0736,59-9,72172,2SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 06:4236,63-9,75151,8SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 06:2436,58-9,74181,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 04:4836,60-9,74171,7SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:4736,57-9,72161,6SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:3336,60-9,76141,3SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 03:0936,59-9,77172,3SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:5736,61-9,77172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:4136,59-9,70181,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2536,60-9,74171,8SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2036,62-9,70191,7SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:2037,02-9,05291,0W Cabo S.Vicente------
2009-12-17 02:1136,59-9,78172,0SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 01:4336,56-9,66192,9SW Cabo S.Vicente------
2009-12-17 01:3736,52-9,92316,0SW Cabo S.VicenteVLagos



quarta-feira, dezembro 16, 2009

Exposição "MEMÓRIAS DO VALE" - 3ª Etapa


O "Memórias do Vale" consiste num projecto expositivo de materialização da memória colectiva de uma pequena aldeia voltada para a Serra da Gardunha e que hoje, à semelhança de tantas outras aldeias se encontra em processo de desertificação. Da arqueologia às lendas e aos mitos, da arquitectura tradicional à economia rural e equipamentos comunitários que fazem parte do legado desta comunidade, contam-se as histórias das gentes que com o seu labor transformaram a paisagem ao longo de séculos e fizeram deste vale, um vale de memórias.

Quem hoje visita a aldeia de Vale de Urso dificilmente consegue imaginar o centro de vida e actividade que, no seu auge, na transição da década de 1940 para a década de 1950, chegou a ser. Aqui nasceram, viveram e morreram agricultores, pastores, carpinteiros, pedreiros, mineiros e ferreiros que nas encostas deste vale escreveram histórias de verdadeiro heroísmo perante a adversidade.

Aqui se instituiu também o ensino primário na década de 1930 onde, até à sua extinção na entrada para a década de 1990, se contabilizaram mais de 700 matrículas. Sob a égide do Estado Novo, o ensino primário adquiria uma importância vital, tanto como veículo de propaganda do regime como também pela sua missão básica de dotar os cidadãos de uma instrução elementar numa altura em que o analfabetismo constituía uma verdadeira praga social.


A Exposição

Esta exposição, design de Catarina Marques e fotografia do nosso fotógrafo residente, o Xamane, esteve patente pela primeira vez em Agosto de 2008 no antigo edifício da Escola Primária do Vale de Urso, tendo-se depois mudado em Novembro do mesmo ano para o Souto da Casa, sede de freguesia.

Agora cumpre finalmente a sua 3ª etapa, estando a partir de segunda-feira e até 26 de Fevereiro de 2010 patente na sala de exposições temporárias do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão.

A partir de Fevereiro, entrará numa outra fase onde dará origem a vários materiais e fontes de informação que serão disponibilizados desde a Internet até micro-exposições ao vivo em alguns locais do Concelho do Fundão.

Para já estão todos convidados a marcar presença na próxima Segunda-feira às 18h no Museu Arqueológico José Monteiro para a abertura oficial da exposição. Espero a vossa visita!

Sobre o fumador a quem determinados maços de tabaco faziam mal

Trabalhar num local de atendimento público permite, pela possibilidade de contactos com o género humano em toda a sua diversidade comportamental e opinativa, experimentar as mais variadas situações, desde as mais tristes e periclitantes às mais burlescas e inacreditáveis.

Há alguns anos atrás, quando grande parte do meu tempo livre era passado atrás do balcão de uma certa e determinada pastelaria fundanense, tive oportunidade de assistir a algumas situações que contadas por outro eu acharia difíceis de acreditar.

Era esse por exemplo o caso de um cliente habitual, com os seus 50 anos e daqueles fumadores inveterados que emitem mais CO2 que alguns pequenos países do Terceiro Mundo, que frequentemente ali se dirigia para comprar o seu maço de SG Filtro. Essa compra obedecia contudo a um ritual curioso: o meu pai, que já o conhecia bem, colocava sempre à frente do indivíduo uma série de maços de tabaco à frente, todos da mesma marca, e este examinava-os meticulosamente um a um, acabando finalmente por escolher e pagar um deles.

Finalmente acabei por perceber o porquê deste ritual. O senhor em causa lia atentamente os avisos constantes no maço de tabaco e apenas comprava maços que contivessem avisos mais "suaves" como os que recomendavam que crianças e grávidas não fumassem, evitando de forma diligente -quase religiosa vá!- todos os maços em que estivesse avisos como "Fumar mata", "Fumar pode provocar doenças cardio-vasculares" e, claro, "Fumar pode provocar impotência".

Segundo ele, ao contrário dos primeiros, estes últimos maços de tabaco "davam-lhe cabo da garganta" (sic).

terça-feira, dezembro 15, 2009

O dia em que os romanos cruzaram o rio Lima

No último artigo dedicado a Ponte de Lima fiz referência ao episódio conturbado da travessia do rio Lima pelos legionários romanos comandados por Décimo Júnio Bruto que, numa primeira instância, julgaram ser este o rio Lethes, o Rio do Esquecimento, recusando-se a atravessá-lo.

Lembrei-me depois que João Aguiar, no seu romance histórico "Uma Deusa na Bruma", faz uma descrição interessante do que terá sido este episódio. Aqui fica um excerto do texto:



Do alto do seu cavalo, Décimo Júnio Bruto passeou o olhar pelas fileiras. Aquelas expressões fechadas, duras, falavam por si - conhecia bem de mais os legionários para ter ilusões. Conhecia bem demais aquele silêncio. Crescera gradualmente à medida que se aproximavam do Límia e que se espalhava entre eles a superstição semeada pelos prisioneiros calaicos e pela gente que aceitara comprar a paz com tributo. Na véspera, os comandantes dos manípulos tinham-no avisado que os homens se recusariam a atravessar. Agora, a recusa batia-lhe na cara como uma bofetada.

(...)

Bruto endireitou o corpo. Acicatou o cavalo, conduziu-o até junto do signífero. Com um gesto brusco, arrancou-lhe das mãos a insígnia e dirigiu-se para o rio.

Silêncio, silêncio mortal. Só o chapinhar das patas do cavalo quando feriam a água. Não se apressou, deixou que os homens sofressem na expectativa.

Estava a meio do rio, vencera três quartos de distância, estava na margem direita do Límia.

Forçou o cavalo a dar meia volta, para encarar as legiões. Então, tomou um largo fôlego e ergueu a voz, treinada para se fazer ouvir no campo de batalha. Não fez um discurso. Simplesmente, começou a chamar os comandantes dos manípulos pelos seus nomes - tinha todos os seus nomes na memória, era um bom general.

No outro lado, os homens ouviram-no. Bruto não precisou de terminar a chamada; muito antes disso, uma formidável aclamação abafou a sua voz. As trompas soaram dando a ordem de marchar.

Os romanos atravessavam o rio.

in "Uma Deusa na Bruma" por João Aguiar

Mas será que ninguém quer trabalhar??

Recebi há cerca de uma semana uma oferta de trabalho que, por força das circunstâncias, tive de recusar. Entretanto, reencaminhei a oferta para os meus contactos para que, caso estivessem interessados reencaminhassem para que conhecessem mas até agora... ninguém se chegou à frente.

Na perspectiva da vertente de Serviço Público do Blog do Katano, com um certo "je ne sais quoi" pontual de portal de emprego, aqui fica a oferta:

Empresa na Guarda pretende colaborador para trabalhar na área web design/desenvolvimento de web sites.

Os interessados poderão solicitar mais informações através do telefone 968283189

Passeio nocturno por Ponte de Lima

A Casa do Marquês no local onde outrora se ergueu a cidadela medieval de Ponte de Lima. A desaparecida torre de menagem que outrora se erguia nesta colina foi palco de um dos mais sangrentos episódios da chamada Crise de 1383-1385 quando D.João I e Nuno Álvares Pereira sitiaram o castelo cujo alcaide era partidário de Castela.

Furioso com a morte de um caro amigo, D.João I mandou incendiar a torre de menagem onde se tinham refugiado os últimos resistentes para que estes morressem queimados e só a muito custo foi demovido pelos seus homens de armas, tendo os resistentes sido retirados da torre através de um cesto.


As iluminações de rua de Ponte de Lima no centro histórico deixaram um pouco a desejar pois só algumas se encontram decoradas. No entanto, as iluminações aplicadas estão muito bem conseguidas.


Margem Norte do Rio Lima com a ponte de origem romana destacando-se na noite.


Margem Sul do Rio Lima onde se destacam as iluminações das fachadas das casas da vila. Junto ao rio foi construído um monumento alusivo ao mito latino do Rio Lethes, o lendário e infernal rio que, segundos os romanos, apagava todas as recordações de quem o atravessasse.

Quando as tropas romanas comandadas por Décimo Júnio Bruto aqui chegaram depois de numa sangrenta campanha terem submetido sucessivamente os povos nativos desde Almourol, onde o general estabeleceu a sua base a sua base, e Lisboa, os soldados (povo extremamente supersticioso) julgaram ser este o mítico rio.

Como nenhum se atrevia a cruzá-lo, o general furioso pegou no estandarte da legião e cruzou sozinho o rio a cavalo. Chegado à outra margem, começou a chamar os seus soldados um por um e isto foi quanto bastou para que estes cruzassem o rio com renovada confiança.


E como apontamento de curiosidade, aqui fica uma singela homenagem ao fotógrafo oficial e residente (apesar de dever uns belos meses de renda) do Blog do Katano.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Desafio difícil....

Na fotografia seguinte existe um bebé.
Conseguem descobri-lo?!


A transversalidade do fanatismo religioso


Vejam este vídeo até ao fim. No final substituam "Deus" por "Alá", "Jesus" por "Maomé", "Washington" por "Damasco" ou "Bagdade" e descubram as diferenças.
Gosto particularmente daquele trecho em que perguntam às crianças quem é que está disposto a dar a vida por Jesus.
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