quinta-feira, abril 09, 2009

Mais do mesmo...

Chamem-me herege se quiserem mas ver televisão em determinadas alturas do ano, como a Páscoa e o Natal, é algo penoso pelo infindável desfilar de mini-séries, documentários e filmes dedicados à vida de Jesus Cristo.

Em primeiro lugar trata-se de uma história da qual, desde o primeiro momento, já conhecemos o final: os judeus ricos apanham o JC à traição, graças a um agente infiltrado cujos honorários são pagos pelo erário público, acusam-no de ser subversivo e entregam-no aos romanos que o crucificam ao mesmo tempo que um assassino apanhado em flagrante é enviado para casa (com a vantagem de não estar sujeito a termo de identidade e residência). Nada de original, portanto. A única coisa que ainda vai mudando é o formato da cruz e o aspecto do protagonista embora aqui se continue, com uma teimosia inexplicável, a optar por alguém com feições o mais caucasianas possível quando, de aspecto caucasiano, à época, só se encontravam por ali os já referidos romanos. 

Já agora, uma vez que Portugal se assume como um estado laico onde existe uma separação oficial (talvez ainda não mental) entre Estado e Igreja e, já agora, para variar um bocadinho, para quando uma mini-série ou um documentário sobre Buda, Maomé ou Martinho Lutero? Isso sim seria serviço público, sem discriminação de credo ou religião.

91 anos da Batalha de La Lys

Cumprem-se hoje o 91º aniversário da batalha de La Lys, considerado por muitos como o 2º Alcácer-Quibir da história militar de Portugal, e que, em poucas horas, levou ao fim do Corpo Expedicionário Português sob o rolo compressor de artilharia e infantaria de alemãs.



Estacionado em Béthune, perto de Lille no Norte da França, ao CEP (formado por cerca de 20.000 homens) cabia a defesa de cerca de 12km da linha da frente, sendo ladeado por duas divisões britânicas. Contudo, a organização e moral no seio das tropas portuguesas estavam perigosamente debilitadas pela falta de apoio por parte de Portugal, sobretudo após a revolução de 1917 e instituição de uma ditadura militar que não privilegiava esse mesmo apoio, pela falta crescente sobretudo de oficiais que aproveitavam a sua licença para ir a Portugal e não voltar, e pelo próprio cansaço das tropas que na altura da batalha já deveriam há muito ter sido rendidas na linha da frente.

O estado de espírito era tal que a 4 de Abril, um batalhão português que deveria regressar às trincheiras, insubordinou-se e recusou cumprir a ordem. Nessa altura, e após sucessivos adiamentos, a retirada das tropas portuguesas ficou marcada para o dia 9 de Abril.


Entretanto, do outro lado a Alemanha desesperava, sentindo o desgaste da guerra de trincheiras e pressentindo a ameaça da chegada iminente das tropas dos EUA que poderiam desequilibrar o conflito. Assim, o general Ludendorff engendra um plano - a Operação Georgette - que consiste em atacar com uma incrível concentração de meios, a zona onde se encontra o CEP, à partida o sector mais frágil da linha da frente para depois tentar fazer uma exploração do sucesso da penetração nas linhas aliadas, forçando os ingleses a retirar para Calais e depois para Inglaterra, deixando assim a França sozinha no conflito contra um inimigo superior.

É assim que, exactamente às 4h15m da madrugada, numa altura em que a retirada de alguns efectivos forçara os restantes 16 mil portugueses a alongar-se perigosamente pelos 12 km de trincheiras da sua linha, que os alemães desencadeiam, com o auxílio de 1.500 peças de artilharia, um infernal bombardeamento sobre as linhas portuguesas, que assim sofrem o incessante impacto de bombas e de gás venenoso. Com as comunicações cortadas, não tardou muito para que o caos se instalasse entre as tropas portuguesas, ficando os sobreviventes dispersos e isolados, sem saber o que se passava noutros sectores.



Quando às 8h45m finalmente a infantaria alemã avança, os abalados portugueses, apesar da feroz resistência até à baioneta, não têm qualquer forma de suster o ímpeto de 55.000 homens do inimigo que sem grande dificuldade tomam as primeiras linhas das posições lusas. Nas primeiras horas de combate, o CEP perde 7.500 homens, isto é, cerca de um terço dos seus efectivos totais.

Com todos os meios em reserva (portugueses e sobretudo britânicos) a serem deslocados para suster o avanço alemão, o esforço tenaz de resistência luso-britânico será contudo decisivo para ganhar tempo até à chegada de novas unidades à linha da frente que acabarão por suster finalmente o avanço alemão já em 22 de Abril.


Quanto ao CEP, deixará de existir como unidade de combate, e os seus soldados virão a ser distribuídos pelas várias unidades da frente, subordinados ao comando britânico.

Ver também: O SOLDADO MILHÕES

Fontes:
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 62-64
Wikipédia, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Lys), Abril de 2009

quarta-feira, abril 08, 2009

Tasca hardcore

Se alguém for a Ponte de Lima e quiser provar uma Fodinha Quente como não há igual em Portugal, então só tem de ir à Tasca Os Telhadinhos e escolher essa opção no extenso cardápio que a Dona Márcia coloca à nossa disposição.

Claro que se os interessados não forem tão apreciadores e preferirem algo mais usual, podem sempre optar por uma Mamadeira Quente... No fundo, é mesmo ao gosto do freguês (que até pode simplesmente ser mais apreciador de um Cu de Galinha Recheado).



Para aqueles que não se sentiram ofendidos ou escandalizados ao ponto de fechar a página deste blog ou, por exemplo, ir de imediato expiar a culpa de terem lido tamanhos turpilóquios ao Santuário de Fátima, aqui fica a explicação que é até muito simples. Trata-se tão somente de uma tasquinha, muito famosa em Ponte de Lima, da qual o Luís me deu conta (e da qual fala no seu blog e que podemos conhecer também neste artigo) relativa à qual, por coincidência, recebi hoje um recorte de jornal por e-mail.

Depois da Casa das Ratas e da Picha Mole (em Abrantes), este é sem dúvida mais um estabelecimento que irá certamente contar com a nossa visita.



Mais um simultâneo Blog do Katano e A Funda São

terça-feira, abril 07, 2009

Jerry Seinfeld




Nunca uma série foi tão inesquecível quanto esta e foi sem dúvida umas das poucas da TVI, exceptuando talvez os X-Files à segunda-feira à noite, que acompanhei assiduamente. Também sabia que, se por acaso perdesse um dos episódios, ele seria tema de conversa no dia seguinte, fazendo dos costumeiros encontros para café no mítico Texas da D.Madalena, uma espécie de tertúlia... sobre nada (citando Seinfeld).

Agora que reavivei o bichinho Seinfeld graças ao Xamane e família, aproveito para partilhar com vocês alguns dos inúmeros momentos inesquecíveis das personagens da série que tinham tanto de egocêntricas como de loucas, maníacas e obsessivas.

Rostos do Convento de Cristo

A cada passo, no interior do Convento de Cristo em Tomar (ver último artigo), somos acompanhados pelo olhar de rostos anónimos eternizados em forma de calcário. Quem seriam e que histórias testemunharam estas personagens silenciosas? Fica o retrato daqueles que viram história acontecer.




sábado, abril 04, 2009

Já não se fazem perguntas às Misses como antigamente...

 

Ora bem, como já há algum tempo que não abordava a temática da cultura nos EUA e a relação de proporcionalidade inversa que, aparentemente existe entre o excesso de cuidado com a aparência e a expressão de inteligência, o que poderá indiciar um efeito nocivo dos químicos dos cosméticos na capacidade de raciocínio de cada um, aqui fica uma pequena pérola que descobri no Youtube completamente por acaso quando procurava o vídeo do Lauro Dérmio. E que feliz acaso!

Trata-se do concurso de Miss Teen USA no momento da prova de... aquela em que fazem uma pergunta à qual normalmente a concorrente tem de responder que, se pudesse, acabava com a fome e a guerra no Mundo.

A equipa de produção, pelos vistos, decidiu armar-se em esperta e pediu à candidata da Carolina do Sul que opinasse sobre o porquê de 20% da população dos EUA não consegue encontrar o seu país num mapa mundi.

A candidata, que já tinha a resposta "Se pudesse, acabava com a fome e a guerra no Mundo" debaixo da língua, qual trunfo pronto a usar para conquistar em definitivo o júri, entra em pânico e responde: 

Eu, pessoalmente, acredito que nós não somos capazes de fazer isto porque... alguns... lá fora, na nossa nação... não temos mapas e eu acredito que nossa educação, como na África do Sul, Iraque... eu acredito que eles deveriam... nossa educação aqui, nos Estados Unidos, deveria ajudar o Estados Unidos, ou ajudar a África do Sul, Iraque e países asiáticos e então seremos capazes de construir nosso futuro.

sexta-feira, abril 03, 2009

Encontros imediatos...

Normalmente, quando alguém nos aborda inesperadamente, aquilo que instintivamente esperamos é ser questionados sobre onde se encontra determinado local e qual a melhor estrada para lá chegar, sobre que horas são ou ainda, como tem acontecido de forma crescente nos últimos tempos, sobre a importância de cedermos a nossa carteira e/ou telemóvel rapidamente e sem incorrermos no erro de recorrer ao contraditório.

Ontem, pela hora de almoço, dirigi-me ao Vivaci-Guarda para comer qualquer coisa antes de atacar a tarde quando, subitamente, fui abordado por um indivíduo com cerca de 50 anos, cabeça guarnecida com um chapéu de pano branco, camisa desabotoada e desfraldada por cima das calças brancas e calçando uma espécie de mocassins.

Suspeitei ao início que o homem tivesse urgência em pedir-me alguma coisa, afinal, veio ter comigo, ao cimo das escadas rolantes descendentes, a correr e repetindo de forma bem audível "Oh amigo! Oh amigo!".

No entanto, e para minha surpresa, descobri afinal que o indivíduo não queria pedir-me nada mas sim partilhar informação comigo. Eis o diágolo surreal que se seguiu:

Indíviduo Tomado Pelo Impulso De Partilha: "Oh amigo, você sabia que quando os franceses nos invadiram, fomos atacados por um homem que se chamava O Maneta? (voz de entusiasmo)"

Eu "Ah sim?..."

ITPIDP: "Não sabia, pois não? Mas foi, chamavam-lhe o Maneta. O Napoleão veio cá meter-se connosco (voz de amargura)..."

Eu "Pois foi..."

ITPIDP: "Mas olhe que o Napoleão não era mais que nós. Levou uma sova em Aljubarrota! A Padeira sozinha chegou para eles! (novamente voz de entusiasmo)"

Eu "Oh diabo! E eu convencido que tinham sido os espanhóis!"

ITPIDP: (gargalhada) "Eu acabei agora de ler um romance sobre essa guerra! (voz de confiança absoluta)"

Eu "..."

ITPIDP: "Bom oh amigo, boa tarde então! Saúde para si! (voz de entusiasmo novamente)"

Eu "Obrigado e igualmente".

E la foi o indivíduo abordar jovialmente um grupo de senhoras que se encontrava ali ao lado, interrompendo a conversa que estas empreendiam.

Não fosse pela ausência de sotaque estrangeiro e eu diria que tinha acabado de ser abordado pelo Eugene, o bacano.(que entretanto bem poderia ter aprendido a falar português telepaticamente com o espírito do Maneta em tertúlia numa esplanada de café com a Brites de Almeida).


Petição a favor da devolução das "Torres"



O Blog dos Manteigas, juntamente com o Cântaro Zangado e o Prisma, acaba de lançar uma petição contra a venda das antigas torres de radar da Serra da Estrela (que são propriedade do Min. da Defesa) e a favor da sua devolução às freguesias Alvoco da Serra, Loriga , S.Pedro (Manteigas) e Unhais da Serra, a quem os terrenos foram expropriados para a instalação da base da NATO da qual as torres faziam parte.

Actualmente as torres encontram-se degradadas, mesmo a que serviu (ou serve?) de posto sazonal da GNR, e contribuem, juntamente com o resto das antigas estruturas da base, juntamente com o "peculiar" centro comercial, para dar um aspecto deprimente àquela zona, muito ajudado depois pela assombrosa falta de civismo dos muitos turistas que por aqui passam e fazem questão de deixar a sua assinatura na forma de sacos de plástico, vidro e outro lixo que seria demasiado indigno transportar até aos contentores mais próximos.

Pessoalmente, creio que as torres deveriam ser demolidas, tais como as estruturas abandonadas que existem em volta. O centro comercial deveria ser encerrado ou deslocalizado para o Sabugueiro ou para as Penhas da Saúde, de forma a dignificar a zona da "Torre", fazendo-se do edifício, requalificado para se integrar harmoniosamente na paisagem, um centro de apoio ao visitante, integrando um centro interpretativo e/ou de acolhimento do Parque Natural, aluguer de equipamento, enfermaria e cafetaria, servindo também de apoio às pistas de esqui. Deveria reforçar-se também a fiscalização e aplicar coimas a quem poluísse a zona (já que seria talvez autoritarismo em excesso proibir-se o uso dos "típicos" sacos de plástico).

Já agora, encerrava-se o trânsito a veículos automóveis particulares a partir da Nave de Santo António de um lado, Sabugueiro ou Lagoa Comprida do outro, sendo os únicos meios de transporte para a torre a pé, bicicleta ou autocarro.

Divagações à parte, os interessados podem, para já, subscrever a petição.

quinta-feira, abril 02, 2009

Lauro Dérmio - Não pirilamparás a mulher alheia




Porque o público merece (e a Sãozinha também, vá), aí está a reposição de um dos mais descompostos sketches do Herman no clássico Herman Enciclopédia!

Já agora, ficam os conselhos: vejam sempre bons filmes e não pirilampem a mulher alheia.

quarta-feira, abril 01, 2009

1º de Abril, dia da treta...

Não compreendo o porquê de neste dia se tentar aldrabar o próximo como se isso fosse, mais que uma obrigação, um verdadeiro feito e uma incontornável questão de honra. É um pouco como o Carnaval, em que as pessoas se mascaram para dar azo a algo que existe reprimido no seu interior à espera de uma desculpa que legitime a sua expressão pública.

No fundo, o 1º de Abril é acerca de humilhar e ridicularizar o próximo, inventando uma aldrabice tal que o ego do autor encontre o deleite da satisfação de rir na cara do ingénuo que acreditou.

Há dois anos atrás expliquei o porquê da minha indiferença em relação a este dia se ter tornado em algo semelhante a um sentimento de repulsa. Por este e todos os motivos do Mundo, não contem comigo para participar na palhaçada Mundial anual do 1º de Abril
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