sexta-feira, novembro 13, 2009

Como surgiu a expressão "Para inglês ver"?

Já aqui tinha abordado a origem das expressões populares "Viver à grande e à francesa", "Ir para o maneta" e "Ficar a ver navios", expressões que tiveram a sua génese na 1ª Invasão Francesa em 1807. Ainda durante o século XIX surgiria a expressão "Para inglês ver" que se refere a algo que serve apenas de fachada e que não tem qualquer utilidade efectiva.

Esta expressão terá tido a sua origem em 1831 no Brasil, independente desde 1822. A Inglaterra, então a potência económica e militar predominante a nível Mundial, acabara de abolir a escravatura e procurava fazer com que essa proibição se estendesse a todos os países com os quais mantinha relações, entre eles o Brasil. Ora isto colocava o jovem país perante uma crise grave uma vez que dependia economicamente da Inglaterra e, por outro lado, assentava o seu processo produtivo de café e açúcar, os produtos mais exportados, na mão de obra escrava que provinha de África.

Apesar de tudo, seria promulgada em uma lei em 1831 no sentido de abolir a escravatura embora a sensação generalizada fosse que aquela lei nunca seria para cumprir e que era apenas para agradar aos ingleses, como efectivamente veio a acontecer. Seria necessário esperar mais 20 anos para que a abolição da escravatura no Brasil passasse a ser uma realidade por decreto do Imperador D. Pedro II.

Curiosamente, esta tradição parece ter persistido no sistema legal brasileiro pois, quando é promulgada uma nova lei que choca um pouco com o estado das coisas, é costume comentar-se "Será que a lei vai pegar?"

quinta-feira, novembro 12, 2009

A primeira coisa que os alemães de Leste fizeram foi...


A noite de 9 para 10 de Novembro, a noite da queda do Muro, foi marcada por um afluxo maciço de alemães de Leste que cruzaram a fronteira, até então fechada, entrando (muitos pela primeira vez) no sector Ocidental de Berlim. Em apenas 4 dias, o tempo que duraram os festejos, estima-se que cerca de 3 milhões de cidadãos da RDA visitaram Berlim Ocidental, ou seja, 18% da população da República Democrática Alemã!

A festa foi grande, as lojas fecharam tarde ou não fecharam de todo e, como medida de "boas-vindas", os bancos de Berlim Ocidental ofereceram 100 marcos a cada cidadão de Berlim Oriental que se apresentasse aos seus balcões, e obviamente que estes não se fizeram rogados.

O curioso aqui é saber em que é que os cidadãos da RDA gastaram esse dinheiro. Terá sido em cerveja? Alimentos básicos? Coca-cola? Errado! O grande sucesso comercial da noite foram as... sex shops, à porta das quais se formaram longas filas de pessoas, avós e crianças incluídos, ansiosas por descobrir um conceito completamente inédito já que o severo governo da RDA não autorizava este género de "depravações capitalistas".

segunda-feira, novembro 09, 2009

20 anos depois... é como se tivesse sido ontem

Há 20 anos atrás, senti de uma forma muito intensa a queda do Muro, tendo a plena percepção que a partir daquele momento, com o Muro, caía uma realidade e outra tinha início. A Guerra Fria era de forma latente algo tão natural e omnipresente na consciência colectiva e no dia-a-dia das pessoas como hoje é a Internet. Vivia-se num Mundo bipolarizado entre duas super potências e no qual os noticiários, salvo raras excepções, incluíam todos os dias mais uma notícia de um conflito ou um acontecimento diplomático onde, directa ou indirectamente, os EUA e a URSS estavam envolvidos.

Aquele ano de 1989 foi por isso um ano mágico. Com uma consciência fortemente influenciada pela ingenuidade própria da idade, tentava adivinhar onde é que esta onda se faria sentir em seguida, chegando a apostar até em Cuba e na China! Acreditava de forma naïf que o Muro se abria para deixar entrar um Mundo melhor, completamente diferente do anterior.

Tal não aconteceu e hoje em dia, infelizmente, existem muitos outros Muros, verdadeiras materializações dos Muros mentais que resistem solidamente na consciência humana. Apesar de tudo, a magia daquela noite de 9 para 10 de Novembro perdurará para sempre.

Transito proibido a sanitas... fora de serviço?

Curiosa este instantâneo que nos chega de Praga, capital da República Checa, obtido pela nossa correspondente Ana Goulart.

Se numa primeira análise o significado já nos escapa, pois um sinal de proibição de circulação de sanitas parece algo descabido, o mistério adensa-se quando, após ser traduzido, ficamos a saber que o letreiro porta os dizeres "Fora de Serviço".

Trânsito proibido a sanitas fora de serviço? Se funcionarem podem circular?

sexta-feira, novembro 06, 2009

Em Londres é o mayor que distribui justiça

Está a correr Mundo a notícia segundo a qual Franny Armstrong, activista e realizadora de filmes em prol da luta contra as mudanças climáticas, foi salva de um gang de raparigas mal intencionadas nem mais nem menos do que pelo presidente da Câmara de Londres.

Franny Armstrong foi surpreendida enquanto enviava uma mensagem pelo telemóvel no meio da rua e só quando foi empurrada com violência contra o carro é que percebeu que estava cercada por um grupo de raparigas encapuzadas e que o seu futuro imediato não parecia ser muito risonho.

No entanto, quando tudo parecia perdido, eis que surgiu pedalando na sua bicicleta, nem mais nem menos que Boris Johnson, o implacável Mayor da cidade de Londres que, perante a situação, investiu contra o grupo colocando-o em fuga. O pânico foi tal que inclusive a barra de ferro foi abandonada, tendo sido reutilizada por Johnson na perseguição às meliantes em fuga, enquanto as insultava.

Apesar de ter tentado não ser reconhecido, a vítima conseguiu identificar o seu salvador admitindo que até havia votado em Ken Livingstone nas últimas eleições mas reconhecendo que "se alguém for atacado numa viela escura, Johnson consegue ser mais útil que o seu rival".

Ken Livingstone, o candidato derrotado nas eleições para mayor, já veio minimizar o facto salientando que Johnson teve sorte por o grupo de atacantes ser constituído apenas por mulheres. Sempre a somar pontos, portanto.

Se a moda pega por cá, já estou a imaginar Rui Rio a perseguir os Super Dragões em plena Ribeira, António Costa a supliciar os carteiristas no eléctrico 28 ou o Valentim Loureiro a... bom, se calhar o Valentim até já faz isso.

Black Eyed Peas - I Gotta Feeling - actualizado


No arranque da 24ª temporada do programa televisivo de Oprah Winfrey, os Black Eyed Peas prepararam um coreografia muito especial com 20.000 participantes ao som de "I Gotta Feeling", curiosamente a canção que serviu de inspiração à Selecção Nacional de futebol na parte final da qualificação para o Mundial.

O grupo começou por treinar 800 pessoas que depois se encarregaram de ensinar todos os movimentos da coreografia ao maior número possível de pessoas. O resultado foi espectacular e surpreendeu até a apresentadora televisiva que não estava a par de nada.

Esta é dedicada ao Luís, do Tomar, a Cidade!


Comentários

Impressionante, mas parece que esta música dá muito que falar e fazer; vejam o link: http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/53055



Mooner, o formato j á não é original. A Escola Profissional do Fundão já o tinha utilizado em 2007, mais ou menos com o mesmo nível.

Caetano

quarta-feira, novembro 04, 2009

E mais uma vez... o casamento homossexual...


(Como já diz o ditado: "vozes de burro não chegam ao céu". Mas e se essas vozes partirem dos mais altos representantes da igreja católica?)


Há posições (ditas) democráticas que têm a capacidade hipócrita de roçarem a ditadura. Foi assim com o aborto, foi assim com a despenalização das drogas leves, será assim com o futuro diploma de legalização do casamento entre homosseuxais. Em declarações prestadas ontem na Figueira da Foz, o bispo do Porto demonstrou a sua benevolência e abertura de espírito para o assunto da moda (leia-se o casamento homossexual) ao declarar o seu apoio ao referendo do tema como, e cito, "forma de promover o diálogo e a discussão aberta e alargada do tema na sociedade portuguesa".

Confesso que na primeira aproximação às declarações fiquei abismada com a abertura de espírito de um dos representantes máximos da igrega Católica no nosso país e, apesar de ser pessoalmente contra o referendo, até admiti ser um gesto extremamente positivo. Foi quando abri o jornal e li ao detalhe o artigo que me apercebi que há coisas que nunca mudam. No seu benevolente gesto de apelo à discussão do tema o bispo do Porto usou os seguintes termos: "gostaria que fosse o povo a dizer se concorda com a secundarização de uma instituição que forma e enforma a sociedade e que se baseia complementaridade masculino/feminino.".

Ora é dos meus olhos ou isto é a mesma coisa que, quando nos encontramos no meio de, suponhamos, um grupo de amigos e estamos a consumir, novamente suponhamos, uma enorme e deliciosa sandes frango e, perante o olhar esfomeado dos nossos amigos, seguindo as regras da boa educação dizermos: "queres um bocadinho? eu já lambi a sande, o frango é seco, o pão tem três dias e deixei-o cair ao chão e, para além disso, tu não vais gostar... não queres, POIS NÃO?!?" enquanto continuamos a comer delicidados aquela que, para nós, é de facto a melhor sangue de frango do mundo. A isto, meus amigos, eu chamo egoísmo puro!

Não é o casamento um acto espiritual? A ligação entre duas almas mais do que os dois corpos? Não é a igreja católica a primeira a dizer que, hoje em dia, se liga mais à cerimónia e ao espectáculo a ela inerente que ao significado da mesma propriamente dito? E acima de tudo, não é a igreja Católica que, por principio, proíbe o casamento religioso entre casais do mesmo sexo? E, sendo o estado português laico e o casamento civil um assunto (como próprio nome indica) civil e de estado? Não serão estas declarações consideradas ingerência, como foram as proferidas aquando do assunto aborto?

Somos um país que enche a boca para falar de liberdade mas, quando chega a hora do "vamos ver" a nossa liberdade de sermos preconceituosos pesa sempre muito mais que a liberdade dos outros em relação a nós. Eu só gostava que me explicassem em que é que duas pessoas do mesmo sexo contrairem matrimónio condiciona a vida de terceiros. Gostava também de entender no que é que o casa "descasa" de casais ditos normais "forma a sociedade". Como diria alguém que eu conheço muito bem, Cristo disse: "crescei e multiplicai-vos" não disse "crescei e casai-vos com pessoas do mesmo sexo para formarem e enformarem a sociedade e se der para o torto divorciam-se passados uns meses e está tudo bem porque, pelo menos, são de sexos opostos!".

Sou fervorosamente contra o referendo nestes casos, aqueles que nos representam no Parlamento bem ou mal foram eleitos por nós, para decidir por nós para governar por nós, se lhes confiamos um orçamento do estado, políticas de saúde e educação porque não lhes havemos de confiar a decisão de uma questão que para a sociedade tem a importância de um grão de areia? O facto de admitirmos o casamento homossexual vai fazer com que a homossexualidade se espalhe como um virus? NÃO! O facto de termos consciência que há pessoas do mesmo sexo que SE AMAM e querem ter uma vida em comum com os direitos e deveres inerentes a ela faz com que tenhamos de concordar com esse estilo de vida e admitir a hipótese para nós mesmos? NÃO! Então, por favor, alguém me explica esta (perdoem-me o termo) merdice toda?

Portugal é uma sociedade de bons costumes, vão uns argumentar, e eu respondo: "Tretas! Bons costumes de ficar na cama ao domingo porque dá muito trabalho ir escolher bons governantes para o país? Bons costumes de viver de futebol e fado presos a valores de há séculos atrás porque somos PREGUIÇOSOS, COMODISTAS E PRECONCEITUOSOS para mudar?" Deixemo-nos de hipocrisias, meus senhores, preocupemo-nos com os problemas que realmente o são e deixemos a liberdade de existirmos como somos (sempre com respeito pelos outros, q é essa a regra da vida em sociedade) e fazermos as nossas próprias escolhas NO QUE À VIDA PRIVADA CONCERNE para todo e cada um de acordo com a sua consciência e prestando contas somente a elas....

O casamento é um direito e não um privilégio heterossexual!

A Letra L

Na povoação de Capinha, Concelho do Fundão, a Junta de Freguesia aderiu ao choque tecnológico e permite aos habitantes acederem gratuitamente à Internet por rede sem fios, numa iniciativa que se aplaude.

Não sabendo o quanto a banda é larga, ficamos pelo menos a saber que, na Capinha, a rede wireless tem o dobro dos "L" em relação ao que é habitual.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Para que serve o Halloween no Fundão?

A celebração da Noite das Bruxas, o famoso Halloween, parece ter vindo para ficar. Não fazendo parte da tradição portuguesa, trata-se de uma "importação" recente facultada pelos filmes e séries dos EUA onde as referências a ela são mais que muitas. A noite de Halloween é particularmente apreciada pelas crianças que, mascaradas de criaturas sobrenaturais ou outras personagens ligadas ao oculto, vão de casa em casa pedindo doces sob ameaça de pregar partidas a quem for forreta.

No Fundão está-se a assistir a uma subversão do Halloween. Já não se vêem tantas crianças mascaradas à procura de doçarias e esta -chamemos-lhe assim - "tradição" está a ser substituída por uma outra caracterizada pelo vandalismo barato e sem objectivo, praticada por meninos mais crescidos embora com a mesma maturidade de sempre. Em pequenos bandos, vão pelas ruas da cidade sujando tudo e mais alguma coisa, insultando, criando pequenas fogueiras aqui e ali (algumas em caixotes de lixo) e danificando carros de forma "inocente".

Os pais, por outro lado, deverão ter ficado extremamente satisfeitos por terem direito a uma noite de folga do seu emprego permanente de Encarregados de Educação deixando a outros o frete de aturar a estupidez dos seus queridos meninos.

domingo, novembro 01, 2009

A cura para todos os males, inclusive para a vacina contra a Gripe A

Não chega a ter a abrangência do Doutor Tradicional (que cura tudo desde Mestruação que não aparece (sic) até Pessoas que Desmaia (sic)) mas é sem dúvida superior ao que é oferecido pela Igreja Maná (que apenas cura Cancro e Sida). A Igreja Mundial do Poder de Deus (onde é que conseguem estes nomes?), promete pela mão do seu apóstolo Valdemiro Santiago operar milagres em paralíticos, surdos, cegos, mudos e até em mortos, embora não especifique se esses milagres passam pela restituição do movimento, da audição, da visão, da fala e... vá... da genica. Só não especifica se também fazem o milagre da cura do maior flagelo da actualidade: a vacina contra a Gripe A.

Não sei o que é mais preocupante. Se é por isto se tratar de publicidade do mais enganoso e rasteiro que há, procurando o aproveitamento do nível mais baixo de auto-estima e do cúmulo do desespero das pessoas ou se é o facto de este tipo de publicidade se justificar por ter resultados.
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