sábado, abril 25, 2009

25 de Abril de 1974 - A derradeira noite do medo*


Assinala-se hoje o 35º aniversário da Revolução dos Cravos que pôs termo a uma ditadura de quase 50 anos e que submeteu o País aos ferrolhos de um silêncio feito de intolerância e opressão.

No Fundão, à semelhança do que acontece todos os anos, o povo saiu em cortejo cantando "Grândola Vila Morena" ao som da banda que lidera a marcha, num renovado gesto de reconhecimento pela coragem de quem nos devolveu uma liberdade há muito esquecida e, com ela, dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e o direito ao voto.

Honrar o espírito da luta dos Capitães de Abril é, no entanto, muito mais que isto. É principalmente acerca de usar da nossa liberdade de expressão de forma responsável e construtiva (embora ultimamente certos políticos a isso pareçam avessos), é acerca de cumprir o nosso dever (mais que direito) de votar sempre que a tal formos chamados.

Hoje, mais que nunca, gritemos bem alto "25 de Abril sempre!"

Ícones de Abril:

1º Comunicado do Movimento das Forças Armadas:


Edição do Diário de Notícias de 25 de Abril de 1974 (clicar nas imagens para ampliar):




Texto da primeira página:


E, já agora, vale a pena recordar a entrevista EXCLUSIVA ao Blog do Katano do Tenente Coronel Vasco Lourenço, há 35 anos um dos Capitães de Abril e actual membro dos corpos gerentes da Associação 25 de Abril. Esta entrevista foi realizada em 2007 pela Nelly, a nossa repórter do Katano!

* - Título da autoria do Jornal do Fundão
fotografia de pintura mural: Wikipedia

sexta-feira, abril 24, 2009

Ficou-me no ouvido


"O Magalhães é o meu melhor amigo"

Criança que participou na peça transmitida no Tempo de Antena do Partido Socialista anteontem à noite (disse bem, "participou" e não "foi instrumentalizada", não vão vocês fazer confusão).

Esta frase deixou-me a pensar pois sintetiza, de forma no entanto involuntária, aquilo que vai acontecer a muitos miúdos desta última geração que irão passar mais tempo com o seu computador que na rua a esfolar os joelhos. Será que os pais (e já agora, restantes educadores) vão saber racionalizar o uso dos computadores pelos seus filhos de forma a que tenham uma infância saudável e activa ou vão, pelo contrário, demitir-se da sua função pelo tremendo jeito que o computador dá em manter os filhos ocupados?

Susan Boyle - O fenómeno mediático do momento

Susan Boyle é uma dona de casa escocesa de 47 anos que, de um momento para o outro, se tornou um fenómeno à escala global graças à sua prestação, no passado dia 11 de Abril, no programa Britain's Got Talent, o equivalente britânico do programa televisivo que em Portugal foi transmitido na SIC com o nome "Ídolos".

Ao chegar ao palco, Susan foi tratada de forma preconceituosa pelo júri e pelo público que, no entanto, se renderam imediatamente a partir do momento em que ela começou a cantar.

Menos de 72h após a sua actuação, o seu vídeo no Youtube já tinha sido visto por 2,5 milhões de pessoas e, de então para cá, o seu nome invadiu todas as redes sociais e mass media, sendo a última novidade relativa à menção do seu nome no último episódio da série South Park que ontem à noite foi transmitido nos EUA.

Vale a pena ver o vídeo da sua actuação no programa clicando no link abaixo:

quarta-feira, abril 22, 2009

Instantâneos do Katano

Quase me esquecia de partilhar uma coisa com vocês!...
Esta semana, uma pessoa que eu conheço, pessoa essa que não sou eu, claro, mas sim uma amiga de uma conhecida de uma pessoa que eu conheço (repito, que não sou eu!), estava na sua luta diária, a tentar despachar uma fila interminável, quando um cliente já com alguma idade se aproxima e diz:

- "Já têm carne de borrego?"

Amiga de uma conhecida:
- "....errr.....hum.....nãoooo...."

- "Já na semana passada não havia. Tive de levar aqueles bifes duros de pirun!.... Ai! Então e a couve lombarda?"

Amiga de uma conhecida:
- "hum....Pois ... couve lombarda também não temos."

- "Tou tramado (penso que não foi exactamente esta a expressão). Aluguei o carro de praça que está ali à minha espera e agora não levo nada do que quero!!!"

Amiga de uma conhecida:
- "Olhe, mas experimente aqui na porta ao lado. É um supermercado, pode ser que o possam ajudar..."

E isto, foi uma Má ou Boa Hora?! :)

Sobre a Boa Hora e a Má Hora na tradição oral popular

Na sequência do artigo anterior, sobre a lenda da Boa Hora e da Má Hora, encontrei, quase por acaso, um artigo sobre a persistência dessa bipolaridade de adjectivação das horas na tradição popular, partindo da análise de um adágio popular. Este artigo foi incluído no volume XX da 1ª Série da Revista Lusitana, criada em 1887 pelo incontornável José Leite de Vasconcelos e que até 1943, foi publicada num total de 38 volumes.

Trata-se de uma recolha de adágios populares da qual faz parte o que interessa a este propósito:

"Em má hora nasce, quem má fama cobra"

A crença popular divide as horas em boas e más.

De entre as primeiras, ocorrem-me as
horas felizes, as horas de Deus e as horas bentas.

(…)

Nasceu em boa hora” – diz-se de quem é ditoso e a sorte lhe corre bem.
Veio a boa hora” ou “em boa hora” – a propósito, oportunamente, a tempo, no momento em que pode ser servido.

(…)

Das más horas o povo faz, entre outras, as seguintes distinções:

a)
Horas minguadas : “ a desditosa nascera em hora minguada” Camilo, Mistérios de Fafe (…)

b)
Horas aziagas

c)
Horas do diabo

d)
Horas danadas

e)
Horas arrenegadas

f)
Horas negras: “Uma hora, em certa noite, dezassete anos antes… hora negra essa que lhe innoitou a vida inteira.” (Camilo, Brilhantes do Brasileiro) (…)

g)
Horas infelizes ou infortunadas: “Tem outros muitos agouros, em tanto que nas horas que achão serem infortunadas não querem receber dinheiro, ho que abasta quanto a cerimónias” (Damião de Góis, Crónicas de D.Manuel, parte I, cap 42).

Há a locução
nascer em boa (ou má) hora e os esconjuros populares má hora vá contigo; em má hora venhas. Em contrário destes esconjuros, diz-se: em boa hora vás; em boa hora venhas.

O povo dos campos, para saudar quem encontra pelos caminhos, tem as expressões:
Vá em boa hora e vá nas horas de Deus.

De quem morreu, diz-se:
chegou a sua hora (isto é, a má hora) ou: tinha as horas contadas.

Às boas e às más horas se refere D. Francisco Manuel de Melo, nos Apólogos dialogais, pag 41: “… não há cousa na boca dos homens tão frequente, como
em boa hora, & má hora, hide com as horas más, vinde com as boas horas; huma hora muito fermosa, nas horas de Deus “.

Em vez de boa hora e má hora também se diz: nas boas horas e nas más horas.

Há ainda as horas abertas, que são três momentos da maior atenção popular: as “Avé-Marias” da manhã, as do meio-dia, e as da noite, momentos que, segundo o povo, coincidem com o nascimento, a morte e o enterro do sol.


in RETALHOS DE UM ADAGIÁRIO
(vid. REVISTA LUSITANA, vol XX, pág. 298-315)
Loures, 9 de Fevereiro de 1918
José Maria Adrião

Poderá residir aqui a/uma possível origem para a lenda. A conceptualização de Má Hora como o momento onde ocorre a soma de todos os infortúnios, dos quais o pior é sem dúvida a morte, e a sua persistência na tradição oral e nos aspectos da vida diária das populações, relativamente isoladas, terá levado a que esta tenha ganho uma forma e uma consciência próprias, tornando-se um ser, uma entidade, que traz o infortúnio a quem a encontra.

Em contraponto, surge a Boa Hora, como a manifestação do momento feliz que bafeja as pessoas com sorte, que as livra do infortúnio. Será uma manifestação inevitável decorrente da dualidade da relação entre o Bem e o Mal, onde a existência do Mal pressupõe a existência do Bem e vice-versa? Ou será simplesmente uma manifestação da Senhora da Boa Hora, que é venerada no politeísmo camuflado que é o Cristianismo?

Para consultar os 38 volumes da 1º Série da Revista Camões, podem aceder à Biblioteca Digital Camões.

terça-feira, abril 21, 2009

Lendas da Beira: A Boa Hora e a Má Hora

Fazemos uma nova incursão pelo tema das lendas da Beira, tema que serviu de pretexto para aqui trazer A Calçada do Diabo e o Mistério da Eira dos 3 termos, por exemplo, para dar a conhecer uma outra história: a lenda da Boa Hora e da Má Hora.

Conta-se que antigamente erravam pelas ruas e caminhos da região duas figuras misteriosas, uma integralmente vestida de branco e outra de preto, a quem o povo chamava Boa Hora e Má Hora, respectivamente. Na sua fantasmagórica caminhada, a Boa Hora precedia sempre a alguma distância a Má Hora, e estas duas aparições seguiam sempre pelo caminho sem nunca se desviarem perante nada.

Aos incautos que encontrava pelo caminho, a Boa Hora avisava que se afastassem para não encontrar a Má Hora: "Arreda! Arreda! Vem aí a Má Hora!". Se por teimosia ou imprudência não seguissem o conselho da Boa Hora, a Má Hora irremediavelmente lhes roubaria a vida.

Esta lenda terá com certeza sido abordada inúmeras vezes nos serões à lareira dos nossos avôs, juntamente com muitas outras histórias de encontros com o Além, numa altura em que os caminhos pelas serranias eram vias privilegiadas de deslocação entre povoações e onde os cruzamentos eram locais que infundiam terror. Mas isto, é tema para outra história.

Alguém conhece esta ou outras lendas? 


segunda-feira, abril 20, 2009

A Júlia Pinheiro lançou um livro?

Extraordinária notícia esta de que Júlia Pinheiro, a inconfundível apresentadora da TVI, lançou recentemente um livro intitulado "Não sei nada sobre o amor". Ao fim e ao cabo, este lançamento vem ao encontro daquilo que tem acontecido de há uns tempos a esta parte, em que qualquer pessoa, com ou sem instrução primária, tem tendência para lançar um livro. Aliás, desde que a Leonor Pinhão, perdão, a Carolina Salgado também deu em escritora, abriu-se um tremendo precedente que o resto do Jet Set tem sabido explorar. Por este andar, um dia destes, até o Blog do Katano lança um livro!

Quanto ao livro de Júlia Pinheiro, o título poderá deixar pressupor um cunho autobiográfico e, tenho para mim, que o mesmo será patrocinado pela casa Sonotone. Pessoalmente, este é definitivamente um livro que não irei ler pois, para além de não me interessar saber o porquê do fracasso da vida amorosa de Júlia Pinheiro, adivinho uma certa dificuldade em ler o texto que deverá ser todo ele escrito em maiúsculas e em que todos os sinais de pontuação deverão resumir-se a pontos de exclamação.

sábado, abril 18, 2009

Blog do Katano mais próximo dos seus leitores


Neste blog também sabemos usar imagens fofinhas.

...com a inauguração do revolucionário serviço de E-mail! Agora basta enviar mensagens para o endereço de e-mail que figura no topo da coluna da direita em zona designada por "Contacto do Katano!" para que estas cheguem à Junta Directiva do Blog que garante que irá perder algum do seu tempo a ler o conteúdo dessas mesmas mensagens.

Esta medida surge no sentido de aproximar ainda mais o blog dos seus leitores e declaramo-nos desde já receptivos a sugestões, críticas, convites para apadrinhar crianças em baptizados, leitura da Bíblia ao domicílio e pedidos de envio de NIB.

O endereço a (ab)usar é: blogdokatano@hotmail.com

sexta-feira, abril 17, 2009

Nacionalistas e Fascistas


A propósito do apoio de José Sócrates à recandidatura de Durão Barroso à Presidência da Comissão Europeia alegando que é "bom ter um português no cargo", Mário Soares veio a terreiro expressar a sua profunda indignação e, pasme-se, afirmou que Sócrates (supostamente o menino bonito do PS) "não estava a ser patriótico mas sim nacionalista e nacionalistas eram os fascistas".

Não sei o que é pior... se o facto de Soares ainda ser consultado no que diz respeito à política portuguesa ou se o facto de até o Pastel de Belém e o Galo de Barcelos reunirem condições para se candidatarem a um cargo relevante na União Europeia, de acordo com os critérios de Sócrates.



quinta-feira, abril 16, 2009

Blog do Katano em destaque na imprensa de Tomar

A narrativa da visita ao Convento de Cristo aqui publicada em Março mereceu uma referência no jornal nabantino "O Templário" sob o título "O Chocalho do Convento" (clicar aqui para ver no site do jornal) que, diga-se em abono da verdade, é um excelente título do qual eu me deveria ter lembrado ao publicar o artigo!

Embora eu lamente que aqueles simpáticos cidadãos de nacionalidade francesa nunca venham a saber o sucesso que as suas frases de pânico mal contido fizeram, tenho contudo a satisfação de mais uma prova que este blog presta verdadeiro Serviço Público

O meu muito obrigado ao Luís por me ter feito chegar esta informação.

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