quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Cuidado com a Língua!

É este o nome de um interessante o programa transmitido pela RTP1 e da autoria do criador do utilíssimo site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Na última segunda-feira, Rita Blanco e Diogo Infante deram o mote ao esclarecimento de algumas dúvidas sobre a origem de termos relacionados com o amor e, assim ficámos a saber o seguinte:

Paixão (vem de Passione) - Significa originalmente dor, sofrimento, acto de suportar, e está conotado com todos os tormentos que JC sofreu desde a sua prisão até ter sido crucificado. Este termo seria depois usado na Europa, em tempos mais tardios, para designar o sofrimento e a dor provocados por casos de amor forte. Acabaria depois por ser associado directamente ao amor. 

Saber de Cor (Origem latina em Cor - Coração) - Cor era o termo latino para designar coração, sendo ainda usado em obras poéticas do séc. XIV. A expressão serve para designar um conhecimento tão interiorizado que parece estar guardado no coração.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Crise?? Passa mas é a a vodka!

Em tempos de crise, vale tudo para promover as vendas e, neste aspecto particular, os russos não se safam nada mal em termos de criatividade e agressividade na abordagem ao mercado, como nos mostra o blog Da Rússia

Fazendo fé na tradução de José Milhazes, autor do blog e jornalista destacado na Rússia, isto porque o meu próprio domínio da língua russa anda algo enferrujado, o cartaz diz o seguinte:

PROPOSTA ANTI-CRISE!
SE COMPRAR, NÓS DAMOS DE BEBER!

Se adquirir produtos no valor superior a mil rublos, terá direito a cem gramas* de vodka.

Se adquirir produtos no valor superior a três mil rublos, terá direito a cem gramas* de vodka mais um pepino.


* Segundo o autor, na Rússia a vodka é comercializada em unidades de peso e não em unidades de volume.



O curioso é que, se o cliente for realmente merecedor, recebe gratuitamente o necessário para confeccionar uma bela salada de pepino que, para além de ser riquíssimo em fibras, é muito benéfico para os rins, vesícula e... fígado. Isto acaba por trazer alguma justiça a um órgão que aparenta ser duramente castigado pela fidelização dos clientes neste estabelecimento.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Eluana Englaro


Eluana Genaro faleceu oficialmente ontem às 19h00 (hora de Lisboa), na clínica onde se encontrava desde a semana passada, depois de ter sido tema em praticamente todos os meios de comunicação social nas últimas semanas. Esta italiana, de 38 anos, encontrava-se em estado vegetativo há 17 anos após ter sido vítima de um acidente de viação. Desde então, a sua vida era apenas mantida pelos equipamentos clínicos de suporte de vida que finalmente foram desligados.

Este caso dividiu a opinião pública desde que, há 10 anos atrás, os pais de Eluana reclamaram o direito de desligar o sistema de suporte de vida da sua filha e, de uma forma que me causa profunda irritação, levou a manifestações de histeria tanto de pessoas como de partidos, que se acharam no direito de interferir neste caso, violando a privacidade de uma família com uma dor de 17 anos e desprezando por completo os seus sentimentos, retirando à morte de Eluana toda a dignidade que esta poderia ter tido. 

Será que alguma daquelas pessoas que brandiram cartazes e vociferaram impropérios à porta da clínica, procurando inclusive barrar a entrada da ambulância, conseguirá compreender a dor de uma família que viveu 17 anos no sofrimento da perda de um ente querido sem direito ao luto?

Ridículas foram também as posições do Vaticano e de Sílvio Berlusconi, primeiro ministro de Itália. Por um lado, o "centro da cristandade" alegou que a vida era sagrada pela existência em si e não pela qualidade de vida da pessoa, pondo de lado (porque convinha, talvez) o facto de que, não fossem os meios artificiais de suporte de vida, e já há muito o corpo de Eluana teria cessado de existir, pois eram simplesmente as suas funções vitais básicas que permaneciam sustentadas.

Por outro lado, Berlusconi levou este assunto ao Senado, tentando passar um Decreto-Lei de urgência que impedisse os pais de Eluana de levarem os seus intentos adiante. Perante a recusa do Presidente em ratificar o Decreto-Lei, Berlusconi fez subir os seus argumentos de tom, ao ponto de ter tido que era crime matar Eluana pois esta estava viva e ainda em condições de ter filhos...

Terminada esta triste história, confirmou-se, com 17 anos de atraso, a morte de Eluana e, finalmente, a sua família pode continuar a viver. Algo que irá inevitavelmente conseguir, apesar da hipócrita moralidade de quem tentou decidir a sua vida sem nunca ter sentido e experimentado o que esta família sentiu e experimentou.

fotografia: IGN

Monumento à ousadia afinal era demasiado ousado...

Se a insólita notícia da sua construção me surpreendeu, o mesmo já não direi da descoberta que fiz ao procurar algo sobre este monumento, que havia sido noticiado há uns dias atrás. Como já se esperava, este sapato gigante de 2,5 metros de comprimento e 1,5 de largura, erguido a 3,5 metros de altura, réplica do modelo que foi duplamente projectado pelo jornalista Muntadhir Al-Zaidi na direcção do deposto presidente Bush, aquando da sua última visita ao Iraque, foi demolido... no dia seguinte à sua inauguração. A ordem de demolição veio directamente do governo central iraquiano, e prende-se com o facto de haver acusações contra o jornalista, que se encontra detido aguardando julgamento.

Este sapato foi obra do escultor Laith al-Amiri, que teve a ajuda das crianças do orfanato de Tikrit (curiosamente - ou não - a região de origem de Saddam Hussein), segundo ele "vítimas da guerra de Bush". Ele diz ainda: "The shoe monument is a gift to the next generation to remember the heroic action by the journalist."

Parece que desta forma, o jornalista já não será recordado, mas concerteza não faltará quem mitifique a proeza sob outras formas de expressão, como uma história heróica que corre de boca-em-boca, ou uma reprodução do acto. Disso é prova o arremesso que ocorreu há uma semana, na Universidade de Cambridge, contra o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao. Assim como o egípcio que ofereceu a Al-Zaidi a filha de 20 anos para casar, ou os 10 milhões de dólares que um milionário saudita está disposto a pagar pelo par de sapatos arremessado.

Pensando já na eventualidade de o novo presidente dos EUA vir a defraudar as expectativas dos iraquianos, deixo aqui a sugestão de um modelito que poderá ser usado por qualquer civil durante uma visita de Obama ao Iraque. Isto se ainda não tiver passado de moda...



Fotos: resistir.info e ojornalista.wordpress.com
Info: http://www.uruknet.de/

sábado, fevereiro 07, 2009

Toponímia peculiar


O Luís, um camarada que está sempre na estrada (a viajar, entenda-se e não como em "à beira da..."), publicou uma panóplia de nomes de localidade mais peculiares que encontrou.

De Cachão a Pica, cuja placa toponímica foi subtilmente aumentada de uma prótese em forma de cedilha por um autor anónimo, o visitante surpreende-se mesmo é ao chegar aos Corvos Anais.

Não querendo dissertar sobre as possibilidades da origem do nome da povoação, deixo contudo no ar a questão sobre a designação dos seus habitantes: serão corvenses anais ou corvinos anais?

Mais um simultâneo Blog do Katano e A Funda São

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Engenharia contra a crise

A crise económica, como podemos verificar diariamente através dos media, está a fazer-se sentir com crescente intensidade nas empresas nacionais, fazendo com que "insolvência" e "falência" se tenham tornado termos privilegiados da cultura mediática dos cidadãos. Contudo, há empresas que, recorrendo ao engenho, conseguem encontrar formas brilhantes de escapar a este cenário negro generalizado.

Parece ser esse o caso da empresa encarregue de gerir o parqueamento automóvel pago na cidade do Fundão que, aparentemente, ao constatar que a privatização do espaço de estacionamento, que pratica em certas zonas, tem sido insuficiente para garantir uma boa saúde financeira, decidiu avançar para uma forma mais radical de maximização do espaço disponível.

A foto mostra o cenário com que os automobilistas se deparam, ao procurar estacionar numa certa artéria da cidade, e que desafia as leis da Física. Tendo em conta que esta situação já se arrasta há bastante tempo, só podemos concluir que a empresa estará satisfeita com o novo cenário de estacionamento do parque automóvel. Os automobilistas que usufruem do serviço é que não estarão assim tão radiantes, devido à terrível e prolongada indecisão na escolha de um dos inúmeros novos lugares disponíveis para a sua viatura.

De bananas ou ananazes?... I

Depois da longa espera, está finalmente pronta a prometida posta. Ora como é dificílimo para mim PARAR de escrever sobre a pérola do Atlântico, e porque há muito a dizer, vou dividir o artigo em 3 postas. Aqui fica a primeira com um cheirinho do que aí vem. É uma contextualização geral, uma espécie de KatanoPédia, em jeito de introdução à real posta. Espero que gostem e tenham pachorrinha para lerem tudo. Para mais informações, contactar a euzinha. :)


I – KatanoPédia

(Mapa de Piri Reis - 1513)


Apesar da sua descoberta ter sido atribuída a Tristão Vaz Teixeira e João Gonçalves Zarco em 1419 (ainda que, por uma questão de correcção temporal, a primeira ilha a ser descoberta tenha sido o Porto Santo em 1418), as ilhas que constituem o arquipélago são já referenciadas desde o tempo dos Romanos (conhecidas como as Ilhas Púrpura) e em alguns escritos do século XIV, chamadas de Leiname, Diserta e Puerto Santo. Para evitar uma situação semelhante à acontecida com as Canárias, a sua colonização foi iniciada em 1424/5 por elementos da pequena nobreza, famílias pobres de meios rurais e alguns presos do reino (o que muitos afirmam explicar muita coisa relativamente à personalidade do actual presidente da Região Autónoma), adoptando-se um sistema de Capitanias.

(Divisão em Capitanias, Autor desconhecido, 1888(?))

O seu nome (quer da ilha, quer do arquipélago) atribui-se à variedade luxuriante de vegetação que os navegadores encontraram com espécies até à data completamente desconhecidas dos Europeus (aliás, espécies como os dragoeiros, por exemplo, permanecem, ainda hoje, desconhecidas para muitos).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

Situado em pleno oceano Atlântico, a cerca de 980 kms de Lisboa e a 700 da costa Africana, o arquipélago é constituído por 7 ilhas (e não duas como muito boa gente pensa): Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens, estas duas últimas são pequenos conjuntos de ilhas desabitados e com estatuto de reserva Natural. Apesar de ser um arquipélago mais pequeno que o dos Açores, por exemplo, as diferenças entre as ilhas que o constituem são marcantes. A ilha da Madeira possui um relevo acidentado e inconsistente, a parte norte da ilha dominada por encostas e arribas, onde se encontram os picos mais altos do arquipélago (Pico Ruivo – 1.862m, Pico do Areeiro – 1.815m, etc); e a parte sul onde dominam as paisagens mais planas e menos acidentadas. A vegetação é abundante, rica e variada e, independentemente da altura do ano, a ilha é um ponto verdejante no oceano, pleno de flores e cursos de água. ( e é por isto que a Madeira é um jardim e não por causa do senhor Presidente da Região).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

O Porto Santo, por sua vez, é uma ilha muito menos acidentada, mais plana, com vegetação menos exuberante e mais rasteira, o solo é mais pobre e durante as épocas mais quentes do ano a ilha reveste-se duma tonalidade seca e dourada e algo mais árida. No entanto, é em Porto Santo que encontramos 9kms de extensão de praia de areia fina, com propriedades terapêuticas, devido à sua natureza calcária, característica orgânica que não se verifica em mais nenhuma praia do território Português.


(Ilha de Porto Santo - © SeteLuas [vá n sejam maus, não é uma foto à lá Xamane mas as melhores estão para vir...])


As Selvagens e as Desertas, são extremamente agrestes mas constituem um autêntico paraíso para diversas espécies animais, nomeada e principalmente aves e vida marinha.


(Ilhas Desertas, Vista Aérea - Autor Desconhecido)


(Ilhas Selvagens, © Ivan Ramiréz)




Aberto o apetite, vale a pena continuar? ;)


(NOTA: Todos os direitos de autor são respeitados e mencionados nos termos da lei. :p)

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Curiosidades patrimoniais


Certamente alguns dos leitores já terão visto por esse Portugal fora estruturas semelhantes às da fotografia. Pessoalmente, encontrámos uma recentemente em Monção, junto a uma das entradas da muralha e, já na altura, fiquei intrigado. 

Segundo o Andarilho, a quem com a devida vénia pedi "emprestada" a foto da estrutura existente em Estremoz, tratam-se de postos de controlo utilizados, nos idos anos de 1950, pela Polícia de Viação e Trânsito. Saibam mais clicando aqui.

À frente dos franceses ninguém foge!


Um dos episódios mais conhecidos da História de Portugal é o da corajosa fuga que, em finais de 1807, a Família Real portuguesa empreendeu com destino ao Brasil para, deste modo, evitar cair nas mãos do exército invasor francês, comandado por Junot.

Este plano já tinha na altura quase 200 anos e era equivalente ao actual plano de crise estado-unidense que dita que, em caso de ataque, o Presidente dos EUA use o Air Force One para se refugiar em destino seguro (embora eu não ache muito seguro o Air Force One ser o único aparelho autorizado a voar nesse momento pois tenho a sensação que não será complicado detectá-lo por radar).

Seja como for, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, que os franceses descreviam como "extremamente feio", era também por natureza um homem extremamente hesitante e, só na véspera da entrada dos franceses em Lisboa, se decidiu finalmente pela fuga.

A Família Real saiu então do Palácio de Queluz transportada numa carruagem que, compreensivelmente, procurava chegar ao Cais de Belém o mais rápido possível, isto sob o olhar de espanto do povo que assistia a tudo. Diz-se que a ainda rainha D.Maria I, sob o efeito da demência que já há muito a afectava, se dirigiu então com veemência ao cocheiro: "
Devagar, homem! Vão pensar que estamos a fugir!".

Imagem Wikipedia

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Eu também quero um RSI!!!

Não é todos os dias que a TVI merece a minha atenção mas hoje, acabou por fazê-lo graças a uma interessante reportagem que denunciou (mais) um dos aspectos que fazem dos portugueses, um dos povos com mais Chico-espertice da Europa: a má distribuição do Rendimento Social de Inserção, ex-Rendimento Mínimo Garantido.

A dita reportagem mostrava dois casos perfeitamente díspares: o primeiro de uma mulher que pura e simplesmente fazia a sua vida com base no RSI, prontamente denunciada com total despudor por um seu familiar “Ela não quer é trabalhar!” (a própria equipa de reportagem foi pouco delicada pois foi acordar a senhora quando nem sequer eram ainda duas da tarde).

O segundo, foi de um casal que, tendo ficado sem nada, viu no RSI a solução imediata para os seus problemas, aproveitando-o para relançar a sua vida. Tendo atingido novamente a estabilidade, eles próprios se dirigiram à Segurança Social para terminar a atribuição do RSI alegando que outros haveria a quem o RSI poderia ajudar agora que eles já não precisavam.

Se a ideia que está por trás do RSI é excelente pelo apoio que vem dar a muitas famílias e indivíduos carenciados, peca contudo, como tantas outros apoios estatais, pela deficiente fiscalização da sua aplicação e real necessidade de quem deles beneficia.

Por outro lado pergunto-me se não seria também vantajoso para o país tirar partido desta despesa de uma forma mais prática. Que tal incluir nas obrigações de benefício do RSI a obrigatoriedade periódica de trabalho comunitário ou de benefício público? Será que muitos dos beneficiários se manteriam tanto tempo no desemprego como o fazem agora?

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