sexta-feira, dezembro 12, 2008

Toda a verdade sobre o que poderia ter sido mas (ainda bem que) não foi


Tomei a liberdade de fazer o favor ao Bruno e acrescentei alguns pormenores à foto já aqui publicada, para a tornar bem mais adequada à realidade do famigerado fim-de-semana prolongado e... molhado.

Está bem assim, ó Caetano?

Como um filme de Manuel de Oliveira

E de repente, no espaço de uma semana, o país foi sacudido de Norte a Sul pela súbita constatação de dois factos que, aparentemente, eram completamente desconhecidos pela população, quiçá mais preocupada com a saúde das suas poupanças e o valor da Euribor.


Manuel de Oliveira? Gosto muito! Ele faz o quê, mesmo?

Começando pelo evento mais recente, esta semana o povo descobriu que há em Portugal um cavalheiro com a respeitável idade de 100 anos e que, segundo dizem, até realiza filmes. Subitamente, a comunicação social passou a tratar Manuel de Oliveira como nunca o havia feito antes, quase como figura de estado, e começaram a aparecer fãs um pouco por toda a parte.

No fórum TSF de quinta-feira, por exemplo, sucedeu-se um longo desfilar de fãs recém-assumidos do realizador, um dos quais, em total desrespeito pela sanidade mental pública, afirmou mesmo que era uma pena não haver mais divulgação da obra de Oliveira e que era uma pena não passarem na televisão. Outro ainda, num assomo de regionalismo / bairrismo, desabafou numa curta intervenção que só não havia mais divulgação e mais apoio da obra do cineasta porque ele era do Porto e não de Lisboa. Obviamente que este cavalheiro tem em si, na
mesma medida, o total desconhecimento quer da obra de Oliveira, quer dos apoios que este recebe.

Claro que eu acredito que passada esta moda pseudo-intelectual, a malta não queira ficar meia-hora perante cenas onde, o que de mais agitado sucede, é provavelmente a queda da folha de uma planta que se encontra em 2º plano. O que o povo quer mesmo ver é a Soraia Chaves armada em católica muito praticante, isso sim!

Sincero foi um senhor deputado que, sem papas na língua afirmou que já tinha tido oportunidade de assistir a um filme de Manuel de Oliveira e que, a partir de certa altura a experiência tornou-se atroz e a cadeira onde estava sentado tremendamente desconfortável. Eis um político honesto!

Já que falamos de deputados...

Esta foi a primeira grande revelação da semana: os senhores deputados, eleitos pelo povo para a Assembleia da República, não só começam o fim-de-semana à quinta-feira (presumivelmente à hora do café pós-almoço pantagruélico) como ainda resumem muitas vezes a sua sessão de trabalho ao acto de assinar o livro de ponto para, logo a seguir, irem à sua vidinha. O facto de serem depositários da confiança de uma população de 10 milhões de portugueses é, obviamente, um detalhe.

Há dias dizia uma figura conhecida no nosso meio político que o salário de um deputado não lhe dava para enriquecer pois estes não são assim tão bem pagos quanto se julga. Obviamente que aqui reside a explicação! Tendo em conta que os deputados recebem em média apenas um magro salário base de 3708 euros (ok, pode ser duplicado com abonos mas tenho a certeza que ninguém se mete nisso), é perfeitamente legítimo que procurem outras fontes de receita ou vocês acham que um Audi ou um BMW são tão económicos quanto um Mitsubishi Colt ou um Fiat Punto? Quem é que paga o Imposto Municipal do duplex junto à costa e as mariscadas?

Não posso é, no entanto, ignorar esta ideia incómoda, como se de uma micose mental se tratasse, de que tendo em conta a relação do vencimento com as horas de serviço efectivo, os deputados portugueses (que até são em maior número que os deputados de nuestros hermanos) são provavelmente a classe mais bem paga de Portugal.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Fotógrafos do Katano, uma profissão de risco


Ao fazer alguma "escavação" nos vastos e profundos arquivos fotográficos da Junta Directiva do Blog do Katano é frequente encontrar verdadeiros tesouros de memória. Tratam-se de relíquias que nos transportam, embalados em nostalgia, para outros tempos onde "Magalhães" ainda era tão somente a referência a um emigrante descontente que fez carreira em Espanha e o Sr Eng Sócrates era ainda um engenheiro civil emergente.

A minha última descoberta é bem representativa de como os fotógrafos ao serviço deste blog trabalham por vezes sob duras condições e até mesmo em risco da própria vida, fazendo de qualquer free-lancer ao serviço da National Geographic um verdadeiro amador traquina.

Neste instantâneo, obtido talvez há cerca de 20, 10 ou 5 anos atrás, é possível ver uma fotógrafa do Katano (cujo anonimato vai ser obviamente mantido mediante o pagamento regular de café) operando em circunstâncias verdadeiramente periclitantes perante um estoiro de animais selvagens e endiabrados. Um verdadeiro hino à memória e ao brio profissional!

PS - Em fundo é possível ver um verdadeiro ícone: o Caetanomobile original! Uma verdadeira jóia da motorização do pós-guerra que marcou toda uma geração. 

Prémio de consolação


Consternado pelo ar de desilusão que vi em muitos semblantes dos membros do Blog do Katano perante a inevitabilidade do cancelamento da incursão a Penedono (em relação a Gibraltar poucos reclamaram, curiosamente), decidi brindar todos eles com este instantâneo do Castelo de Penedono.


Ver mapa maior
Não têm de quê.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

A História também se faz com erros de cálculo

"Houve vários pontos de viragem; houve muitos momentos em que o carácter da História foi patente. Correu assim, mas bastava uma seta ter batido um palmo mais para o lado e tudo podia ter sido diferente".
Luís Miguel Duarte - "Aljubarrota, Crónica dos Anos de Brasa"


Heisenberg é um actualmente um dos "monstros sagrados" da Física, tendo o seu nome directamente associado à Física Quântica, um dos ramos maiores desta ciência. Trata-se de um vulto incontornável cujo nome é hoje referenciado de forma obrigatória e com natural admiração. Contudo, há alguns aspectos menos conhecidos da vida de Heisenberg, como por exemplo o facto de ter sido um eminente cientista ao serviço do regime nazi durante a II Guerra Mundial e ainda o facto de ter mudado o rumo da História... devido a um erro de cálculo matemático.

Regressado à Alemanha cerca de um mês antes do eclodir do conflito Mundial, Heisenberg, um profundo nacionalista, foi recrutado pelo governo nazi para trabalhar, ao lado de outros nomes conhecidos como Geiger, no desenvolvimento da tecnologia nuclear alemã, tendo como objectivo último a produção de uma bomba atómica, objectivo então já teoricamente tido como alcançável.

Contudo, por volta de 1942 e após aturados estudos, o grupo de investigação liderado por Heisenberg chegou à conclusão que, para produzir a reacção em cadeia pretendida, seriam necessárias várias toneladas de urânio. A massa exigida tornava inviável a criação de uma bomba, até porque tal quantidade de urânio era impossível de obter, e o projecto foi redireccionado para a criação de um reactor de produção de energia, isto porque a Alemanha parecia já na iminência de vencer a Guerra.

Infelizmente para Heisenberg, a maré cedo virou e em 1945, quando a sorte das armas era já irreversível, ele foi capturado juntamente com muitos outros cientistas alemães e foi levado para Inglaterra onde esteve preso.

Foi então que teve conhecimento do lançamento das tristemente célebres bombas de Hiroshima e Nagasaki e a sua recção foi a esperada: recusou-se a acreditar que fossem bombas atómicas e atribuiu a notícia a uma manobra de propaganda e deturpação americana.

Quando finalmente teve de se render às evidências, Heisenberg refez os seus cálculos e constatou que tinha efectivamente cometido um erro. A massa de urânio necessária era de apenas algumas dezenas de quilogramas.

O mais curioso foi que, após esta constatação, Heisenberg, em conjunto com os outros cientistas alemães, lançou um comunicado no qual afirmava que o suposto erro não havia sido mais que uma forma propositada de evitar que Hitler tivesse acesso a esta arma de destruição maciça.

A dúvida permaneceu até 1992, ano em que foram desclassificados os documentos secretos relativos à vigilância a que haviam sido sujeitos os cientistas alemães e nos quais se referia a forma como Heisenberg tinha tido de engolir o seu orgulho e retratar-se perante os seus colegas subordinados, admitindo o erro cometido.

Imagem Wikipédia

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Subsídio de Fim-de-Semana

Já diz o ditado: "Se um fim-de-semana prolongado agrada a muita gente, dois fins-de-semana prolongados agradam a muito mais". Contudo, este perspectivava-se mais calmo, tendo em conta o facto infeliz de termos tido de adiar a viagem a Gibraltar e o programa alternativo, uma incursão a Penedono (a escolha lógica para quem não vai a Gibraltar e precisa de um programa alternativo), também ter sido anulado devido às condições climatéricas.




Estavamos já preparados para um fim-de-semana de completa inactividade, capaz de rivalizar com o mais paralítico ser do reino vegetal quando, na sexta-feira, o Sr Carteiro surge, qual Frodo Baggins, portando o precioso cheque do Google AdSense. Trata-se do resultado periódico da adesão deste blog ao referido serviço, aliás visível na publicidade que aqui se encontra (para esclarecer dúvidas ler Política de Privacidade).


Perante esta súbita injecção de capital, as perspectivas relativamente a actividades de fim-de-semana tornaram-se subitamente amplas. Obviamente que, desde a primeira hora, a ideia principal foi desde logo organizar uma mega-jantarada mas a ideia de um conjunto de actividades meramente de cunho mundano e de exercício da gula desagradava um bocado.

Por isso, procurando dar um "je ne sais quoi" de cultura ao fim-de-semana, decidimos ir assistir ao Concerto da Orquestra Sinfónica da ESART no Cine-Teatro de Castelo Branco, magistralmente dirigido pelo nosso já conhecido camarada Martin André.


Ficámos de tal modo impressionados pelo concerto, devidamente enquadrado pelos sons oriundos de um folheto mal dobrado que uma senhora insistia em usar vigorosamente como leque e que a cada passagem lhe raspava na manga, que lançámos o repto mútuo de ir assistir a novo concerto ainda nesse mesmo fim-de-semana.


Analisadas as possibilidades e ainda recorrendo ao grande Zé, profundo conhecedor do panorama musical em curso e que sabe reconhecer o apreciador de música que há em cada um, a escolha recaiu no Sábado nos Arbórea, um interessante dueto do Maine com uma música que alterna entre o folk e o espiritualismo que actuou na Moagem.



No Domingo cumpriu-se finalmente o propósito de todas estas manobras de diversão: a mega-jantarada que se reuniu sob o pretexto de assinalar a inclusão do título de "Sra Dra" na correspondência da Nelly e, ao mesmo tempo, de reunir um apreciável conjunto de cobaias para o exercício da experimentação culinária do proprietário do Blog. O momento alto não foi o visionamento da película "O Panda do Kung-Fu" mas sim a dúvida que durante largos minutos se colocou perante uma das decorações das magnificamente saborosas entradas do repasto: o bicho que abocanha a folha de couve é um golfinho ou um pato?

sexta-feira, dezembro 05, 2008

E as obras públicas, senhor?

Este fabuloso instantâneo, obtido em 2005, que pedi emprestado ali ao Blog da Carpinteira retrata bem a angústia da população de um Portugal Profundo que, na iminência de tempo de eleições, faz questão de chamar a atenção para o eterno problema das acessibilidades.

Um verdadeiro hino à determinação do povo e, já agora, ao Acordo Ortográfico. O certo é que o pedido chegou a quem devia chegar e a estrada foi mesmo repavimentada. 

Com isto, consigo pensar facilmente em 5 ou 6 locais onde ficaria bem um cartaz do género...

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Finalmente!

Hoje é um dia feliz!
Passados 5 anos e uns pozinhos fui defender a tese, etapa que me faltava para terminar a licenciatura. Depois de 30 minutos de uma exposição oral brilhante (!) fui bombardeada por inúmeras questões de um membro do júri de avaliação, que, juro, durou mais que a apresentação do trabalho!...Mas no final renderam-se!

Agora vou poder dedicar-me ao trabalho a 100%, sem mais preocupações.
É que eu, além de adorar o que faço, até sou remunerada por isso! Não é fantástico?! É que há pessoas neste blog que não podem dizer o mesmo! A sorte que eu tenho em não trabalhar para o Estado...

P.S.: Obrigada a todos pelas respostas aos questionários e obrigada a alguém pelas palavras de incentivo e optimismo que deixou gravadas no meu telemóvel minutos antes do grande momento.Gosto de ti nusco!Muito!

1500 euros para quem der ao filho o nome próprio de Mussolini

«Chamar a um recém-nascido Benito, pode valer 1500 euros. Pelo menos é o que o partido neofascista italiano MSI-Fiamma Tricolore quer oferecer à população de cinco aldeias da região de Basilicata, no sul de Itália.

O partido de extrema-direita MSI-Fiamma Tricolore justifica a intenção de "ressuscitar" o nome próprio de Mussolini com o problema do despovoamento da região, querendo incentivar a natalidade, noticia o site do jornal italiano La Repubblica.

Mas o verdadeiro motivo da oferta prende-se com o eminente desaparecimento dos nomes Benito e Rachele da sociedade italiana, nomes próprios do ditador Mussolini e da sua mulher. Após a Segunda Guerra Mundial, os pais italianos passaram a deixar estes nomes de lado com receio da conotação ao casal fascista. Mas, para o secretário regional do partido, usar estes nomes serve para “honrar as raízes profundas do partido".

A oferta deverá entrar em vigor em 2009 e o dinheiro deve ser usado pelos pais unicamente para comprar roupa, berços e comida aos bebés.»


- in Jornal de Noticias


Numa altura em que nos bancos dos jardins ao domingo à tarde: "Se o Salazar voltasse é que era", penso que quando dermos por nós temos os putos todos a chamarem-se Salazar e Marcelo Caetano e afins. Eu acho isto tudo muito positivo, porque já não há pachorra para a nova vaga de Cristianos Ronaldos e MikaEIS que proliferaram como cogumelos na sociedade portuguesa nos ultimos anos (vá lá entender-se o porquê...) e, porque umas coroas extra na conta bancária dão sempre muito jeito mas, "A word of caution to this tale" Numa altura em que tudo vale para recuperar ideologias perdidas e que, cada vez mais, se ouve, convém contar que as criancinhas correm desde cedo o sério risco de estarem constantemente a cair da cadeira abaixo e de se tornarem despotas na altura de comer aquela mistela verde a que os pais chamam de sopa. Dizem que o nome dita a personalidade e é meu dever cívico alertar para estes pequenos pormenores... ;)

(I)mobilidade


Vai uma aposta em como, se o proprietário efectivamente possuir um automóvel, este já não sai da garagem há algum tempo?
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