quarta-feira, abril 15, 2009

Bonsais do Katano

Na última semana tive finalmente a oportunidade de colocar em vaso bonsai os "candidatos" que tinha recolhido de diferentes proveniências: um castanheiro, um ficus e, aquisição de última hora, um cedro.


Castanheiro "resgatado" da seca iminente durante a pesquisa para a exposição "Memórias do Vale" em Julho último e com cerca de 1 ano de idade. Vai ser um bonsai estilo "Batido pelo vento" - Fukinagashi e para isso, já foi devidamente podado de forma a desenvolver 3 ramos principais e sofreu a primeira moldagem com arame.


Um pequeno cedro que vai dar origem a um bonsai num estilo mais formal.


O cedro, o castanheiro, a famosa "Oliva" e um ficus obtido a partir de uma estaca de uma planta maior que foi cultivada durante um ano. Aproveito para acrescentar que, pelo que me foi dado a observar, o ficus não é, definitivamente, uma árvore de folha caduca. Leste bem, oh Xamane? :P

terça-feira, abril 14, 2009

91 anos da Batalha de La Lys II
O Soldado Milhões

Aníbal Augusto Milhais, natural de Valongo (concelho de Murça) tinha 23 anos quando, naquela madrugada de 9 de Abril, o inferno se abateu sobre as linhas portuguesas dando início à batalha de La Lys (ver artigo anterior). A sua acção individual, à revelia das ordens directas que havia recebido, contribuiu para que se salvassem inúmeras vidas portuguesas e escocesas e para que, no regresso a casa, Aníbal Milhais se tornasse o único soldado raso a ser distinguido com a mais alta condecoração do país: A Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.


O ataque alemão

Quando às 8h45m a infantaria avançou, a confusão estava instalada nas linhas portuguesas. O bombardeamento incessante de artilharia durante cerca de 4h, para além das inúmeras baixas, desmantelara todas as comunicações e instalara o completo caos. Foi por isso com relativa facilidade que os alemães tomaram a primeira linha de trincheiras defendida pelo que restava das tropas aí colocadas. 

Dada a ordem de retirada, as unidades de Reserva avançaram até à linha intermédia para cobrir a retirada portuguesa. Numa dessas unidades, o Batalhão de Infantaria nº15, servia o metralhador Augusto Milhais, integrado num pelotão que, por engano, foi parar ao reduto de Huit Maisons, uma zona completamente diferente da inicialmente planeada, e onde já se encontravam tropas escocesas. De imediato, as tropas foram distribuidas ao longo da linha do reduto, sendo instaladas duas guarnições de metralhadoras, uma delas comandada por Milhais. 

Por volta das 10h, no meio do nevoeiro, começaram a surgir as primeiras tropas alemãs que investiram contra as posições bem guarnecidas luso-escocesas que, durante 2h, resistiu ferozmente. Contudo, o major britânico que comandava aquele reduto, apercebeu-se que os alemães tentavam uma manobra de cerco e, de imediato, deu a ordem de retirada para uma nova posição a alguns quilómetros dali, até porque o reduto estava já a ser sobrevoado pela aviação alemã que dava instruções à artilharia para regular o seu fogo.

A retirada teve então início às 14h mas, para trás, ficou Augusto Milhais que, com os alemães a apenas 200m e apesar da ameça de ser levado a Conselho de Guerra, insistiu em ficar para cobrir a retirada.


A odisseia de Augusto Milhais

Sozinho perante as tropas alemãs, Augusto Milhais dispôs várias metralhadoras (e não apenas uma como reza a lenda) ao longo da linha para, correndo a cada uma delas, dar a ideia de que se encontrava ali um grupo de soldados e não um homem isolado. Por outro lado, o facto de o disparo das metralhadoras Lewis 7,77 - carinhosamente rebaptizada pelos portuguesas de Luisinha - ser difícil de detectar, aumentava ainda mais a confusão dos alemães.

Contudo, a cada vez maior proximidade dos alemães que, inclusive haviam tentado aproximar-se vestido com o uniforme de soldados portugueses mortos mas que haviam sido varridos a tiro de metralhadora, forçou a que Milhais tenha de abandonar a sua posição. Pegou então numa metralhadora e recolheu munições dos seus camaradas mortos e fugiu para a rectaguarda, através de uma paisagem cinzenta, cheia de crateras e pantanosa.

Sozinho, sem água e sem qualquer outro alimento a não ser um pacote de amêndoas de Páscoa que recebera da família, errou durante 4 dias pela zona de combate, recolhendo munições e mantimentos dos cadáveres que encontrava e escondendo-se dos alemães em ruínas, crateras e mesmo em carcaças de cavalos. Contudo, sempre que tinha oportunidade, usava a sua Luisinha para abater os alemães que lhe aparecessem à frente e foi dessa forma que acabou por salvar vários soldados escoceses de serem capturados.

Já no dia 13, salvou de afogamento um major escocês que fugira aos alemães e que se aventurara nas águas do rio Lys. É este major que lhe dá finalmente informações sobre onde se encontrava e qual a direcção que deveria tomar para se juntar novamente às suas tropas. Também neste dia, segundo uma das suas filhas, Milhais terá salvo uma criança dos escombros de uma casa.


O regresso

Quando, à beira da exaustão, conseguiu finalmente reunir-se às suas tropas, já a notícia da sua aventura ali chegara, levada pelas tropas escocesas que encontrara pelo caminho. Levado à presença do comandante do seu batalhão, o major João Ferreira do Amaral, Milhais confirmou a história e, segundo a lenda, terá sido então que o major o felicitou dizendo a frase que rebaptizou Milhais: "Chamas-te Milhais mas vales Milhões!".

Tenha sido por causa dessa frase ou, como era muito comum na época, por confusão de leitura ou escrita de documentos, a alcunha Milhões seria oficializada pelo decreto de 31 de Agosto de 1918 que conferiu a "Augusto Milhões" a distinção da Ordem da Torre e Espada. A confusão propagou-se depois aos próprios serviços do Registo Civil que atribuíram, na altura do registo, o apelido "Milhões" a alguns dos 13 filhos de Milhais.

Regressado à Pátria, ainda emigrou para o Brasil mas acabaria por regressar a Portugal onde, durante muitos anos, seria uma figura inevitável que o Estado faria questão de exibir em todas as paradas militares, fossem elas na Metrópole ou no Ultramar. Também como recompensa lhe foi prometido um tractor com arado mas, infelizmente para Milhais, ele nunca lhe seria entregue.

Viria a falecer em Valongo a 3 de Junho de 1970 com 75 anos, numa altura em que do Estado recebia cerca de 1.000 escudos mensais.

Para a História ficou o rosto e o nome de um dos últimos heróis militares de Portugal, um homem pequeno no tamanho mas com uma humildade e enorme sentido de dever que, até aos seus últimos anos evitou falar da sua experiência na Flandres. Quando entrevistado alguém o incentivou a contar a sua história com a desculpa que "Recordar é viver", Milhais limitou-se a responder "Como se podem viver coisas de morte sem morrermos um bocadinho?".


Legenda das Fotografias:
Foto 1 - Augusto Milhais, o Soldado Milhões
Foto 2 - Aspecto das linhas portuguesas na I Guerra Mundial
Foto 3 - A Metralhadora Lewis 7,77 - A Luisinha.
Foto 4 - A condecoração de Augusto "Milhões"
Foto 5 - Augusto Milhais e a sua neta Leonídia

Fotos obtidas em:

Fonte: 
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 54-57

segunda-feira, abril 13, 2009

Que azar de.... caca!


Edvin L., polaco de 26 anos, foi preso depos de ser acusado de... furto de um valiosíssimo rolo de papel higiénico e, se tal acto não fosse suficiente, o meliante danificou ainda o suporte do mesmo avaliado em 80 euros. A polícia, depois de alertada pelo gerente do restaurante (que viu o individuo com ar de suspeito a esconder algo dentro do casaco), prontamente acorreu ao local e efectuou a detenção do individuo que incorre agora numa pena de, nada mais nada menos, 10 ANOS DE PRISÃO. Segundo a polícia de Varsóvia, em comunicado no seu site, este é um dos tipos de crime mais eficazes da cidade e com menor taxa de detenções...

Ora não me ocorrem muitos comentários que possa partilhar convosco porque penso que o acontecimento fala por si... :p




sábado, abril 11, 2009

A tradição Pascal cumpriu-se no Fundão

No ciclo das tradições da Quaresma (a Quadragésima), o Fundão cumpriu novamente a tradição da procissão do "Enterro do Senhor" na noite da Sexta-Feira santa. Com guarda de honra dos bombeiros voluntários, a procissão percorreu, iluminada apenas pela luz das velas, algumas das ruas principais da cidade antes de voltar à Igreja. A iluminação pública, ao longo do percurso, é desligada, numa prática que conta também com a adesão dos cafés situados ao longo do percurso.



quinta-feira, abril 09, 2009

Mais do mesmo...

Chamem-me herege se quiserem mas ver televisão em determinadas alturas do ano, como a Páscoa e o Natal, é algo penoso pelo infindável desfilar de mini-séries, documentários e filmes dedicados à vida de Jesus Cristo.

Em primeiro lugar trata-se de uma história da qual, desde o primeiro momento, já conhecemos o final: os judeus ricos apanham o JC à traição, graças a um agente infiltrado cujos honorários são pagos pelo erário público, acusam-no de ser subversivo e entregam-no aos romanos que o crucificam ao mesmo tempo que um assassino apanhado em flagrante é enviado para casa (com a vantagem de não estar sujeito a termo de identidade e residência). Nada de original, portanto. A única coisa que ainda vai mudando é o formato da cruz e o aspecto do protagonista embora aqui se continue, com uma teimosia inexplicável, a optar por alguém com feições o mais caucasianas possível quando, de aspecto caucasiano, à época, só se encontravam por ali os já referidos romanos. 

Já agora, uma vez que Portugal se assume como um estado laico onde existe uma separação oficial (talvez ainda não mental) entre Estado e Igreja e, já agora, para variar um bocadinho, para quando uma mini-série ou um documentário sobre Buda, Maomé ou Martinho Lutero? Isso sim seria serviço público, sem discriminação de credo ou religião.

91 anos da Batalha de La Lys

Cumprem-se hoje o 91º aniversário da batalha de La Lys, considerado por muitos como o 2º Alcácer-Quibir da história militar de Portugal, e que, em poucas horas, levou ao fim do Corpo Expedicionário Português sob o rolo compressor de artilharia e infantaria de alemãs.



Estacionado em Béthune, perto de Lille no Norte da França, ao CEP (formado por cerca de 20.000 homens) cabia a defesa de cerca de 12km da linha da frente, sendo ladeado por duas divisões britânicas. Contudo, a organização e moral no seio das tropas portuguesas estavam perigosamente debilitadas pela falta de apoio por parte de Portugal, sobretudo após a revolução de 1917 e instituição de uma ditadura militar que não privilegiava esse mesmo apoio, pela falta crescente sobretudo de oficiais que aproveitavam a sua licença para ir a Portugal e não voltar, e pelo próprio cansaço das tropas que na altura da batalha já deveriam há muito ter sido rendidas na linha da frente.

O estado de espírito era tal que a 4 de Abril, um batalhão português que deveria regressar às trincheiras, insubordinou-se e recusou cumprir a ordem. Nessa altura, e após sucessivos adiamentos, a retirada das tropas portuguesas ficou marcada para o dia 9 de Abril.


Entretanto, do outro lado a Alemanha desesperava, sentindo o desgaste da guerra de trincheiras e pressentindo a ameaça da chegada iminente das tropas dos EUA que poderiam desequilibrar o conflito. Assim, o general Ludendorff engendra um plano - a Operação Georgette - que consiste em atacar com uma incrível concentração de meios, a zona onde se encontra o CEP, à partida o sector mais frágil da linha da frente para depois tentar fazer uma exploração do sucesso da penetração nas linhas aliadas, forçando os ingleses a retirar para Calais e depois para Inglaterra, deixando assim a França sozinha no conflito contra um inimigo superior.

É assim que, exactamente às 4h15m da madrugada, numa altura em que a retirada de alguns efectivos forçara os restantes 16 mil portugueses a alongar-se perigosamente pelos 12 km de trincheiras da sua linha, que os alemães desencadeiam, com o auxílio de 1.500 peças de artilharia, um infernal bombardeamento sobre as linhas portuguesas, que assim sofrem o incessante impacto de bombas e de gás venenoso. Com as comunicações cortadas, não tardou muito para que o caos se instalasse entre as tropas portuguesas, ficando os sobreviventes dispersos e isolados, sem saber o que se passava noutros sectores.



Quando às 8h45m finalmente a infantaria alemã avança, os abalados portugueses, apesar da feroz resistência até à baioneta, não têm qualquer forma de suster o ímpeto de 55.000 homens do inimigo que sem grande dificuldade tomam as primeiras linhas das posições lusas. Nas primeiras horas de combate, o CEP perde 7.500 homens, isto é, cerca de um terço dos seus efectivos totais.

Com todos os meios em reserva (portugueses e sobretudo britânicos) a serem deslocados para suster o avanço alemão, o esforço tenaz de resistência luso-britânico será contudo decisivo para ganhar tempo até à chegada de novas unidades à linha da frente que acabarão por suster finalmente o avanço alemão já em 22 de Abril.


Quanto ao CEP, deixará de existir como unidade de combate, e os seus soldados virão a ser distribuídos pelas várias unidades da frente, subordinados ao comando britânico.

Ver também: O SOLDADO MILHÕES

Fontes:
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 62-64
Wikipédia, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Lys), Abril de 2009

quarta-feira, abril 08, 2009

Tasca hardcore

Se alguém for a Ponte de Lima e quiser provar uma Fodinha Quente como não há igual em Portugal, então só tem de ir à Tasca Os Telhadinhos e escolher essa opção no extenso cardápio que a Dona Márcia coloca à nossa disposição.

Claro que se os interessados não forem tão apreciadores e preferirem algo mais usual, podem sempre optar por uma Mamadeira Quente... No fundo, é mesmo ao gosto do freguês (que até pode simplesmente ser mais apreciador de um Cu de Galinha Recheado).



Para aqueles que não se sentiram ofendidos ou escandalizados ao ponto de fechar a página deste blog ou, por exemplo, ir de imediato expiar a culpa de terem lido tamanhos turpilóquios ao Santuário de Fátima, aqui fica a explicação que é até muito simples. Trata-se tão somente de uma tasquinha, muito famosa em Ponte de Lima, da qual o Luís me deu conta (e da qual fala no seu blog e que podemos conhecer também neste artigo) relativa à qual, por coincidência, recebi hoje um recorte de jornal por e-mail.

Depois da Casa das Ratas e da Picha Mole (em Abrantes), este é sem dúvida mais um estabelecimento que irá certamente contar com a nossa visita.



Mais um simultâneo Blog do Katano e A Funda São

terça-feira, abril 07, 2009

Jerry Seinfeld




Nunca uma série foi tão inesquecível quanto esta e foi sem dúvida umas das poucas da TVI, exceptuando talvez os X-Files à segunda-feira à noite, que acompanhei assiduamente. Também sabia que, se por acaso perdesse um dos episódios, ele seria tema de conversa no dia seguinte, fazendo dos costumeiros encontros para café no mítico Texas da D.Madalena, uma espécie de tertúlia... sobre nada (citando Seinfeld).

Agora que reavivei o bichinho Seinfeld graças ao Xamane e família, aproveito para partilhar com vocês alguns dos inúmeros momentos inesquecíveis das personagens da série que tinham tanto de egocêntricas como de loucas, maníacas e obsessivas.

Rostos do Convento de Cristo

A cada passo, no interior do Convento de Cristo em Tomar (ver último artigo), somos acompanhados pelo olhar de rostos anónimos eternizados em forma de calcário. Quem seriam e que histórias testemunharam estas personagens silenciosas? Fica o retrato daqueles que viram história acontecer.




sábado, abril 04, 2009

Já não se fazem perguntas às Misses como antigamente...

 

Ora bem, como já há algum tempo que não abordava a temática da cultura nos EUA e a relação de proporcionalidade inversa que, aparentemente existe entre o excesso de cuidado com a aparência e a expressão de inteligência, o que poderá indiciar um efeito nocivo dos químicos dos cosméticos na capacidade de raciocínio de cada um, aqui fica uma pequena pérola que descobri no Youtube completamente por acaso quando procurava o vídeo do Lauro Dérmio. E que feliz acaso!

Trata-se do concurso de Miss Teen USA no momento da prova de... aquela em que fazem uma pergunta à qual normalmente a concorrente tem de responder que, se pudesse, acabava com a fome e a guerra no Mundo.

A equipa de produção, pelos vistos, decidiu armar-se em esperta e pediu à candidata da Carolina do Sul que opinasse sobre o porquê de 20% da população dos EUA não consegue encontrar o seu país num mapa mundi.

A candidata, que já tinha a resposta "Se pudesse, acabava com a fome e a guerra no Mundo" debaixo da língua, qual trunfo pronto a usar para conquistar em definitivo o júri, entra em pânico e responde: 

Eu, pessoalmente, acredito que nós não somos capazes de fazer isto porque... alguns... lá fora, na nossa nação... não temos mapas e eu acredito que nossa educação, como na África do Sul, Iraque... eu acredito que eles deveriam... nossa educação aqui, nos Estados Unidos, deveria ajudar o Estados Unidos, ou ajudar a África do Sul, Iraque e países asiáticos e então seremos capazes de construir nosso futuro.
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