terça-feira, abril 21, 2009

Lendas da Beira: A Boa Hora e a Má Hora

Fazemos uma nova incursão pelo tema das lendas da Beira, tema que serviu de pretexto para aqui trazer A Calçada do Diabo e o Mistério da Eira dos 3 termos, por exemplo, para dar a conhecer uma outra história: a lenda da Boa Hora e da Má Hora.

Conta-se que antigamente erravam pelas ruas e caminhos da região duas figuras misteriosas, uma integralmente vestida de branco e outra de preto, a quem o povo chamava Boa Hora e Má Hora, respectivamente. Na sua fantasmagórica caminhada, a Boa Hora precedia sempre a alguma distância a Má Hora, e estas duas aparições seguiam sempre pelo caminho sem nunca se desviarem perante nada.

Aos incautos que encontrava pelo caminho, a Boa Hora avisava que se afastassem para não encontrar a Má Hora: "Arreda! Arreda! Vem aí a Má Hora!". Se por teimosia ou imprudência não seguissem o conselho da Boa Hora, a Má Hora irremediavelmente lhes roubaria a vida.

Esta lenda terá com certeza sido abordada inúmeras vezes nos serões à lareira dos nossos avôs, juntamente com muitas outras histórias de encontros com o Além, numa altura em que os caminhos pelas serranias eram vias privilegiadas de deslocação entre povoações e onde os cruzamentos eram locais que infundiam terror. Mas isto, é tema para outra história.

Alguém conhece esta ou outras lendas? 


segunda-feira, abril 20, 2009

A Júlia Pinheiro lançou um livro?

Extraordinária notícia esta de que Júlia Pinheiro, a inconfundível apresentadora da TVI, lançou recentemente um livro intitulado "Não sei nada sobre o amor". Ao fim e ao cabo, este lançamento vem ao encontro daquilo que tem acontecido de há uns tempos a esta parte, em que qualquer pessoa, com ou sem instrução primária, tem tendência para lançar um livro. Aliás, desde que a Leonor Pinhão, perdão, a Carolina Salgado também deu em escritora, abriu-se um tremendo precedente que o resto do Jet Set tem sabido explorar. Por este andar, um dia destes, até o Blog do Katano lança um livro!

Quanto ao livro de Júlia Pinheiro, o título poderá deixar pressupor um cunho autobiográfico e, tenho para mim, que o mesmo será patrocinado pela casa Sonotone. Pessoalmente, este é definitivamente um livro que não irei ler pois, para além de não me interessar saber o porquê do fracasso da vida amorosa de Júlia Pinheiro, adivinho uma certa dificuldade em ler o texto que deverá ser todo ele escrito em maiúsculas e em que todos os sinais de pontuação deverão resumir-se a pontos de exclamação.

sábado, abril 18, 2009

Blog do Katano mais próximo dos seus leitores


Neste blog também sabemos usar imagens fofinhas.

...com a inauguração do revolucionário serviço de E-mail! Agora basta enviar mensagens para o endereço de e-mail que figura no topo da coluna da direita em zona designada por "Contacto do Katano!" para que estas cheguem à Junta Directiva do Blog que garante que irá perder algum do seu tempo a ler o conteúdo dessas mesmas mensagens.

Esta medida surge no sentido de aproximar ainda mais o blog dos seus leitores e declaramo-nos desde já receptivos a sugestões, críticas, convites para apadrinhar crianças em baptizados, leitura da Bíblia ao domicílio e pedidos de envio de NIB.

O endereço a (ab)usar é: blogdokatano@hotmail.com

sexta-feira, abril 17, 2009

Nacionalistas e Fascistas


A propósito do apoio de José Sócrates à recandidatura de Durão Barroso à Presidência da Comissão Europeia alegando que é "bom ter um português no cargo", Mário Soares veio a terreiro expressar a sua profunda indignação e, pasme-se, afirmou que Sócrates (supostamente o menino bonito do PS) "não estava a ser patriótico mas sim nacionalista e nacionalistas eram os fascistas".

Não sei o que é pior... se o facto de Soares ainda ser consultado no que diz respeito à política portuguesa ou se o facto de até o Pastel de Belém e o Galo de Barcelos reunirem condições para se candidatarem a um cargo relevante na União Europeia, de acordo com os critérios de Sócrates.



quinta-feira, abril 16, 2009

Blog do Katano em destaque na imprensa de Tomar

A narrativa da visita ao Convento de Cristo aqui publicada em Março mereceu uma referência no jornal nabantino "O Templário" sob o título "O Chocalho do Convento" (clicar aqui para ver no site do jornal) que, diga-se em abono da verdade, é um excelente título do qual eu me deveria ter lembrado ao publicar o artigo!

Embora eu lamente que aqueles simpáticos cidadãos de nacionalidade francesa nunca venham a saber o sucesso que as suas frases de pânico mal contido fizeram, tenho contudo a satisfação de mais uma prova que este blog presta verdadeiro Serviço Público

O meu muito obrigado ao Luís por me ter feito chegar esta informação.

I Guerra Mundial - A sangrenta Batalha das Toninhas

toninhas Depois dos últimos artigos dedicados à Batalha de La Lys (ver aqui e aqui), episódio que marcou o fim do Corpo Expedicionário Português enquanto força de combate propriamente dita, dedico agora este artigo ao papel que o Brasil, nosso país irmão, desempenhou nesse mesmo conflito mas com especial enfoque numa batalha naval épica: a lendária Batalha das Toninhas.

Inicialmente neutro, embora tenha confiscado 42 navios germânicos ancorados em portos brasileiros como retaliação pelos ataques de submarinos alemães a vários navios que haviam navegado em zonas de bloqueio, o Brasil acabou por entrar na I Guerra Mundial a 26 de Outubro de 1917 tendo ficado sobretudo incumbido de missões de apoio logístico e médico, tendo também prestado apoio naval
Neste último contexto foi criada a Divisão Naval de Operações de Guerra que, naquela que foi a primeira acção naval brasileira em águas internacionais, foi incorporada à esquadra britânica estacionada em Gibraltar. É nesta zona que, em Novembro de 1918, já mesmo no final da I Guerra Mundial, a DNOG se vai ver envolvida na Batalha das Toninhas.

Na véspera, o couraçado britânico que escoltava a frota brasileira havia sido afundado por um submarino alemão pelo que, na altura, toda a frota estava em estado de alerta e… particularmente paranóica.
Subitamente, ao longe, alguém avistou o rasto de um periscópio e, dado o alerta, toda a frota, comandada por Pedro Max Fernando Frontin cujo lema era “Quando não se pode fazer tudo o que se deve, deve-se fazer tudo o que se pode”, carregou sobre o submarino alemão disparando com todas as armas que tinha.
Perante tal ímpeto, o cardume de Toninhas que alguém havia confundido com um submarino alemão não teve qualquer hipótese e foi dizimado!

Este episódio ainda hoje é recordado nas escolas brasileiras havendo inclusive certos e determinados professores que, imbuídos de um excesso de patriotismo, atribuem ao episódio o motivo da rendição incondicional dos alemães. Aqui fica o vídeo como prova:

quarta-feira, abril 15, 2009

Bonsais do Katano

Na última semana tive finalmente a oportunidade de colocar em vaso bonsai os "candidatos" que tinha recolhido de diferentes proveniências: um castanheiro, um ficus e, aquisição de última hora, um cedro.


Castanheiro "resgatado" da seca iminente durante a pesquisa para a exposição "Memórias do Vale" em Julho último e com cerca de 1 ano de idade. Vai ser um bonsai estilo "Batido pelo vento" - Fukinagashi e para isso, já foi devidamente podado de forma a desenvolver 3 ramos principais e sofreu a primeira moldagem com arame.


Um pequeno cedro que vai dar origem a um bonsai num estilo mais formal.


O cedro, o castanheiro, a famosa "Oliva" e um ficus obtido a partir de uma estaca de uma planta maior que foi cultivada durante um ano. Aproveito para acrescentar que, pelo que me foi dado a observar, o ficus não é, definitivamente, uma árvore de folha caduca. Leste bem, oh Xamane? :P

terça-feira, abril 14, 2009

91 anos da Batalha de La Lys II
O Soldado Milhões

Aníbal Augusto Milhais, natural de Valongo (concelho de Murça) tinha 23 anos quando, naquela madrugada de 9 de Abril, o inferno se abateu sobre as linhas portuguesas dando início à batalha de La Lys (ver artigo anterior). A sua acção individual, à revelia das ordens directas que havia recebido, contribuiu para que se salvassem inúmeras vidas portuguesas e escocesas e para que, no regresso a casa, Aníbal Milhais se tornasse o único soldado raso a ser distinguido com a mais alta condecoração do país: A Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.


O ataque alemão

Quando às 8h45m a infantaria avançou, a confusão estava instalada nas linhas portuguesas. O bombardeamento incessante de artilharia durante cerca de 4h, para além das inúmeras baixas, desmantelara todas as comunicações e instalara o completo caos. Foi por isso com relativa facilidade que os alemães tomaram a primeira linha de trincheiras defendida pelo que restava das tropas aí colocadas. 

Dada a ordem de retirada, as unidades de Reserva avançaram até à linha intermédia para cobrir a retirada portuguesa. Numa dessas unidades, o Batalhão de Infantaria nº15, servia o metralhador Augusto Milhais, integrado num pelotão que, por engano, foi parar ao reduto de Huit Maisons, uma zona completamente diferente da inicialmente planeada, e onde já se encontravam tropas escocesas. De imediato, as tropas foram distribuidas ao longo da linha do reduto, sendo instaladas duas guarnições de metralhadoras, uma delas comandada por Milhais. 

Por volta das 10h, no meio do nevoeiro, começaram a surgir as primeiras tropas alemãs que investiram contra as posições bem guarnecidas luso-escocesas que, durante 2h, resistiu ferozmente. Contudo, o major britânico que comandava aquele reduto, apercebeu-se que os alemães tentavam uma manobra de cerco e, de imediato, deu a ordem de retirada para uma nova posição a alguns quilómetros dali, até porque o reduto estava já a ser sobrevoado pela aviação alemã que dava instruções à artilharia para regular o seu fogo.

A retirada teve então início às 14h mas, para trás, ficou Augusto Milhais que, com os alemães a apenas 200m e apesar da ameça de ser levado a Conselho de Guerra, insistiu em ficar para cobrir a retirada.


A odisseia de Augusto Milhais

Sozinho perante as tropas alemãs, Augusto Milhais dispôs várias metralhadoras (e não apenas uma como reza a lenda) ao longo da linha para, correndo a cada uma delas, dar a ideia de que se encontrava ali um grupo de soldados e não um homem isolado. Por outro lado, o facto de o disparo das metralhadoras Lewis 7,77 - carinhosamente rebaptizada pelos portuguesas de Luisinha - ser difícil de detectar, aumentava ainda mais a confusão dos alemães.

Contudo, a cada vez maior proximidade dos alemães que, inclusive haviam tentado aproximar-se vestido com o uniforme de soldados portugueses mortos mas que haviam sido varridos a tiro de metralhadora, forçou a que Milhais tenha de abandonar a sua posição. Pegou então numa metralhadora e recolheu munições dos seus camaradas mortos e fugiu para a rectaguarda, através de uma paisagem cinzenta, cheia de crateras e pantanosa.

Sozinho, sem água e sem qualquer outro alimento a não ser um pacote de amêndoas de Páscoa que recebera da família, errou durante 4 dias pela zona de combate, recolhendo munições e mantimentos dos cadáveres que encontrava e escondendo-se dos alemães em ruínas, crateras e mesmo em carcaças de cavalos. Contudo, sempre que tinha oportunidade, usava a sua Luisinha para abater os alemães que lhe aparecessem à frente e foi dessa forma que acabou por salvar vários soldados escoceses de serem capturados.

Já no dia 13, salvou de afogamento um major escocês que fugira aos alemães e que se aventurara nas águas do rio Lys. É este major que lhe dá finalmente informações sobre onde se encontrava e qual a direcção que deveria tomar para se juntar novamente às suas tropas. Também neste dia, segundo uma das suas filhas, Milhais terá salvo uma criança dos escombros de uma casa.


O regresso

Quando, à beira da exaustão, conseguiu finalmente reunir-se às suas tropas, já a notícia da sua aventura ali chegara, levada pelas tropas escocesas que encontrara pelo caminho. Levado à presença do comandante do seu batalhão, o major João Ferreira do Amaral, Milhais confirmou a história e, segundo a lenda, terá sido então que o major o felicitou dizendo a frase que rebaptizou Milhais: "Chamas-te Milhais mas vales Milhões!".

Tenha sido por causa dessa frase ou, como era muito comum na época, por confusão de leitura ou escrita de documentos, a alcunha Milhões seria oficializada pelo decreto de 31 de Agosto de 1918 que conferiu a "Augusto Milhões" a distinção da Ordem da Torre e Espada. A confusão propagou-se depois aos próprios serviços do Registo Civil que atribuíram, na altura do registo, o apelido "Milhões" a alguns dos 13 filhos de Milhais.

Regressado à Pátria, ainda emigrou para o Brasil mas acabaria por regressar a Portugal onde, durante muitos anos, seria uma figura inevitável que o Estado faria questão de exibir em todas as paradas militares, fossem elas na Metrópole ou no Ultramar. Também como recompensa lhe foi prometido um tractor com arado mas, infelizmente para Milhais, ele nunca lhe seria entregue.

Viria a falecer em Valongo a 3 de Junho de 1970 com 75 anos, numa altura em que do Estado recebia cerca de 1.000 escudos mensais.

Para a História ficou o rosto e o nome de um dos últimos heróis militares de Portugal, um homem pequeno no tamanho mas com uma humildade e enorme sentido de dever que, até aos seus últimos anos evitou falar da sua experiência na Flandres. Quando entrevistado alguém o incentivou a contar a sua história com a desculpa que "Recordar é viver", Milhais limitou-se a responder "Como se podem viver coisas de morte sem morrermos um bocadinho?".


Legenda das Fotografias:
Foto 1 - Augusto Milhais, o Soldado Milhões
Foto 2 - Aspecto das linhas portuguesas na I Guerra Mundial
Foto 3 - A Metralhadora Lewis 7,77 - A Luisinha.
Foto 4 - A condecoração de Augusto "Milhões"
Foto 5 - Augusto Milhais e a sua neta Leonídia

Fotos obtidas em:

Fonte: 
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 54-57

segunda-feira, abril 13, 2009

Que azar de.... caca!


Edvin L., polaco de 26 anos, foi preso depos de ser acusado de... furto de um valiosíssimo rolo de papel higiénico e, se tal acto não fosse suficiente, o meliante danificou ainda o suporte do mesmo avaliado em 80 euros. A polícia, depois de alertada pelo gerente do restaurante (que viu o individuo com ar de suspeito a esconder algo dentro do casaco), prontamente acorreu ao local e efectuou a detenção do individuo que incorre agora numa pena de, nada mais nada menos, 10 ANOS DE PRISÃO. Segundo a polícia de Varsóvia, em comunicado no seu site, este é um dos tipos de crime mais eficazes da cidade e com menor taxa de detenções...

Ora não me ocorrem muitos comentários que possa partilhar convosco porque penso que o acontecimento fala por si... :p




sábado, abril 11, 2009

A tradição Pascal cumpriu-se no Fundão

No ciclo das tradições da Quaresma (a Quadragésima), o Fundão cumpriu novamente a tradição da procissão do "Enterro do Senhor" na noite da Sexta-Feira santa. Com guarda de honra dos bombeiros voluntários, a procissão percorreu, iluminada apenas pela luz das velas, algumas das ruas principais da cidade antes de voltar à Igreja. A iluminação pública, ao longo do percurso, é desligada, numa prática que conta também com a adesão dos cafés situados ao longo do percurso.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...