sábado, setembro 19, 2009

Museu da Imprensa do Fundão



O Museu d'Imprensa e Typographya Fundão, a funcionar no 1º piso do antigo Casino Fundanense em frente à Câmara Municipal, convida-nos a percorrer a história da tipografia desde as primeiras expressões escritas do Homem na forma de gravuras rupestres, passando pelos trabalhos pioneiros dos chineses no campo da tipografia e por Gutenberg, até à actual comunicação de massas.


A exposição é sóbria e agradável, promovendo uma relação estreita entre os visitantes e as letras como elemento fundamental da génese da palavra escrita. Todo o espaço está bem organizado e contém um conjunto diverso de maquinaria que, na sua época, foram o topo de gama da tecnologia da impressão. Uma reprodução do Prelo de Gutenberg em madeira é uma peça que merece destaque e que impressiona pelas suas dimensões.


De negativo, saliento contudo alguns aspectos. O museu passa despercebido pois, na fachada do edifício onde se encontra, não há qualquer referência à sua existência. Já no interior, alguns autocolantes com informação estão descolados e, no que diz respeito à informação, alguns termos técnicos não estão explicados o que pode tornar a aprendizagem mais difícil para os visitantes menos esclarecidos. Aspectos a rever no sentido de melhorar mais ainda um espaço interessante e que bem merece uma visita.



Aspecto da exposição



Marcas que fizeram história



"As palavras voam, os escritos permanecem"

quinta-feira, setembro 17, 2009

Estará o PS arrependido de ter "alistado" Carolina Patrocínio?


Depois das arrojadas declarações que projectaram Carolina Patrocínio como ícone da juventude e que revolucionaram a sua imagem de pessoa de fortes convicções políticas e sociais:


"Detesto perder. Prefiro fazer batota"

"Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim"

"Não como fruta se tiver de descascar...e uvas sem graínhas! Dá uma trabalheira!"


...e também de uma pessoa que sabe o que quer para si:

"Queria ter formação. Queria ser comunicadora porque... (dúvida)... Porquê? (risos)"

Eis que agora, numa entrevista ao i, Carolina faz outra revelação bombástica: 

"Para as legislativas votei sempre PS. Em outras eleições não necessariamente, depende dos candidatos..."


Seria pois mais uma demonstração de profunda convicção política, traduzida na ideia de que nas legislativas vota sempre PS e nas outra vota em quem calha, se não houvesse aqui um pequeno problema, um detalhezinho ínfimo, uma coisa quase tão imperceptível como o sinal da Catarina Furtado... bom, se calhar mais como o sinal na careca do Gorbachev: as últimas eleições legislativas foram a 20 de Fevereiro de 2005 e a mandatária para a juventude do PS atingiu os 18 anos em Maio de 2005. Ora como no calendário gregoriano em uso em Portugal o mês de Maio surge após o mês de Fevereiro, isso significa que a mandatária do PS para a juventude tinha 17 anos no momento da realização das últimas legislativas e, como tal, nunca votou em quaisquer eleições legislativas.


Das duas uma: ou a mandatária do PS para a juventude está algo confusa e confundiu as últimas autárquicas de 9 de Outubro de 2005, ou as últimas presidenciais de 2006, ou as últimas europeias, com eleições legislativas, ou então terá mesmo confundido o Referendo do Aborto com as legislativas mas, até agora, ainda ninguém a ouviu dizer que o Aborto tem sido um bom primeiro-ministro, pelo que esta última hipótese será a mais improvável.


Será que por esta altura o PS estará arrependido de ter escolhido Carolina Patrocínio para mandatária da juventude ou será que este "lapso" é tão normal e natural como um candidato às legislativas (aquelas da Assembleia da República) afirmar que não vai aumentar os impostos e depois fazer exactamente o contrário?

quarta-feira, setembro 16, 2009

Fenómenos...

Os ingleses têm os seus sinais em plantações...



Os vouzelenses têm a sua misteriosa roupa interior em cruzamentos...


Mas os rodenses têm a sua gigantesca roupa interior no matagal...

Escultura viva

Num passeio recente, deparámo-nos com uma oliveira que é sem dúvida uma verdadeira escultura viva. Suportada num tronco que inspira antiguidade e respeito, esta oliveira está ainda cheia de vida, formando uma obra de arte esculpida pela Natureza.









É neste tipo de fenómeno que os adeptos da arte do Bonsai se inspiram quando desenham e criam exemplares como os das fotos abaixo:



Recomendo uma visita a este blog para apreciar algumas das fotos mais recentes.

Fotos:

terça-feira, setembro 15, 2009

Das Portas do Ródão ao "Castelo do Rei Wamba"


A Sul de Castelo Branco, no concelho de Vila Velha de Ródão, encontramos as famosas Portas do Ródão, um impressionante estreitamento do Rio Tejo classificado como Monumento Natural e integrado no Geopark Naturtejo que não deixa ninguém indiferente. Isto embora a construção da barragem a jusante lhe tenha retirado a sua espectacularidade de outros tempos como se pode ver na foto abaixo.


Gravura antiga das Portas do Ródão. Representação invertida em relação à foto acima. Imagem ARQA

Na margem direita do Tejo estende-se a linha de caminhos de ferro da Beira Baixa que, de Vila Velha de Ródão até praticamente ao Entroncamento, oferece uma paisagem magnífica aos viajantes. É aliás um dos percursos de comboio que mais gosto de fazer.

Numa posição dominante sobre a "porta direita", encontra-se a plataforma sobre a qual se insere o lendário "Castelo do Rei Wamba", juntamente com a ermida da Senhora do Castelo. O local foi recentemente requalificado, tendo sido equipado com mobiliário e infraestruturas que permitem fazer deste local um excelente parque de merendas e miradouro. Por outro lado, e como durante as Invasões Francesas este local foi integrado na linha das fortificações da Serra das Talhadas, foi aqui criado um percurso pedestre que permite aos caminheiros percorrer algumas dessas baterias que recentemente foram alvo de intervenção arqueológica.


A Ermida de Nossa Senhora do Castelo e, ao longe, a Torre de Menagem do Castelo "do Rei Wamba".


O percurso até ao castelo mostra bem a qualidade da intervenção realizada. De ambos os lados foram preservadas as árvores, algumas delas oliveiras provavelmente milenares.

Do alto da Torre de Menagem (o nome que se dá à torre dominante do castelo, local de habitação da autoridade do mesmo e último refúgio em caso de ataque), avista-se uma paisagem belíssima principalmente Além Tejo com destaque para a curiosidade da presença de uma extensa área de conheiras: o Conhal do Arneiro, restos da exploração de ouro pelos romanos.

Vista para a metade alentejana das Portas do Ródão. A crista quartzítica estende-se por vários quilómetros.


O Tejo serve de fronteira entre o Alto Alentejo, à esquerda, e a Beira Baixa, à direita. Na margem esquerda avista-se o Conhal do Arneiro, uma extensa área coberta de pedras pequenas que constituem o vestígio mais visível da exploração aurífera desta área em época romana.


O Castelo do Rei Wamba, ou Castelo do Ródão


O Castelo do Ródão é também chamado de Castelo do Rei Wamba devido à lenda segundo a qual o mítico rei visigodo, cujo local de nascimento a tradição situa na actual Idanha-a-Velha, terá aqui vivido um episódio particularmente dramático da sua vida.

Pessoalmente já ouvi duas histórias completamente diferentes mas, pelos vistos, a versão que corre em Vila Velha de Ródão conta que neste castelo vivia o Rei Wamba, vigiando os Mouros que dominavam a margem oposta do Tejo. Ora a mulher de Wamba apaixonou-se pelo Rei Mouro e este, procurando resgatá-la, cavou um túnel que deveria passar sob o Tejo e sair junto ao Castelo. Por erro de cálculo o túnel saiu junto ao nível do rio e foi descoberto por Wamba que percebeu a paixão da sua mulher pelo Rei Mouro.

Furioso, anunciou então que renunciava a mulher e a oferecia ao seu amado, tendo-a amarrado a uma mó e atirado a rolar pela encosta abaixo. Diz-se que a faixa sem vegetação que coroa a crista das Portas do Ródão assinala o local onde a mulher de Wamba passou em direcção à morte.

Claro que uma lenda tem o condão de aproximar personagens e épocas como é este o caso. De facto Wamba reinou sobre os Visigodos entre 672 e 680, tendo falecido em 687. Tendo em conta que os Árabes desembarcaram no Djebel El Tarik ("O Rochedo de Tarik", actual Gibraltar) em 711, seria pois difícil acontecer este confronto entre os Mouros e o Rei Wamba.

O próprio Castelo será de fundação Templária, já no século XII/XIII, no contexto da doação destas terras à Ordem do Templo pelo Rei D.Sancho I. Sobre a porta da torre de menagem encontra-se aliás uma inscrição com o inconfundível símbolo dos templários. Mais tarde, dada a sua situação estratégica dominante sobre o Tejo e sobre a passagem de Vila Velha de Ródão, estrada vital entre as Beiras e o Alentejo, o castelo foi integrado num conjunto de fortificações durante as Invasões Francesas, das quais ainda hoje se encontram vestígios.





Quer pela paisagem, quer pelo interesse histórico e de encontro de mitos, as Portas do Ródão e o Castelo do "Rei Wamba" merecem bem uma visita.

sábado, setembro 12, 2009

O dia em que Joaquim Agostinho caiu na Serra da Estrela

Joaquim Agostinho foi um dos melhores ciclistas portugueses de todos os tempos, senão o melhor. Na sua época de estreia como profissional, em 1968, conseguiu logo um 2º lugar na classificação final e talvez tivesse conseguido mais se um grupo de indefectíveis e voluntariosos adeptos não tivesse tido uma palavra a dizer.

Joaquim Agostinho

Nessa edição da Volta, que viria a ser ganha por Américo Silva do Benfica, corria-se uma etapa que passava pela Serra da Estrela e um grupo de jovens (cuja identidade desconhecemos em absoluto) adeptos do Sporting resolveu ir assistir à passagem dos ciclistas pela Nave de Santo António.

A certa altura, surgiu um trio de ciclistas liderado por Leonel Miranda, do Sporting, e do qual faziam ainda parte Joaquim Agostinho, também do Sporting, e Fernando Mendes, este do Benfica.

Leonel Miranda

Dispostos a tudo para assistir a uma vitória do Sporting, os 4 adeptos (cuja identidade desconhecemos em absoluto) saltaram para a estrada e, não conseguindo apanhar Leonel Miranda, agarraram o selim da bicicleta de Joaquim Agostinho, indiferente aos gritos de protesto deste, para o empurrar durante o máximo número de metros de forma a que o atleta poupasse energias. Quem não gostou deste espírito de entreajuda leonina foi Fernando Mendes que, também ele sem pedir licença, agarrou o ombro de Joaquim Agostinho para ir a reboque do binómio "ciclista do Sporting - adeptos do Sporting".

Fernando Mendes

Obviamente, perante tantas variáveis tão súbitas quanto inesperadas, Joaquim Agostinho não conseguiu manter o equilíbrio e, ainda aos gritos, estatelou-se ao comprido, arrastando na queda o seu rival benfiquista.

Quanto aos adeptos, perante o cenário de desastre e sem pensar duas vezes, puseram-se de imediato em fuga, com a certeza de terem decidido uma etapa da Volta, embora não exactamente da maneira como o pretendiam ter feito. Quanto às suas identidades permanecem até hoje em absoluto anonimato.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Parabéns Cláudia!

A Junta Directiva do Blog do Katano vem por este meio parabenizar a Cláudia, com amizade sincera e na graça do Senhor, por mais esta Primavera... vá, mais um Verão... quase Outono.

Na próxima semana, lá estaremos para a mega inauguração!



quinta-feira, setembro 10, 2009

O criptopórtico de Aeminium (Coimbra romana)

Sob o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, encontra-se o criptopórtico romano da Cidade de Aeminium (Coimbra), uma construção de 2 andares formado por galerias abobadadas e passagens estreitas cujo propósito original foi o de servir de plataforma de suporte ao fórum da cidade, de forma a resolver o problema da inclinação da colina onde este se iria situar. O fórum era na época romana o centro cívico, político, religioso e administrativo de qualquer cidade.

Inicialmente construído durante o reinado de Augusto no séc. I aquando da fundação da cidade, seria reformado pouco depois, sendo alargado. Actualmente é o maior edifício romano em Portugal. Ao longo do tempo o criptopórtico foi sendo reutilizado, nomeadamente na Idade Média, acabando mais tarde por ser entulhado. Ao longo do percurso é possível encontrar uma inscrição que permitiu certificar que o nome romano de Coimbra era Aeminium, várias estátuas e monumentos funerários.

Para quem hoje em dia desce as escadas e entra no criptopórtico, sente que está a fazer uma viagem no tempo, onde a história está escrita nas paredes. O ambiente é fantástico e recomenda-se a visita.



Já agora, uma curiosidade: é possível ver na base do pescoço desta cabeça de estátua a forma de encaixe no corpo. Quando um imperador morria, por exemplo, a sua cabeça era retirada da estátua, sendo substituída por uma nova cabeça, retratando o novo imperador. Também é curioso pensar que as estátuas que hoje vemos sem qualquer cor eram originalmente coloridas para dar mais naturalidade e realismo.



terça-feira, setembro 08, 2009

Cabeças de Vento!

Saudações!

Por terras de Miguel Torga!


Só para deixar patente o meu descontentamento pelo desleixo, desprezo e desrespeito pela natureza (não, não estou a falar do que fizeram ao meu bonsai!).

O que se encontra quando se sobe à parte mais bela do parque natural de Montezinho?

Pues conho! Esto:



Estes belos exemplares de 'ventoinhas gigantes' estão practicamente em cima da fronteira do lado espanhol, e um precioso contributo terá supostamente sido aqui há uns anos atrás, o arquivamento por engano do contestamento do ICN a este projecto espanhol , deixando assim passar o respectivo prazo.

O contestamento, ao abrigo de uma directiva europeia que inviabiliza projectos fronteiriços que sejam susceptíveis de causar impacto em áreas sensíveis no país vizinho, poderia ter ajudado a impedir este projecto, mas como por cá já se questiona 'agora que os espanhóis já as puseram vamos ficar nós para trás?', fica no ar a dúvida se foi esquecimento ou beneficiamento...

Enfim, tudo isto são notícias antigas mas o parque poderá estar na iminência de ganhar (mais um) novo olhar, a pressão para instalar 'o maior parque éolico da Europa' no Montezinho ainda não acabou.

segunda-feira, setembro 07, 2009

As pinturas rupestres da Pala Pinta (Carlão, Alijó)

Para especial agrado da nossa mui estimada colaboradora Sete_Luas, aqui ficam algumas fotografias das pinturas rupestres do abrigo pré-histórico de Pala Pinta, na freguesia de Carlão, concelho de Alijó.

A visita a estas pinturas aconteceu aquando da minha participação, após um simpático convite da Dra Mila Simões Abreu, nas II Jornadas Transmontanas de Arqueologia e 8º curso de Arte Pré-Histórica, em 2005, organizadas pelo Instituto Politécnico de Tomar e pela UTAD. Como não podia deixar de ser, ou não estivesse eu envolvido, teve o seu episódio caricato.

Estava eu sentadinho e quentinho a assistir aos discursos da praxe de uma cerimónia de abertura que se preze, quando comecei a folhear o programa das Jornadas. De repente, ao passar os olhos pelos oradores de domingo (estavamos numa sexta-feira), tive uma súbita sensação de familiaridade pelo que li a lista com mais atenção. Confirmei então, para minha grande supresa, que o meu nome estava nessa lista de oradores e que eu ia apresentar o tema "As Pinturas Rupestres do Colmeal - Figueira de Castelo Rodrigo".

Ainda tentei argumentar com a organização mas perante um discurso intransigente misturado com elogios, ainda por cima frente à comunicação social, não tive hipótese senão aceitar a fatalidade de ter de fazer uma apresentação.

Tive então de pedir a colaboração da Nelly, que me enviou as fotos por e-mail (eu não tinha levado comigo NADA) e, no sábado à tarde, enquanto os participantes se maravilhavam com a arquitectura e a produção da Adega Cooperativa de Favaios, fiquei no Espaço Internet de Alijó a construir a apresentação.

Acabou no entanto por ser um desafio interessante pois, tendo em conta que iria fazer uma apresentação numa sala onde, sobre arqueologia, eu era o menos entendido na matéria, acabei por ter de arranjar uma táctica de diversão. Optei então por aproveitar para falar acerca da aldeia abandonada, com especial enfoque na sua história e com um tom e um discurso de tal forma dramáticos que, a certa altura, arranquei um "Ohhhhhh....!" da plateia (para meu alívio). Ah sim, entretanto também falei sobre as pinturas.

Bom, mas o objectivo deste artigo é mesmo mostrar fotografias das pinturas da Pala Pinta, local que visitámos numa das actividades da tarde de domingo, e por isso cá estão elas. Tratam-se de pinturas desenhadas a ocre vermelho na transição do Neolítico (Período em que o Homem se tornou sedentário) para o Calcolítico (Idade do Cobre), tendo provavelmente entre 4.000 a 5.000 anos.



As amendoeiras em flor



A vista a partir do abrigo das pinturas


O painel principal das pinturas (há outro menos evidente)



As pinturas mais conhecidas do abrigo da Pala Pinta

Levantamento das pinturas da foto anterior. Os motivos radiados são provavelmente representações de corpos celestes.
Fotografia da autoria da CM Alijó. Para ver o desenho completo clicar aqui

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